aguenta coração, Alemanha, antes de ser mãe eu não sabia que..., Heidelberg, um aninho, um bebê muda o que? tudo

Fechando 2011 com chave de ouro

Pense numa linda casa. Apesar do inverno no hemisfério norte, pense num lindo jardim. Pense na mesma casa por dentro. Uma lareira, tapetes, almofadas e sofás tudo muito, muito aconchegante. Pense também numa linda decoração de Natal. Com uma maravilhosa árvore e o presépio mais fofo que se tem notícia. Pensou? Então pera lá que ela se tornará uma realidade

Fomos lindamente convidados para uma típica ocasião alemã na casa do anfitrião do João na Uni Heidelberg: Kaffe und Kuchen (café com bolo ou vice-versa). Que legal comer uma receita típica alemã! Que legal que ele tem dois filhos! Que legal conversar em alemão! Que legal!

Tudo muito legal, só que a gente sai do Brasil, mas o Brasil não sai da gente. Pra começar, deixamos pra comprar os presentes dos nossos anfitriões (flores e vinho) em cima da hora, claro! Com isso o Tomás não almoçou direito e tirou sua soneca fora de hora, e obviamente não dormiu tudo o que deveria. Nos atrasamos para pegar o trem, perdemos a conexão, atrasamos MEIA HORA, erramos a direção da casa, encontramos com o Professor na rua atrás de nós. Sim, ele estava preocupado e andando no frio e na chuva. Das ist eine Schande!* Só para temperar o enrredo, o Tomás não parava um minuto, meu cabelo estava num péssimo dia, e eu escolhi o pullover mais velho que eu tinha no armário.

Mas tudo bem, né? Essas coisas acontecem. Passada a vergonha, as desculpas, e pararará, tiramos os casacos e adentramos na sala de estar. A linda casa em questão se materializou diante dos meus olhos. E todos os potenciais perigos foram localizados. E putz, eram muitos. Já fiquei tensa. Mas vamos ver no que dá. Quem sabe meu filho, nesse dia, nessa hora, vai se comportar, e não vai querer mexer em TUDO!?

Sentamo-nos à mesa impecavelmente posta com a torta, os biscoitinhos, os Brezel, e o café do Brasil, que era pra gente se sentir um pouco em casa. Mal o pedaço de torta me foi servido, Tomás começou a apavorar. Meteu a mão no meu prato, pegou um pedaço da mesma e, antes mesmo que eu pudesse tirar de suas mãozinhas gordas, ele o enfiou muito rapidamente na boca. Quis sair do meu colo e começou a engatinhar. E a mexer na decoração de Natal, plus a decoração usual da casa. Desligou o som, abriu um armário com chave e quis amassar a Menu, a gatinha da casa.

Os dois filhos deles, o Janes e a Lotta (6 e 3 anos) trouxeram abaixo todos os brinquedos de bebê que estavam guardados. Mas quem disse que o Tomás quis brincar com eles? E quem disse que os dois quiseram brincar com o Tomás?

Mas o pior ainda estava por vir. O Tomás resolveu fazer uma quantidade monstruosa de côco. A dona da casa, prevendo que uma criança de um ano a visitaria, e prevendo que ela precisaria trocar as fraldas, manteve o trocador montado no banheiro. Olha quanta fofura, gente! Pois é, mas eu já contei que meu filho se recusa a trocar as fraldas? Que a cada troca de fralda é um escândalo? Não, então. Agora pense num escândalo. Pensou? Foi um tiquinho maior do que isso que você pensou. Ele NÃO parava no trocador. Com a bunda CHEIA de côco, ele não parou no trocador. Eu o troquei sobre protestos, gritos e choros, o mais rápido que consegui e suando em bicas. Quando enfim, ele, de fralda nova e roupa trocada (e valha-me deus, quanta roupa se usa nessa terra. Mães do hemisfério norte, meu profundo respeito!), coloquei o enfant terrible no chão, para que ele pudesse explorar o ambiente com a curiosidade que lhe é peculiar, quando noto que o trocador estava TODO sujo. Ai que vergonha! Chamei-a discretamente e muito sem graça, contei o que havia acontecido. Não sei se por notar minha tensão, minha vergonha e sei lá mais o que, só sei que ela nem se abalou.

Eu tenho a impressão, disse eu, que as crianças alemãs são tãaaaaaaao mais calmas. Ela disse que sem dúvida nehuma o Tomás era uma criança com temperamneto muito forte, mas que ele é muito normal para a idade dele. Não sei se ela quis ser gentil ou se é verdade mesmo. Eu só sei que meu estado de tensão estava nas alturas.

Resumindo: nossa tarde (minha e do João) foi correr atrás do Tomás, mal consegui ter uma conversa normal de adulto, minhas respostas se resumiam a uma frase, a palavra que eu mais usei foi Entschuldigung**, eu não comi direito a deliciosa Linzertorte feita por ela, eu não relaxei um minuto sequer. Passada a situação, eu acho que não era para tanto. Nossos anfitriões foram extremamente gentis e pareceram não se abalar nem um pouco com todas as peripécias, explorações e bagunças do nosso filho. Porém, em algumas horas eu não acreditava que aquele era meu filho.

Chego ao fim da minha estória e ao fim do ano com uma conclusão: relaxar. RE-LA-XAR. Se toda vez eu ficar nessa tensão, eu vou infartar antes do meu filho completar três anos. A segunda conclusão, um pouco menos reflexiva e mais do presente em que vivemos, é que é IMPOSSÍVEL ser fina com um filho de um ano. Pelo menos com o meu.

Porque olha, tudo o que eu não fui nessa tarde foi ser uma lady. Eu me senti o próprio elefante numa loja de cristais. Vergonha pouca é bobagem, né!

******************

Um feliz 2012 para todos nós! Esperemos que o mundo não acabe mesmo em 21 de Dezembro de 2012, porque senão, acabaria um dia depois do aniversário do Tomás. E aí não tem graça, né! Nem vai dar para comentar a festa de dois anos do meu filho! Assim não dá!

Beijo meu e do Tom

*Isso é uma vergonha!
**Desculpa

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10 thoughts on “Fechando 2011 com chave de ouro”

  1. Que bacana esses encontros. Tudo uma delícia, né? Agora, também acho natural e normal uma criança de 1 ano não parar quieta. Total descoberta do mundo. Tenho certeza que compreenderam todos os ocorridos. Sabe que também vivo na briga para conseguir trocar uma fralda. Difícil…
    Mas o jeito é relaxar e fazer o seu melhor, o que tenho certeza que faz…
    Aproveito para desejar um Feliz 2012.
    Beijos

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  2. Kkkk
    Tô me divertindo demais nesse blog aqui… rsrs
    No final, tudo tem que virar piada, desde que aprendi isso minha vida nunca mais foi a mesma!
    Tô escrevendo rapidinho agora, então não vai dar pra comentar no post certo, mas que pena que cabelos e pele mudam depois da gravidez, né?
    Além do abandono da sedosidade capilar, tem a queda… (até aí eu já sabia).
    Mas eu não sabia que nasceriam tantos CABELOS NOVOS!!
    Caramba, tenho um 'arquinho de fuás' emoldurando meu rosto!
    Um abraço,
    Bia. (com um bebê 8 dias mais novo que o seu… rsrs)

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