a vida é mais, aguenta coração, Alemanha, antes de ser mãe eu não sabia que..., dilemas da vida moderna, Do cotidiano, escola, mães não são de ferro

Aí vem o desespero

Eu anunciei que ia me ausentar, e acabei voltando. Meu anúncio não foi nenhum tipo de estratégia, e minha volta é por puro desespero.

Vou abrir meu coração e pedir ajuda para as mãe tudo e tudo as mãe.  Como eu disse aqui o Tomás está frequentando uma escola ou uma creche, ou em bom alemão, uma Kinderkrippe.

Muito bem,  meu raciocíonio foi de que quanto antes ele começasse a frequentar uma escolinha, mais rápido ele se acostumaria com a língua e com o país. Principalmente com a língua, uma vez que nós não falamos alemão com ele em casa, e começar de uma hora para outra seria, no minímo, estranho.

Então que a gente escolheu uma escola que vai de encontro com nossos valores e convicções, uma escola aberta, uma escola com porquinho, cabrinha, galo, galinha, ganso e o caramba à quatro, uma escola com comida vegetariana e orgânica, uma escola com cuidadoras simpáticas, sensíveis e amorosas,uma escola com as criança loira de zóio azul mais loira de zóio azul desse mundo, uma escola com os brinquedos de madeira e as bonecas de pano mais lindos desse mundo, e o moleque se recusa a ficar nela. Ele não chora um pouquinho, pede a mamãe e volta a brincar. Deixa eu repetir: ele se RE-CU-SA a ficar na escola.

Levando em conta que o país é novo, a língua é nova, as pessoas são novas, enfim, tudo é novo para o Tomás, e que a única coisa “velha” e segura sou eu; levando em conta que o menino ficou comigo desde que nasceu, levando em conta que ainda vai fazer três meses que chegamos por aqui, levando em conta tantas outras coisas que eu ainda nem me dei conta, só o que eu tenho a dizer é que tá… phoda.

Então, a gente sempre ouviu que criança se adapta rápido, que criança aprende muito rápido uma língua e blá blá blá blá. Mas o que é ser rápido, né? E, no meu caso, pressa pra quê? De modos que, eu não sei se desisto do processo agora, e volto com essa ideia de escola lá pro fim do verão por aqui, quando espero em deus (andar com fé eu vou), Tomás estará mais aclimatado. Ou se tento mais o mês de Maio.

E sem contar o grude que esse menino anda comigo. Tudo é a mãe, com a mãe. TU-DO. E vem a vontade de ficar sozinha, e vem a culpa por querer ficar sozinha, por não estar dando tudo (e isso existe?) que meu filho precisa nessa fase da vida dele, e… Sem querer fazer um melodrama, mas já fazendo…

Não sei se você já se sentiu assim, mas eu ando com uma vontade de dar uma sumida de cena, sabe? Voltar quando tudo estiver lindo e funcionando, sabe? Mas não dá, né?! A gente é protagonista da própria vida, e não tem jeito, eu tenho que enfrentar plateia e holofotes e desempenhar o papel que me foi designado. O problema é que eu nem sei direito qual é o meu papel nessa história toda.

E olha minha gente, eu não vou sumir, não, porque eu sou tão ordinária quanto esse desabafo, viu?! Mas agora vocês me dão licença que eu vou ali no meu canto chorar mais pouquinho. 

E estou aceitando conselhos, abraços, chazinhos, novenas e um sem fim de carinhos. É que eu tô bem da precisada.

Tomás e sua  carinha de quem não está a fim de muita coisa
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4 thoughts on “Aí vem o desespero”

  1. ááááááhhhhhh não acreditooooooooo!!!!
    Não acredito que vc estava assim esse tempo todo e eu não vi, nem comentei por aqui….

    Dá cá um abraço, Gabi, vem aqui, vem!! Vou te fazer um chá quentinho com pão e nutella. Ou pão com manteiga aviação, que eu gosto muito mesmo. E vou te dar um bom café brasileiro, um pão com manteiga aviação, vamos colocar um Tom Jobim com Vinícius e Toquinho e falar sobre a vida de mãe que não é fácil mesmo… e esses dias mais difíceis são uó!!!

    Eu não entendo o que vc está passando, pq nunca mudei lhufas nenhuma no esquema da Laura, quanto menos de País!! Mas te digo, de quem está beeeem longe e tem uma filha geniosa do cão, com 2 anos e 4 meses: dê o tempo para o Tom se achar aí no meio de tudo isso, que tal? Não sei se existe essa possibilidade, além de saber com certeza absoluta que a intenção é a melhor de todas ao colocá-lo no kindergarten, porém…. eu esperaria um pouco. Esperaria ele se habituar à nova casa, às novas ruas, às pessoas…. à rotina… para ele é tudo novo e ele não está entendendo nada do que acontece. Ainda por cima, vai para a escola em outra língua, longe de vc, depois de uma mudança tão brusca.

    Pitacos são extremamente do mal, pq ninguém está na nossa pele, mas como eu já te ofereci um café, um pão com manteiga aviação e um bom abraço, me dou ao direito de pitacar: tira ele da escola. Deixe-o contigo um pouco mais, por mais que vc precise descansar e ter algum tempo sozinha, eu te entendo… mas o entendo tb. Ele não deve entender nada do que acontece, não tem ideia de onde está, com quem está, pq tudo está tão diferente…. e ainda vai para uma escola ficar longe da mãe, que é o porto seguro de todas as mudanças…. não sei não… eu repensaria a escola nesse primeiro momento.

    Beijos grandes, conte mais de vcs por aí!!!!

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  2. Oi Dani! Aceito tudo, tudo, tudo que você ofereceu!

    E meu coração de mãe está me falando há um certo tempo, pra eu parar com essa história de escola, dar um tempo para o Tom, eperar o tempo dele.

    Eu quero contar muito mais da nossa vida por aqui, mas o negócio estava tão tenso, que nem vontade tinha mais. Aos poucos estou vendo a luz no fim do túnel.

    Muito obrigada pelo pitaco, pelo café, pelo pão, pela manteiga, pela nutella, e principalmente, pelo abraço!

    Beijo, beojo

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  3. Ohhhh querida Gabi… que desabafo, hein?! Fico feliz que encontrou esse espaço para pedir pitacos, ajuda! Agora, só não entendo porque nunca conversarmos pelo skype. Poderia ser tão bom! Poderia ajudar um pouquinho vc a pensar melhor sobre tudo isso. Sou da opinião que a conversa sempre ajuda.
    Mas aqui estou… entendo nossa correria e o momento que estamos passando. Sabemos também que nada é tão fácil como parece ser.
    Entendo perfeitamente o pitaco da queridíssima Dani. Por um lado penso que pode ser melhor dar mais um tempo para o Tom, para toda a adaptação de vocês.
    Agora, por outro lado, como vc e seu marido estão vivendo esse início dessa nova fase? Pergunto isso, pois a segurança, o jeito de vocês olharem para essa nova vida (novamente) interfere totalmente na adaptação e no bem estar dele. Pode não parecer, mas eles percebem um tanto, acabam sentindo.
    Sabe que no início da minha vida na Alemanha, após 3 meses, colocamos o Felipe no Kinderkrippe. Lembro bem o quanto foi difícil a adaptação dele. Mas na verdade tinha um tanto que era meu… por mais que estivesse dando uma chance para a vida, para meu tempo aqui, algo não estava tão tranqüilo. Entende!? Tenho certeza que num primeiro momento influenciei o Felipe.
    Além desse aspecto… queria saber como foi a decisão de colocarem ele no Kinderkrippe. Tiveram um bom motivo, não?
    Quanto tempo estão vivendo esse processo da adaptação? Será que não é cedo para desistirem?
    Bom, pensem mais um pouco. Quem sabe não conseguimos conversar essa semana.
    Boa sorte na tomada de decisão!
    Um grande beijo e um abraço apertado. Só nós sabemos o que passamos por aqui, mas ainda bem que temos aszamigas que oferecem nutella, abraço, café, pão… isso ajuda tanto, não é mesmo? 🙂

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