amamentação, amamentar, Da poesia da vida, palavras soltas ao vento, receitinha, Tomás

O curioso causo da polenta com aspargo

Era uma vez um bebê que chorava muito. A mãe dava muito peito, muito colo e muito carinho. Mas um dia o choro cansou pai, cansou mãe e cansou filho. Todos juntos foram ao médico entender o que era aquilo. Olha daqui e de lá, pergunta um pouco disso e daquilo para soltar um veredito: são cólicas. Espace as mamadas, evite leite e seus derivados. Com um muito obrigado saíram todos aliviados.

Apesar de seguido, o sugerido não resolveu. Será cólica ou será a vida? O bebê chora porque tem dor de barriga ou chora porque saiu da barriga? Resposta? Não havia, nem a dúvida no ar se dissolveu.

Apesar do choro constante, peito, colo e carinho eram mais que frequente. E apesar disso tudo teve um dia, que tristeza!, o choro foi tão forte, tão alto e tão sem fim, que a mãe chorou junto, e os dois podia-se ouvir lá de Berlim.

Foi então que no desespero, a mãe escreveu para um médico que não era nem obstetra nem pediatra, mas era amigo e homeopata. Para o bebê Chamomilla na D2*. Para a mãe receitou: corte pepino e tomate,  alho e cebola esqueça completamente; leite nem pra mim, nem pra você nem pra ninguém. E paciência, que tudo passa, essa fase também. Obrigada doutor, amém!

E qual não foi a surpresa? Passou! O tempo mais forte que o vento levou dores, levou descontentamento. Ficou algum choro, mas ficou o riso, ficou a graça, ficou o peito, o colo, o carinho e a boniteza.

Mas o bebê de tanto mamar deixava a mãe com a barriga a roncar. E o que comer se ela pouco podia provar?

A mãe que não era boba nem nada descobriu a polenta como resposta à charada. Como é sabido, a polenta vem do fubá. Mas como esse mundo anda doido varrido inventaram o fubá transgênico. Não disse? O mundo anda mesmo esquizofrênico! Pois é, estamos mesmo pela hora da morte. Então já sabe, fubá orgânico é o norte.

Uma xícara de fubá e duas de água mexendo no fogo brando devagarinho. Uma pitada de sal para dar um gostinho; melhor ainda se colocar caldo de frango ou de legumes caseiro. Lembrando sempre que o amor é o melhor tempeiro.

A polenta que arretada! Mata a fome e dá sustância. Mas comer só polenta? Santa ignorância! A mãe com desejos de mulher que amamenta, encontrou nos aspargos verdes o acompanhamento de igual importância.

Os aspargos verdes e frescos iam amarradinhos para a panela de água fervendo. Ao saírem de lá passavam pela frigideira com um fio do melhor azeite. Não tinha glúten, não tinha queijo, não tinha glamour, nem requeijão, mas o trem ó… o trem era bão! Parece receita danada de sem graça, mas a polenta com aspargos quer saber?  Tem vitaminas, minerais, fibras e ferro que segura qualquer rojão.

A mãe satisfeita que só, produzia leite gostoso! O bebê de barriga cheinha, devolvia o olhar carinhoso.

Hoje o bebê já não mama mais no peito, nem bebê ele não é. Já é menino crescido, bonito, levado e faceiro. E fala pelo cotovelo.

Já escolhe bem o que quer, e é cheio de preferência. E às vezes pergunta sem paciência: por que hoje não se tem polenta?

A mãe orgulhosa da cria responde sempre  na brincadeira: Ah! menino, quem é que te aguenta!

Essa história me contaram, já não sei bem mais quem. Curiosamente eu sei que pai, mãe e filho passam bem.

*Jamais medique seu filho sem a orientação do seu médico! O nome do medicamento acima no texto não se trata de nenhuma sugestão para consumo.

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4 comentários em “O curioso causo da polenta com aspargo”

  1. Que lindo texto! Passei por algo semelhante aqui também (e será que era esse o choro que ouvíamos aqui em Zurique??)… fico feliz que tenha passado, para nós, aqueles choros que eu também até hoje não tenho certeza o que eram… Passas agora a ter mais uma leitora 😉

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    1. Oi Marília! é tão bom saber que não somos únicas nos tropeços da maternidade, não é?
      Fico muito feliz em ter mais uma leitora. Seja sempre bem-vinda.
      Um abraço

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