antes de ser mãe eu não sabia que..., Da poesia da vida, Do cotidiano

Das voltas que o mundo dá

Quando o Tomás tinha pouco mais de um aninho, eu encontrei um senhor um dia que me perguntou quando viria o segundo filho. Na época, eu respondi que o segundo filho nunca, jamais viria. Na época também, a maternidade era algo ainda novo para mim. A maternidade havia me atingido em cheio, feito raio certeiro em dia de temporal, e eu me sentia como aquela que havia sobrevivido e voltado para contar como eram as coisas lá do outro lado.

Eu também não sabia, mas o outro lado em questão começara no puérperio. E parecia que a vida real, aquela vida na qual eu me sabia tão eu, nunca recomeçava.

Na época, eu não conseguia nem separar muito bem, nem integrar muito bem, a Gabriela mãe e a Gabriela mulher. Na época eu me olhava no espelho e procurava desesperadamente por mim mesma. Na época, eu me perguntava constantemente quem sou? para onde vou? onde estou?. Naquele momento, ter outro filho significava para mim, me perder para sempre, nunca mais achar respostas para minhas perguntas, nunca mais me reconhecer no espelho.

Hoje eu sei que nao preciso separar nada. Hoje eu me sei inteira de novo. Hoje eu sei que a gente se separa, se parte pela metade, se despedaça, pra depois se juntar e seguir refeita. Até a próxima ruptura…

O começo da maternidade não é assim para toda mulher/mãe e também não precisa ser assim. Comigo foi, e tudo bem. Aceita que dói menos.

Mas voltando ao senhor do começo do texto… ao ouvir minha resposta, ele riu e disse que duvidava. Eu fiquei puta da vida, bem puta mesmo. Ele disse que duvidava, porque percebia que eu havia nascido para ser mãe. Eu continuei puta da vida, bem puta mesmo.

Até mesmo porquê, naquela altura da vida e da lida, onde eu estava me tornando mãe um pouquinho por dia, na raça mesmo; dizer que eu havia nascido para ser mãe me parecia falar sem conhecimento de causa. Como se estalássemos os dedos e ó… nasce uma mãe.

Eu podia ter desfiado um rosário naquele dia, ter falado quem era ele para ser invasivo daquele jeito, invasivo a ponto de opinar numa escolha tão minha, tão pessoal? Mas eu só fiquei danada de raiva e insisti que não teria outro filho.

Ele se despediu dizendo que filho era bênção. Deixa vir, disse ele ainda.

Na época, aquilo me incomodou demais da conta. E quando o incômodo é grande, o problema geralmente está na gente, e não no outro que falou o que falou.

Fui averiguar as razões do meu desconforto. Desconforto inversamente proporcional ao que o senhorzinho me disse.

Daí é aquela coisa, chora um dia, descobre um pouco noutro dias, nos outros dois ou três nem se fala mais nisso… Vai na terapia, chora na terapia, depois não quer voltar na terapeuta… E por fim, como em todo processo de autoconhecimento você desata aquele nó.

Sai aquele aperto do peito

A vida flui.

Mais leve.

Porque tudo nessa vida é uma questão de tempo.

E neste tempo, eu tenho dias de achar que eu nao dou conta de nada; Em outros pareço abraçar o mundo só com dois braços. Tem dias em que o amor não cabe no peito; em outros, ele parece faltar, nunca ser o suficiente. Tem dias em que acho que um filho só valem por dez; em outros sonho com um quintal cheio de filhos. Tenho dias de me achar uma super mãe; e tenho outros mãe de merda total, a rainha das “menas” mãe tudo. E a lista poderia seguir infinitamente, poruqe a vida é assim mesmo; cheia de dias bons e outros nem tanto.

Mas ultimamente, eu tenho tido dias de achar que seria muito legal o Tom ganhar um/a irmão/ã, e um/a irmão/ã ganhar o Tom. E tenho dias até, de achar aquele senhorzinho muito simpático.

Se a gente vai partir para essa aventura, de novo, é uma questão que levará o seu próprio tempo. Por ora, o que sei, é que tenho vivido dias de muito querer.

"Mama, ou você vem chutar bola comigo ou me dá um irmãozinho pra eu  poder brincar." Cataploft!
“Mama, ou você vem chutar bola comigo ou me dá um irmãozinho pra eu poder brincar.” Cataploft!
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6 comentários em “Das voltas que o mundo dá”

  1. Sempre lidei muito bem com nossa decisão de ter uma filha, antes mesmo de engravidar. Meu marido ainda lida muito bem. Mas hoje eu tenho um pouco de desejo quando vejo bebês pequenos. Desses bem fofinhos que não páram de sorrir…. Mas eu acho que minha saudade é da Bia mesmo, lá daquela fase maravilhosa onde a gente se descobria junto lá na Suécia. Era tudo novo: país, mae, filha e família… Eu não sei se sinto vontade de ter outro filho… a verdade é que os bebês são fofos demais! heheheh… E os filhos começam a crescer, e a crescer… Acho que se eu pudesse, apertaria o pause por uns 10 anos agora e ficava com minha menina de 4 anos falando errado por bastante tempo! hehehehehe…. Boa sorte com as reflexões (e decisões!!!) Elas fazem parte dessa jornada!!! beijos

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    1. Eu também procuro me perguntar seo o que eu sinto é saudade do Tomas bebê ou se eu realmente quero ter outro filho. A verdade é que bebês são deliciosos, mas depois que a gente tem o primeiro bebê, a gente bem sabe que nem tudo são delicias. Ó João é muito tranquilo com a opção de ficar num filho só; eu quando penso na perspectiva de ter outro me alegro, mas me alegro igualmente em pensar no nosso futuro só com o Tomas. Só o tempo mesmo para nos dizer se anossa família está completa ou se ainda falta um serzinho por vir. Eu também acho horrivel ter outro filho apenas porque o primogênito não pode ficar sozinho. Honestamente, eu acho este motivo o mais tolo. Enfim, estou aberta para tods as possibilidades que a vida me apresentar. Beijos

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  2. Nossa, o início do texto poderia ter sido escrito por mim. Eu sempre quis ser mãe, mas quando resolvi ser, escolhi um tipo de maternidade que é intenso demais, demanda demais, ainda estou tentando me encontrar Denise-jornalista-esposa-do-Diego-filha-da-Clélia. E por ora, por conta de todos os questionamentos e de certa forma “privações” (não achei palavra melhor, mas é uma privação do bem), nós estamos contentes com um filho só. Volta-e-meia me pego pensando que não precisamos de mais ninguém pra ‘completar a família’ como muitos dizem. Nós nos bastamos. Por ora. Vamos ver que voltas esse mundo pode dar?
    Beijos

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    1. Oi De! Eu acho que cada familia, cada mulher sente (ou nao hehe) quando se abrir para outro ser. Mas tambem nao acho que tenha necessariamente que acontecer, seja pra um, pra dois ou pra cinco filhos. Eu tambem acho que o tipo de maternidade que cada mae, cada mulher escolhe, juntamente com a personalidade de cada mae e de cada mulher, acabam influenciado e muito, na escolha ou nao de mais um filho. Mas nada nos impede de nos abrirmos para o mundo e para a vida, nao é mesmo? Por ora, estamos por aqui, no plano das ideias! Beijos

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