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Muitas mudanças e um desafio!

O verão continua, os dias de sol absoluto nem tanto. O calor, o viver para fora, o brincar de se sujar, os dias mais longos… tudo isso ainda permanece. Uma outra rotina, ou ainda, uma pausa na rotina para viver o que o tempo agora nos oferece, também permanece.

O que não permanece são os pensamentos, as vontades… a vida com seu dinamismo e com suas  surpresas sempre nos oferece oportunidades para não ficarmos parados, para crescermos, para aprendermos, para nos questionarmos, nos aceitarmos (ou não), para enfim, mudar o que for preciso.

A necessidade de mudança bateu com força na minha porta. Ou muda ou muda foi a mensagem clara. O processo (interno) de mudança é longo e requer paciência; muito mais consigo do que com o tempo.

Nesse ínterim tenho lido muita coisa que só tem corroborado minha sede de mudança, que só tem confirmado meu desejo de mudar. Nos entrementes, além das leituras, fizemos, eu e João, dez anos de casados, comecei a fazer yoga, a fazer terapia em alemão (e eu fico impressionada com o fato das coisas estarem fluindo), outro bebê tem pairado sobre minha cabeça (por enquanto só cabeça mesmo), e eu comecei a flertar forte e rasgadamente com o veganismo.  Tenho tentado aqui e ali, um dia vai bem, dois o três muito mal, mas sem grande sucesso, quando o assunto e constância.

Isso mesmo, você leu certo. Vegetariana eu já sou, mas eu quis dar um passo além, e parar de comer todo e qualquer produto de origem animal. 

Mas eu sou teimosa. E preguiçosa. E sem-vergonha. Sobretudo sem-vergonha. Então, eu me propus um desafio: me alimentar durante 30 dias sem nenhum produto de origem animal. Sem carne (fácil), sem leite e todos os seus derivados. Zero, nada, nenhum, hum-hum!

Mas você já parou para pensar na quantidade de produtos que consumimos que leva leite e seus derivados? E eu preciso confessar que eu adoro leite. E iogurte, e manteiga, e sorvete, e uma infinidade guloseimas e gostosuras que contêm leite.

Neste ponto você deve estar se perguntando o que é que tem a ver alhos com bugalhos? E eu tenho um argumento convincente, pelo menos pra mim. Nesse processo de mudança, eu senti que precisava fazer algo diferente do que tenho feito há anos, algo que rompesse com meus paradigmas, com minhas convicções, com minhas zonas de conforto. Algo que demandasse de mim muita coragem, e acima de tudo, determinação. Eu não sei como eu vou passar por esses 30 dias, por esse processo. Mas eu sei que no fim, lá na frente, eu vou ter aprendido outras coisas.

Uma alimentação vegana vai me obrigar a comprar outros produtos, conhecer novos sabores, se abrir para uma nova maneira de pensar e de comer, vai me fazer circular por outros mercados, outras padarias, outros restaurantes, outras freguesias. Afinal, uma pizza no meu italiano preferido, um capucino italiano no meio da tarde, meu Hagen-Daz no fim de semana, meu cheesecake na Starbucks e outras cositas mas não farão mais parte do meu cotidiano. Pelo menos não no próximo mês.

Eu poderia fazer isso na minha, mas você se recorda que eu sou sem-vergonha, né? Então, eu resolvi compartilhar quase que diariamente essa minha experiência. Tornando público eu firmo um compromisso. Ao firmar o compromisso eu me obrigo a cumpri-lo. É claro que não é nada preto no branco. O importante é ser divertido, pra mim e para quem, por ventura, me acompanhar nessa minha empreitada.

Um mês não representa nada em termos de uma vida inteira, é verdade. Mas para mim, neo momento atual que tenho vivido e passado, pode e vai representar muita coisa.

Para tanto eu criei até um outro blog. É que não quis misturar muito as estações. O que eu vivo acaba por interferir na minha maneira de se relacionar não só com o Tomás e o João, como também com todo o resto ao meu redor. Mas aqui eu relato a minha passagem pela maternidade e a passagem da maternidade por mim. Aqui tem muito meu e muito do Tom, uma fusão, um embolado difícil de separar, de perceber, de nomear.

Como eu queria algo muito mais meu, então eu criei o Brezel com Feijão para contar e compartilhar desse meu desafio auto imposto, por assim dizer.

É isso. Vamos ver no que vai dar. Eu sei que eu vou me divertir (uma dose de otimismo não prejudica, vá!)!

Vamos junto?

EM TEMPO: Por não ser aconselhado (há controvérsias) para crianças, Tomás e João vão continuar com suas dietas habituais. A pessoa louca que se propôs o desafio fui eu, apenas eu!

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8 thoughts on “Muitas mudanças e um desafio!”

  1. Oi Carol! Enquanto eu amamentei o Tom, eu cortei leite e derivados, mas liberava pelo menos um dia por semana. O problema pra mim foi o ter que. Era como ter que fazer dieta pra emagrecer, e aí eu fiquei de corno virado. Agora é um pouco diferente, eu quero provar, experimentar, me lançar nessa experiência. O compromisso é curto, só 30 dias. Depois eu revejo e repenso. E o melhor, eu não tenho que!
    Beijo

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  2. Nossa, Gabi, nem consigo imaginar essa situação..

    Primeiro que (me bata se quiser – mas eu sei que vc não vai querer, vc é muito legal), eu AMO carne. Amo, do verbo AMO PRA CARAIO e só almoço/janto se tiver amiga carne vermelha suculenta acompanhando. Não vem com essa de feijão, arroz e ovo. Eu não suporto comida sem carne. Dois parênteses: minha irmã é vegetariana (e meu cunhado, seu marido) e eu sempre evito almoçar na casa deles, pq, né? Mas quando vou, sei que a alimentação vai ser aquela da “dieta” detox. Segundo: para minha imensa decepção, Laura não gosta de carnes! Ela come disfarçada, não gosta da textura, de mastigar, do gosto… mas, no fundo, eu acho bom, pq a tendência é a redução de consumo de carne vermelha (e branca tb), então, se ela se acostumar a comer menos carne e mais legumes/vegetais/ovos/massas, beleza, vai ficar mais fácil para ela do que é para mim.

    Agora, me peça para dar o braço direito ou cortar uma orelha fora, eu fico mais feliz do que restringir alimentação. Como um todo. Quer me ver puta da minha vida? Entrar em dieta. Ou viver em dieta. Eu vivo EM. Sempre. E sou mega mal humorada.

    Agora, fato é: vc se propôs pq VC QUER, vc está de cabeça nesse desafio teu e vc tem vontade de tentar, acho super válido. Super mesmo!! Apesar de eu amar carne, admiro as pessoas que não comam, especialmente as que não comem por conta do meio ambiente, do ecossistema, da preservação da espécie… acho filantropia pura, altruísmo na veia. Lindo, lindo. Como disse o Joey para a Phoebe, quando ela estava grávida e era vegetariana, ele deixaria de comer a carne dele para ela experimentar. Acho que é isso: os outros deixam de comer a carne pq eu continuo consumindo.
    Vixe, o papo é longo…

    Agora, eu li o teu texto e fiquei pensando: mãe é tudo louca mesmo, pq não basta a correria do dia-a-dia, não basta ter que E-D-U-C-A-R uma criança, F-O-R-M-A-R um ser-humano, enraizar princípios e valores do bem em uma tela em branco, a mãe ainda se propõe a mudar radicalmente a vida. Todas nós somos assim, não é? Todas nós, após a maternidade, mudamos muito. Radicalmente. A maioria, não todas, tá certo. Mas esta maioria tem muito mais trabalho após a chegada do filho, seja trabalhando fora ou dentro; seja viajando a trabalho ou ficando com a criança o dia todo, pensando nas refeições, nos estímulos, na melhor escola, nas roupas da estação seguinte, os médicos e vacinas… a gente ainda resolve mudar algo EM NÓS MESMAS, como se não tivéssemos sido tomadas por um turbilhão de mudanças e uma força emocional enorme que nos apossa.
    Conheço mães que passaram a se exercitar e pararam de fumar, que começaram a correr meia maratona e depois, maratonas inteira. Conheço mães que entraram para voluntariados em grandes centros urbanos, que abriram ONGs, que abraçaram o mundo…

    O que passa na nossa cabeça? Não é?

    Acho ótimo. Sempre em movimento. Sempre em busca de melhorarmos. Sempre visando o melhor para o mundo.

    Beijos grandes e parabéns pela iniciativa.

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  3. Dani, adorei o seu comentário! Eu não sei o que se passa na cabeça da gente mesmo. Quando eu me propus essa mudança, eu também pensei que estava procurando sarna para me coçar. Mas como você mesma disse, eu entrei nessa querendo, porque quis mesmo. Quer me ver puta também é me obrigar a fazer dieta. A ideia de estar em dieta, a ideia de privação também me deixa num humor do cão.
    Eu não ligo pra carne, não mesmo. Tanto que parar de comê-la não foi algo tão terrível; foi na verdade um alívio.
    Quando o Tomás era bebê e eu fazia as papinhas dele eu tinha um puta nojo de mexer com carne. Ainda tenho. O João também não come carne, então meio que as coisas fluíram nesse sentido.
    E vamos que vamos!
    Beijo, queridona!

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  4. Nossa, tive de ler 3 vezes porque o conteúdo era meio denso para “entender” através da tela. A Dani conseguiu me dar uma luz também. Esse lance de comer ou não carne para mim era secundário, mas o lance de educar ou “encucar” aos filhos sobre vantagens e desvantages de certas alimentações, gera sempre uma polêmica. Ja fui adepto de não comer carne. Hoje como menos, mas melhor quando o assunto é “carne vermelha”. Não troco um bifão bem feito uma vez ao mês por um mais ou menos todos os dias, mas se eu pudesse, viveria feliz comendo makis, sashimis e saladas de rúcula com agrião banhados em azeite “Gallo”, sal de Maras e balsâmico. Paz e luz para todos vcs

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  5. Oi Jorge! Olha, que o post nem era para ser denso, sabe? Eu fui escrevendo e quando vi saiu meio assim … filosófico.
    Sobre o comer carne, eu acho que o vegetarianismo não é pra todo mundo, e muito menos acho que vegetarianos são seres sublimes e superiores. Eu concordo com a questão da qualidade: tem gente que se entope bobamente de carne, mais por hábito do que pelo prazer de comer a carne. Mas pensando bem, quantas coisas a gente enfia goela abaixo só pelo hábito mesmo, né?
    Com a chegada dos filhos a gente revê muitas coisas também. A mulher, por ser responsável pela saúde e formação de outro ser, muda hábitos alimentares ou incorpora hábitos alimentares sem grandes crises (acho, espero que seja). E acho muito legal quando o companheiro encara mudanças visando o bem, o saudável também.
    Eu não sinto falta da carne vermelha, do frango, mas juro que às vezes, tenho vontade de comer uma comida japonesa ;-). Não vou negar, o troço é bom mesmo! Abraços, parabéns pelo blog e pelos bebês!

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