Do cotidiano, mãe zen, mundo afora, parto, uk, Violeta

um breve relato do que foi e do que tem sido

Violeta já tem nove semanas,e parece que foi ontem mesmo que a segurei em meus braços pela primeira vez. 

e parece que foi ontem mesmo, depois de cinco horas de parto ativo, sendo duas de expulsivo e uma cesárea de emergência,  que eu finalmente conhecia a minha menina.

nunca pensei que faria parte das estatísticas das cesarianas que salvam vidas, ainda mais após um primeiro parto vaginal, onde fisiologicamente foi tudo perfeito. ninguém esperava. nem eu, nem João, nem as midwives, nem os médicos. mas fizemos parte.

e tê-la em meus braços depois de toda minha Via Crucis foi a maior e melhor sensação de alívio da minha vida. 

tem sido uma delícia amamentar novamente. ela não é tão gulosa como era seu irmão, mas ainda assim mama bastante, a minha pulguinha.

aliás, tem sido uma delícia ter um bebê de novo em casa.

Tomás está apaixonado pela irmã e tem se saído muito bem como irmão mais velho. tivemos alguns dias de choro, uma sensibilidade maior, mas tudo foi se ajustando e ele agora não tem sentido mais as mudanças na sua rotinininha. 

eu estou ótima físicamente, jamais esperava me recuperar tão rápido como me recuperei. emocionalmente então, nem se fala.  eu que experimentei uma depressão pós-parto da primeira vez, sei hoje o que é estar bem depois da chegada de um filho.

e eu não tenho tido tempo de passar por aqui por motivos bastante óbvios: quando Violeta dorme eu tenho que escolher entre lavar a louça ou a roupa, ou tentar arrumar a casa, ou comer ou tomar banho, ou ir ao banheiro… e quando me dou conta, já é hora de buscar o Tom na escola.

por falar em escola, vem “ni mim” férias de verão! é só o que penso.

e é isso, por ora, o que tenho para dizer. Vivi dorme há meia hora, e antes que ela acorde para mamar, vou lá lavar uma louça.

mas volto pra relatar com detalhes o nascimento da Vivi. Alguém ainda se interessa por relato de parto?🤔

beijos nossos e até o próximo post.

Da poesia da vida, gravidez, parto, segundinho, uk, Violeta

nasceu!

nossa primavera ficou mais cheirosa, mais bonita e mais florida desde a semana passada com a chegada da nosssa flor.

depois de 40 semanas + 6 dias, depois de achar que ficaria grávida para sempre, depois de luas e mais luas…

Violeta nasceu às 18:58 h de uma quinta-feira, véspera de feriado, muito saudável, fofinha e cabeluda. e linda linda linda !

seja bem-vinda minha flor! Violeta nosso amor💜💜💜


volto com detalhes assim que possível.

Do cotidiano, palavras soltas ao vento, segundinho, uk

sobre um montão de coisinhas

pois é, o tempo passou mesmo. é que o tempo costuma passar, não tem jeito. mas a verdade é que cheguei à trigésima sétima semana de gravidez e daqui pra frente nossa bebê pode nascer a qualquer momento.

eu confesso que senti muito medo no início dessa gravidez. um medo insano de perder essa bebê. não sei se porquê o pré-natal aqui começou só na décima semana, não sei se pelo fato do primeiro ultra som ter sido feito com 13 semanas, só sei que queria que chegasse rápido na semana 16 para afastar todo risco de perda (perceba que não era nem na décima segunda semana, eu encasquetei nas 16).

olhando agora, parece bobagem, mas eu fiquei bem esquisita no começo. mais uma coisa que vai pra conta dos hormônios enlouquecidos. sei também, que depois de passado o medo da perda, o segundo trimestre foi um bololô só. eu não curti a barriga como da primeira vez, eu tinha (e tenho) tantas coisas para me fazer e me concentrar, além de ter um filho pra cuidar.

e assim o tempo passou. e até aqui eu não tinha parado pra pensar no óbvio: como vai ser a vida com dois filhos? não sei se vale muito a pena ficar torrando a cabeça com essa questão, porque afinal, terei dois filhos e  todos sobreviveremos. mas mesmo que eu apele para o racional (o que é difícil, uma vez que estou com os sentimentos à flor da pele), quando paro para pensar nos desdobramentos da nossa nova configuração familiar, fico tão sentimental.

como será que o tomás vai reagir? como será que vai se sentir? como eu vou me sentir? como eu vou reagir perante às demandas do meu primogênito com um bebê cujas demandas são tão urgentes? conto, claro, com o fato de ter um filho de seis anos com o qual posso dialogar e que já entende muita coisa.

também foi assim da primeira vez. eu não imaginava como seria a vida depois da chegada do tomás, e tudo se encaixou. de um jeito ou de outro. no seu tempo. do jeito que tinha que ser. não tem porquê duvidar que  será diferente dessa vez, não é mesmo? (pergunta retórica, eu tento me convencer o tempo todo sobre isso).

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sobre o parto agora. como cheguei na 34. semana sem nenhuma complicação, bebê virou, placenta subiu, pressão ok… pude ser direcionada para o birth centre. minhas consultas  agora são feitas lá até o dia da bebê nascer.

sexta-feira passada foi minha primeira consulta, e eu simplesmente fiquei muito em paz como minha decisão de ter escolhido o birth centre para trazê-la ao mundo. o lugar é muito acolhedor, calmo,tranquilo, e em nada lembra um hospital, embora seja dentro do hospital. sobre as midwives, então, uns amores!

agora se eu quiser uma epidural, eu terei que ser transferida para o hospital. porém, além do gás (entonox), no birth centre eu posso receber uma injeção se pethidine (não sei como chamam no brasil). obviamente, se assim eu quiser.

sabe, depois do meu primeiro parto, onde não recebi nenhuma anestesia, eu posso dizer que não descarto os métodos acima para alivio das dores.

eu sempre disse para o joão que se u parisse de novo, eu queria um parto civilizado hahaha!  digo isso porque no meu primeiro parto eu virei um bicho que parecia enjaulado, porque gritei, porque virei uma fera, porque perdi meu eixo, porque me perdi, porque não conseguia mais ser consciente, porque eu era puro instinto.

bom, parir é isso mesmo. é instintivo, é visceral, é entrar em contato com o feminino mais ancestral, arquetípico. parto é também sexualidade. é sombra, é encarar os maiores medos.  é, muitas vezes, trazer à tona aquelas coisas bem escondidinhas no inconsciente.

teve um texto que viralizou por conta disso e que eu transcrevo abaixo:

Sabe aquela imagem dá mulher parindo serena na banheira, esquece aquilo miga! Parir é primitivo, é irracional. É preciso perder uns tufos de cabelo, gritar, gemer, tirar a roupa, agachar, ficar de quatro, uivar, ficar com raiva de todo mundo, sentir medo e explodir em alegria. Entrar numa caverna tão profunda que você nem sabia que existia. Parir serena, sem cheiro, sem excreções, bela, recatada e do lar, é só no imaginário das pessoas. Pq miga, alguém vai atravessar você, vai passar por voce, vai abrir você, vai te jogar teu mundo no chão e reconstruir outro, não tem como ser fácil, não tem como não dar medo, mas ainda sim tem como ser prazeroso. Tira as rédeas das mãos dos outros e coloque na sua e grite o quanto quiser, pq o poder, ahhhhhh vc vai experimentar que realmente você pode tudo. autoria thaiane guerra caetano.

eu super concordo com a thaiane. mas, às vezes, o mergulho é tão fundo que a subida para superfície é mais dolorosa que a própria descida. e by the way, essa sensação de poder tudo, de me sentir a própria she-ra, a fodona, eu não tive depois que meu filho nasceu. eu fiquei anestesiada. exaurida. calada. eu queria virar caramujo.

 

claro que quero ser protagonista do meu parto. mas eu também quero ser uma protagonista mais consciente dessa vez, e não joguete dos meu próprios instintos.

esse assunto dá pano pra manga, e muita gente não vai entender ou vai entender aquilo que quer das minhas palavras.

certamente voltarei para falar do parto, uma vez que ele é um evento que demora tempo para ser digerido. e quem sabe também, dessa vez, eu acabe por me perder e adore a experiência. afinal, parto é um evento único, e cada filho traz consigo o que filho e mãe precisam.

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puxa, ainda preciso cortar o cabelo, fazer a sobrancelha, passar algumas roupas dela, arrumar nossas malas da maternidade, abastecer o freezer…

e ainda queria ir, antes dela nascer, aos meus cafés favoritos, terminar de ler os três livros que concomitantemente estou a ler. queria ir para londres mais uma vez, queria ver aquela exposição que há tempos estou para ver.

mas estou a limpar cada canto da casa, a jogar fora muitas coisas, a organizar o que parece já estar organizado.

que coisa esse tal de nesting!

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a bebê continua sem nome, e sabe o que é mais difícil? lidar com a ansiedade dos outros. estamos tranquilos quanto à isso. temos até seis semanas para registrá-la. obviamente, não gostaria de ficar seis semanas sem nomeá-la, mas acho que quando ela nascer vamos olhar para ela, e ela vai nos cantar seu nome.

as pessoas do nosso convívio direto são super ok, não ficam perguntando toda hora.

mas tem gente que só por deus. é por direct no instagram, é por mensagem no facebook, é por email… olha, minha vontade é perguntar se a pessoa quer saber o nome para me enviar um presente com o nome dela gravado.

meus parabéns às mães que resolvem não saber o sexo do bebê. deve ser um porre aguentar a ansiedade alheia, nesses casos.

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bora fazer um bolão? quando você acha que a bebê chega?

37 semanas (por favor, espera mais pouquinho!)

38 semanas (ok, mas seria melhor esperar a vovó chegar)

39 semanas ( super ok)

40 semanas ou mais ( ansiedade já atingiu níveis estratosféricos)

façam suas apostas e sobretudo, torçam por uma boa hora.

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um resumo de como eu me sinto por ora

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fim

 

 

 

 

 

 

 

 

amamentação, dica quente, gravidez, mamalicious, naturebices, parto, parto humanizado, segundinho, uk

meus favoritos

tem três coisas que eu usei na gravidez passada, e dessa vez não poderia ser diferente. porque coisa boa a gente agarra um amor e não deixa de lado por nada. na verdade, eu só tenho óleos para eles. perdoem-me o trocadilho infame, e vamos ao que interessa.

o primeiro deles, eu uso desde o começo da gestação, e na minha opinião é simplesmente ma-ra-vi-lho-so!

é o óleo da weleda para prevenção de estrias. eu não tenho palavras para dizer o quanto amo esse óleo. o cheiro é suave,  absorve super rápido na pele, super efetivo e além do mais, ele é feito com ingredientes naturais. nada de parabenos e outras porcarias mais.

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até tentei fazer uso de outro óleo, mas o cheiro me embrulhava o estômago, além de me deixar toda melecada. eca!

como eu disse, eu uso desde o começo da gravidez, e depois do parto também, quando a barriga começa a voltar para o seu tamanho original.

o outro óleo igualmente fantástico, é  também da weleda, e é para massagear o períneo. se você deseja um parto natural, deveria fortemente considerar usá-lo. diferente do óleo para barriga, esse óleo é para ser usado a partir da 34. semana da gravidez.

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as instruções de como massagear o períneo você vai encontrar no folheto explicativo que vem na embalagem.  não precisa ser todo dia, três ou quatro vezes por semana já são suficientes. uma dica: faça de bexiga vazia. outra dica: peça ajuda para seu parceiro/marido/namorado para fazer a massagem. não precisa me agradecer por isso ;-).

a minha recuperação física depois do parto do tomás foi excelente. eu sentava, agachava, ia sem problemas ao banheiro. é claro, que ter uma equipe humanizada foi fundamental, mas o óleo também cumpriu sua função. não apenas recomendo, como usarei novamente.

o último, mas não menos importante,  óleo da minha lista é o óleo que ajuda na amamentação.  atenção agora: ele não vai sozinho resolver os seus problemas. se você estiver tendo problemas para amamentar consulte um profissional de saúde entusiasta da amamentação para orientá-la.

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ele é feito com óleos essenciais naturais (assim como todos os óleos da weleda),  que ajudam a estimular o fluxo de leite. e é para ser usado a partir da 38. semana de gestação.

como o tomás nasceu de 38semanas + 3 dias, quase nem deu tempo de eu usar grávida. mas o alívio que o óleo me trouxe, especialmente no começo, quando o leite parece descer de uma vez e o bebê não dá conta de tomar aquela quantidade de leite, foi e-nor-me!

eu esvaziava meu peito massageando com o óleo e  se não fosse por ele, certamente teria sido infinitamente pior.

o chá da weleda para amamentação também é bárbaro! além de, na minha opinião, ser delicioso. não veja a hora de voltar a tomá-lo!

para mim vale a pena todo investimento (porque sim, weleda não é baratinho) e eu recomendo fortemente esses óleos de ouro.

desnecessário dizer que sou fã número um da linha calêndula para bebê da marca.

e é isso. esse post não é jabá e coisa boa a gente passa pra frente mesmo!

 

 

aguenta coração, Da poesia da vida, gravidez, mundo afora, segundinho, uk

30 semanas

cheguei à trigésima semana, e quero deixar aqui registrado o quão chocada eu estou com a rapidez que esta gravidez tem passado. serião!

se a bebê tiver pressa como o irmão, que cutucou a bolsa e resolveu sair com 38 semanas + 3 dias, eu confesso um leve desespero. 8 semanas restantes, na velocidade em que o mundo tem girado, é praticamente depois de amanhã!

exageros (e desesperos) meus à parte, minhas preces são para que ela espere o mês de março dentro do forninho. março será um mês cheio de acontecimentos por aqui, e por isso mesmo, seria otimo se ela esperasse minha mãe chegar do brasil, e mais ainda, esperar o joão voltar de viagem. porque parir sem anestesia eu aceito, mas sem marido já é demais.

até aqui a gravidez tem sido super tranquila. a barriga deu um boom, e tenho tido insônia (o que é um ultraje, visto que depois que a bebê nascer dormir não será uma opção no começo), mas apesar da insônia tenho me sentido disposta.

a lista de preparativos para antes da chegada dela caminhou a passos lentos (devido à uma gripe terrível que derrubou o filho, o pai e a mãe. não ao mesmo tempo, mas necessariamente nesta ordem), e ainda assim estou tranquila, uma vez que colocando tudo na ponta do lápis, não falta muito.

falta pouco para conhecê-la e ao mesmo tempo falta muito. percepções e contradições gravídicas. aliás, até aqui nessa gravidez eu fui assim, uma metamorfose ambulante. altos e baixos estados de espírito, emoções à flor da pele, choros porque esqueci de comprar salada… bem diferente da minha primeira, quando eu fiquei constantemente de bom humor e sereníssima; nada me abalava, tudo estava bom. curioso,  não é?

no mais, estou muito satisfeita com minha midwife,  que é muito calma, experiente e atenciosa. e eu queria muito que o universo conspirace a meu favor,  e ela estivesse de plantão justamente quando eu entrasse em trabalho de parto. já pensou que tudo? isso pra mim seria como zerar no tetris da vida.

ando devagar porque a barriga não permite a pressa, e tenho procurado resolver uma coisa de cada vez. riscando item por item da minha to do list. e não existe sensação mais maravilhosa do que ver uma lista com todos os itens ticados. juro que atualizei minhas definições para paz de espírito depois de resolver minhas listas.

e assim segue a vida. e como não posso controlar quase nada, tudo o que me resta é entregar, aceitar, confiar e agradecer. ela que venha no tempo dela, que as coisas aconteçam no tempo que tiverem que acontecer. como já bem disse o leminski: não discuto com o destino, o que pintar eu assino.

pois é, com o destino não se discute. e acho que tem muita poesia nessa aceitação, viu!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

a descoberta do nome, gravidez, mundo afora, segundinho

da difícil (e deliciosa ) arte de escolher o nome da bebê

 

sabe,  quando eu morava em são paulo eu tinha uma faxineira chamada rosália. a rosália um dia me perguntou se eu já sabia o nome do bebê (na época eu estava grávida do tomás). como nós ainda não haviámos decidido o nome dele, eu disse  a ela que não, o bebê ainda estava sem nome.

rosália com toda sua simplicidade me disse que eu precisava escolher um nome bem do jeitinho do seu joão e da dona gabriela. como eu não entendi o que ela quis dizer, ela se explicou dizendo que deveria ser um nome comum, assim como o meu e o do joão, afinal de contas o diferencial do meu bebê já era a sua classe social e o sobrenome que ele carregaria.

o filho dela, por exemplo, se chama kelvin e ninguém mais na escola, ou na rua, ou no bairro tem o mesmo nome do filho dela. porque sabe dona gabriela, joão da silva tem de monte, mas kelvin da silva só tem um.

aquilo me calou fundo.

eu nunca mais me esqueci disso. e ficou claro para mim, que embora todos os pais e mães, em algum momento da gravidez, se ocupem com o tema nome que o bebê receberá, essa “problematização” exagerada, às vezes,  é muito mais uma questão para classe média branca, dentro do modelo família chamado tradicional.

afinal, uma celebridade qualquer escolher um nome diferentão pode ser bacana, mas uma pessoa comum, uma diarista, por exemplo, inovar na escolha, já é coisa de pobre.

juro que antes eu criticava essas pessoas por escolherem grafias pouco usuais, ou combinações de nome nada ortodoxas; afinal, existem várias gabrielas, mas gabrielly, com sorte, só a minha filha. existem outros cléber e outros edson, mas cleberson, só meu filho. e sem juízo de valor aqui, os exemplos são aleatórios, e apenas para explicar meu ponto de vista.

esquecemos que no brasil, infelizmente, ainda existe uma massa analfabeta ou semi-analfabeta*, que provavelmente (isso é uma dedução minha, sem respaldo científico) deve se encantar com a possibilidade de dar ao filho um nome cheio de volteios. eu sei também, que nem todas as pessoas que escolhem grafias duvidosas e/ou nomes nada convencionais, possuem a mesma simplicidade e o mesmo pensamento da rosália. nesses casos eu me pergunto por que um tabelião não orienta a pessoa que vai registrar? será que eles são proibidos de o fazerem? de verdade, eu queria saber. se alguém souber, por favor, me responda.

então, perceba que querendo ou não, nosso nome é nossa assinatura no mundo, e diz muito sobre nossas origens. não só, mas inclusive social.  e não sou só eu que falo isso, não. muitos estudos sobre nomes já foram feitos. por exemplo, na alemanha, alguns nomes já são olhados com preconceito pelos professores, antes mesmo deles virem a conhecer os alunos. o mesmo aqui na inglaterra. não só na escola, como também mais tarde, ao se candidatarem para um emprego.

nome é coisa bem séria. carregar um nome com o qual a pessoa não se identifica ou pior, que a pessoa venha a se envergonhar, deve ser um martírio. nosso nome é como nos apresentamos e como somos conhecidos, não é mesmo?

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mas o post acabou tomando um rumo muito sério, rumo esse que eu não queria que ele tomasse.

traremos agora uma certa leveza. não saia da frente da tela.eu, por exemplo, tenho um nome que muito me agrada e que acho muito bonito, mas que eu jamais colocaria numa filha minha. o nome em questão é pia, e vem do latim piu, um adjetivo que que dizer piedoso. mas eu tenho certeza que você não pensou em piedade quando leu pia; certamente você pensou em pia como substantivo ou ainda, como flexão do verbo piar.

são nessas horas que a gente para e pensa. a grafia não é nada extraordinária, o significado é bonito (na minha opinião), mas… por razões óbvias acima citadas, é um nome que traria problemas.

eu tentei dar um sambarilove no nome e cheguei a sugerir pina, que é outro nome que me encanta, mas o joão vetou. pô joão, e a pina bausch?

e tem também um nome que eu li pela primeira vez, eu deveria ter uns doze anos. minha mãe sempre assinou aquela revista arquitetura e construção, e eu sempre adorei ler as revistas da minha mãe. naquela edição, de tantos anos atrás, tinha uma reportagem de uma família que reformou um sobrado numa vila em são paulo. a reforma ficou espetacular, até hoje me lembro da cor da casa, da árvore plantada na frente, do jardim…

mas no fim da reportagem, aparecia o casal com os filhos, um menino e uma menina. e o nome daquela menina, fez meu coração sobressaltar. o nome dela era violeta.

embora meu marido seja neutro em relação a violeta, ele não é muito entusiasta. não tanto quanto eu. e confesso que me dá uma dorzinha no peito abrir mão do nome. mas nessas coisas não tem como forçar. ou é o nome da nossa bebê, ou não é. e eu, infelizmente, devo admitir que não parece ser. aguardo esperançosa por uma reviravolta.

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tem também os nomes vetados, que nem puderam ser mencionados mais uma vez, que tiveram vida muito curta. a saber:

1. joana (joão achou brega ter uma filha joana, sendo ele mesmo joão, humpf),

2. olivia (não sei o porquê desse desgoto com o nome),

3. cora (segundo ele, fora de cogitação. segundo eu mesma, descabidamente).

ah, e tem os nomes que para o maridão além de terem vida curta, entraram na categoria non sense de gabriela. são eles:

  • rosa. gente, qual o problema com rosa? muita gente, inclusive meu marido, diz que rosa é nome de velha. oi? e aurora por acaso não era até trêsantonte? e o que dizer de eva ou joaquim? todo mundo dizia ser nome de gente velha e estão aí, com tudo. e são lindos!
  • florence. eu sabia que ele jamais aceitaria, mas propus mesmo assim. e gosto mesmo. e tenho dito!
  • stella. fala pra mim desde quando stella é non sense? homens…
  • lilly. sem palavras…

emma e lucy também foram excluídos, por serem, segundo ele, muito ingleses.

veja, existe uma dificuldade real, afinal de contas, procuramos um nome que tenha uma grafia simples, e que funcione tanto em português quanto em inglês.

tá fácil, não.

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deixa eu contar um historinha aqui pra você.

eu sempre tive cadernos onde eu escrevia minhas coisas. não eram diários, eu escrevia sempre que queria, às vezes, mais de uma vez no dia, às vezes ficava um tempo sem escrever.  eu copiava poesias, escrevia as minhas próprias, falava sobre um filme que tinha visto,  uma viagem, um passeio que havia feito, me queixava, me alegrava… enfim, sempre fui de tomar notas sobre minha vida.

os anos se passaram, estava eu já grávida do tomás, bem na reta final,bem barriguda. já havíamos descobrido que o nome dele era mesmo tomás, e então, num belo dia, meus pais foram nos visitar.

minha mãe trazia consigo uma sacolinha cheia desses meu caderninhos da minha infância/adolescência. disse que  havia trazido por não saber o que fazer com eles. se eu quisesse que os guardasse na minha casa, se não, que os jogasse. deixei-os de lado, e passamos o fim de semana conversando, passeando, comendo e descansando. mal sabia eu que seria o último fim de semana sem bebê.

lá pelo meio da semana, eu resolvi dar uma olhada naqueles cadernos antes de jogá-los. e me diverti muito ao reler tanta coisa de tantos anos passados. mas um dos cadernos me deixou perplexa.

era do ano de 1994. eu tinha quatorze anos (entreguei lindamente minha idade agora). e no meio de tantas páginas, em uma delas, eu escrevi assim:

9 de junho de 1994

querido diário, hoje é meu aniversário. hoje eu faço quatorze anos, mas eu queria ser bem mais velha. eu queria viajar o mundo. eu queria ter um namorado.

não faz mal. um dia, diário, eu vou viajar o mundo inteiro. e vou morar na inglaterra.

o meu namorado vai ser muito inteligente e vai querer viajar comigo. eu vou me casar com ele, e nós vamos ter dois filhos. um vai ser menino, e vai ter uma menina também. o nome do menino vai ser tomás e da menina vai ser …..

e a carta continuava.

quando eu li aquilo, eu corri mostrar para o joão. nós rimos muito, mas não pudemos deixar de nos impressionar com o fato do nome do tomás ter sido escolhido aos meus quatorze anos de idade. e juro, juradinho, que não me lembrava disso.  imagina, durante a gravidez o tomás foi miguel, foi lucas, foi tiago, foi téo, foi max…

bom, mas e o nome da menina? pois é, como a gente se lembrava de antemão dessa carta, e portanto, já sabíamos da existência do nome, eu fiquei bastante relutante em colocá-lo na rodada de nomes.

mas, por mais incrível que pareça, é o nome mais forte e mais cotado. não vou dizê-lo agora, porque sou muito influenciável. e por mais que seja o mais forte, ainda não é o definitivo.

ainda falta muito pra conhecer o mundo inteiro, mas muita coisa da minha profecia aos quatorze anos se concretizou. afinal, me casei com meu primeiro namorado, e quando eu disse que ele seria inteligente, eu não imaginva que seria desse tanto que ele é. nem tampouco imaginava que ele não só iria querer viajar comigo, como iria me arrastar para todo canto com ele. na época  em que reli o que havia escrito, a inglaterra não fazia parte nem dos nossos planos mais remotos, e pá…cá estamos. e temos um tomás. e teremos uma menina. ou seja…

agora, se esse vier a ser mesmo o nome dela, eu já posso mudar os rumos da minha vida e me tornar a próxima mãe diná, né nom!

tô até vendo a plaquinha que eu vou por na minha tenda: mãe gabriela. traz amor. traz viagens e descobre o nome do seus filhos. e aí, se anima?

*segundo dados de 2015 do ibope a porcentagem de analfabetos no brasil é de 8,7%. os números chegam a 27% se incluirmos os analfabetos funcionais, aqueles que reconhecem letras e números, mas não conseguem ler e escrever propriamente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ano novo

adeus ano velho, feliz ano novo

eu sei, pode parecer bobagem, afinal já estamos na metade (para mais) de janeiro, o que também pode parecer um pouco tarde para os votos de um feliz 2017. mas considerando que ainda estamos no primeiro mês do ano, acho válido desejar feliz ano novo assim mesmo!

o que foi o ano de 2016, minha gente? bom, falando no coletivo, pensando no mundo, na minha opinião, foi um ano de chorar. do brasil só chegaram notícias tristes. eu tenho a impressão de que existe um plano consciente de desmonte e destruição do país, e nós estamos assistindo sem acreditar e sem ter o que fazer, parece. por aqui teve o brexit, e teve o trump na nação mais poderosa do mundo, e tem a síria… olha, dureza.

mas sendo um pouco egoísta agora e falando apenas do meu umbiguinho, 2016 foi um ano belezinha! meu ano carrasco foi 2015, 2016 foi gentil e suave. e claro, a cereja do bolo foi a gravidez. mas não foi só a gravidez não. terminamos o ano com tomás felizão e adaptado na escola. e não só na escola, tomás está felizão e adaptado na nova vida. pessoalmente eu também terminei o ano satisfeita comigo mesma, consegui cumprir muitas metas, inclusive a de consumir menos e viver uma vida mais simples e mais consciente. além de 2016 ter me trazido pessoas incríveis. se foi só alegria? claro que não. mas foi um ano bem especial.

o engraçado é que pra mim,  aqui no hemisfério norte, eu sinto que o ano muda no calendário, mas particularmente, o ano novo só chega mesmo no fim de março, começo de abril. minha teoria pessoal para tal sensação se deve em muito, pelo fato dos piores meses de inverno (para moi), serem justamente janeiro e fevereiro. em dezembro temos todo aquele clima natalino, temos as luzes e os cheiros e as cores da festividades, e por cá temos também o aniversário do tom. o que torna dezembro um mês bem especial para mim.

é quando eu desmonto nossa árvore e guardo toda nossa decoração de natal, que parece cair  sobre mim de uma  só  vez a realidade nua e crua de que  ainda terei longos, molhados, gelados e escuros dias pela frente. mas nada como boas xícaras de chá, e banhos de banheira, e caminhadas na natureza, e comidas reconfortantes para trazer uma alegria interna e uma energia extra.

e para tornar mais forte essa sensação de que meu ano novo só começa no fim de março, teremos a chegada da bebê em abril! por falar em bebê e espantar essa deprê invernosa, ela está ótima! tem crescido e mexido, e tem sido ansiosamente aguardada por todos nós.

aqui dentro ela vai bem, e eu sinto que estou atrasada no quesito enxoval. sinto não, tenho certeza de que estou. comparativamente, com 28 semanas de tomás já estava tudo comprado. acho que com o segundo filho a gente vai mais devagar, né.

olha, ela não será nenhum rato pelado que nasce no meio do mato, afinal ela já conta com muita coisa, e ainda falta um tempo pra ela chegar. tempo esse que será devidamente aproveitado para os preparativos finais. mas, verdade seja dita, os preparativos finais não são tão finais assim.  falta coisa. pra caramba.

joão viajará menos nesse ano, e eu agradeço. a dinâmica familiar com a chegada da bebê vai mudar, e por mais que seja previsível isso, é somente com ela aqui fora que poderemos avaliar o tamanho do impacto.

e assim caminhamos.

a 2016 eu agradeço pelo tudo que me trouxe, a 2017 eu agradeço pelo tudo que trará. e desejo que esse ano que já começou seja mais bondoso, mais fraterno e mais pacífico.

torçamos para que assim seja!

 

 

 

 

 

antes de ser mãe eu não sabia que..., dilemas da vida moderna, Do cotidiano, filosofia de boteco, mundo afora, uk

dos ares ingleses e da maternidade compulsória

os ares ingleses não têm sido gentis conosco. desde que chegamos aqui o tomás passou por cinco viroses terríveis. claro que coincidiu com o fato dele ter entrado na escola, e sua convivência com todos os novos vírus que o cercam.

o mais recente deles foi um noro vírus (ou a gripe do estômago) extremamente popular nos meses de inverno por aqui. é o inferno na terra, ainda que por 48 horas. vômitos de hora em hora, roupas de cama, toalhas, paredes e chão carimbados, diarréia, uma criança amuada, e máquina de lavar e secadora trabalhando à exaustão.

nossa senhora da gestação dessa vez não deu conta. achou que limpar tanta sujeira e receber um jato de vômito nos cabelos já era demais, e tirou sua proteção.  resultado óbvio, eu peguei a virose. ontem eu estava só o reboco. acabada era pouco. hoje eu consegui manter uma maça, duas torradas, e líquidos (água, chá, limão com água) no meu estômago.

a despeito de toda escatologia hoje, embora me sentindo fraca, eu sai da cama para ler e aproveitei para dar uma espiada na internet.  e a internet é sempre um campo muito vasto e fértil, não é mesmo?

e foi nesse vasto mundo que eu me deparei com essa reportagem http://estilo.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/bbc/2016/12/09/tenho-motivos-para-odiar-criancas-o-polemico-testemunho-de-escritora-francesa-que-se-arrepende-de-ser-mae.htm

abaixo da foto de uma mulher bonita, trajando um maiô, em uma paisagem igualmente bela lemos o seguinte:

A autora francesa Corinne Maier, que tem dois filhos, anuncia para quem quiser ouvir sua opinião de que, no mundo atual, os adultos estão tão obsessivos por seus filhos e tão exaustos por ter de cuidar deles que não têm energia para mais nada.

seu livro cujo título é No Kids: 40 Good Reasons Not to Have Childrenfoi lançado, segundo a reportagem, em 2009 e eu só fui saber dele agora, em 2016. embora se tivesse sabido da sua existência antes, isso não mudaria os meus planos de ter filhos.

mas gostaria de fazer uma análise sobre a proposta da autora. mesmo que correndo o risco de ser injusta, afinal não li o livro, e minha análise será baseada apenas na curta reportagem, ainda assim gostaria de tecer minhas considerações a respeito.

vamos lá. um dos contras citados na reportagem seria a questão da super população mundial …Em 2100, seremos 11 bilhões. Como o planeta vai alimentar todo mundo?” 

este é um argumento que honestamente não me assusta. primeiro porque não é o mundo inteiro que consome no mesmo ritmo que as nações industrializadas. vivemos num mundo absurdamente desigual onde 1 bilhão de pessoas passam fome (segundo o IFPRI, International Food Policy Research Institut https://www.ifpri.org), enquanto 1,3 bilhão de tonelada de tudo que é produzido no mundo é jogado no lixo.  segundo a ONU se esse desperdício fosse reduzido ( veja, reduzido apenas)  seria o suficiente para alimentar… 2 bilhões de pessoas! falta comida mesmo?

eu sei que tem outras questões em jogo, como a água  doce e potável, por exemplo. a água é um recurso finito e muita gente usa como se fosse infinito. talvez eu na minha ingenuidade e no meu otimismo, ache que ao fazer a minha parte (e sei de mais gente que também o faz) o futuro dos nossos filhos não será apocalíptico. acho que ao consumir menos, consumir orgânicos/produtos de produtores locais, usar conscientemente os recursos naturais, evitar o desperdício dentro da nossa casa (coisa que eu evito/luto constantemente), sinceramente acho que é uma saída viável e inteligente. desde que seja consistente, não dá pra adotar tais medidas apenas de vez em quando. é necessário tê-las como um estilo de vida consciente.

ainda sobre este ponto, eu acredito que deveríamos cobrar nossos governantes por planos mais ambiciosos de preservação ambiental, e também, cobrá-los por ações mais concretas a curto, médio e longo prazo. Quantos estão dispostos a fazer isso, não é mesmo? minha pergunta vale para ambos os lados (governo e sociedade).

outro ponto citado foi  Vivemos em uma sociedade obsessiva por crianças. Um filho é considerado uma garantia de felicidade, um desenvolvimento pessoal e até um status social.” sério mesmo que vivemos numa sociedade obsessiva por crianças?  pois eu, na minha perspectiva de mãe acho o contrário, acho que vivemos numa sociedade que exclui crianças dos espaços públicos, que espera que elas sejam mini adultos, que nunca chorem, que nunca incomodem… talvez eu tenha entendido errado a frase dela, mas essa obsessão tal qual eu entendo a palavra, eu não vejo não.

sobre filho ser considerado uma garantia de felicidade, desenvolvimento pessoal e até status social, well… eu não posso dizer os motivos pelos quais os outros quiseram ter filhos, e acredito até que algumas pessoas os tenham por esses motivos  citados por ela. mas no meu caso, honestamente, não foi. eu sei que quando se tem filhos projeções são inevitáveis, mas cabe a cada mãe/pai torná-las conscientes e baixar a bola se for o caso. a minha garantia de felicidade soy yo, não é marido, não é emprego, não é post code, não é jeans 36 e muito menos filho. embora meus filhos me tragam muitas alegrias também; mas não porque eu espero que eles me façam felizes, e sim porque relações próximas e afetivas nos trazem alegrias ( e raiva, e tristeza, e cansaço e outras cositas mas). sobre a questão do status social, pffff… cago e ando, perdoem meu francês.

mas vamos em frente que tem mais. ela diz ainda ” indivíduos que não têm filhos são descritos como egoístas e cidadãos de segunda classe. Muitos deles se sentem pressionados a se justificar: ‘Eu não posso ter filhos, mas eu adoro crianças.’ Quando ouço isso, logo faço um comentário para inflamar a conversa. Algo como: ‘Eu tenho filhos, mas tenho razões para odiar crianças’.”  mesmo que alguém decida não ter filhos por razões egoístas (e defina razões egoístas para mim cara pálida) este alguém está totalmente em seu direito. não vejo filhos como algo compulsório. na vida a gente tem que seguir as leis e pagar impostos (e se você tem filhos você tem que educá-los) de resto não tem que nada não. cidadãos de segunda classe? isso existe? pessoas são pessoas, com ou sem filhos. sobre justificar-se por não ter filhos… acredite, se você os tivesse também teria de justificar-se (por que só um? por que três?  por que não dá um biscoito recheado? e assim vai).

e o crème de la crème para mim foi  ‘Eu tenho filhos, mas tenho razões para odiar crianças’.  olha, nessa minha vida de mãe, eu já desejei sumir no mundo sem avisar ninguém e voltar quando meu filho tivesse 20 anos (provavelmente sentirei isso novamente com o bebê que ainda está na minha barriga). não porque eu odiei o meu filho, mas muito mais porque eu estava exausta, exaurida, perdida, sozinha, sem saber o que fazer. na minha opinião você pode odiar coentro, tofu, mc donalds, mas odiar criança, gato, cachorro, odiar qualquer pessoa diz mais sobre você mesmo do que sobre o outro. se antes de ser mãe eu  já não tinha razões para odiar crianças, hoje como uma eu vejo que não tenho mesmo!

sigamos. outra questão colocada foi …Por que tanta pressão? A resposta, claro, é fornecer um número ainda maior de miniconsumidores que não vão se cansar nunca do capitalismo, que precisa vender sempre mais. É em nome das crianças que os pais compram carros, máquinas de lavar, casas e gadgets.” vivemos em uma sociedade extremamente consumista, é verdade. mas, conhece aquela máxima né: exemplo arrasta?! pois, se você só pensa em comprar, se você mostra para seu filho que ter é mais importante do que ser, provavelmente seu filho também pensará (e agirá) assim, não se cansando nunca do capitalismo e do consumo excessivo. legal mostrar pro nossos filhos que as coisas tem um valor além daquele da etiqueta, que aquela roupa, aquele livro, aquele alimento vem de tal lugar, foi produzido sem trabalho escravo, sem desperdiçar recursos naturais e humanos, e por isso é preciso cuidar bem daquilo. nem sempre é possível, comprar coisas ética e politicamente corretas, eu sei. mas não é necessário gastar os tufos dos mufurufos pra ensinar pra uma criança o valor das coisas.

outra coisa que sozinha daria um outro livro Eu mesma hoje sou perfeitamente ciente de como estava envolvida – envolvida demais – e como me tornei o estereótipo da “mãe judia” (superprotetora, intromissiva e controladora). E isso produz crianças hipercontroladas e hiperobservadas. Tanto que eu penso em como eles conseguem, de fato, virar adultos.” o papel dela como mãe é um problema dela (e dos filhos dela), mas não existe apenas um modelo de maternidade. inclusive, este modelo por ela citado, não é o modelo que eu quero pra mim. sabe, a gente vive num mundo onde as pessoas parecem saber mais do que nós sobre nossos filhos. só pode brinquedo waldorf, só pode quarto montessori, só pode criação com apego, ou pode deixar na frente da tv sim, pode danoninho sim, pode cesárea eletiva sim e etc (sim, eu exagerei nos extremos propositalmente). gente, a categoria boas mães é muito ampla, e contempla na minha opinião, quem está atrás de informação, quem se dispõe a pensar e fazer diferente se o que se faz não traz resultados. e sobretudo se o que se faz é confortável pra quem faz e para todos os envolvidos. a busca do equilibrio é uma constante na vida, porque não seria também na maternidade?

calma que eu estou acabando. outro ponto que não poderia faltar é o dinheiro Criar meus filhos não apenas me deixou exausta, mas também me levou à falência. Em breve, minha filha vai terminar seus estudos. Vou dar uma festa. Finalmente não ter mais que bancá-la. Que alívio!”  não só acredito como concordo com a exaustão. obviamente não temos a mesma liberdade financeira de antes da chegada dos filhos; todo nosso planejamento financeiro é  baseado majoritariamente pensando neles. e eu não vejo nisso um problema. e sinceramente, não acho que meus filhos me levarão à falência. sei que os gastos acompanham o crescimento dele, mas até agora estamos longe da falência, e não a prevejo mesmo num futuro distante. somos de dar o passo do tamanho das nossas pernas. o que está além, ou  se espera ou não se dá.

e por fim Crianças, bem-vindas e boa sorte na entrada nesse mundo podre que seus pais, que te amam muitíssimo, te deixaram. Eles passaram tanto tempo cuidando de vocês que não tiveram tempo de transformar o mundo. Eles desistiram, penduraram as chuteiras. ‘A criança é o que há de mais importante….'” cuidar dos meus filhos, da maneira que eu concebo o cuidar, é para mim um fator transformador. criar cidadãos conscientes de si, das pessoas e do mundo ao seu redor é uma tarefa e tanto. tarefa essa que tomo com satisfação. eu sei por experiência própria que nem tudo são flores, mas eu digo que, para mim, mesmo com os percalços, vale a pena. e eu não pendurei as chuteiras não, porque tomar esta tarefa para si significa não desistir. e sei de muito mais gente que também não pendurou. e  também vejo os meus, os seus, os nossos filhos como o que há de mais importante na construção desse novo mundo (uhul pique nova era).

olha, como eu disse eu não li o livro e suas 40 razões para não ter filhos, e por isso mesmo não vou ficar  aqui criticando a autora. até mesmo porque, na minha opinião, você não precisa de muitas ou poucas razões para ter ou não ter filhos; bastam que sejam as suas e que você fique satisfeitx com elas.

o que eu gostaria de criticar, na verdade, é a obrigatoriedade velada na nossa sociedade da mulher tornar-se mãe. não estou dizendo que o foi o caso com madame maier, mas ao ler os comentários eu pude ver que muitas mulheres se sentiram representadas e validadas em suas convicções, como que dizendo “tá vendo, eu não preciso ser mãe”. não, colega, você não precisa ser nada que você não queira. inclusive mãe.

algumas pessoas também citaram o fato dos filhos crescerem e ignorarem os pais. e me pergunto: o que seria ignorar os pais? eu, particularmente, vejo meus filhos como seres autônomos e independentes de mim;  a cada dia essa independência torna-se maior, e eu acho natural, desejável e saudável. a relação pais e filhos é um construto diário e constante. eu amo e respeito meus filhos não apenas porque eles são meus filhos (e vice-versa), mas porque diariamente construimos uma relação baseada no diálogo, no amor e no respeito. acho difícil ignorar e ser ignorado nessas bases. se é fácil? claro que não! mas eu escolho isso para mim.

nietzshe uma vez escreveu: quem quer por você? e esta pergunta é tão impactante para tudo nessa vida, que chega a me paralisar, às vezes. quem quer que você seja mãe? você ou seu/sua companheiro(a)? seus pais? a sociedade? quem não quer ter filhos? você? os livros? seu/sua companheiro(a)? eu sei que nossas escolhas não são 100% conscientes, mas quanto mais conscientes fizermos nossas escolhas, mas chance de agradarmos a nós mesmos teremos.

uma maternidade ressentida ( a saber, uma mulher arrepender-se de ter se tornado mãe) é totalmente legítima e não deve ser tratada como tabu, especialmente numa sociedade que espera que as mães amem seus filhos acima de tudo, e que abram mão de suas próprias vidas por eles. você não acha interessante que muitas mulheres tenham usado os comentários (sob uma identidade irreconhecível) para dizer que que se arrependiam de serem mães?  eu não só acho interessante como triste, porque uma mulher não pode dizer isso que imediatamente é julgada. e acredito que se fosse mais fácil admitir isso sem olhares tortos, a relação delas próprias com a maternidade real poderia dar um passo qualitativo.

eu só me tornei mãe porque o componente filhos entrou na minha vida, mas eu não deixei as outras partes pelo caminho ao tornar-me mãe, eu apenas acrescentei mais uma. parece simples essa matemática, mas não foi e não tem sido simples. porém, acredito que falar sem dramas das dificuldades, e dos sentimentos menos nobres, torna o meu maternar mais consciente,  menos rígido, menos culposo, mais leve e mais amoroso. comigo mesma e com meus filhos.

ideal mesmo seria que todos os filhos fossem desejados e amados e respeitados e educados para um mundo tal e qual, nós adultos, desejamos pra nós no agora. e não apenas vistos como serezinhos hiperprotegidos, mimados, predadores do planeta terra, consumistas em potencial e herdeiros de um mundo fadado ao fracasso. talvez seja idealismo demais. talvez… mas se eu fosse escrever um livro eu teria mais de 40 razões para dar do porquê acreditar nesse ideal.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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tempo de espera ou too much information de uma uma só vez

a espera do gestar é, para mim, a única espera realmente gostosa. às vezes bate aquela vontade louca de ter o bebê nos braços, mas ao mesmo tempo é muito gostoso sentir o bebê dentro de mim.

não sei se pelo fato desta ser minha última gestação, ou se pelo fato de já ter passado por uma gravidez, ou se pelas duas coisas, só sei que tenho a impressão de que o tempo tem voado agora.  quando me dou conta o aplicativo no meu celular já me avisa que o bebê está do tamanho de uma banana, e só o que penso é que ontem mesmo eu tinha completado 16 semanas. uma loucura!

apesar da rapidez com que tem passado, temos todos curtido muito a barriga. tomás tem sido extremamente carinhoso, curioso e participativo. tenho certeza de que ele será um super irmão! sempre me pergunta como me sinto, faz carinho na minha barriga, conversa comigo sobre possíveis nomes,  não esquecendo de reforçar que quem escolhe o nome é o bebê. aliás, que fase gostosa essa em que está meu primogênito: muito companheiro, esperto, curioso, engraçado, carinhoso, e por vezes, tão crescido, tão independente, um lord… a cada dia meu amor por ele só faz crescer! incrível isso de amar um filho (e mais de um, no caso)!

ah! esqueci de mencionar que teremos uma menina!estamos muito felizes com a chegada de uma bebéia, mas não tenho dúvidas de que estaríamos igualmente felizes se fosse um menino. eles são o que são independente do gênero, isso é certo. mas sim, estamos contentíssimos com o fato de ser uma menininha!

a descoberta não nos fez pintar o quarto de rosa, nem qualquer coisa do tipo. aliás, ela vai ficar no nosso quarto nos primeiros meses, pois eu quero amamentar assim como fiz com o tom. e também porque eu não estou com a menor vontade de mexer no quarto de hóspedes para torná-lo um quarto de “bebê”.  dividir quarto com o irmão está fora de cogitação, pelo menos por agora. o gap entre eles é muito grande, e um bebê “atrapalharia”o sono do tomi, com suas intermináveis acordadas para mamar e trocar fraldas. mas pra ser bem sincera, o que torna o argumento irrefutável, é porque eu quero mesmo que ela fique no nosso quarto!

sobre nomes, e eu ainda quero escrever um post só sobre isso (porque adoro), temos dois. dois diametralmente opostos, mas igualmente lindos hehe. porém, ainda não batemos o martelo.  o tom tem razão, ela é quem precisa nos assoprar o nome dela! aguardemos então.

a bebéia tem mexido bastante e tem se desenvolvido bem. no ultrassom de 20 semanas a midwife me disse que minha placenta estava baixa (placenta praevia) e por isso, eu terei que fazer outro ultrassom com 34 semanas. prometi pra mim mesma não me preocupar, não me desesperar. conversei com um médico que me acalmou, dizendo que 20 semanas é muito cedo para definir um diagnóstico de placenta praevia e consequentemente de uma cesárea. sigo confiante no parto natural e com pensamento positivo de que tudo há de dar certo.

por falar em parto, logo na primeira consulta com a midwife ela me perguntou onde eu queria ter o bebê: em casa, numa casa de parto ou no hospital.  eu disse que precisava pensar, e no formulário ela colocou a opção default, que é no hospital. Mas me disse que não havia problema nenhum em mudar mais tarde.

ela me falou do parto domiciliar com uma segurança e uma naturalidade espantosas. no entanto eu, particularmente, exclui o parto domiciliar. é seguro, ainda mais pra quem já pariu um filho e tem uma gestação sem intercorrências como é o meu caso até aqui, mas não sei, sinto que não é pra mim. até reli o livro da ana vieira pereira, do ventre ao berço: em casa; é encantador, é mágico… porém tem uma pulguinha atrás da minha orelha, uma coisa aqui dentro me dizendo que não. ainda não consegui nomear o porquê dessa resistência, desse receio, só sei que por ora, prefiro aceitar e respeitar-me.

fiquei com a casa de parto (birth centre), que aliás é dentro do hospital, porém em nada lembra um hospital e é comandada apenas pelas midwives. o fato de não parecer um hospital, mas ter a estrutura de um a uma porta de distância me tranquiliza. não sei viu, parece que a gente vai ficando mais velha e vai ficando mais medrosa. a segurança de um hospital tem gritado na minha cabeça.

cada parto é um parto, e por mais que eu saiba o que esperar agora que o parir não é totalmente desconhecido para mim, eu sei que cada filho chega do seu jeito, trazendo consigo o que precisa ser trazido. não tenho mais medo da dor do parto,  mas confesso que o puerpério ainda me assombra. mas como disse lorna, minha midwife: não é porque você teve depressão pós parto na primeira vez, que você terá novamente. além do mais, você terá visitas constantes nas primeiras semanas, e nós costumamos agir muito rápido nesses casos. você não estará sozinha, e não consideramos esse tema um tabu! alívio, alívio, alívio. e muito amô por você, lorna!

mas como disse acima, não quero me preocupar, nem quero me desesperar. por nada, aliás. gestar é tempo de esperar, e que esse esperar seja leve e gostoso, porque certamente deixará saudade. enquanto isso, bora fazer yoga e meditar!

wish me luck, babe! 😉

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…”te sinto mais bela, te fico na espera”…

Há quem diga que demorou muito. Eu já digo que nessas questões não existe muito tempo ou pouco tempo,  essas coisas acontecem no tempo certo, ou melhor, no tempo delas.

E foi assim, no tempo dele (ou dela) que  aconteceu! Estar grávida de novo é, ao mesmo tempo,  igual e diferente, o mesmo e o novo! Igualmente gostoso como a primeira vez, mas diferente da primeira vez. Muito do mesmo de tudo que já aprendi com a primeira, mas absurdamente novo em tantas outras coisas que pensei que nem existiam. Até mesmo porquê eu vou parir este bebê em outras terras,  e as coisas são um pouco diferentes por aqui. Coisa para outro post.

Fato: não penso, não falo e não vivo tanto esta gravidez como fiz com e na gravidez do Tomás.  E acho isto perfeitamente normal. Já tenho um filho, estou em outro momento de vida, outras demandas… o que não significa que não tenha os meus momentos e pensamentos  (deliciosos e alegres) voltados para a barriga que só faz crescer.

Conto com 18 semanas de gestação, uma midwife bacana, um único ultrassom na bagagem,  uma barriga de respeito,  sem mais enjoos e enxaquecas, sem o sono da morte, uma disposição que achei nunca mais sentir, cabelos brilhantes e uma alegria sem fim!

O bebê chega em Abril e Primavera em mim será!