antes de ser mãe eu não sabia que..., Da poesia da vida, Do cotidiano, maternidade, mães não são de ferro

maternidade, substantivo feminino

hoje não é dia das mães aqui na inglaterra, mas em muito lugar no mundo é.

e como mãe que sou, eu adoro um domingo no ano pra receber presentes e cartões e flores dos meus filhos, pra receber café da manhã na cama, almoçar fora (quando era possível). e apesar de ter consciência de que se trata de uma data bastante comercial, penso que o dia das mães possa trazer também uma certa visibilidade ao ser mãe, possa trazer discussões e outros olhares sobre a maternidade e maternagem.

e sem muita pretensão, eu queria trazer aqui um outro lado da maternidade, aproveitando que maio é considerado o mês internacional da conscientizacão das doenças mentais maternas, e este é um tema que me é muito próximo e muito caro. muito pouco se fala sobre elas, porque infelizmente, maternidade e doença mental é um enorme tabu. ainda.

quando eu tive depressão pós parto, eu me senti num limbo muito grande, muito sozinha, muito desamparada. da primeira vez (sim, como mãe de três, eu vivi esta experiência duas vezes) eu ouvi os maiores absurdos. absurdo do tipo: ah, mas seu filho é tão lindo, tão saudável, perfeito, como assim você está se sentindo triste? e isto é apenas um exemplo de tantos outros. da segunda vez eu tive ajuda muito rápido, e isto fez toda a diferença!

o imaginário romântico da maternidade nos faz duvidar dos nossos sentimentos, nos faz nos sentir culpadas pela tristeza, pela ansiedade, pelos medos, pelos choros… e um pouco destes sentimentos é normal. afinal, o tornar-se mãe é um turbilhão de mudanças: físicas, hormonais, emocionais, pessoais… tudo muda, é verdade, mas tudo tem um certo limite, e se você se sente completamente perdida e desamparada converse com um profissional de saúde.

da primeira vez, eu precisei passar por váaaaaarios profissionias até encontrar uma médica extremamente empática e preparada. foi quando eu recebi o diagnóstico, e puxa, que alívio foi saber que eu não estava louca, nem tampouco sozinha. eu era uma entre tantas mães sofrendo sozinha.

se você convive com uma mãe, seja ela recém nascida ou não, seja empáticx ao que ela diz. pergunte qual a necessidade dela. seja ouvido. seja abraço. seja conforto. seja o café quente que ela precisa. seja o banho morninho que ela não toma. seja o prato de comida fumegante. seja o cochilo que ela nem sabe mais o que é. seja o ombro para o choro que rompe do nada. seja a massagem nos pés. se achar que não pode ser nada disso, só não seja julgamento. nem palpites não solicitados. não sobrecarregue ainda mais uma mãe.

cuidar das mães é cuidar dos bebês também. fala-se tanto da Vila necessária para cuidar de uma criança, mas pouco se fala sobre o cuidar de uma mãe.

eu desejo à todas as mães um feliz dia, mas também mais suporte e amparo nessa jornada igualmente exaustiva e fascinante que é a maternidade.

💜

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