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Das descobertas da maternidade

Quando a gente tem filho a gente descobre um mundo de coisas. E a gente redescobre um mundo de coisas num mundo aparentemente velho. Sim, porque quem tem filhos sabe que ir daqui até a esquina com o filho à tiracolo significa parar um milhão de vezes, olhar uma folha caída meio na diagonal enquanto as outras estão de todo no chão, descobrir uma joaninha no meio dos galhos, zilhões de rachaduras na calçada, oitocentas bitucas de cigarro, tarrachas de brinco (e você se pergunta porque na sua casa ele nao acha nenhuma tarracha perdida), pedrinhas das mais variadas…

Em casa as descobertas nunca acabam. Se você limpou o chão da cozinha, mas esqueceu-se de um cantinho, seu amado filho não vai perdoar o esquecimento, e vai te levar com aquelas mãozinhas gordinhas uma lentilha perdida que só os olhos dele conseguiram vizualizar. Você também vai descobrir que seus sapatos são lugares perfeitos para se guardar presilhas e elásticos de cabelo, e que os potes da cozinha são os melhores lugares para se guardar brinquedos. Pelo menos na visão de uma criança de treze meses, sim.

Vai descobrir que seus cabelos têm uma capacidade imensa de fixar arroz e macarrão. Mas claro, essa descoberta se dará quando você estiver no supermercado, no ônibus ou em qualquer lugar com bastante gente. Vai descobrir marcas de mãos engorduradas e dedinhos lambuzados nas suas melhores roupas, seguindo o mesmo princípio da descoberta do arroz e macarrão no cabelo. Vai descobrir, quando trocar a fralda do rebento, que ele come mais do que você dá pra ele. Porque você vai descobrir que encontrar vestígios de papel é melhor do que encontrar folha de chorão no cocô.

Você vai descobrir que os aquecedores, nem todos, mas o seu em particular, tem um cantinho que abriga perfeitamente giz de cera. E vai descobrir que o calor do aquecedor é capaz de derreter em uma noite dois gizes de cera inteirinhos. E vai descobrir no outro dia que você possui um chão e um aquecedor cheios de pigmentos azuis e vermelhos. E vai descobrir que rabiscar as paredes da sala não é a maior transgressão do mundo. E vai descobrir que tem um filho com instintos à lá Jackson Pollock.

E por fim, você vai descobrir que seu filho achou a máquina fotográfica e sabe-se lá como, retirou as pilhas que são recarregáveis e que não estão mais funcionando. E que as outras pilhas não estão carregadas, de maneira que nem registrar para a posteridade o prejuízo você poderá. E você vai querer se auto-flagelar por não recarregar as pilhas periodicamente. E você vai descobrir que ser mãe é, sobretudo, saber se perdoar.

A imagem, obviamente de Jackson Pollock,vem daqui. E meu chão era mais ou menos isso, só que azul e vermelho.

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9 thoughts on “Das descobertas da maternidade”

  1. Nem fale Gabriela… são tantos olhos que precisamos ter, são tantas preocupações.. Mas é o papel da mãe. Viver intensamente tudo isso, se perdoar e cada dia fazer o seu melhor.
    Um grande beijo e boa semana.
    Viu que deixei selinho especial para você no meu post de hoje… Adorei seu comentário. Quem sabe futuramente conseguimos nos conhecer ao vivo e a cores. hein?
    Beijos

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  2. SENSACIONAL!

    O Tomás tem MUITA sorte por vc ser a mãe dele: sábia e com capacidade incrível de perdoar! Vc tá ficando cada vez melhor, Gábi!
    Beijo CHEIO CHEIO CHEIO de saudade!Thata

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