Da poesia da vida, dilemas da vida moderna, Do cotidiano, Tomás

E por falar em saudade…

Até ontem usava o sapato do macaco. Como crescem esses pequenos!

Reza a lenda, uma lenda, que a palavra saudade surgiu na época do descobrimento do Brasil. Ela personificou e definiu a melancolia que os portugueses, tão distantes de tudo aquilo que era seus, sentiam.

Verdade ou não, e toda lenda tem um quê de verdadeiro, a mais portuguesa das palavras é pra mim, mais do que uma palavra. É todo um sentimento, sentimento esse que não cabe só em palavra.

Aliás, a saudade enquanto palavra é sempre a definição da tristeza, da falta, do padecimento, da ausência. Enquanto sentimento, ainda que aproximados, nenhum desses sentimentos para mim são a saudade, nenhum deles é uma saudade. Porque para mim a saudade se basta. Saudade se sente e só. Porque saudade é trazer o passado para o presente, e suspendê-lo. É um suspirar. É um sorrir-se por dentro. Saudade é a prova de que tudo passa, e ao mesmo tempo, de que tudo fica.

Eu sou saudosista, confesso. Porque toda saudade é ausência assimilada. E como já disse o grandissíssimo Drummond “…ausência assimilada, ninguém rouba mais de mim”.

Pois é, ando saudosa demais. Não tanto do Brasil que ficou distante, nem do tudo e do tanto que por lá ficaram. Ando saudosa mesmo dos tempos que meu filho era um bebê.

Saudade de mãe é engraçada demais. Mãe se alegra com o presente, suspira com o futuro, mas sempre tem no peito um não sei o quê, uma chavinha no coração que sempre abre as lembranças de quando se carregava a cria nos braços. 

E não é que não queira que meu filho cresça. Juro que não é isso! Até mesmo porquê, não querer que filho cresça é dar um tiro no pé. Filhos crescem e ponto. E se vão a cuidar de suas vidas, e se vão a descobrir outros mundos, e se vão a ser eles mesmos no mundo.

E mesmo assim, e mesmo quando for assim, eu vou continuar sentindo saudade do tempo que carregava Tomás na minha barriga, do dia do seu nascimento, dos dias de pequenice que pareciam eternos.

Recém-paridos: mãe e filho. E não dá pra exigir do marido que ele tire uma foto perfeita nessa hora

 Me deixa, vai! Quem é mãe sabe que essa é a saudade mais gostosa de se sentir. E eu vou ter que discordar do meu sempre querido Chico: a saudade não é o revés do parto. A saudade já nasce no parto.

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7 thoughts on “E por falar em saudade…”

  1. Menininha, eu entendo muito bem o que vc disse…..
    Entendo pq sofro de uma saudade que não é sofrida, é gostosa, é triste, é saudosista, é nostálgica… mas não é triste, de forma alguma! É algo dolorido, sem doer. Não dá para entender, não é?

    Eu amo ver a Laura crescendo, mas tenho taaaaaaaaaanta saudade dela ontem, dela ano passado, dela bebê….. affe….

    Entendo bem.

    Beijos enormes!!!

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