antes de ser mãe eu não sabia que..., dilemas da vida moderna, Do cotidiano, mãe e profissional, mães não são de ferro

Mãe em tempo integral

É verdade que o que faz uma mulher ser mãe e um homem ser pai é uma criança. Mas quem já é mãe e quem já é pai, bem sabe que da notícia da gravidez até o nascimento da criança, e tudo o que vem depois, não nos fazem automaticamente mães e pais.

Eu, como mulher, vivenciei o processo de tornar-me mãe, primeiro no corpo. Mesmo antes da barriga crescer, foram tantas as transformações, que a ideia de estar se tornando mãe foi se apoderando e se desenvolvendo em mim, assim como o Tomás. Mas mesmo depois do parto, o processo de tornar-me mãe continuou e continua até hoje. Ao meu marido, coube o papel, até o nascimento, de observador sensível e atento. Papel desempenhado com louvor, diga-se de passagem.

Tudo isso para dizer que desde a concepção, uma criança muda a dinâmica familiar pra xuxu. Em algumas famílias mais, em outras menos. Mas muda, invariavelmente.

No nosso caso, mesmo antes do Tomás nascer, ficou decidido que eu ficaria com ele no seu primeiro ano de vida. E que ao final desse ano, a decisão seria repensada. Tal decisão faz com que eu “arque”, na maior parte do tempo, com os cuidados em relação ao Tomás, e também, que eu esteja, na maior parte do tempo, à sua inteira disposição.

E quando eu digo “estar a inteira disposição”, eu não quero dizer que estou sendo subserviente, ou que estou me anulando pelo meu filho. Eu quero dizer que estar à disposição do Tomás nos seus primeiros meses de vida representa uma atividade profissional plenamente válida.

Só que estar em casa com um bebê é muito diferente do que estar em casa sozinha ou com o marido. Parece óbvio, mas para mim não era. Eu realmente acreditava que eu não precisaria abdicar de muitas coisas da minha vida antiga. Eu sabia que minha vida mudaria com a chegada do meu filho, mas eu não podia prever o quanto. Abdicar de uma casa arrumada, mesmo estando em casa, foi apenas uma das muitas mudanças.

Eu já disse aqui e aqui o quão solitário e repetitivo pode ser o dia-a-dia com um bebê, se você como eu, resolveu abdicar da profissão por um tempo. E tanto faz aqui se você decidiu ficar três meses, oito meses, um ano, dois anos sem trabalhar fora de casa. Momentos nos quais você vai querer sumir, ficar sem fazer nada, absolutamente N-A-D-A, se jogar numa cerveja ou num vinho, dormir 24 horas seguidas, namorar com seu marido até enjoar, ir ao cinema sem a cria (para aquelas que pelo menos podem levar a cria ao cinema. Oi, Cine Materna!) e outras cositas más, existirão, pode ter certeza. Se bem que esses momentos existem quer se trabalhe fora ou não.

Então o que fazer? Não é lei, não é regra, e nem mesmo chega a caracterizar “dicas”, mas vou contar um pouquinho do que eu tenho feito para segurar o rojão, o que eu tenho feito para que o Tomás tenha uma mãe mentalmente sã. Vamos lá:

Conversar com outras mães: Aqui onde moro ocorre quinzenalmente (muito menos do que eu gostaria) uma Roda de Mães no espaço Arte de Nascer. Lá, eu e Tomás nos encontramos com outras mães e outros bebês, e é um tempo muito gostoso de bate-papo, de troca de experiências. Ninguém se importa se meu filho vai dar pitis, ninguém se importa de colocar o peito pra fora e amamentar, de trocar fraldas. São mães reais, com filhos reais, com dia-a-dia real, com problemas /questões muito próprios da maternidade, e que a gente acha que só a gente tem. Olha, essa Roda só me faz bem. E se faz bem a mim, faz bem ao Tom. Eu saio de lá com a certeza de que eu e meu filho somos normais, e mais ainda com a certeza de que o Tomás não dorme mesmo! Olá bebês dorminhocos dessa roda!
A troca com outras mães blogosfera afora é bárbara. Foi através dela que nos primeiros momentos de vida do Tomás eu procurei ajuda e consolo. Mas a troca real com outras mães é saudável e também, muito prazerosa.
Não canso de repetir, mas a Roda salvou a minha vida!

Momentos me, myself and I: No começo era apenas uma hora no sábado. Agora, eu tenho as manhãs de sábado inteirinhas só para mim. Aproveito essas quatro horas do meu jeito, fazendo coisas que me distraem e recarregam minhas baterias. O celular não toca, e eu também não ligo para saber se está tudo bem. Esse tempo só meu, tem sido fundamental para restabelecer a sensação de que eu sou dona da minha própria vida.
Durante a semana eu também tenho meus momentos ilha, e apesar de serem de menor duração, são igualmente energizantes e fundamentais.
Nesse tempo só meu, o João dá conta do Tomás com maestria. E eu fico feliz em saber que os meninos se curtem e se conhecem mais. Também é importante para o João ter um tempo sozinho com o Tomás.

Uma rotina: Antes, muito antes de ter o Tomás, eu assistia esses Super Nanny da vida e achava tão babaca aquele quadrinho com os horários da família. Eu pensava: Cara, todo mundo sabe que horas acordar, quando ir para o trabalho, quando comer, quando dormir!. Pois é, se na vida de maneira geral a língua é o chicote da bunda, na maternidade essa máxima se torna duas vezes mais verdadeira. Hoje, me vejo as voltas com meu caderninho onde estão todos os horários e as atividades do dia, nossas e as do Tomás. Parece besteira, mas não é. Isso me ajuda muito e dá ao Tomás segurança. Uma rotina pré-estabelecida maximiza meu tempo e me orienta ao longo do dia, além de me mostrar que eu não só cozinho, lavo louça, lavo roupa. É claro que minhas tarefas diárias incluem tudo isso, mas eu também passeio com o Tomás, brinco com ele, tiro um cochilo, leio mas não respondo meus e-mails. Ou seja, a rotina me mostra que meus dias são ocupados com coisas menos e mais prazerosas, assim como o dia de qualquer outra pessoa.

Fugir para a casa da minha mãe: Como eu moro longe da minha família, e tenho um filho que dorme muito pouco de dia e de noite (gente, eu não estou exagerando. Tomasito dorme pouco mesmo). Às vezes me pico de mala e cuia para casa dos meus pais. É uma ajuda, um respiro. Eu não deixo de ser mãe, mas eu tenho uma estrutura por detrás que acaba me cansando menos. Mas esses períodos ocorrem só em último caso, como quando o João tem muito trabalho e/ou muitas viagens.

Isso também passará: Mas ás vezes bate um desespero, uma sensação de que a minha vida nunca mais será a mesma, de que eu nunca mais vou ter liberdade de ação. Daí eu penso que é apenas uma fase , assim como outras fases da minha vida – boas e ruins – passaram, esta também passará. E tem passado… Outro dia, vendo fotos do Tomás recém-nascido, me bateu uma baita saudade. E olha que nem de longe foram os três meses mais tranquilos da minha vida. E no entanto, passaram. Conclusão mega óbvia, mas verdadeira: tudo passa, não se apegue à nenhuma fase!

E tudo tem passado tão depressa! E a cada dia que passa eu tenho me sentido mais à vontade nesse papel de mãe. Menos ansiosa, menos encanada, menos exigente comigo mesma. Parece que agora a maternidade se tornou mais real e menos idealizada, mais leve e menos engessada. Como a gente é capaz de mudar em tão pouco tempo, né?

Aí me vem o João e me fala: Dá até pra pensar no segundo! Não, meu amor. Não dá, não! Deixa eu dormir uma noite inteira pelo menos, vá!

E você mãe que não voltou a trabalhar, você mãe que trabalha o dia todo, meio período, ou que trabalha em casa? O que você faz para ter sua saúde mental em dia? Me conta, que eu quero saber muito mais.

Anúncios

4 thoughts on “Mãe em tempo integral”

  1. ainda bem que seu blog voltou, gabi. Nao sou mae nem nada, mas adoro suas aventuras e as do Tomas. Acho uma delícia ler seus textos, embora nao seja eu seu público-alvo..rs
    muitas felicidades para vc e o Tomas. Estou aqui de longe acompanhando.
    beijo

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s