a vida é mais, Da poesia da vida, uk

Amanhã há de ser outro dia

hoje eu amanheci com uma vontade danada de liberdade. liberdade de escolher, de ir e vir, de planejar a vida no curto prazo. hoje eu amanheci com uma vontade danada de ver gente, receber gente, abraçar outras gentes. hoje eu amanheci com uma vontade danada de ter aquela falsa sensação de estar no controle. hoje eu amanheci cansada de dourar a pílula. Amanheci cansada. Amanheci um pouco amarga. Nada como um café amargo para neutralizar as amarguras da vida. um café amargo, um copo d’água, uma respiração profunda, ouvir a chuva, a bagunça das crianças… Verbalizei meu cansaço ao João, pedi um tempo só meu, fiz planos apesar de tudo, porque sim e porque a vida é mais. #dapoesiadavida #reflexoesdaquarentena #café #coffeetime

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Não sou eu quem me navega…

Quando a Violeta nasceu eu estava “se achany” como mãe de dois. A diferença de idade entre o Tomás e a Vivi é de seis anos, e por mais que o Tom tenha passado por umas crises por ter perdido o posto de filho único, ele adorou ter uma irmã para chamar de sua.

E o fato de eu me achar a rainha das mães de dois tudo estava exatamente nessa diferença de idade. O Tom aos seis,  entendia que eu não podia far atenção a ele naquela hora porque as demandas do bebê eram mais urgentes que uma torre de Lego. Então ele trazia os Legos para perto enquanto eu amamentava. E curtia ajudar no banho, nas trocas de fraldas….

Sem contar que quando ele estava na escola eu curtia muito a Violeta, ia em grupos de mãe e bebê, dormia quando ela dormia; e quando eu cansava do modo bebê, eu tinha um menino grande e super companheiro pra curtir.

E até dizia, ora ora, que caso tivessemos começado essa história de ter filhos mais cedo, eu até que teria um terceiro com essa mesma diferença de idade hahahaha hahaha hahaha help.

Mas, ao que tudo indica, Deus castiga mãe que se gaba. E surprise surprise,  engravidei do Martin quando a Violeta tinha 15 meses. Faz as contas aí, meu irmão. Eu fiz e me desesperei ao perceber que a diferença entre eles seria de dois anos! Que eu teria, praticamente, dois bebês em casa. Na verdade, o Martin nasceu doze dias antes da Violeta completar dois anos. Yeah, eu tenho dois arianjos; Martin do dia 01/04 e Vivi do dia 13/04.

Long story short: foi tenso. Violeta queria meu colo toda hora, dava tapas no Martin enquanto eu amamentava, passou a dormir mal, passou a gaguejar e tantas cositas mas.

Eu me senti uma mãe de merda total, sem  poder atendê-la do jeito que eu achava que ela precisava e merecia. Puerpério é o uó. Eu só fazia chorar. Por ela, por mim, pelo bebê, pelo Tomás. É verdade que amor de mãe se expande, e eu tenho certeza de que ela se sabia muito amada. A questão é que nem sempre all you need is love, né! Cada um queria uma mãe só pra si, e eu queria ser essa mãe pra cada um, porém, sem sucesso.

Long story short#2: precisamos de um tempo e muita (foca no muita) paciência para as coisas se ajeitarem, os papeis se redefinerem e as novas rotinas se enraizarem. Não foi smooth, não foi sem sangue, suor, lágrimas, muito leite materno e muitas noites insones. Mas hoje já navegamos por águas menos conturbadas.

Eles brincam muito e (brigam muito também). Temos horas de street fight e horas de abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim.

Eu sei que nem toda criança, independente da diferença de idade, reage da mesma maneira à chegada de um novo membro na família. E sei também que a relação entre irmãos é muito mais complexa do que este post pretendia alcançar.

Mas o que eu sei mesmo, é que nesta vida de mãe de três eu já não tenho certezas nenhuma. E muito menos me gabar. Deus me livre de me gabar!

a vida é mais

Agosto de deus

Papada, olheiras, descabelo, desespero, a vida de ponta cabeça. Teto, quatro meses debaixo do mesmo teto, a vida em suspenso, feito respiração presa no peito. Expira, inspira, respira, paredes. Quatro meses em casa, entre quatro paredes que só revezam de cômodo.

Café. Bom dia, segunda. Bem-vinda semana. Mais uma semana. Já é Agosto, meu Deus? Mais um mês… Mais um mês… que se dane. “Vai, corra e olha o céu, que o sol vem trazendo bom dia”. Tá difícil te sentir mais bela, Vida. Tá difícil…

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Bom conselho #1

Um café quente. Amigo das noites entrecortadas por despertares de um bebê.

A alma de volta para o corpo. O corpo de volta pra vida. A vida de volta aos eixos. Ou quase isso.

Apenas não subestimem o poder de um café, senhoras e senhores!

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Daquilo que preciso

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Eu ando precissadíssima de meia hora de silêncio absoluto, precisadíssima de concluir uma tarefa sem interrupção, de concluir um pensamento sem interrupção. Ando precisada de fazer Uma ligação sem o barulho de um Maracanã inteiro em dia de Fla-Flu ao fundo. Precisada de um café quente, de um dia sem louça na Pia, sem roupa no cesto. De um marido que não quebre as canecas da Minha coleção. Será qué peço demais? Narrador ao fundo: mas ela sabia que era mais fácil pedir um unicórnio, e mesmo assim insistia naquelas ideias malucas!

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O amor nos tempos do cólera

Mas também poderia ser nos tempos do covid-19

Apesar dos tempos difíceis lá fora, das dificuldades de implementar uma nova rotina (há dias mais fáceis, outros menos), apesar das novas configurações da vida e as consequências delas advindas ( consequências que ainda nem sabemos direito quais, tanto no pessoal, quanto no coletivo) apesar de todos os pesares, ouso dizer, do alto de todos os meus privilégios, que sentirei saudades desses dias atípicos.

Dias com todos dentro de casa, Dias de apoio, de resignificação e valorização dos nossos papéis, do cuidar…

Obviamente, nem tudo são flores. Há muita chuva e trovoada, também. Mas hoje resolvi focar no bright side of things.

E quando tudo parece demais, eu tento me lembrar de que tudo passa. Isso também passará!

Um pouco dos nossos dias para ficar registrado de que não precisamos de muito para sermos felizes.

E que o amor e o afeto, que sempre existiram, mas que só fez crescer nos últimos tempos, esses nos salvarão.

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sobre filhos e férias

sair de férias com crianças pequenas é a prova de fogo para nossa paciência. porque expô-las por vários dias à situações e rotinas novas, a horários diferentes é quase como armar uma bomba relógio. mesmo planejando ahead, mesmo intercalando hora de passeios e hora de descanso, dias mais intensos e dias mais tranquilos, não é garantia de zero chiliques . ontem depois de um dia intensivo de passeio debaixo de sol e calor, as crianças já davam pistas do cansaço acumulado. como a irritação era crescente resolvemos alimentá-Los antes que a situação escalace. o restaurante foi escolhido a dedo, mas não teve childrens menu e giz de cera que desse conta do modo virado no giraia que meus filhos resolveram entrar. tirei a violeta da mesa várias vezes para um cool down. sem muito resultado. martin dormiu depois de uma catarse. Tomás esqueceu todas as regras de bom comportamento à mesa. coloquei à prova todas as minhas leituras sobre disciplina positiva, coloquei em xeque minha meditação diária, e repetia em looping : abaixe as expectativas, abaixe as expectativas! não sei se por compaixão a nós ou aos demais clientes a moça que nos atendia disse que passou nossos pedidos na frente. a comida das crianças chega. um derruba água outro suco, outro acorda pra mamar. quando meu prato chega violeta fez cocô. volto e fazemos revezamento de filho; um faz Martin dormir outro trata da violeta. dou três garfadas e o bebê acorda aos prantos. “João, pegue os três e volte para o hotel – eu pago a conta e peço pra embrulharem para viagem”. pago a conta e espero nossa comida devidamente embalada. olho para o lado e a mulher da mesa ao lado elegantésima em seus badulaques, com cabelo arrumadissimo, e com sua crispy White camisa de linho sorri para mim “you have your hands full, love” yeah, respondi e sorri de nervoso fazendo a promessa vazia de só tirar férias novamente quando eles tiverem 18 anos. chego no hotel e a maratona de banho e sono começa. por fim, nos sentamos na companhia do nosso mais velho (porque tudo isso aconteceu e não eram nem oito da noite) que nos contava as consequências do aquecimento global que tinha lido na revista, e saboreamos nosso prato requentado.

“Do que adianta ir em restaurante com estrelas no michelin se a gente come requentado? ” e eu num acesso de otimismo respondo que é para ter história para contar.

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aos pequenos prazeres

Eu jurava que fazia mais de um ano que eu não escrevia por aqui, tamanha a falta que eu sinto de escrever.

Quando a gente fica longe do que a gente gosta, o tempo parece muito maior, a falta parece grudar na gente.

E eu sempre procurando o melhor dia, a melhor hora, a melhor forma de passar por aqui.

Quando não existe a melhor hora, o melhor dia, a melhor forma de fazer as coisas. O melhor é o agora, né!

Se não prejudica você e nem ninguém, deu vontade vai lá e faz!

A vida já é cheia de regrinhas, rotinas, rótulos… pra quê complicar nas coisas que a gente mais gosta, que nos dá prazer?

Parece que a gente faz uma espécie de auto-sabotagem conosco, que caso as coisas não estejam de acordo com nosso quadro mental de perfeição não podemos nos dar meia hora no dia para fazer aquilo que nos dá prazer porque nos parece errado.

Nos parece errado tomar aquele café com calma, nos parece errado alongar aquela conversa, nos parece errado tirar aquela soneca, esticar o caminho só para passar em frente daquele lugar bonito, ou encurtá-lo só para chegar mais cedo em casa e se esparramar no sofá para assistir aquele episódio em plena quarta-feira!

Parece tanta contravenção dentro de uma rotina por vezes rígida, por vezes quadrada.

Somos adultos, sabemos que não é possível fazer só o que se gosta o tempo todo. Temos contas para pagar, responsabilidades dentro e fora de casa, e por aí vai.

Mas o meu ponto é, desde o começo do texto, que por conta do emaranhado de nós dessa vida adulta a gente se perde nessa adultisse e se esquece de nos fazer um agrado, um carinho.

Eu decidi que não precisa ser nada de grandioso, nada que exija um planejamento. Basta um parágrafo no meu caderno de anotações, basta tomar um chá sozinha na hora da soneca da minha filha, basta uma gentileza comigo mesma, ouvir músicas preferidas…

E que apesar da lida preocupada, corrida, suada, batida* eu consiga ver e me conceder um pequeno prazer. Para poder levar a vida pro lado contrário da dor **.

E que em plena segunda-feira, data em que escrevo este texto, possamos trazer um pouco de um domingo preguiçoso e ensolarado pra segurar o rojão.

* e ** da canção Bom Tempo de Chico Buarque

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pequenas notas para mim mesma

nunca deixe a roupa acumular

nem a louça que parece se reproduzier em velocidade absurda

não deixe a bagunça tomar conta do quarto, da sala, da bancada, da mente

diga sim quando realmente quiser, e use o não com mais frequência

envie aquela carta

convide aquela pessoa para um Café

faça aquele telefonema

admita que acha um porre a obrigação de ser feliz o tempo todo

permita-se a felicidade mesmo que fora de hora

seja gentil consigo mesma

pega leve nas cobranças – consigo e com os outros

baixe as expectativas

não duvide de você

respeite o Tempo, tudo passa, isso também passará

respira fundo

beba mais água

e saiba que em alguns (muitos) dias você vai querer mandar tudo e todos às favas

e vai ser ótimo se você realmente mandar mesmo

mas a louça, por favor, não deixe a louça acumular

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“less is more”


eu sempre achei muito chique aquelas pessoas cujas vidas cabem numa mala e numa caixa de papelão. já reparou nelas em filmes? aquelas que dizem: vou-me embora! e ao abrirem o guarda-roupa, todos os pertences cabem na única mala da Casa? seriam elas hoje as chamadas minimalistas? ou tais pessoas só existem na ficção mesmo? 

não sei dizer, mas sei que as do primeiro grupo rendem reportagens de revista e livros de auto-ajuda. já eu, particularmente, nunca fui nem minimalista e nem imitei a ficção. porque a bem da verdade, nem uma mala para passar um fim de semana na cidade ao lado eu sei arrumar. 

 mas durante esta minha vida mambembe, eu tive que aprender na raça, a minimizar. e toda vez que me mudo, e foram muitas mudanças na última década, eu juro – sempre no calor da hora-  que não comprarei uma agulha sequer.  o que acaba nunca acontecendo, porque minha memória sempre apaga o caos de toda mudança. faz desaparecer os momentos de desespero onde me pergunto do porquê ter comprado isso ou aquilo, faz virar fumaça tudo que acabo tendo que reciclar.

 e apesar do aprendizado, ainda estou longe de ser uma…. minimalista.

apesar de toda reciclagem e renovada que uma mudança de casa e de vida exige, eu percebi que tenho muitas coisas, sobretudo louças e livros. coisas que possuem valor emocional para mim. e que me custam desapegar.

hoje eu conto com poucos pares de sapato, ainda não tenho o guarda-roupa mais funcional e prático do mundo, mas conto nos dedos quantas peças de roupa comprei para mim neste ano que passou. e só as comprei pois a barriga a crescer exigiu.

 bijuterias não as compro mais. há tempos fiz uma seleção minuciosa dos meus balangandãs, o que foi ótimo. restaram apenas os que ganhei e/ou peças de valor sentimental. deixei-os todos  à vista, e no último ano os usei muito mais.

já fui de exibir uma coleção de cosméticos e maquiagem. percebi que não precisava e, veja só – não queria- de tudo aquilo. e confesso ter sido uma grande libertação para mim apresentar a minha cara lavada por aí.

e porque estou a dizer tudo isto? porque me deparei com uma reportagem sobre minimalismo/minimalistas, e embora concorde com a necessidade de consumirmos conscientemente, me incomoda a ideia de que armários, gavetas e prateleiras quase vazios tragam paz de espírito e felicidade.

na outra ponta, também não acho que acumular objetos tenha o mesmo efeito.

veja, é que estão a dizer que viver com duas t-shirts e uma xícara de café é o suprassumo da liberdade. e caso você tenha mais que isso, talvez você precise reconsiderar essa sua vida tão abarrotada de coisas, mas tão vazia de sentido.

talvez, junto com menos acumuladores, o mundo precise de menos gente dizendo pra você e pra mim o que é liberdade e o que é paz de espírito. pois essas reportagens cheias de frases feitas e estáticas alarmantes não me convencem. 

ademais, excluindo-se os exageros e trazendo à Luz o bom senso, o que seria pouco? Ou muito? Ou suficiente? Como disse Virginia Otten “ninguém se contenta com o pouco. só se esse pouco for muito”.  

pois é.

minha paz de espírito está mas minhas prateleiras tão cheias de livros. livros que me acompanham desde nossa primeira casa, que nos viram fazer nossa história. está no meu guarda-louça abarratodo, cujas louças sussurram causos de família e tantos outros mais.

a vida não precisa ser cheia, atravancada, acumulada. mas minimizá-la drasticamente seria reduzir muito de mim mesma. e não estou disposta a isto hoje.

em tempos onde se prega o despojamento de quase todas as coisas, menos da obrigação de ser grato e feliz e simples (mesmo que seja ai comer um prato de abacate com pão a cinquenta dinheiros), escolher acumular memórias é quase uma ousadia.

eu ouso acumular memórias, inclusive as físicas. como também ouso acumular algumas frustrações, uma ou outra tristeza, alguns xingamentos à vida quando achar que devo, ouso alguns luxos…nem com as palavras eu consigo ser minimalista, imagina na vida!

vou continuar achando chique quem com uma só mala vai pro mundo. assim como vou continuar deixando que minhas memórias e minhas conquistas ocupem o espaço que precisam, e que merecem.

pouco ou muito podem ser igualmente bom ou ruim. talvez o problema seja achar que o pouco ou o muito definam quem e o que se é. enquanto isso eu, definitivamente, vou tendo a certeza de que uma vida com uma mala só não é pra mim.