mambembe, mundo afora, sonhos, um bebê muda o que? tudo

Família Mambembe

Quando eu era menina, eu dizia que meu sonho era conhecer o mundo inteiro. Muita gente achava tão exagerado: afinal, o que uma menina de 10, 11 anos de idade, que mal conhecia Jundiaí e região sabia sobre o mundo inteiro?

Daí que o tempo passou, mas a vontade de expandir minhas fronteiras, físicas e pessoais, essa nunca passou. Pelo contrário, só aumentou.

Então aos 19 eu ingressei na universidade. E fui conhecendo um bocado de gente, que me levou a conhecer outro bocado de gente, que me levou a conhecer o João.

Quando eu conheci o João, eu suspeitava que a vida estava me dando um presente, mas nem nos meus maiores devaneios eu poderia imaginar tudo de tão especial que a chegada (e a permanência) dele na minha vida me traria.

Eu não imaginava que a vida estava me trazendo um cara mais inquieto, com mais vontade de conhecer esse mundo afora do que eu. Um cara que me disse um dia, que uma das músicas do Chico que ele mais gostava era Mambembe.

Eu não imaginava que ele queria compartilhar sua vida e seus sonhos comigo, e nem imagina que juntos, nós somaríamos sonhos e tornaríamos muito deles realidade. Inclusive o sonho de trazer para esse mundo um menininho tão lindo.

Foi por causa do João que fomos parar na Alemanha, e lá vivemos por quase cinco anos em três cidade diferentes. Foi junto com ele que pegamos carona, trens, aviões, perdemos trens e voos, dormimos mal em albergues mequetrefes, dormimos bem em hotéis pagos pela universidade, comemos mal, comemos bem, tomamos porres, fomos roubados (oi Praga, oi Barcelona!), voltamos, recebemos amigos, fomos recebidos, fizemos viagens de baixíssimo orçamento (graças à ele, porque eu como administradora sou uma lástima), corremos um pedacinho desse mundão.

Daí veio a vontade de aquietar-se um pouco, de ajuntar os livros, os cds, as fotos, as estórias num cantinho, de rever amigos que ficaram, e voltamos. Mas mambembe que é mambembe está sempre com comichão. E mesmo em terra brasilis outra mudança se deu. Outra cidade aconteceu.

Eu já perdi as contas de quantas mudanças, quantas casas passamos, quantas coisas deixamos pra trás, e quantas trouxemos conosco. Já perdi as contas de quantas vezes tivemos que alterar nosso endereço para continuar recebendo correspondências importantes, já perdi as contas de quantas vezes o coração saiu apertado e chegou renovado de esperanças.

Os últimos anos certamente foram agitados, uma loucura até, mas foram anos maravilhosos, de muitas descobertas e muitos aprendizados. Aprendizados que não cabem num papel, descobertas que não cabem numa conversa.

Hoje, com Tomás, a mambembice está meio adormecida, mas só um pouco. Outros projetos, outras mudanças à vista. Mas dessa vez com gostinho especial, pois temos um mambembezinho conosco, que desde a barriga já direcionava nossas escolhas e planos.

Eu só sei que aquela menina que queria conhecer o mundo cresceu, já viveu muita coisa, mas ainda quer viver muito mais. Ela não faz ideia de onde, nem como estará nos próximos anos, mas espera de coração, que a vontade, o comichão de conhecer o mundo, as coisas, as pessoas, a disposição para mudar, nunca desapareçam. Afinal, como diz a letra do Chico …”dormindo na estrada, no nada, no nada. E esse mundo é todo meu”… É, esse mundo é todo nosso, e falta muito ainda pra ver!

********************

Foi a Lu querida que tornou em realidade lúdica nossa estória mambembe. Ela é a responsável por deixar a nossa casa mais bonita, e com a nossa cara. Obrigada Lu!

Espero que vocês também gostem e se sintam em casa. Entrem e fiquem à vontade!

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7 comentários em “Família Mambembe”

  1. Puxa, Gabi, como vc escreve bem! Fiquei emocionada com seu texto, sua história mambembe e já te contei, me identifico muito com tudo isso! Também sempre sonhei em viajar pelo mundo e hoje quem me conheceu na infancia se espanta que toda aquela falação tenha realmente se tornado realidade… Também sou feliz por ter encontrado em meu caminho um companheiro de comichão, que fez toda a diferença do mundo, né?

    Qto ao blog, o que que eu posso dizer? Tá lindo… Sem duvida uma das ilustrações que mais gostei de fazer até hoje, talvez devido à grande idenficação que tive por sua historia…

    Beijos,

    Lu

    PS: Amanhã ou depois vou fazer o post sobre o Tom! 🙂

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  2. Oi Lu! Obrigada!!!
    Que bom saber que tem gente parecida com a gente, gente com bicho mambembe, por aí!
    Quem sabe a gente ainda se cruza nesse mundão! Já pensou que legal? Eu torço muito pra isso acontecer!
    Beijo grande!

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  3. Gabi,
    Que desenho lindo! A Lu é cheia de talento né! Ela que fez a ilustração da Nave também!
    E eu também adoooooro mudar! Estava falando ontem mesmo com marido que já estou precisando de uma mudança 180° na vida!
    Beijooos

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