Alemanha, come fly with me, Da poesia da vida, Heidelberg, mundo afora

Reflexões mambembes

Ando vivendo as voltas de uma bagunça, que olha, vou te contar! São muitas caixas, e malas, e sacolas, e espaços antes cheios agora vazios, e vice-versa. E no meio de tanta bagunça, tem Tomás entrando em caixa, entrando em mala, tirando de mala e colocando em caixa, tirando de caixa e colocando em mala, às vezes só tirando, às vezes escondendo, às vezes reorganizando à sua maneira.

E no meio de tanta bagunça, tem o coração dividido, o peito comprimido, a garganta em nó. Tem a lembrança de tantas outras mudanças,  sem filho, com filho e com filho de novo. Faz-se as contas e percebe-se que, faz quase dez anos que nossa vida gira de dois em dois anos. Dois anos aqui, dois anos ali, dois anos de novo aqui, mais dois anos de novo ali…

E no meio de tanta bagunça, percebemos o tanto que ficou em nós de cada novo lugar, o tanto que vai deles conosco, o tanto que deixamos, do tanto de raízes que criamos para novamente, nos arrancarmos*. E em meio à bagunça do nosso coração, a gente erra o rumo, acerta o rumo, parte com malas cheias de esperança. Esperança no futuro, esperança nos reencontros, esperança, por que não?, na felicidade.

E no meio de tanta bagunça, o que nos conforta é a certeza de que partiremos e sempre voltaremos, mesmo sem saber para onde; é a certeza de que tudo se ajeita, e se acomoda, e se aquieta. Inclusive o coração. O que nos conforta são as palavras do poeta, de que as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão**.  Ficarão nas nossas recordações mais felizes, e nas mais engrançadas também; ficarão nas fotos, nos objetos que trazemos e levamos; ficarão nas pessoas que conhecemos e com as quais nos deixamos conhecer; ficarão impressas na alma, onde nada, nem o tempo, nem as distâncias podem apagar.

E depois, de finda a bagunça, a gente faz como o outro poeta,  que vai deixando a pele em cada palco, e nem seuqer olha para trás. E nunca, jamais, dizemos adeus.***

* Da canção Na carreira, Chico Buarque e Edu Lobo do musical O grande circo místico

** Do poema Memória de Carlos Drummond de Andrade

*** Da canção Na carreira, Chico Buarque e Edu Lobo do musical O grande circo místico.

Anúncios

3 thoughts on “Reflexões mambembes”

  1. Oi Gabi,
    Que lindo! Você é muito poética! Já falei isso para vc. Amo seus posts… fazem um bem! Uma leitura que flui, é gostosa e inspiradora para uma vida boa.
    Tudo dará certo! Tenho certeza disso! Essa mudança trará novos desafios, novas lembranças e muita felicidade!
    vem, vem logo para começarmos a nos encontrar… será bom!
    Beijos querida e dê notícias após toda a organização

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s