desmame, Do cotidiano, dormir pra quê?

Mamou daquela vez como se fosse a última

Durante a gestação eu não me preocupei com o assunto amamentação. Eu tinha cá pra mim que tudo daria certo, que meu filho mamaria e eu teria leite. Ponto. Fácil e simples assim. Não li muito sobre o assunto, não conversei com o ginecologista nem com a minha doula sobre o amamentar. Eu tinha um contrato mental com meu bebê. Um contrato de que seriam seis meses de amamentação exclusiva e em livre demanda, e que eu o amamentaria até um ano.

Bom, tudo o que é idealizado nem sempre é realizado. Começou com o parto, que é uma outra (longa) história, continuando com a amamentação e com o ser mãe de um bebê de verdade.

O parto natural e humanizado, fez com que o colostro descesse e que o Tomás mamasse logo na sua primeira hora de vida. Ainda na sala de parto, e ainda cheia de sangue (que valha-me deus, como sai sangue!) o Tomás, todo quentinho, todo molinho foi colocado no meu peito. A Jamile me orientou, e assim Tomás mamou.

Depois no quarto, ainda no hospital foi aquela agonia. Desnecessária, diga-se de passagem. Mas, né? Era meu primeiro filho, era a primeira vez que eu fazia aquilo. Então, quando ele se decidia por mamar, eu deixava ele “pegar” o peito de qualquer jeito. Resultado óbvio: fissuras. Já em casa, mega nervosa e com o peito fissurado, empedrado e dolorido, voltou Jamile para me ajudar, me dar uma força e me acalmar. Sanados os primeiros problemas, plus uma mãe mais calma, Tomás esvaziava os peitos da mama aqui com desenvoltura. Nascera para isso, o rapaz.

Mas aí eu me deparei com uma outra questão. A da livre demanda. E nos três primeiros meses do Tomás eu só pensava: Que porra é essa de ter que dar de mamar de uma em uma hora? De ter que acordar de madrugada de duas em duas horas? De não ter mais tempo de tomar banho e lavar o cabelo, depilar meu subaco? De não poder mais comer com calma? De não poder mais fazer outra coisa da minha vida a não ser alimentar meu filho? É claro que foi um ajuste, um período. É claro que isso varia de bebê para bebê. É claro que isso varia de mãe para mãe. Amamentar é muito prazeroso, mas nesse primeiro momento eu só pensava em quão cansativo era tudo aquilo.

Mas daí você me pergunta: Mas você não deu chupeta pra ele? Só com quatro meses, quando teoricamente a “pega” já está estabelecida. Parte controversa da história: me arrependo de ter dado tão tarde. Isso não significa que estou fazendo apologia da chupeta. Se eu tiver outro bebê, talvez ele nem precise de chupeta. Mas o Tomás tinha uma necessidade de sucção tremenda, e eu virei chupeta dele por longos três meses. Tem gente que não liga pra isso, mas eu liguei.

Seguimos seis meses felizes,depois introduzimos os primeiros alimentos e…. chegamos aos nove meses com um bebê que ainda acordava de madrugada, de quatro a cinco vezes querendo mamar. Mas daí você me pergunta: Ao invés de dar o peito você experimentou dar chá ou água? Experimentei, e ele ficava muito bravo e nervoso. Além do que, ele não me chupetava de madrugada, ele mamava com fé e coragem. O que me leva a crer que ele tinha fome. Apesar de ser esse um péssimo momento para sentir fome. Mas aí você dava o peito, não experimentou deixar ele chorando pra ver se ele voltava a dormir? Primeiro deixa eu recobrar o fôlego, porque deixar o Tomás chorando no berço é piada. Ele não chora, ele se esgoela. Pronto, agora eu te respondo com outra pergunta: Você aguentaria um bebê ber-ran-do no seu ouvido de madrugada, estando você podre de sono e cansada? Imaginei que não.

Como eu não nasci para ser mártir, conversei com a pediatra e optei por introduzir a mamadeira de madrugada. As outras mamadas seguiriam normalmente. Eu não tinha a esperança de que o leite fosse milagroso, que fizesse meu filho dormir a noite inteira. Eu queria era passar a bola para o João, ele que acordasse para dar de mamar agora fazer uma experiência. Eu queria ver se ele pelo menos, acordaria menos.

Começamos então com 60ml do famigerado Nan para ver se ele não estranharia, não teria cólicas. Tomás secou a mamadeira. Depois secou 90 ml, secou 120 ml, secou 150 ml, secou 180 ml e quando muito inspirado seca 210 ml do leite industrializado. E de fato passou a acordar menos: duas vezes nas melhores noites! Nas piores de três a quatro. Daí vem você de novo e me diz: Nossa, quanta diferença! Oferecer mamadeira pro seu filho pra acordar uma vez a menos! Eu te falo que no decorrer dos dias, das semanas faz diferença. Está bem melhor assim. Mesmo não dormindo direto.

Mas aí que a mamadeira é a lei do mínimo esforço. E ele gostou disso. Toda vez que eu dava o peito era uma peleja, ele suava, ficava irritado, eu insistia, ele sugava, sugava e parecia não se satisfazer. Até que um dia, na mamada da tarde, logo depois de dar o peito, eu resolvi fazer uma mamadeira. E parece mentira, mas ele dava gritinhos ao ver a mamadeira. E mamou tudinho, não deixou uma gota sequer.

Porém, eu resolvi ignorar os sinais e insisti. Até que um dia ele começou a achar que meu sutiã era estilingue, que meu peito podia ser apertado, beliscado e mordido sem grandes pudores. E assim, com 10 meses e um dia, ele decretou que aquelas tetas de outrora já não eram mais seu passatempo preferido.

Se eu fiquei triste? Nao, não fiquei. E me angustiei por isso. Eu deveria ter ficado triste, não é normal eu não ficar triste com o fato do meu filho preferir mamadeira a mim. Eu não sou uma boa mãe, eu estou rejeitando meu filho e blá blá blá blá. Até que eu dei um basta, pois de culpa eu já estou até a tampa, mais uma pro saco, não.

Eu apressei o desmame? Pode ser. Eu desmamei meu filho? Pode ser, mas não foi traumático pra nenhum de nós dois. E isso pra mim é o mais importante. Se eu sinto saudades de amamentar? Claro! Apesar dos percalços e das dificuldades, foi muito gostoso. Mas eu cheguei no meu limite, e eu preferi que meu filho tivesse uma mãe feliz e menos cansada.

Como eu disse lá em cima, eu tinha um “contrato” mental com o Tomás. Todo contrato pode ser revogado, renovado, é verdade. Mas no nosso caso, acho que o contrato foi cumprido com grande sucesso. E agora seguiremos com outra fase.

Se o Tomás dormisse a noite inteira talvez eu não tivesse desmamado, chego a pensar algumas vezes. Mas daí não seria o Tomás, não seria minha vida. E projetar um bebê irreal não me leva a nada. Viva o Tomás do jeitinho que ele é! Viva a sua (e a minha) insônia! É com ele que eu tenho aprendido a ser mãe, e não com uma projeção irreal e idealizada, né?

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6 thoughts on “Mamou daquela vez como se fosse a última”

  1. O assunto amamentção não é facil…
    Acho que falta muita informação, as pessoas colocam como se fosse algo facil e que sempre da certo, e não é bem assim…
    Ai quando passamos pela situação, ficamos tristes, achando que não vai dar certo e que a culpa é nossa…
    So passando pela experiencia para saber…
    bjos

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  2. Primeiro, adorei o titulo do post. Segundo, adorei o post, especialmente o ultimo paragrafo, que expressa tão perfeitamente o que estou sentindo agora com o Nic, que acabou de fazer 3 anos, mas de acordo com todos os outros meninos de 3 anos do planeta já deveria ir ao banheiro sozinho, dormir a noite toda (ele ainda acorda 1 ou 2 vezes pra água, por causa de pesadelos, etc) e mais e mais e mais. Há um tempo atrás eu ficaria doida com essas comparações, mas hoje me sinto tão feliz de tê-lo como filho, como companheirinho que me ensina tanta coisa, preenche meus dias, que tem sido bem melhor pra mim aceitar que ele seja assim mesmo e agradecer por isso e por ele ter saúde (e eu também!).

    Eu não tive experiencia de amamentação, ele teve refluxo e muita dificuldade de mamar, engolir liquidos e tal. A principio eu sofri muito, achei que eu não estava tentando o suficiente, mas com a proxima bebê não vou me descabelar tanto. Tentarei sim, mas se não conseguir, tudo bem também. A vida vai prosseguir sem dramas.

    Beijos querida! Obrigada pelo post!

    Lu

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  3. Ai Lu, você é uma fofa mesmo, viu?! Imagina, me agradecer pelo post!

    Pois é Lu, quem nos torna mães são nossos filhotes do jeitinho que eles são. Apesar de idelizarmos muitas coisas na maternidade, o mais gostoso é vivênciá-la na realidade, com todos os problemas, alegrias, frustrações e aprendizados.

    Curta o Nic e a Lily ainda na barriga. Quando ela chegar nesse mundo, é claro que você vai fazer o seu melhor!

    Beijoca saudosa

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  4. Fiz o mesmo que vc, achei que amamentar ia ser uma coisa natural e ponto.
    Fiz parto normal, mas estava tão nervosa que o meu leite demorou 4 dias para descer, o pequeno teve amarelão com 4 dias e voltei para o hospital.
    Tive que dar de mamar a ele de pé colocando o sei para dentro da incubadora! Imagina a dor que tinha nos pontos os meus pés pareciam patas de elefante.
    Ao voltar para casa achei que era da personalidade dele ser chorão ( na verdade se esgoelava como vc disse hehe) e com 20 dias ele não estava ganhando peso e introduzimos a mamadeira. Morri de medo, achei que ele não ia querer mamar mais no seio. Que nada! mamava nos 2 seios e mais a mamadeira.
    Agora está com 7 meses e continuo dando o peito após as refeições e de madrugada. vamos ver os próximos capítulos hehe

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