aguenta coração, gracinhas do tom, mãe zen

Coração de mãe

Quando saí da maternidade, além do Tomás fofucho, eu carregava comigo um pacote de dúvidas e outro de culpa. Coincidência ou não, os três pacotes foram ficando cada vez mais pesados. Pacote Tomás deliciosamente gordinho, pacote Dúvida e pacote Culpa, cacete, engordaram incrivelmente mais que meu filho.

Mas ontem eu descobri que além dos três pacotes, eu saí com um plus a mais da maternidade: uma vacina anti-susto. Explico: Deixei Tomás no berço com alguns brinquedinhos para ele se distrair, enquanto eu ia fazer um número dois (mães continuam com suas necessidades fisiológicas ativadas, sad but true). Porém a culpa não me permitiu ficar mais tempo que o necessário, sentada no trono, folheando uma revista. Revista que comprei e não consigo passar da vigésima página. Revista que só consigo ler nessas pausas, digamos, necessárias, mas que em épocas pós-Tomás não duram mais do que cinco minutos.

Estava eu já saindo do banheiro, mas dando uma olhadela básica no espelho, ajeitando rapidamente o cabelo, verificando em fração de segundos a sobrancelha (a vaidade feminina também continua ativada, porém colocá-la em prática é outra história), quando tim (barulho de ficha caindo) me dou conta que o Tomás está todo esse tempo sozinho e quieto. Repito: sozinho e quieto! Coisa rara, raríssima.

Então mais do que depressa vou até o quarto, e paro na porta. Meu coração dispara. Sinto minhas costas gelarem. Meu filho, que até ontem era um bebê com movimentos nada perigosos e suicidas, estava apoiado na grade do berço, deveras concentrado no laço do protetor de berço. Seria uma linda cena de um bebê descobrindo o mundo ao seu redor, se ele não estivesse com metade do corpo para fora.

Nunca os cinco passos da porta até o berço foram tão longos. Minhas pernas pareciam pesar uma tonelada cada uma. Mas lá fui eu, com um sorriso estampado na cara, fazendo a linha nervos de aço é meu nome do meio. Afinal, caso ele notasse minha presença, ele veria uma mãe segura, e isso lhe passaria segurança. Externamente eu era a serenidade em pessoa, internamente não havia órgão que não tremesse. Cheguei perto do rapaz, coloquei-o pra dentro, desfiz o laço, mostrei toda cheia de oh! que lindo, ele riu, deu gritinhos de contentamento, enfiou na boca o pedaço de pano, e o mastigou como se não houvesse amanhã. E minhas pernas ainda bambeavam.

Conclusões para minha vida de mãe: bebês escalam berços muito antes do que eu esperava, Tomás sozinho e em silêncio absoluto não significa que ele está em estado meditativo, e definitivamente, de-fi-ni-ti-va-men-te, mães não morrem de susto.

E o pior é que nem adianta dizer que agora estou preparada para os próximos sustos que virão. Coração de mãe sofre, viu!

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5 thoughts on “Coração de mãe”

  1. Nossa, Gabi! Que relato emocionante! Confesso que chorei lendo… Em cada letra eu me vi também. Essa força que a gente deve passar para o filho às vezes é falsa, mas funciona porque se abastece no nosso amor, não é? Certa tarde o meu Raul caiu da cama. Eu o abracei com firmeza e o acalmei, embora estivesse dilacerada. À noite, quando ele finalmente foi dormir, eu desabei e chorei toda a culpa que estava dentro de mim. Coração de mãe vai se enchendo de culpa e redenção todos os dias, enquanto continua acumulando amor. Parabéns pelo blog! Vou acompanhar sempre! Beijos.

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