a descoberta do nome, gravidez, mundo afora, segundinho

da difícil (e deliciosa ) arte de escolher o nome da bebê

 

sabe,  quando eu morava em são paulo eu tinha uma faxineira chamada rosália. a rosália um dia me perguntou se eu já sabia o nome do bebê (na época eu estava grávida do tomás). como nós ainda não haviámos decidido o nome dele, eu disse  a ela que não, o bebê ainda estava sem nome.

rosália com toda sua simplicidade me disse que eu precisava escolher um nome bem do jeitinho do seu joão e da dona gabriela. como eu não entendi o que ela quis dizer, ela se explicou dizendo que deveria ser um nome comum, assim como o meu e o do joão, afinal de contas o diferencial do meu bebê já era a sua classe social e o sobrenome que ele carregaria.

o filho dela, por exemplo, se chama kelvin e ninguém mais na escola, ou na rua, ou no bairro tem o mesmo nome do filho dela. porque sabe dona gabriela, joão da silva tem de monte, mas kelvin da silva só tem um.

aquilo me calou fundo.

eu nunca mais me esqueci disso. e ficou claro para mim, que embora todos os pais e mães, em algum momento da gravidez, se ocupem com o tema nome que o bebê receberá, essa “problematização” exagerada, às vezes,  é muito mais uma questão para classe média branca, dentro do modelo família chamado tradicional.

afinal, uma celebridade qualquer escolher um nome diferentão pode ser bacana, mas uma pessoa comum, uma diarista, por exemplo, inovar na escolha, já é coisa de pobre.

juro que antes eu criticava essas pessoas por escolherem grafias pouco usuais, ou combinações de nome nada ortodoxas; afinal, existem várias gabrielas, mas gabrielly, com sorte, só a minha filha. existem outros cléber e outros edson, mas cleberson, só meu filho. e sem juízo de valor aqui, os exemplos são aleatórios, e apenas para explicar meu ponto de vista.

esquecemos que no brasil, infelizmente, ainda existe uma massa analfabeta ou semi-analfabeta*, que provavelmente (isso é uma dedução minha, sem respaldo científico) deve se encantar com a possibilidade de dar ao filho um nome cheio de volteios. eu sei também, que nem todas as pessoas que escolhem grafias duvidosas e/ou nomes nada convencionais, possuem a mesma simplicidade e o mesmo pensamento da rosália. nesses casos eu me pergunto por que um tabelião não orienta a pessoa que vai registrar? será que eles são proibidos de o fazerem? de verdade, eu queria saber. se alguém souber, por favor, me responda.

então, perceba que querendo ou não, nosso nome é nossa assinatura no mundo, e diz muito sobre nossas origens. não só, mas inclusive social.  e não sou só eu que falo isso, não. muitos estudos sobre nomes já foram feitos. por exemplo, na alemanha, alguns nomes já são olhados com preconceito pelos professores, antes mesmo deles virem a conhecer os alunos. o mesmo aqui na inglaterra. não só na escola, como também mais tarde, ao se candidatarem para um emprego.

nome é coisa bem séria. carregar um nome com o qual a pessoa não se identifica ou pior, que a pessoa venha a se envergonhar, deve ser um martírio. nosso nome é como nos apresentamos e como somos conhecidos, não é mesmo?

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mas o post acabou tomando um rumo muito sério, rumo esse que eu não queria que ele tomasse.

traremos agora uma certa leveza. não saia da frente da tela.eu, por exemplo, tenho um nome que muito me agrada e que acho muito bonito, mas que eu jamais colocaria numa filha minha. o nome em questão é pia, e vem do latim piu, um adjetivo que que dizer piedoso. mas eu tenho certeza que você não pensou em piedade quando leu pia; certamente você pensou em pia como substantivo ou ainda, como flexão do verbo piar.

são nessas horas que a gente para e pensa. a grafia não é nada extraordinária, o significado é bonito (na minha opinião), mas… por razões óbvias acima citadas, é um nome que traria problemas.

eu tentei dar um sambarilove no nome e cheguei a sugerir pina, que é outro nome que me encanta, mas o joão vetou. pô joão, e a pina bausch?

e tem também um nome que eu li pela primeira vez, eu deveria ter uns doze anos. minha mãe sempre assinou aquela revista arquitetura e construção, e eu sempre adorei ler as revistas da minha mãe. naquela edição, de tantos anos atrás, tinha uma reportagem de uma família que reformou um sobrado numa vila em são paulo. a reforma ficou espetacular, até hoje me lembro da cor da casa, da árvore plantada na frente, do jardim…

mas no fim da reportagem, aparecia o casal com os filhos, um menino e uma menina. e o nome daquela menina, fez meu coração sobressaltar. o nome dela era violeta.

embora meu marido seja neutro em relação a violeta, ele não é muito entusiasta. não tanto quanto eu. e confesso que me dá uma dorzinha no peito abrir mão do nome. mas nessas coisas não tem como forçar. ou é o nome da nossa bebê, ou não é. e eu, infelizmente, devo admitir que não parece ser. aguardo esperançosa por uma reviravolta.

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tem também os nomes vetados, que nem puderam ser mencionados mais uma vez, que tiveram vida muito curta. a saber:

1. joana (joão achou brega ter uma filha joana, sendo ele mesmo joão, humpf),

2. olivia (não sei o porquê desse desgoto com o nome),

3. cora (segundo ele, fora de cogitação. segundo eu mesma, descabidamente).

ah, e tem os nomes que para o maridão além de terem vida curta, entraram na categoria non sense de gabriela. são eles:

  • rosa. gente, qual o problema com rosa? muita gente, inclusive meu marido, diz que rosa é nome de velha. oi? e aurora por acaso não era até trêsantonte? e o que dizer de eva ou joaquim? todo mundo dizia ser nome de gente velha e estão aí, com tudo. e são lindos!
  • florence. eu sabia que ele jamais aceitaria, mas propus mesmo assim. e gosto mesmo. e tenho dito!
  • stella. fala pra mim desde quando stella é non sense? homens…
  • lilly. sem palavras…

emma e lucy também foram excluídos, por serem, segundo ele, muito ingleses.

veja, existe uma dificuldade real, afinal de contas, procuramos um nome que tenha uma grafia simples, e que funcione tanto em português quanto em inglês.

tá fácil, não.

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deixa eu contar um historinha aqui pra você.

eu sempre tive cadernos onde eu escrevia minhas coisas. não eram diários, eu escrevia sempre que queria, às vezes, mais de uma vez no dia, às vezes ficava um tempo sem escrever.  eu copiava poesias, escrevia as minhas próprias, falava sobre um filme que tinha visto,  uma viagem, um passeio que havia feito, me queixava, me alegrava… enfim, sempre fui de tomar notas sobre minha vida.

os anos se passaram, estava eu já grávida do tomás, bem na reta final,bem barriguda. já havíamos descobrido que o nome dele era mesmo tomás, e então, num belo dia, meus pais foram nos visitar.

minha mãe trazia consigo uma sacolinha cheia desses meu caderninhos da minha infância/adolescência. disse que  havia trazido por não saber o que fazer com eles. se eu quisesse que os guardasse na minha casa, se não, que os jogasse. deixei-os de lado, e passamos o fim de semana conversando, passeando, comendo e descansando. mal sabia eu que seria o último fim de semana sem bebê.

lá pelo meio da semana, eu resolvi dar uma olhada naqueles cadernos antes de jogá-los. e me diverti muito ao reler tanta coisa de tantos anos passados. mas um dos cadernos me deixou perplexa.

era do ano de 1994. eu tinha quatorze anos (entreguei lindamente minha idade agora). e no meio de tantas páginas, em uma delas, eu escrevi assim:

9 de junho de 1994

querido diário, hoje é meu aniversário. hoje eu faço quatorze anos, mas eu queria ser bem mais velha. eu queria viajar o mundo. eu queria ter um namorado.

não faz mal. um dia, diário, eu vou viajar o mundo inteiro. e vou morar na inglaterra.

o meu namorado vai ser muito inteligente e vai querer viajar comigo. eu vou me casar com ele, e nós vamos ter dois filhos. um vai ser menino, e vai ter uma menina também. o nome do menino vai ser tomás e da menina vai ser …..

e a carta continuava.

quando eu li aquilo, eu corri mostrar para o joão. nós rimos muito, mas não pudemos deixar de nos impressionar com o fato do nome do tomás ter sido escolhido aos meus quatorze anos de idade. e juro, juradinho, que não me lembrava disso.  imagina, durante a gravidez o tomás foi miguel, foi lucas, foi tiago, foi téo, foi max…

bom, mas e o nome da menina? pois é, como a gente se lembrava de antemão dessa carta, e portanto, já sabíamos da existência do nome, eu fiquei bastante relutante em colocá-lo na rodada de nomes.

mas, por mais incrível que pareça, é o nome mais forte e mais cotado. não vou dizê-lo agora, porque sou muito influenciável. e por mais que seja o mais forte, ainda não é o definitivo.

ainda falta muito pra conhecer o mundo inteiro, mas muita coisa da minha profecia aos quatorze anos se concretizou. afinal, me casei com meu primeiro namorado, e quando eu disse que ele seria inteligente, eu não imaginva que seria desse tanto que ele é. nem tampouco imaginava que ele não só iria querer viajar comigo, como iria me arrastar para todo canto com ele. na época  em que reli o que havia escrito, a inglaterra não fazia parte nem dos nossos planos mais remotos, e pá…cá estamos. e temos um tomás. e teremos uma menina. ou seja…

agora, se esse vier a ser mesmo o nome dela, eu já posso mudar os rumos da minha vida e me tornar a próxima mãe diná, né nom!

tô até vendo a plaquinha que eu vou por na minha tenda: mãe gabriela. traz amor. traz viagens e descobre o nome do seus filhos. e aí, se anima?

*segundo dados de 2015 do ibope a porcentagem de analfabetos no brasil é de 8,7%. os números chegam a 27% se incluirmos os analfabetos funcionais, aqueles que reconhecem letras e números, mas não conseguem ler e escrever propriamente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

a descoberta do nome, de como se descobre o nome do filho

Uma pequena fábula sobre nomes

Os nomes e os fatos aqui narrados são frutos da imaginação da autora (ui!). Qualquer semelhança com a realidade não passa de mera coincidência.

Na imensidão de um país chamado Brasil, enfurnados nos recônditos de um lugar bem ao sul, moravam seu Werner e dona Petra. Gente simples, gente boa, gente do campo, gente acostumada com trabalho pesado, de sol a sol.  O casal teve quatro filhas: Sarah, Sandra, Silvia e Sophia.
Quando Sophia,  a então caçula da casa, contava com 10 anos de idade, dona Petra engravidou novamente.  Seu Werner tinha certeza de que agora viria o tão esperado varão. Não que não gostasse das filhas, longe dele tal pensamento. É que, sabe como é… Um homem, é sempre um homem. E depois, sempre quis ter um filho para chamar de Hans, assim como seu avô.
Os meses foram se passando, e a gravidez transcorrendo na maior tranquilidade. Mas tranquila mesmo era Dona Petra, que se aproximado da hora, não se importava com os comentários de que já havia passado do tempo daquele bebê nascer.  Ela sabia que tudo tinha tempo certo para acontecer; que nada passava do seu tempo.

Na hora certa, dona Petra pariu a quinta filha. A parteira foi avisar o marido, que ansioso, esperava do lado de fora da sala. Lugar de mulher parindo não era lugar de homem. Incrédulo, entrou para ver a mulher e aquela menininha de cabelos abundantes e escuros, assim como seus olhos também eram de um  escuro profundo. Tão diferente das outras filhas… Não era o pequeno Hans. Hannah, sugeriu a mulher recém-parida, e aliviada por ter outra filha. Não que não gostasse de meninos, não era isso. Mas estava ela tão acostumada com o feminino da terra que semeava e esperava pela colheita, do feminino das mães e das irmãs, do feminino das filhas, do feminino dela mesma ao gerar e parir cinco vezes,  de maneira que agradeceu do fundo de suas entranhas ainda abertas, por aquela bebê toda gordinha e rosada.

Seu Werner não concordou com a sugestão da mulher. Se as outras filhas tinham nomes que começavam com S,  a última não escaparia de tal sina. É que lhe parecia muito injusto “inovar” agora. A mãe discordava com veemência, mas seus argumentos não sensibilizaram o decepcionado pai. Tanto foi que a menina ficou uma semana sem nome. Então, depois de sete dias corridos, seu Werner chegou com a sentença final. Ela se chamaria Solweig. Solweig? O nome da prima que quase veio da Alemanha para se casar com você? esbravejou dona Petra. Nunca!  Mas era época do marido mandou, mulher acatou. E Solweig foi o nome que ficou.

Como era de se esperar, a menina cresceu e foi para escola. E fora do seu núcleo, quase ninguém pronunciava seu nome corretamente ( Zolvaig).  Para facilitar as coisas, a menina dizia que seu nome era Solweig, mas que podiam chamar-lhe de Sol. E ninguém duvidava de que  ela era como o próprio Sol; alegre como o dia, cheia de luz, distribuindo quentura por onde passava.

Não muito longe da propriedade do seu Werner e de dona Petra, moravam seu Nicolai e dona Christa. Os dois tiveram quatro filhos: Jürgen, Jan, Johan e Jonas. A gravidez do pequeno Jonas foi cheia de mal-estares, repousos e preocupações. Quando dona Christa entrou em trabalho de parto, o marido preocupado, correu até a cidade para chamar o médico, pois a situação delicada da mulher exigia um homem douto nas coisas. Dona Christa chamou seu primogênito assim que o marido virou as costas, e lhe pediu que corresse chamar dona Doris, a parteira. Quando seu Nicolai e o médico chegaram, dona Christa já havia parido o quarto filho. O médico chamou o pai de lado, e lhe disse que se a mulher engravidasse novamente, ele não poderia garantir a vida nem da mulher, nem do bebê.  Aquilo calou fundo em seu Nicolai, e resolveram parar por ali mesmo. Para desgosto de dona Christa, cuja criatividade para nomear filhos com a letra J ainda não tinha fim.

Assim como Solweig,  Jürgen não era chamado de Jürgen (Iürgen) fora de seu núcleo. Ora ele era Jurguen, ora era ele Jurgen. De Jurgen para Jorge não demorou muito, e de Jorge para Jorjão menos ainda. Ao ver aquela figura corpulenta e alta, ninguém duvidava que Jorjão até lhe cabia bem.
Um dia, Sol e Jorjão se conheceram. E se apaixonaram, e se enamoraram e se casaram. E prometeram um ao outro, além das juras de amor, que seus filhos teriam nomes simples e comuns. E com o tempo nasceu Ana. A mais bela Ana que o mundo já viu. Ana com dois Ns? Não… vamos poupá-la de ter que dizer sempre que seu nome é Ana, Ana com dois Ns. Ambos já sabiam muito bem, como era ter que soletrar os nomes sempre.

Como era de se esperar, Ana cresceu e foi para a escola. Lá ela era mais uma Ana no meio de outras Anas. Qual Ana? A Ana Maria, a Ana Luisa,  a Ana Amélia? Não, a Ana que é só Ana. A menina ficava furiosa. Nem acrescentar um N a mais para ficar mais elegante, mais “diferente”, seus pais acrescentaram! E justo ela que vinha de uma família onde nomes com Ws, CHs, PHs, tremas e volteios se proliferavam. Ela era A-N-A, Ana. Apenas Ana.
Ana cresceu um pouco mais, e acabou por conhecer José. José, que na falta de um Luís, de um Carlos, de um Antônio, era o  Zé. O José da Sapataria ou o Zé Sapateiro, ofício exercido há três gerações na família.
Zé Sapateiro e Ana com um N só,  também se apaixonaram, se enamoraram e se casaram. E antes mesmo de se casarem, decidiram que seus filhos teriam  nomes únicos, sem precedentes. E antes mesmo dos seus filhos nascerem, selaram seus destinos com nomes “exclusivos” e “exóticos”. Porém, nunca se perguntaram como é que os vindouros rebentos gostariam de se chamar.

Moral da história: A responsabilidade de nomear um filho é grande. O que torna tal tarefa longe de ser simples, e livre de dúvidas. E haja sensibilidade, intuição e conexão dos genitores com o bebê que vem chegando, não é mesmo?

a descoberta do nome, baião do tomás

De como se descobre o nome do filho

Outro dia eu me lembrei do nosso processo para chegar no nome do filhote. Até a batida do martelo, quase aos oito meses de gestação, parecia que nenhum nome combinava com o bebê que eu carregava na barriga.

Muita gente acha engraçado, e até mesmo estranho, quando eu falo que o Tomás “assoprou” o nome dele pra nós. Talvez porque não entendam que a assoprada no caso, é no sentido figurado. A verdade, acredito eu, é que quem escolhe como quer ser chamado é o bebê, aos pais, cabe apenas a descoberta do nome. OK, vamos deixar de lado os pais absolutamente sem noção, que dão nomes esdrúxulos e vexatórios para seus filhos.

O João queria Miguel, eu apesar de achar bonito, achava que não era. Teodoro? o João dizia que jamais. Téo, então. De jeito nenhum. Tiago? Hum, não sei. E Tomás? Pode ser. Só que pra mim, já era!

Até que um belo dia,  ele apareceu com a música do Luiz Tatit e do Chico Saraiva, Baião do Tomás. E gente, eu chorei feito criança. Era como se o Tatit e o Chico (eita, intimidade!) tivessem feito a música para o nosso bebê. Foi a confirmação. E a partir dali, anunciávamos sem dúvida, que era o Tomás, o nosso Tomás que estava chegando.

Baião do Tomás

Quando o filho do filho do pai
Nasceu tão bem
O avô que era pai do seu pai
Foi ver o neném
Ele viu que seu filho sorria
Isso já lhe agradou
Era o filho que o filho queria
E que agora chegou
Tinha um pouco do pai
E mais um pouco do avô

Quando a mãe desse filho do pai
Teve o neném
A avó que era mãe dessa mãe
Não passou bem
Ela via que a filha sofria
Isso lhe dava dó
Mas o filho da filha trazia
Uma alegria só
Tinha um pouco da mãe
E mais um pouco da avó

Muitos tios e tias
Já davam sinais
Que queriam ser os padrinhos
Só falavam desse sobrinho
Muitos outros filhos
Dos irmãos dos pais
Os maiores e os pequeninos
Não tiravam os olhos do primo
Que dormia em paz
Sonhava com os pais
Avós dos pais
E todos ancestrais

Era tanta gente
Não acabava mais
Uns pediam um passinho à frente
Tio do tio também é parente
A cidade toda
Veio ver o Tomás
Que nascera, que maravilha
O menino, filho da filha
Que dormia em paz
Sonhava que juntou
Os tios os pais
Com todos os demais