Alemanha, Do cotidiano, Heidelberg, mambembe, mundo afora

Algumas coisas que eu sinto falta morando fora

1. Padaria

A padaria alemã é de tirar o chapéu. Os pães daqui são deliciosos, e saudáveis, e (podem ser) orgânicos, e são integrais de verdade… Coisa de louco entrar em qualquer padaria por essas bandas de cá.

Mas…

Mas elas não têm balcão onde se possa sentar e pedir um pãozinho pra comer na hora. Não do jeito que concebemos no Brasil. Eu sinto falta mesmo é do balcão de padaria. Oi? Pois é, sabe aquele balcão que você chega e solta Oi campeão, me vê um pão na chapa e um café com leite. Café de coador, por favor!. Sabe aquele balcão pra onde a gente se dirige e já conhece o chapeiro, aquele balcão que a gente toma o café da manhã com pressa antes de ir pra aula ou pro trabalho, ou vai no meio da tarde quando bate uma fome de coisa simples, de… coisa de padaria?

E daí chega aquele pão francês quentinho, num prato duralex junto com famoso pingado? Nossa, salivei agora! Pois é exatamente disso que eu sinto saudade.

Por aqui existem os Cafés, eu sei,  mas não são a mesma coisa. Nos Cafés tem os capuccinos deliciosamente cremosos, ou os latte machiatos, ou os cafès cremes da vida, todos servidos em xícaras belíssimas e chiquérrimas, eu sei. Eu sei também que não há nada mais glamouroso do que sentar num Café, ler um livro e se entregar ao dolce far niente. 

Mas…

… desde quando mãe se entrega ao dolce far niente, né minha gente? Qualquer visita a um Café que não seja para mães com crianças pequenas, é no mínimo, o oposto do luxo. Ainda mais com um filhote desfraldado que faz questão de fazer o número um E o número dois em todos os banheiros diferentes por onde passa. Fala pra mim se tem algum glamour limpar bunda de moleque fora de casa?

Enfim, saudades dos balcões de padaria!

2. Cabeleireiro & Co por preços camaradas 

Well, reclamação quase unânime da mulherada brasileira que não pode se acabar num salão de cabeleireiro por aqui.  Fato é que não dá pra mudar (e manter) drasticamente o corte de cabelo, ou ir a cada três, quatro meses  só pra cortar as pontinhas.  Desculpa aí, as rycas e phynas que podem! Que o luxo, o glamour e o poder permaneçam com vocês.

Nestas idas e vindas, e somando todo o tempo que já morei fora, eu nunca aprendi direito a fazer as coisas by myself . Eu me viro muito bem na cozinha, eu me viro bem na faxina e arrumação da casa e em outras cositas mas, mas eu confesso que nos cuidados pessoais eu sou um zero à esquerda.

Não sirvo pra manicure de mim mesma, e muito menos pra pagar quinze contos de euro pra moça nem mandar um oi pra minha cutícula. Fico com as mãos por fazer mesmo.

E depilação então? Depilação não é tão fácil de achar por aqui, e quando acho também não dá pra se depilar de cima a baixo todo santo mês. Sendo eu detentora de pelos nos lugares mais improváveis e menos convenientes, eu sinto falta pra caramba da Bra, a minha depiladora querida.

Acaba sendo na base da gilette mesmo, apesar de não gostar do resultado. Mas uma vez que já fui capaz de me auto flagelar com bolhas e hematomas decidi não mais me arriscar.

Eu acho super digna e valiosa toda essa discussão a respeito da depilação feminina, mas eu merrrma não banco pernas, axilas e virilhas cabeludas. Digo e repito: EU não banco. É o tipo de coisa tão enraizada na minha cabeça, que só tirando pela raiz mesmo. De preferência com cera quente.

3. Não ser escrava do secador de cabelos

Ô saudade de lavar os cabelos e sair de casa com as madeixas molhadas mesmo. Deixar secar ao tempo, no sol, no vento!

Pois se eu sair com os cabelos molhados aqui, certeza que a vida me dá de presente uma gripe e/ou uma sinusite crônica, pra dizer o mínimo.

Eu acho muito chato secar o cabelo, tenho preguiça mortal. De maneira que não o lavo todos os dias. Pode me julgar, não ligo. Sou adepta do shampoo a seco e sigo feliz assim.

E também né, a gente lava e seca os cabelos, põe toca, quando não põe toma chuva… No fim do dia sua voz continua a mesma, mas o seus cabelos… Ai, preguiça mesmo!

Em tempo: eu não lavo os cabelos todos os dias para não ter que seca-los todos os dias. Mas banho eu continuo tomando t-o-d-o-s os dias!

Outra coisa que eu sinto falta, mas pode entrar nessa mesma categoria, é de não ser escrava do hidratante. No Brasil eu passava hidrante para ficar cheirosa, ou nos meses mais frios quando a pele, de leve, dava uma ressecada.

Se eu saio do banho e não passo hidratante é uma coceira sem fim. Sem contar que a pele mais parece um craquelé. Preguiça também!

minha pele sem hidratante/ imagem: de.wikipedia.org

4. Falar português

Meu marido não é gringo, de modos que a gente conversa a beça em bom português. O pequeno, por enquanto, só quer falar português conosco (e ele fala, viu! como fala esse pequeno).

Mas sabe, tem horas que cansa um bocado se expressar numa língua que não é sua. Tem horas que eu quero ligar o piloto automático e não me preocupar com nada. Nem com pronúncia, nem com declinação, nem com vocabulário.

Eu sei, eu sei, em Roma, como os romanos, mas tem dias que cansa mais do que em outros. Tem dias que eu queria estar numa roda e só jogar papo fora.

Na mesma categoria entra ler jornal em português.

5. Não pensar na vida com tanta antecedência

Eu juro que não sei como os alemães conseguem se planejar com tanta antecedência. Eu sofro um tantico pra entrar no esquema deles.

Se eu vou estar livre no dia 18 de Outubro às 20 horas? Cara, eu espero estar viva! Muita água vai passar por debaixo da ponte! Não posso te responder agora! Minha vontade é responder assim, mas em vez disso a gente abre a agenda e vê se o raio do dia, naquela hora não tem nada marcado. Vai que tem, né?

Isso pra mim, que tenho como lema não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar, é difícil, viu! Se eu falar que é fácil eu estou mentindo.

Mas de novo: em Roma, como os romanos. E bora andar com agenda pra cima e pra baixo. E um dia, quando menos se espera, você já está como eles. E se alguém cancela alguma coisa com você( tipo com cinco horas de antecedência) você fica puta da vida!

Tenso!

***************

São apenas algumas coisas, a lista pode ser bem maior, dependendo do dia e da hora. Tudo isso varia de pessoa pra pessoa, de lugar pra lugar também. Mas o certo é que não há ganhos sem perdas. E se a vida fosse só ganhos, não passaria de uma imensa perda, como bem já disse um grande amigo (que é outra coisa que eu sinto falta pra caralho, dos amigos) que é também poeta.

***************

Pessoal, eu me abalei demais com um anônimo desaforado que passou por aqui. Ainda não aprendi a lidar com esse tipo de coisa. Não precisava de tanto, muito menos de post mal escrito e mal educado. Para os que me leem, peço que relevem. 

Anúncios

10 thoughts on “Algumas coisas que eu sinto falta morando fora”

  1. Queridona!!!
    Sinta meu abraço, pois eu sentiria falta das mesmíssimas coisas se morasse fora. Aliás, no curto período que morei, senti falta do pão francês mais do que da minha própria mãe (mentira). Mas senti muita falta mesmo.
    Adoro.
    Agora neste início de gravidez, tudo me é estranho, todos os sabores são ruins, eu não consigo comer nada, mas o pão francês….. áh, este continua no topo da preferência.

    Manicures: não vivo sem, pelo menos aqui no Brasil, em que a oferta é vastíssima. Mas, se um dia eu precisar fazer sozinha, não farei.

    Beijos grandes!!!

    (nem vi o anônimo, relaxa….)

    Curtir

  2. De cara gostei muito do seu blog, layout, assuntos e já vi que temos algumas coisas em comum.
    Esse post é muito genial! Eu acho que sinto falta das mesmas coisas que você, tirando o secador que eu não uso nem se for obrigada. De todas essas saudades acho que o último ponto talvez seja o único que me incomode, acho que perdi muito da minha espontaneidade depois que vim morar aqui, pq tudo é milimétricamente planejado, brasileiro é um pouco mais relaxado, não? A gente faz o que dá vontade naquele dia e eu acho que assim é mais natural… Mas…. Como você mesmo disse, em Roma, faca como os romanos!

    Curtir

  3. Gabi, te mandei um comentario e… cade? sumiu foi??? Bom, eu leio seu post e penso que, se eu fosse escrever algo a respeito, daria um livro. Minhas impressões mudaram ao longo dos anos e o que eu sinto hoje é muito diferente dos dois primeiros anos vivendo fora. Hoje eu tenho uma visão menos tendenciosa para analisar as características de cada lado, e reconheço que tem coisas no Brasil que a gente só tem lá mesmo… Seu post é um exemplo do que muitas de nós pensamos e sentimos. Eu tenho uma lista na minha mente do que vem do Brasil e me faz falta, mas o que mudou de uns tempos para cá foi que, hoje eu preservo aquilo que faz parte da nossa essência e da nossa criação brasileira. Pode ser coisa da nossa cultura, ou da nossa natureza. É algo que eu me orgulho de ter dentro de mim. Aquilo que nao tem aqui… aquilo que é bom e eu nao quero perder por nada! 🙂 beijos.

    Curtir

  4. Cíntia querida, eu não vi seu comentário não. Pode ser que tenha dado algum problema, uma vez que decidi moderar os comentários agora.
    Muito bonito o que você falou; muitas coisas eu também me pergunto se valem a pena eu manter, uma vez que por aqui são culturalmente mal interpretadas ou nem um pouco valorizadas. Mas são coisas que fazem parte da nossa cultura, da nossa criação, como você bem disse. Já me envergonhei muito por isso, já me diminuí muito também. Hoje não mais, eu admiro e respeito muitas coisas da e na cultura alemã, mas eu sou diferente e sempre serei. E eu também não quero perder muito das coisas que não t~em por aqui.E é bom lembrar que eles mesmos, nunca me aceitarão como uma alemã 😉 beijos

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s