meu relato, o parto

O antes, o durante, o depois – uma história sobre o meu parto

O Sonho

Antes de ter filho, eu li muita coisa sobre parto humanizado, e tinha muito certo para mim que queria um parto domiciliar. Isso, antes mesmo de engravidar. Antes mesmo de engravidar, eu procurei uma médica que se alinhava com meu desejo de parir não só naturalmente, como em casa.

Antes de engravidar, eu fiz todos os exames onde constatou-se que eu era mais do que saudável e apta para conceber e gestar uma criança. Do resultado dos exames até a gravidez propriamente dita, passaram-se seis meses. Muita ansiedade, muita vontade, muito sexo, muita leitura, muita projeção , muita ilusão do que seria uma gravidez, o parir, o amamentar e o ser mãe.

Sobre a gravidez eu só posso dizer coisas boas. Se pensar só nessa fase, seria capaz de engravidar umas cinco vezes. Foi o período de maior serenidade, de sensação de completude (sem duplo sentido), de estar muito próxima ao céu. E de me sentir bonita, me sentir feminina e feliz. Feliz sem mais e sem porquê. Felicidade e só.

Nem mesmo uma suspeita de descolamento de placenta no início e uma mudança de cidade aos sete meses e meio de gestação me tiraram a paz interior.

Eu poderia ter me mmudado para qualquer cidade, mas me mudei para uma onde o parto humanizado é referência no interior de São Paulo. Lá, apesar de em cima da hora, e com pouco tempo para criar laços de confiança, eu encontrei profissionais com os quais eu me senti tão segura e tranquila para parir, que só posso creditar à Sorte, essa estranha entidade, essa mais que feliz coincidência.

Eu tinha tudo para dar certo. Inclusive a convicção de que daria certo. Com a mudança de casa e de cidade, a convicção do parto domiciliar se foi. Não sei se por ser a casa nova demais para mim, não sei se a falta de sentimento de ser lá um lar onde me sentia perfeitamente à vontade, não sei se por motivos os mais amarelantes, só sei que desisti da ideia. Pelo João , os planos de parir em casa permaneciam, mas ele, como sempre, me respeitou.

Quantos relatos emocionantes, quantas estórias felizes, quantas mulheres empoderadas, corajosas, poderosas, quantos bebês fofos, quanto Leboyer, quanto chorar na frente do computador lendo relatos blogosfera afora, quantas passagens sublinhadas em livros sobre o pair naturalmente, quanta certeza na vida, no meu corpo, no meu bebê que nasceria… É isso aí, eu pensava. Claro que podemos, claro que conseguimos! Nós, mulheres, fomos e somos feitas para parir! Esse direito nos foi tirado!

Se tem uma palavra que eu acho que vem muito à calhar na contemporaneidade, é respeito. Respeito às mulheres. Respeito às parturientes. Respeito. E eu já adianto: eu fui muito respeitada. E agradeço do fundo do meu coração , ao universo e aos profissionais que de mim cuidaram, do começo ao fim, do positivo no teste ao nascimento do Tomás. Gratidão infinita por tanto respeito e consideração . E acho que essa deveria ser a regra. Para todas as mulheres, independente do fim de suas estórias.

Tudo, tudo mesmo parecia perfeito. Tudo, tudo mesmo, era enredo de uma estória de sucesso. E foi. Acredite, foi um sucesso. Eu tive meu sonhado e planejado parto natural. Mas então, porque diabos, eu vivi um pesadelo?

Calma, eu vou contar. Deixa eu tomar fôlego.

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3 comentários em “O antes, o durante, o depois – uma história sobre o meu parto”

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