Alemanha, mudança, mundo afora

de sina itinerante

segundo o dicionário houaiss da língua portuguesa, o adjetivo itinerante significa também, que ou aquele que transita, que se desloca, que viaja.

o adjetivo se aplica com maestria no nosso caso.

eu já perdi as contas das vezes que nos mudamos. desde que estou com o joão colecionamos 11 casas em 13 anos juntos, sob o mesmo teto.

se eu gosto de mudar de casa? sim e não. não, eu não gosto da bagunça, do encaixotamento, das inúmeras burocracias e probleminhas decorrentes de uma mudança. sim, eu adoro uma casa nova, um lugar novo, uma vida nova.

toda mudança me traz aquela sensação de zerar a vida. puxa, um lugar novinho para (re)começar. experimentar novos caminhos, descobrir novas pessoas, novos supermercados, novas praças, novos parques, novos cheiros, novos sabores, novas regras, novas línguas, novas formas de pensar…

mas também a sensação de zerar a vida. só que o lado b de zerar  a vida. puxa, ter que descobrir supermercados, praças, parques, familiriazar-se com a cidade, os caminhos, as pessoas, outra língua, outras regras, outras formas de pensar, outros cheiros, outros sabores…

tem hora que cansa? tem. mas tem hora que cansa também ficar no mesmo lugar. veja, nem sempre o mesmo lugar significa ruim. pelo contrário, nunca ficamos em um lugar sem querer ficar nele.

mas eu não sei o que acontece com a gente. eu e o joão temos um comichão que se retroalimenta. quando um está sossegado o outro vai lá cutucar.

chegou um dia em que um olhou pro outro e disse: nossa a alemanha é massa, mas não é nosso lugar no mundo. vamos mudar? e não é que da teoria partimos para prática?!

e toda vez, toda vez que eu começo a empacotar as coisas eu penso: onde estávamos com a cabeça? e toda vez, toda vez que a gente começa a procurar um novo lar a gente pensa: onde estávamos com a cabeça? e toda vez, toda vez que a gente chega num novo lugar a gente pensa: onde estávamos com a cabeça.? e sobretudo, toda vez, toda vez que o tomás fica mais de um mês perdido na nova realidade e nos levando às raias da loucura, a gente se pergunta: onde estávamos com a cabeça, minha nossa senhora da paciência?

mas toda vez, toda vez que passado o tsunami de novidades, quando a vida atinge a velocidade de cruzeiro, quando nos vemos no novo, pensamos: que bom que fizemos!

por essas e por outras é que não me preocupo com o futuro. todas as preocupações com o tempo são dissolvidas. eu me preocupo em não saber viver o presente.

porque essa transição, essa fase de não estar nem cá nem lá, essa fase em que não vale a pena renovar contrato disso ou daquilo, em que você não pode se comprometer com muita coisa, porque sabe que não vai mais estar ali se precisarem de você… isso pra mim é o mais difícil.

e me é difícil, porque eu acabo me esquecendo das coisas importantes e que fazem a vida num determinado lugar mais saborosas, por causa desse pensamento do já não vale mais a pena!

viver com a cabeça no aqui e no agora. viver pensando no que virá, mas sem estar no que está por vir. este é o meu desafio.

é o tal negócio que o chico e o edu lobo cantaram e eu me sinto completamente representada: …”a arte deixar algum lugar quando não se tem pra onde ir”…

na prática existe um lugar, uma casa, mas não existem relações, dia a dia, rotinas, rostos e lugares familiares…

mas não reclamo da vida não. deus me livre reclamar da vida que eu mesma escolhi pra mim, que escolhemos pra nós.

algo me diz que desta vez será por muito mais tempo. espero, de coração, que este algo esteja coberto de razão.

enquanto o novo não chega, vou vivendo o presente. que é o que tenho, que é o que me faz ter fé no futuro.

e quem advinhar pra onde vamos ganha um postal :-)!!!!

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6 comentários em “de sina itinerante”

  1. Eu o oposto. Tenho muita dificuldade com as mudanças, com o novo, na verdade acho que é receio, medo… Inseguranca. Mas ao mesmo tempo concordo com o texto, mudar as vezes é bom, é zerar, novas experiências, se desafiar, portanto, também pode ser bom. Só digo uma coisa… Corajosos! Admiro.
    Pra onde voces vão?? Suécia??? Será? Será???

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    1. Deby, eu não sei se somos corajosos ou só loucos mesmo 😂. Quem sabe a gente vá pra Suécia em outro movimento ( olha aí, quedê sanidade nesta pessoa?) porque esse mundo é grande demais né! Mas por ora, vamos em outra direção, na Europa mesmo 😄😄😄. Beijinhos

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