a vida é mais, Da poesia da vida, Do cotidiano, mambembe, mundo afora

“less is more”


eu sempre achei muito chique aquelas pessoas cujas vidas cabem numa mala e numa caixa de papelão. já reparou nelas em filmes? aquelas que dizem: vou-me embora! e ao abrirem o guarda-roupa, todos os pertences cabem na única mala da Casa? seriam elas hoje as chamadas minimalistas? ou tais pessoas só existem na ficção mesmo? 

não sei dizer, mas sei que as do primeiro grupo rendem reportagens de revista e livros de auto-ajuda. já eu, particularmente, nunca fui nem minimalista e nem imitei a ficção. porque a bem da verdade, nem uma mala para passar um fim de semana na cidade ao lado eu sei arrumar. 

 mas durante esta minha vida mambembe, eu tive que aprender na raça, a minimizar. e toda vez que me mudo, e foram muitas mudanças na última década, eu juro – sempre no calor da hora-  que não comprarei uma agulha sequer.  o que acaba nunca acontecendo, porque minha memória sempre apaga o caos de toda mudança. faz desaparecer os momentos de desespero onde me pergunto do porquê ter comprado isso ou aquilo, faz virar fumaça tudo que acabo tendo que reciclar.

 e apesar do aprendizado, ainda estou longe de ser uma…. minimalista.

apesar de toda reciclagem e renovada que uma mudança de casa e de vida exige, eu percebi que tenho muitas coisas, sobretudo louças e livros. coisas que possuem valor emocional para mim. e que me custam desapegar.

hoje eu conto com poucos pares de sapato, ainda não tenho o guarda-roupa mais funcional e prático do mundo, mas conto nos dedos quantas peças de roupa comprei para mim neste ano que passou. e só as comprei pois a barriga a crescer exigiu.

 bijuterias não as compro mais. há tempos fiz uma seleção minuciosa dos meus balangandãs, o que foi ótimo. restaram apenas os que ganhei e/ou peças de valor sentimental. deixei-os todos  à vista, e no último ano os usei muito mais.

já fui de exibir uma coleção de cosméticos e maquiagem. percebi que não precisava e, veja só – não queria- de tudo aquilo. e confesso ter sido uma grande libertação para mim apresentar a minha cara lavada por aí.

e porque estou a dizer tudo isto? porque me deparei com uma reportagem sobre minimalismo/minimalistas, e embora concorde com a necessidade de consumirmos conscientemente, me incomoda a ideia de que armários, gavetas e prateleiras quase vazios tragam paz de espírito e felicidade.

na outra ponta, também não acho que acumular objetos tenha o mesmo efeito.

veja, é que estão a dizer que viver com duas t-shirts e uma xícara de café é o suprassumo da liberdade. e caso você tenha mais que isso, talvez você precise reconsiderar essa sua vida tão abarrotada de coisas, mas tão vazia de sentido.

talvez, junto com menos acumuladores, o mundo precise de menos gente dizendo pra você e pra mim o que é liberdade e o que é paz de espírito. pois essas reportagens cheias de frases feitas e estáticas alarmantes não me convencem. 

ademais, excluindo-se os exageros e trazendo à Luz o bom senso, o que seria pouco? Ou muito? Ou suficiente? Como disse Virginia Otten “ninguém se contenta com o pouco. só se esse pouco for muito”.  

pois é.

minha paz de espírito está mas minhas prateleiras tão cheias de livros. livros que me acompanham desde nossa primeira casa, que nos viram fazer nossa história. está no meu guarda-louça abarratodo, cujas louças sussurram causos de família e tantos outros mais.

a vida não precisa ser cheia, atravancada, acumulada. mas minimizá-la drasticamente seria reduzir muito de mim mesma. e não estou disposta a isto hoje.

em tempos onde se prega o despojamento de quase todas as coisas, menos da obrigação de ser grato e feliz e simples (mesmo que seja ai comer um prato de abacate com pão a cinquenta dinheiros), escolher acumular memórias é quase uma ousadia.

eu ouso acumular memórias, inclusive as físicas. como também ouso acumular algumas frustrações, uma ou outra tristeza, alguns xingamentos à vida quando achar que devo, ouso alguns luxos…nem com as palavras eu consigo ser minimalista, imagina na vida!

vou continuar achando chique quem com uma só mala vai pro mundo. assim como vou continuar deixando que minhas memórias e minhas conquistas ocupem o espaço que precisam, e que merecem.

pouco ou muito podem ser igualmente bom ou ruim. talvez o problema seja achar que o pouco ou o muito definam quem e o que se é. enquanto isso eu, definitivamente, vou tendo a certeza de que uma vida com uma mala só não é pra mim. 

 

 

 

 

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a vida é mais, Da poesia da vida, jardineira acidental, palavras soltas ao vento

sobre rosas,daquilo que incomoda e um poema por semana #3

olha, eu vou confessar aqui um sonho que eu sempre tive. pode parecer pueril, pode parecer bobo, mas um dos meus maiores sonhos era ter uma roseira. tá bom, eu sou romântica. eu amo rosas, e muito. preciso me controlar para não comprar apenas rosas toda semana para a casa. e embora as vermelhas sejam minhas preferidas (tenho até uma tatuada) eu amo rosas de todas as cores.

quando nos mudamos para a casa nova, e eu vi que tinha duas roseiras plantadas no jardim eu juro que me emocionei. elas estavam judiadas, abafadas, largadas…mas meu super marido jardineiro entrou em ação e resgatou as roseiras que estão florindo lindamente agora.

eu nunca tive um quintal na minha infância, sequer um jardim. cresci feito galinha de granja, que quando saía sentia nojinho de terra molhada e piniqueira de mato. diferente do joão que cresceu com quintal, horta, gato, cachorro, galinha, árvore… por isso mesmo, o jardineiro oficial da casa é ele. e foi com ele também que aprendi a gostar de terra molhada, de jardinagem, de estar em contato com a natureza. e fico feliz de vê-lo passando isso pro tomás, que desde cedo mete a mão na terra, e cuida das plantas junto com o pai.

depois de um longo hiato sem uma horta, joão agora se delicia cuidando de uma. e apesar de não termos tido horta e nem quintal nos últimos anos, nós sempre tivemos plantas, muitas plantas nas nossas varandas.

a mim cabe o título de jardineira acidental, pois quando meu marido se ausenta sou eu quem cuida do jardim. e quando o faço, entendo o porquê da alegria deles ao cuidar e mexer com as plantas.

mas então que fique aqui registrado que meu singelo sonho de ter uma roseira se concretizou.

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esqueçam um pouco do meu sonho e da minha roseira.

eu quero falar agora de um texto de uma colunista que eu li dias atrás. era um texto bastante irônico sobre pessoas que abusavam nas redes sociais com seus milhões de posts sobre: alimentação saudável, parto natural, criação com apego, crossfiteiros, maratonistas e marombeiros em geral, escola alternativa para as crias, pessoal namastê e gratidão, gente viciada em séries de televisão e mais algumas coisas que não me recordo agora.

eu acho a ironia um recurso linguístico bastante interessante, mas quando usado em certa medida. ironia é feito baunilha em bolo, se usada demais o que era bom acaba por ficar ruim, deixando um trago de amargor, uma coisa enjoada.

na minha humilde opinião o texto da moça ficou amargo e difícil de engolir até o final.

e eu parei pra pensar. gente, redes sociais são inerentes na nossa vida hoje em dia, e o desejo de compartilhar idem. e cada um é livre para participar daquela que melhor lhe apetece.

e que mesmo escolhendo de qual rede social eu quero participar, eu tenho apenas o controle daquilo que eu posto. o que os outros postam é problema só e somente dos outros.

e que se meu incômodo é igualmente proporcional à quantidade de oversharings de determinadas pessoas, o problema é muito mais meu do que de quem posta. em outras palavras: o problema é do incomodado e não de quem postou.

as redes sociais são uma forma de exposição. alguns escolhem expor mais, outros menos. o mais e o menos também é relativo pra cada um.

por isso mesmo, eu fui voltando no tempo e li uns quatro ou cinco textos passados da colunista, e pude ver que ela não falava de outra coisa a não ser a sua mudança de país, e do quanto ela estava apaixonada pela nova capital européia que ela escolheu como novo lar. claro que fui até o instagram da moça, porque curiosidade é outro traço inerente a todos nós, e o que eu vi? oversharing de cantos e mais cantos do bairro dela. que é um puta bairro bacana diga-se de passagem. e seguindo o raciocínio dela, eu poderia enquadrá-la na seita dos que a adoram a cidade X.

e o que eu quero dizer com isso? que quem tem telhado de vidro não joga pedra no telhado do vizinho. e que por mais que a gente queira desesperadamente nos diferenciar em alguma coisa, somos todos a mesma porcaria. em outras palavras: todos nós temos telhado de vidro. compreendeu meu raciocínio?

existem pessoas que, de fato, se diferenciam no uso das redes sociais. e que por mais que postem mais do mesmo, o fazem de um jeito parece nos encantar. maaaaaas… ainda assim, não é possível agradar a gregos e troianos.

e a minha estratégia pessoal para lidar com pessoas que postam repetidas vezes as mesmas coisas foi: limitar minha participação a uma única rede social (fora este blog, que nem sei se pode ser considerado uma rede social), dar likes quando realmente eu quero dar, desconectar e…. admirar o meu jardim, em especial as minhas roseiras.

essa é a minha estratégia. não estou dizendo pra você fazer o mesmo. vê lá, hein!

e cada vez mais que eu faço isso, eu percebo o quanto a vida se descomplica pra mim. o quanto a vida fica próxima de ser vivida apenas. sem aquela “pressão” em mostrar se estou aqui ou acolá, se minha vida vais às mil maravilhas, ou se vai às merdas. a minha vida por mim vivida, sem me preocupar em compartilhar. só em viver.

embora existam os momentos de abrir-se, tal qual as rosas que na época certa desabrocham e nos escancaram a beleza da flor, e a beleza do tudo ao seu tempo.

e embora também sejamos todos a mesma porcariazinha porque somos demasiadamente humanos, também somos únicos, porque temos cada um nossos próprios destinos.

então, na melhor das hipóteses, viva e deixe viver.

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Segue o Teu Destino

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nos queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-proprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis, in “Odes”
Heterónimo de Fernando Pessoa

 

 

 

 

 

 

a vida é mais, Da poesia da vida

navegar é preciso

e  porque o espírito festivo daqueles que estão longe me contaminou. e porque hoje é terça-feira gorda. e porque eu acho que essa música  diz muito sobre meus movimentos nos últimos tempos. e porque eu acho que , às vezes, podemos controlar e direcionar o rumo da vida. mas às vezes é  preciso soltar o leme  e ver onde vai dar. e porque eu estou muito feliz por ter me deixado levar pela vida. e porque demorou, mas eu cheguei onde deveria chegar. e porque é  carnaval, embora ele não se faça sentir onde estou. mas isso não importa.

bom fim de festa pra quem é da folia.

boa viagem para quem se lançar ao mar. qualquer mar, de qualquer escolha, pra qualquer lugar.

Timoneiro nunca fui
Que eu não sou de velejar
O leme da minha vida
Deus é quem faz governar
E quando alguém me pergunta
Como se faz pra nadar
Explico que eu não navego
Quem me navega é o mar

https://youtu.be/EflJ67AAZFc

a vida é mais, Alemanha

parece demais

ou não há fardo tão pesado que não se possa carregar

 

nada como um café, uma respiração profunda, um copo d’àgua numa golada. porque ainda era muito cedo para algo mais forte. e lembrou-se de quando fumava, e desejou naquela hora, não um maço inteiro, mas apenas um ou dois cigarros. achando que era para dar coragem, de seguir viagem quando a dúvida vem. achando que um trago ajudaria.

 

uma pausa, um reconforto, uma esperança
uma pausa, um reconforto, uma esperança
a verdade rota e esfarrapada
a verdade rota e esfarrapada

e então, ela parou de pensar e foi fazer. porque não há impossíveis. o impossível, assim como o possível, é a gente que faz.

ela fez. ao fazer esqueceu-se de ser infeliz.

às vezes, tudo o que ela precisa é tragar a vida. sem filtro.

 

 

 

 

 

 

 

a vida é mais, antes de ser mãe eu não sabia que...

Vence na vida quem diz sim

não é a resposta padrão que recebo do meu filho. não é a resposta primeira, na ponta da língua. não é areposta que sai na lata, sem nem pensar. mesmo que venha seguido de um sim. é não pra quase tudo, é não em qualquer hora.

daí que eu parei de perguntar. pra que insistir numa estratégia que vinha se mostrando falida? passei a falar: ei tomás, vamos levar os seus amigos do banho para banheira? vaaaaaaamos!!! ei tomás, vamos levar seu teddy para tomar um ar no parque? eeeeeeeeeeeba! ei tomás, vamos fazer de conta que vamos comer num restaurante? ( e daí sirvo omelete com brócolis e arroz integral, mas né, a gente está num super restaurante). vaaaaaaaamos!

se dá certo sempre? claro que não!

falar não é com ele mesmo, mas pergunta se ele gosta de ouvir um não? não, nãogosta não. é que é chato mesmo ouvir não. ninguém gosta, né! gente pequena, gente grande, ninguém gosta. mas apesar de ninguém gostar, todo mundo sabe que receber sim pra tudo sempre, não é legal também.

pensando nisso, na chateação de ouvir um não, é que eu me vi matutando para os nãos que eu mesma andava dizendo para o meu filho. tem não que não abro mão; são os nãos dos limites claros, do respeito ao próximo, da segurança, do bem-estar. são os nãos que parecem ruins, mas na verdade fazem bem e corroboram para um sim da vida, talvez aqui, talvez láaaaa na frente. mas ainda assim, permanecem não. e ponto!

já outros…. por que não mudar para um sim? podemos ficar mais no parque? podemos comprar esse macarrão hoje? podemos voltar por aqui? na boa, o que poderia acontecer? atrasar um pouco o jantar, experimentar uma marca diferente, conhecer outro caminho?

se é fácil discernir um não não de um não sim? às vezes não, às vezes sim. mas vida de mãe e pai é assim: no fio da navalha sempre. tem horas que pendemos para um lado e acertamos, e tem horas que pendemos para outro e…. erramos. somos humanos, afinal.

daí que pensando nesse tudo de não, nese tudo de sim, nesse tudo de vezes sim, vezes não…. eu parei e reparei. o não do meu filho é quase sempre por contestação, esperando o limite. mas também é um não sincero, genuíno, dito quase sempre com um sorriso no rosto. é um não leve.

daí que eu não me lembro quando foi a última vez que eu disse um não com tanta leveza, com um sorriso no rosto, querendo dizer não de verdade. ou da últimamvez que eu disse sim querendo mesmo dizer sim, sorrindo, com leveza, convicta.

a gente leva uma vida entre sim e não, a toda hora, a todo momento. mas tem sim que era pra ser um não e tem não que bem que podia ser sim.

quando é que a gente esqueceu de dizer sim e não com o coração, feito criança pequena?  não sei. mas sei que com filho pequeno a gente tem oportunidade de repensar muita coisa e refazer tantas outras.

dizer sim quando me importo, de verdade. dizer não quando realmente passou dos meus limites. dizer não quando já estou satisfeita, cansada…

dizer sim pra parecer bonita? dizer sim pra ficar bem na fita? hum, meu filho nem sabe o que é isso.

e na dúvida entre o sim e o não, eu ficom com a pureza da resposta das crianças.

o não vou dizendo conforme a ocasião. afinal, sim e não tem a mesma duração quando falados.

eu digo sim pra lida. digo sim na dúvida, nas despedidas. eu digo sim pra vida.

porque eu acho que vence na vida quem diz sim pra ela. porque quem diz sim querendo dizer não, quase sempre perde.

tô certa, chico?

não louça, hoje você vai esperar. hoje eu resolvi dizer sim para o passeio primeiro.
não louça, hoje você vai esperar. hoje eu resolvi dizer sim para o passeio primeiro.
a vida é mais, Do cotidiano

Quem é vivo sempre aparece, ou não

Eu sou péssima para fazer social. Seja na vida real, seja na vida cibernética.

À primeira vista eu posso parecer tudo, menos legal, mas eu “agaranto“: eu sou do bem. Quem tem coragem e paciência para se aproximar, eu também posso garantir boas conversas.

Meu problema (um dos, né!) é que eu sou demais da conta na minha. De tão na minha descubro tudo por último, fico sabendo de tudo por último. Já nem me abalo mais.

Eu fico semanas sem mandar emails prazamiga tudo, semanas sem entrar no facebook, semanas sem entrar nos blogs que eu gosto… e daí é aquela coisa. Too much information de uma vez só.  Daí eu não dou conta de parabenizar todo mundo que fez aniversário ou que engravidou ou que já teve bebê ou de comentar nos blogs amigos ou ou ou ou…

Eu entendo a correria da vida dos outros, e acho que os outros também entendem a minha. Pois é, eu sou assim. Quem quiser gostar de mim eu sou assim 🙂

Acabei descobrindo que não tenho o menor perfil para redes sociais. Pra ser sincera, eu não tenho o menor perfil para ser um ente predominantemente social, eu acho. A única rede social que malemá tem dado certo na minha vida é o Instagram.

Por isso mesmo, não ache pessoal o fato de eu nunca responder mensagens no FB. 

Mas… a gente vive em society, né pessoal!

Então eu sigo quase sempre fazendo um mea culpa aqui outro ali, chegando atrasada mesmo, dando o ar da graça como e quando posso.

Porque no meio disso tudo tem a vida real aqui fora que puxa e exige e corre e acelera. E tem também as minhas questões pra dar conta. E no meio de tudo, o tudo parece muito, e às vezes é mesmo. E no meio de tudo eu pareço me perder, e às vezes me perco mesmo. Mas me encontro, pois é assim que a vida tem que ser. Perder-se para encontrar-se, e encontrar-se para perder-se quantas e tantas vezes for preciso.

No melhor estilo “tô me guardando pra quando o carnaval chegar” eu fico parada, calada, distante, no meu canto.

Mas ó,  eu garanto que eu sei sambar! Posso chegar por último, mas eu sempre chego! 

E quando chego respondo email, mensagem no face, e curto fotos no insta, comento nos blogs amigos e tudo o mais. 

Porque sigo vivinha da silva, e todo vivo tem lá seus altos e baixos.

Não é mesmo?

a vida é mais, artes do Tom, Do cotidiano, mãe zen

Birras: variações do mesmo tema

E daí que com dois anos de idade teve uma mudança de país. Teve um mundo totalmente novo lá fora, e no mundo de dentro, teve um sujeito chilicando dia sim, dia também. Teve ainda a ideia de jerico de colocar o mesmo sujeito na escolinha. Tudo isso somado aos terribles two e voilá : barracos e siricoticos e chiliques e pitis e faniquitos (tudo assim, sem vírgula mesmo, pra não dar tempo de respirar) tornaram-se parte intrínseca de nossas vidas.

Ainda bem que paciência de mãe é um recurso renovável e quase inesgotável.  E dá-lhe muita paciência,  e compreensão, e cartilha anti birras, e suporte, e fé e… resignação. É uma fase. É uma fase que começa nos dois anos e acaba talvez nos 20 quando o sujeito começa a criar vergonha na cara, e percebe por conta própria, que não vale a pena contestar tu-do (eu disse tu-do) que a mãe diz.

 

 

meu birrento favorito
meu birrento favorito

 

 

Então que com três anos teve férias no Brasil teve vô e vós e tias, e não teve rotina, e quase tudo podia, e teve volta prazAlemanha, e não teve mais a galere toda se revezando na atenção pro sujeito, tem ida ao Kindergarten, tem mudança de professor…

Rotina, cansaço, atenção, limites amorosos, paciência, clareza (para mãe), regras claras, simples e consistentes (para o filho). Tudo isso ajuda, mas posso falar? Não resolve assim, num passe de mágica.

A “mágica” consiste em respirar, contar até dez (mais de uma vez), perceber os meus limites, entender minhas limitações e me controlar. Porque tem dias, que só por gezuis, tem dias que dá vontade de sumir no mundo sem avisar ninguém.

Os três anos e meio chegaram, e meu filho ainda varia entre a criatura mais fofa e esperta e carinhosa do mundo, e a criatura mais criaturenta e chiliquenta e birrenta. Assustador!

Antes as birras acabassem quando a cria fizesse três anos… que maravilha viver lá lá lá.

O post não tem nada de novo, nem nada de útil. Não passa mesmo de um simples desabafo.

Porque como mãe eu sei que tudo passa. Mas mesmo assim, algumas palavras de encorajamento e suporte não me fariam nada mal.

Assim sendo, por favor, me deem cá um abraço.

a vida é mais, dilemas da vida moderna, o parto, parteiras, perguntas

Por favor, me corrijam se eu estiver errada

Quando saiu a notícia de que a Wanessa Camargo havia dado à luz ao seu segundo filho via parto normal eu fui lá ver: http://maternar.blogfolha.uol.com.br/2014/06/19/nasce-de-parto-normal-segundo-filho-de-wanessa-camargo/

E fiquei feliz por ela. Feliz porque a gente sabe da dificuldade que é em terras brasillis ter um parto normal depois de uma cesárea.

Internet afora a notícia foi divulgada. Internet afora a notícia foi comentada. E os comentários na internet são pra quem tem estômago, viu!

Wanessa Camargo foi criticada, chamada de louca, desqualificada enquanto mulher, mãe, profissional e ser humano. Muitas pessoas não se cansavam de dizer que essa “moda” de parto normal/natural já estava cansando.

As adeptas do parto humanizado comemoraram e refutavam todos os “argumentos” depreciativos.

Pois é, meu marido me pergunta porque eu leio os comentários. Eu também me pergunto porque me presto a isso.

Semanas depois foi Sandy quem deu à luz ao seu primeiro filho. E eu também fui lá ver: http://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2014/06/1475550-nasce-theo-primeiro-filho-da-cantora-sandy.shtml

Eu me alegrei pelo nascimento do filho dela. Eu me alegro por cada criança que nasce nesse mundo.

Eu tampouco julgo a cesárea da Sandy. Não sou médica, não acompanhei a menina na sua gestação, o pouco ou o nada que sei sobre a vida dela, o sei através da mídia enviesada.

Internet afora a notícia foi divulgada. Internet afora a notícia foi comentada. Eu já falei que os comentários na internet são para quem tem estômago?

Algumas pessoas adeptas ao parto humanizado criticaram a cesárea da Sandy. Aqui é preciso dizer que, partindo do princípio de que nem todas as pessoas nesse mundo sejam gente fina e elegante, é natural que em todo movimento hajam militantes que não sejam gente assim educada demais. Lamento, de verdade, pelos comentários em nada positivos dessas pessoas.

Eu, graças a deus, só conheço as militantes lindas, finas e elegantes.

Foi o que bastou para que comentários extremamente rudes começassem a ser jogados contra azíndia toda do parto normal. Foi o que bastou para as cesariadas (sem conotação pejorativa, por favor!!!) dizerem que não eram “menasmain” (ZZZZzzzzzzZZZZZ róooooooooinc) que as paridas e por aí vai.

Não adiantou ninguém tentar desenhar o quadro para que se pudesse entender o porquê do VBAC (Vaginal birth after cesarean) da Wanessa ser comemorado, e o porquê da cesárea da Sandy ter sido “lamentada”. Como fez aliás a sempre ótima Gabi Sallit com esse texto aqui.

O furdunço já estava armado, e nos comentários sobre a cesárea da Sandy azíndia humanizada representavam a ignorância, a intolerância, a chatice. A palavra sororidade foi utilizada em tom de sermão.

O mais interessante é que quando azíndia humanizada foram parabenizar a Wanessa (e a equipe médica) pelo parto normal e foram criticadas, ninguém contrário àzíndia todas pediu respeito pelas escolhas da mulher, ninguém lembrou da palavra sororidade, ninguém falou em julgamento ou livre arbítrio.

É impressão minha ou o respeito no caso só vale pra quem pensa igual? É impressão minha ou a maioria absoluta mesmo acha parir uma ideia absurda?

Por favor, me corrijam se eu estiver errada.

 

 

 

 

 

 

 

 

a vida é mais, antes de ser mãe eu não sabia que..., Da poesia da vida, dilemas da vida moderna, mãe zen

Shit happens

O título já diz muito. A vida de verdade é assim, tem hora que dá certo, tem hora que não dá.

Por exemplo, quando a gente deleta quase todas as fotos do perfil do google + se esquecendo que ele está vinculado com o blogger, e quando você vê… seu blog não tem foto nenhuma.

Ou quando você, por razões que a própria razão desconhece, perde três (longas) postagens no prelo.

Ou ainda quando coisas de vulto e significado e importâncias muito maiores parecem ruir em três, dois, um… deixando a gente assim, com cara de onde estou, quem sou, para onde vou.

E o Guimarães Rosa disse assim: O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta.O que ela quer da gente é coragem.

E quando a vida pede a gente dá.

Porque também já bem disseram: a vida só se dá pra quem se deu.

Vou ali me dar pra vida e já volto. 
 
 

a vida é mais, dilemas da vida moderna, filosofia de boteco

Dos perigos de se comparar

Houve um tempo em que eu senti muito orgulho da minha barriga. Muito mesmo. E olha que minha barriga nunca foi sarada, chapada ou “negativa”. Nesse tempo eu estava grávida, e meu orgulho não era pelo fato de poder comer por dois, ou melhor, minha barriga grávida nunca foi uma desculpa para “expor” sem medo de ser feliz uma silhueta curvilínea – e porque não?- tão feminina.

Nesse tempo eu estava simplesmente feliz com minhas formas arredondadas e com minhas carnes macias. Mais do que feliz, eu estava completamente bem naquele corpo que já comportava outro corpo; com aquele outro corpo que dentro de mim crescia.

Pela primeira vez em anos eu fazia escolhas não apenas baseadas nas calorias, mas na qualidade do que ingeria. Pela primeira vez em anos eu fazia escolhas não apenas baseadas na (vã) batalha de caber numa calça 38, mas sim no nosso estar bem. Pela primeira vez em muitos anos, eu abria mão de algumas coisas não por um biquíni P, mas sim por respeito não só a mim, mas sobretudo ao corpo que também nutria.

Embora não muito distante, esse tempo passou. E não me lembro do quando exatamente, depois de gerar e parir, que minhas formas outrora tão orgulhosas – e porque não? – tão deliciosas, passaram a ser incômodas novamente. Eu não me lembro do quando exatamente, depois de gerar e parir, que minhas escolhas voltaram a se basear na simples conta de calorias, na motivação (insana) de caber num manequim 36, nas privações (idiotas) para um próximo verão.

E corroborando a tese de que meus peitos, minha barriga, meus quadris e minhas coxas são curvilíneos demais para os tempos atuais, me deparo quase sempre com fotos na internet, de mães recém paridas exibindo suas (boas) formas em seus biquínis bem pequenininhos.

O problema não são as fotos, nem os outros, embora já tenham dito que o inferno são sempre os outros. E os outros no caso,  são as mães celebridades com seus corpos esculturais a despeito de seus bebês pequenos. O problema é a comparação. No caso, eu me comparar com gente que nem conheço, com gente que tem uma vida diametralmente oposta à minha. E ainda que levassem uma vida muito parecida com a que eu levo, nenhuma comparação faria sentido, nenhuma comparação faz sentido.

Não faz sentido, porque cada barriga tem sua história de vida. Não importa se é a minha, se é a da Gisele Bündchen, se é a da mãe que encontro no parquinho.

Cada barriga sabe do frio que sentiu diante de uma decisão importante, cada barriga sabe como é ter zilhões de borboletas voando dentro dela nos momentos mais mágicos, cada barriga sabe a responsabilidade de gestar e parir não só um filho, mas também escolhas; cada barriga sabe o quão custoso, às vezes, é manter um rei dentro dela; cada barriga carrega as marcas das próprias experiências, carrega os excessos, as faltas; cada barriga sabe, ou deveria saber, do quê tem fome, e do quê está cheia.

Entenda, não apoio excessos de nenhum tipo. Nem tanto ao mar, nem tanto ao céu. Nem engordar oitocentos quilos na gravidez, nem emagrecer mil e duzentos quilos por pressões externas. Nem deixar de se preocupar com a alimentação e a saúde, muito menos fazer do peso, do corpo a maior ocupação da vida.

E eu mesma fecho a boca quando o zíper da calça não quer mais fechar, por exemplo. Mas decidi que não vou mais me comparar com capas de revista ou mães celebridades, decidi que não vou mais me auto impor um padrão de beleza e de magreza que pouco ou nenhum sentido me fazem, decidi que não quero mais ser escrava de dietas da moda.

Decidi gostar de mim do jeito que sou, e isso não significa que eu não possa melhorar algumas coisas em mim. Decidi me orgulhar do que sou, do que tenho.

Decidi me aceitar, apesar de e inclusive com minhas limitações. E esse é o tipo de decisão que não dá mais pra empurrar com a barriga.