aos pequenos prazeres

Eu jurava que fazia mais de um ano que eu não escrevia por aqui, tamanha a falta que eu sinto de escrever.

Quando a gente fica longe do que a gente gosta, o tempo parece muito maior, a falta parece grudar na gente.

E eu sempre procurando o melhor dia, a melhor hora, a melhor forma de passar por aqui.

Quando não existe a melhor hora, o melhor dia, a melhor forma de fazer as coisas. O melhor é o agora, né!

Se não prejudica você e nem ninguém, deu vontade vai lá e faz!

A vida já é cheia de regrinhas, rotinas, rótulos… pra quê complicar nas coisas que a gente mais gosta, que nos dá prazer?

Parece que a gente faz uma espécie de auto-sabotagem conosco, que caso as coisas não estejam de acordo com nosso quadro mental de perfeição não podemos nos dar meia hora no dia para fazer aquilo que nos dá prazer porque nos parece errado.

Nos parece errado tomar aquele café com calma, nos parece errado alongar aquela conversa, nos parece errado tirar aquela soneca, esticar o caminho só para passar em frente daquele lugar bonito, ou encurtá-lo só para chegar mais cedo em casa e se esparramar no sofá para assistir aquele episódio em plena quarta-feira!

Parece tanta contravenção dentro de uma rotina por vezes rígida, por vezes quadrada.

Somos adultos, sabemos que não é possível fazer só o que se gosta o tempo todo. Temos contas para pagar, responsabilidades dentro e fora de casa, e por aí vai.

Mas o meu ponto é, desde o começo do texto, que por conta do emaranhado de nós dessa vida adulta a gente se perde nessa adultisse e se esquece de nos fazer um agrado, um carinho.

Eu decidi que não precisa ser nada de grandioso, nada que exija um planejamento. Basta um parágrafo no meu caderno de anotações, basta tomar um chá sozinha na hora da soneca da minha filha, basta uma gentileza comigo mesma, ouvir músicas preferidas…

E que apesar da lida preocupada, corrida, suada, batida* eu consiga ver e me conceder um pequeno prazer. Para poder levar a vida pro lado contrário da dor **.

E que em plena segunda-feira, data em que escrevo este texto, possamos trazer um pouco de um domingo preguiçoso e ensolarado pra segurar o rojão.

* e ** da canção Bom Tempo de Chico Buarque

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