antes de ser mãe eu não sabia que..., artes do Tom, Da poesia da vida, gracinhas do tom, Tomás

Tomás Querêncio

Tomás Querêncio é menino pequeno assim, mas apesar da pequenice tem quereres grandes. Parece querer o mundo. Mas o menino, tão pequeno ainda, não sabe que o mundo não se pode dar, que o mundo não se pode ter. Não faz mal, Tomás Querêncio tem muito tempo para aprender.

As querências de Tomás Querêncio são do tamanho do céu, do tamanho do mar. Às vezes o menino quer a lua, às vezes as estrelas, às vezes ainda, o sol, a lua e as estrelas. É um querer o todo, é um querer o tudo. Mas Tomás ainda é muito menino, tem uma vida para aprender.

O pequeno não se intimida com uma recusa, com uma impossibilidade. E diante delas ele grita, grita, grita. Grita tão forte e tão alto, que o astronauta ao pisar em Marte se volta para Terra para saber que menino é esse que quer porque quer.

Quando grita assim, forte e alto, algumas pessoas o olham com caras e bocas de Óoooh! e Tsc, tsc, tsc!; esquecendo-se elas, que também já foram meninos de tantos quereres. Ou será que elas deixaram mesmo de querer para si o novo, o diferente, o belo? Será que não lhe restaram mais querências, ou será que elas só deixaram de gritar, gritar, gritar?

As querências do menino lhe rendem peraltices inimagináveis. Caixas, potes e cadeiras são degraus propícios e bem-vindos para ajudá-lo a chegar em alturas antes inatingíveis. Ainda que o pequeno tenha uma vida para aprender a cair e levantar sozinho, há perigos mais urgentes. E por isso mesmo, não posso esperar que o tempo sozinho, ensine os riscos e dissabores de tão arriscadas aventuras.

Tomás Querêncio passa seus dias querendo sempre mais. Ora quer muito, ora quer um pouco menos, ora parece nada querer. É um querer para depois desquerer, é um querer para logo depois ter outro querer… É tanto querer que chega a cansar. É quando, por fim, adormece cansado das próprias querências.

A mãe de Tomás, ao ver o filho dormir, não quer que o menino deixe de gritar quando quer, nem tampouco deixe de querer. A mãe de Tomás, que sonha acordada ao ver o filho dormindo, não quer que o menino perca o olhar curioso, a alegria da descoberta, o espírito aventureiro. A mãe do menino tanto quer para o filho, que nem sabe o que quer primeiro, o que quer mais.

A mãe de Tomás Querêncio quer todo o bem, toda alegria, todo amor, toda felicidade do mundo. A mãe de Tomás, se pudesse, lhe daria o mundo. Mas o mundo, como sabemos, não pode se dar, nem pode se ter. Quem se importa com isso? Querer de mãe é do tamanho do céu, é do tamanho do mar, é do tamanho do mundo. Querer de mãe não tem fim.

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18 thoughts on “Tomás Querêncio”

  1. Ai Gabi, procurar uma editora para publicar em forma de livro! Fiquei até imaginando meus pequeninos da escola como iriam se identificar e como temos poucos textos que falem dessa fase e desses sentimentos de forma tao bonita!

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  2. Lindo texto, Gabi!

    Poético, sensível, amoroso, lindo…

    Que Tomás Querêncio consiga muito dos seus quereres. Que ele saiba, num futuro distante, que a frustração existe, que não é possível ter todas as coisas (mas essa liação é com o tempo… tem adulto que ainda não sabe disso).

    Que ele seja muito feliz sempre!

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  3. Gabi! No que consiste a pedagogia waldorf? Fiquei bem curiosa, tentei dar uma pesquisada por cima mas não encontrei muita coisa de quarto. Nunca tinha ouvido falar, que bom tu ter comentado!
    Beijo

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