Alemanha, antes de ser mãe eu não sabia que..., Do cotidiano, escola, filho Waldorf, Heidelberg, mãe Waldorf

Ouça um bom conselho – Parte 1

Quero começar o post de hoje falando um pouco sobre a escola do Tomás. Como eu disse há algumas semanas atrás, trata-se de uma escola antroposófica, ou Waldorf.

Sobre a pedagia Waldorf, eu deixo com vocês um trecho do que a Sociedade Antroposófica Brasileira escreveu (o texto na íntegra você pode ler aqui):

A Pedagogia Waldorf foi introduzida por Rudolf Steiner em 1919, em Stuttgart, Alemanha, inicialmente em uma escola para os filhos dos operários da fábrica de cigarros Waldorf-Astória (daí seu nome), a pedido deles. Distinguindo-se desde o início por ideais e métodos pedagógicos até hoje revolucionários, ela cresceu continuamente, com interrupção durante a 2a. guerra mundial, e proibição no leste europeu até o fim dos regimes comunistas. Hoje conta com mais de 1.000 escolas no mundo inteiro (aí excluídos os jardins de infância Waldorf isolados).


Uma das principais características da Pedagogia Waldorf é o seu embasamento na concepção de desenvolvimento do ser humano introduzida por Rudolf Steiner. Essa concepção leva em conta as diferentes características das crianças e adolescentes segundo sua idade aproximada. O ensino é dado de acordo com essas características: um mesmo assunto nunca é dado da mesma maneira em idades diferentes.

Bom, o  trecho acima tem o intuito de informar, afinal, eu já ouvi de muita gente: Ah! eu já ouvi falar, sim. Mas o que é mesmo a pedagogia Waldorf?

E eu acho que (e essa é a minha opinião, sem nenhum embasamento estatístico), diferente de outras pedagogias menos tradicionais, a Waldorf é a mais vista com desconfianças e mal-entendidos.  Não vai ser hoje que eu vou me alongar sobre ela, e muito menos tentar desfazer os mal-entendidos. Não teria tempo, e não é essa minha proposta para o post de hoje.

Muito bem, esclarecido um pouco (ao menos), do que se trata a pedagogia Waldorf, vamos ao post propriamente dito.

Escolas, ou espaços para crianças abaixo dos três anos aqui na Alemanha é algo relativamente novo. Há dez anos atrás, e eu falo por mim que chegava nessa terra há exatos dez anos atrás, crianças abaixo de três anos ficavam, em sua grande maioria, com suas mães. A exceção era cara demais, e só aquelas que podiam arcar financeiramente, deixavam seus filhos com uma Tagesmutter ou em uma creche.

As coisas mudaram nos últimos anos, e a Alemanha precisou se adequar à essa nova realidade, disponibilizando mais lugares nas creches a preços compatíveis com a realidade financeira da classe média alemã. Sim, porque por mais que uma criança receba benefícios do estado alemão, deixar uma criança abaixo dos três anos na escola é mais caro (às vezes muito mais caro) do que o Kindergarten.

E agora eu falo da Alemanha em que vivo. Existem outros estados, com outras situações. Existem outras cidades, com outras situações. Então, eu não quero enfiar tudo no mesmo balaio e dizer taxativa: na Alemanha é assim!

Bom, e daí? Não era da escola do Tomás que você queria falar? Muito bem, na escola do Tomás o foco é no cuidado, no desenvolvimento dos movimentos psico-motores, e na autonomia da criança. Na escola do Tomás existem, além dos tradicionais e já amplamente conhecidos brinquedos Waldorf, objetos de madeira que estimulam a capacidade de movimento das crianças pequenas, assim como sua autonomia. Esses objetos de madeira foram construídos baseados na tese da pediatra e pedagoga húngara Emmi Pikler. Eu não podia tirar fotos da escola do Tom, mas era mais ou menos assim:

 Imagens http://www.dasi-berlin.de

A rotina é bem estruturada e segue sempre a mesma ordem: chegar, colocar o sapato de ficar dentro de casa, comer (geralmente pão integral com geléia, maçã), tomar chazinho, preparar-se para sair, ficar uma hora fora (tanque de areia, gramado) brincando, voltar, lavar as mãos, trocar fralda, almoçar e dormir. Para cada situação existe uma música, um verso ou uma rima. Pintar, desenhar, recortar e todas essa atividades manuais são encaradas como atividades para o Kindergarten. Na visão da antroposofia, a criança abaixo dos três anos precisa de cuidados e contato com a natureza.

Eu conversei com um bocado de gente depois do último post, de maneira que eu não me lembro mais quem me disse que nas escolas Waldorf as coisas não são muito estruturadas. Ritmo, ritual e rotina é a tríade da pedagogia Waldorf; se alguém conheceu alguma escola que se diz Waldorf sem isso, então tem alguma coisa muito errada.

Para as crianças da Krippe a comida é, além de vegetariana, de cultivo biodinâmico. É claro que essa realidade é possível, ou talvez mais possível, por aqui. Eu não conheci nenhuma escola Waldorf no Brasil então, de novo, falo só do que vimos e vivemos.

Quando aqui chegamos, depois de três semanas para ser mais exata, entramos em contato com a Escola Waldorf daqui. Entramos em contato meio descrentes, afinal, já sabíamos que era complicado e muito concorrido conseguir uma vaga em uma Krippe. Porém, a sorte parecia sorrir para nós, pois logo no começo de Março tinha um lugar vago em um dos grupos. Entendemos, ou quisemos entender,  esse fato como um bom sinal, um bom presságio, e lá fomos nós conhecer a escola e conversar com as futuras professoras/cuidadoras do nosso filho.

Como eu já disse no post anterior,  a eleita escola do Tomás compartilha dos nossos valores e convicções. Além do mais, a abertura e o respeito para com meu filho e para conosco, que eu vi ali, me encantaram. E se você conhece alguma escola Waldorf que não é aberta e não respeita os indivíduos como eles são, de novo, tem alguma coisa muito errada.

Tudo isso para dizer que eu (João também, claro!) estava certa de que ali seria o melhor lugar para o Tom. Eu só não estava certa de uma coisa: seria o tempo certo, ou melhor, seria o tempo do Tomás ficar ali?

E eu quero agradecer a todos que me enviaram email, mensagem via FB, à Dani que até Nutella me ofereceu!, todos, todos, sem exceção me fizeram pensar, refletir, ponderar nossa situação. Alguns tocaram em questões muito relevantes que eu não queria ver.  Não vou dizer que foi fácil, mas como eu tinha pedido ajuda, ela veio. E quando pedimos, é bom saber que o que vai ser recebido nem sempre vem em forma de carinho.

Mas foi a Celi que deixando um comentário no post anterior assim ó: … queria saber como foi a decisão de colocarem ele no Kinderkrippe. Tiveram um bom motivo, não? me fez pensar, e pensar e pensar. Celi querida, você não tem ideia do quanto essa pergunta ficou martelando em mim!!!

Mas agora o post já ficou muito longo. No próximo eu conto o desdobramento dessa martelação.

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6 comentários em “Ouça um bom conselho – Parte 1”

  1. Sim, eu estou MUITO curiosa para saber do desfecho da escolinha waldorf!
    Eu li um texto excelente postado hoje pela Glauciana, do blog Coisa de Mãe, sobre a linha waldorf…. meodeos, quis tirar a Laura da escola que eu tanto amo para colocar em uma waldorf! Sério!!
    ADOREI!

    http://www.coisademae.com/2013/05/alfabetizar-precocemente-significa-empurrar-a-crianca-para-o-mundo-adulto-antes-da-hora/

    De qlq forma, eu acho que odiei o berçário dela em 2011 e 2012, pq ela não estava pronta para a escola. Ou eu não estava, não sei…

    Beijos grandes, ansiosa pela continuação, querida!

    E a nutella continua de pé!!! =)

    Beijos!!

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  2. Ohhhhh amiga será que escrevi e falei demais? Juro que fiquei preocupada! Espero ter ajudado vocês. Juro que a intenção foi a melhor. Desejo mesmo que fiquem bem e estou curiosa para saber como tudo continuou… Será que meus palpites ajudaram????? Conta, conta vai!?
    Um grande beijo e acho sim que você fez a escolha certa. Não se preocupe com a proposta, pois realmente vejo muitos ganhos e conquistas para o pequeno Tomás.

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  3. Posso dizer uma coisa? A Celi é um ser humano fantástico! Tenho certeza que ela sabe falar com muita doçura, com muita sabedoria!

    Estou acompanhado tudo, pois meu sobrinho, em março deste ano, foi para a creche ( com quase dois anos). Ele ainda está na adaptação. Mas parece que anda cada dia melhor. É um novo mundo, aonde eles percebem que não são mais o centro das atenções. Esta semana, minha irmã disse que ele acordou falando no vovô, vovó, passeio, Floripa, pois passou uma semana lá, em um break que ela deu do trabalho e, assim, ele da creche. Ele sonhou com eles, certeza! No seu inconsciente, ficou a ideia de que a cidade aonde os avós vivem, é o melhor lugar do mundo, pois estava a mãe, os avós o dia todo com ele, além dos passeios. Tadinho, cortou meu coração! Mas, aos poucos, ele perceberá que terá força e segurança para lidar com a vida, pois é muito amado e, no final do dia, a mamãe sempre o pega para levar para ao aconchego do lar. O pior foi saber que ele não está conseguindo tirar o cochilo da tarde, porque só dorme apertando nossos dedos e ouvindo historinhas ( a Ro colocou um vídeo no face do estrago que ele faz com nossos dedos quando está com soninho, rsrsrs). Minha irmã consegue ver a rotina dele pelo trabalho, uma vez que há câmeras. Ela disse que fica com o coração partido, mas sabe que não há outro jeito. Ela precisa trabalhar, pois só são os dois.

    Um beijo e ansiosa para o segundo post.

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