a vida é mais, Alemanha, curtindo a vida adoidado, Do cotidiano, Heidelberg, mambembe, mundo afora, primavera que te quero

Uma pequena reflexão sobre o fim do inverno

O inverno aqui onde moro foi bem ameno. Não teve neve.  Não teve sequer aquele frio de tiritar. OK, um ou outro dia, mas nada que tenha dado a tônica para esse último inverno. E ninguém gosta de inverno ameno; o desejo é por neve, muita neve. O que, convenhamos, torna a estação mais bonita mesmo.

Mesmo a gente esquecendo o saco que é acordar cedo pra tirar neve da calçada,  mesmo a gente esquecendo como é andar empurrando carrinho de bebê com neve, mesmo a gente esquecendo da merda que é o cotidiano e todas as implicações que da vida com neve derivam, mesmo e ainda assim, a gente quer um inverno branquinho de neve.

Não importando se o mesmo foi severo ou ameno, no começo de Março estamos todos de saco bem do cheio cansados do inverno. E o que queremos? Primavera, pois bem!

E aí num dia de sol, ao olhar pela minha janela e avistar ciclistas com suas saias vaporosas, alemães com casacos abertos, e alemãezinhos sem gorros e sem saquinhos nos carrinhos, acreditei que Primavera já era. E perceba que meia dúzia de pessoas num espaço de tempo de três minutos, não pode ser considerada uma amostragem real e séria da vida. Mas enfim, a pessoa acredita no que ela quer acreditar.

o sol que engana os incautos

Até me esqueci da previsão do tempo, nem chequei o app de temperatura do celular, tamanha minha felicidade. Por via das dúvidas fui conferir a temperatura no termômetro que fica no quarto, e ao me deparar com os 25 graus apontados, nem me passou pela cabeça que aquela era uma temperatura fictícia, uma vez que naquela hora, o sol batia de cheio no sensor do termômetro.

Saí de casa toda serelepe e com roupas esvoaçantes, alegre como o dia, com o sol, quase que oferecendo beijos de amor como cantou o poeta.  A verdade é que ao dobrar a esquina eu já havia me arrependido do meu otimismo, e sobretudo do meu amadorismo. Ao dobrar a esquina, também me deparei com a camada da população mais agasalhada da cidade, com casacos grossos, gorros, cachecóis e luvas.

Eu bem que podia ser como as alemãs geradas, nascidas e criadas em terras tão geladas, que em cujos DNAs carregam gerações e gerações de sobreviventes das maiores friacas conhecidas e até desconhecidas que o mundo já passou.  Eu bem que podia ser como as alemãs geradas, nascidas e criadas em terras tão geladas, que não ligam a mínima se o inverno acabou ou não, querendo mais é usar os modelitos da próxima estação.  Elas sim, podem bancar saia, meia-calça e sapatilhas em módicos cinco graus.

Ao me afastar um quarteirão de casa, decidi que era hora de acabar com aquela palhaçada, que era hora de dar fim às cãibras nos pés, que era hora de aquecer as ancas e a garganta. Meu sonho naquele momento era um chá pelando de quente e me agasalhar até os dentes.

Na volta pra casa ainda encontro um grupo de mulheres indianas que me olhavam surpresas por me verem em trajes tão primaveris, a despeito da  real temperatura.  Decerto acharam que eu era uma dessas raparigas geradas, nascidas e criadas em terras tão geladas.

Mas eu não sou. Sou apenas uma sul-americana ansiando pela Primavera. Ponto.

tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais

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1 thought on “Uma pequena reflexão sobre o fim do inverno”

  1. Também anseio por essa primavera querida! E assim como você já me fiz enganada por essas típicas criaturas nascidas e criadas em temperaturas frias que sabem manter a postura com pouca roupa em dias ensolarados, mas friorentos!
    Concordo que quando marco aparece, todo mundo anda de saco cheio do inverno e quase implorando a chegada da primavera, não é mesmo! Mas já, já quando menos esperamos ela esta aí em nossas portas!

    Bom fim de semana

    Curtido por 1 pessoa

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