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dos ares ingleses e da maternidade compulsória

os ares ingleses não têm sido gentis conosco. desde que chegamos aqui o tomás passou por cinco viroses terríveis. claro que coincidiu com o fato dele ter entrado na escola, e sua convivência com todos os novos vírus que o cercam.

o mais recente deles foi um noro vírus (ou a gripe do estômago) extremamente popular nos meses de inverno por aqui. é o inferno na terra, ainda que por 48 horas. vômitos de hora em hora, roupas de cama, toalhas, paredes e chão carimbados, diarréia, uma criança amuada, e máquina de lavar e secadora trabalhando à exaustão.

nossa senhora da gestação dessa vez não deu conta. achou que limpar tanta sujeira e receber um jato de vômito nos cabelos já era demais, e tirou sua proteção.  resultado óbvio, eu peguei a virose. ontem eu estava só o reboco. acabada era pouco. hoje eu consegui manter uma maça, duas torradas, e líquidos (água, chá, limão com água) no meu estômago.

a despeito de toda escatologia hoje, embora me sentindo fraca, eu sai da cama para ler e aproveitei para dar uma espiada na internet.  e a internet é sempre um campo muito vasto e fértil, não é mesmo?

e foi nesse vasto mundo que eu me deparei com essa reportagem http://estilo.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/bbc/2016/12/09/tenho-motivos-para-odiar-criancas-o-polemico-testemunho-de-escritora-francesa-que-se-arrepende-de-ser-mae.htm

abaixo da foto de uma mulher bonita, trajando um maiô, em uma paisagem igualmente bela lemos o seguinte:

A autora francesa Corinne Maier, que tem dois filhos, anuncia para quem quiser ouvir sua opinião de que, no mundo atual, os adultos estão tão obsessivos por seus filhos e tão exaustos por ter de cuidar deles que não têm energia para mais nada.

seu livro cujo título é No Kids: 40 Good Reasons Not to Have Childrenfoi lançado, segundo a reportagem, em 2009 e eu só fui saber dele agora, em 2016. embora se tivesse sabido da sua existência antes, isso não mudaria os meus planos de ter filhos.

mas gostaria de fazer uma análise sobre a proposta da autora. mesmo que correndo o risco de ser injusta, afinal não li o livro, e minha análise será baseada apenas na curta reportagem, ainda assim gostaria de tecer minhas considerações a respeito.

vamos lá. um dos contras citados na reportagem seria a questão da super população mundial …Em 2100, seremos 11 bilhões. Como o planeta vai alimentar todo mundo?” 

este é um argumento que honestamente não me assusta. primeiro porque não é o mundo inteiro que consome no mesmo ritmo que as nações industrializadas. vivemos num mundo absurdamente desigual onde 1 bilhão de pessoas passam fome (segundo o IFPRI, International Food Policy Research Institut https://www.ifpri.org), enquanto 1,3 bilhão de tonelada de tudo que é produzido no mundo é jogado no lixo.  segundo a ONU se esse desperdício fosse reduzido ( veja, reduzido apenas)  seria o suficiente para alimentar… 2 bilhões de pessoas! falta comida mesmo?

eu sei que tem outras questões em jogo, como a água  doce e potável, por exemplo. a água é um recurso finito e muita gente usa como se fosse infinito. talvez eu na minha ingenuidade e no meu otimismo, ache que ao fazer a minha parte (e sei de mais gente que também o faz) o futuro dos nossos filhos não será apocalíptico. acho que ao consumir menos, consumir orgânicos/produtos de produtores locais, usar conscientemente os recursos naturais, evitar o desperdício dentro da nossa casa (coisa que eu evito/luto constantemente), sinceramente acho que é uma saída viável e inteligente. desde que seja consistente, não dá pra adotar tais medidas apenas de vez em quando. é necessário tê-las como um estilo de vida consciente.

ainda sobre este ponto, eu acredito que deveríamos cobrar nossos governantes por planos mais ambiciosos de preservação ambiental, e também, cobrá-los por ações mais concretas a curto, médio e longo prazo. Quantos estão dispostos a fazer isso, não é mesmo? minha pergunta vale para ambos os lados (governo e sociedade).

outro ponto citado foi  Vivemos em uma sociedade obsessiva por crianças. Um filho é considerado uma garantia de felicidade, um desenvolvimento pessoal e até um status social.” sério mesmo que vivemos numa sociedade obsessiva por crianças?  pois eu, na minha perspectiva de mãe acho o contrário, acho que vivemos numa sociedade que exclui crianças dos espaços públicos, que espera que elas sejam mini adultos, que nunca chorem, que nunca incomodem… talvez eu tenha entendido errado a frase dela, mas essa obsessão tal qual eu entendo a palavra, eu não vejo não.

sobre filho ser considerado uma garantia de felicidade, desenvolvimento pessoal e até status social, well… eu não posso dizer os motivos pelos quais os outros quiseram ter filhos, e acredito até que algumas pessoas os tenham por esses motivos  citados por ela. mas no meu caso, honestamente, não foi. eu sei que quando se tem filhos projeções são inevitáveis, mas cabe a cada mãe/pai torná-las conscientes e baixar a bola se for o caso. a minha garantia de felicidade soy yo, não é marido, não é emprego, não é post code, não é jeans 36 e muito menos filho. embora meus filhos me tragam muitas alegrias também; mas não porque eu espero que eles me façam felizes, e sim porque relações próximas e afetivas nos trazem alegrias ( e raiva, e tristeza, e cansaço e outras cositas mas). sobre a questão do status social, pffff… cago e ando, perdoem meu francês.

mas vamos em frente que tem mais. ela diz ainda ” indivíduos que não têm filhos são descritos como egoístas e cidadãos de segunda classe. Muitos deles se sentem pressionados a se justificar: ‘Eu não posso ter filhos, mas eu adoro crianças.’ Quando ouço isso, logo faço um comentário para inflamar a conversa. Algo como: ‘Eu tenho filhos, mas tenho razões para odiar crianças’.”  mesmo que alguém decida não ter filhos por razões egoístas (e defina razões egoístas para mim cara pálida) este alguém está totalmente em seu direito. não vejo filhos como algo compulsório. na vida a gente tem que seguir as leis e pagar impostos (e se você tem filhos você tem que educá-los) de resto não tem que nada não. cidadãos de segunda classe? isso existe? pessoas são pessoas, com ou sem filhos. sobre justificar-se por não ter filhos… acredite, se você os tivesse também teria de justificar-se (por que só um? por que três?  por que não dá um biscoito recheado? e assim vai).

e o crème de la crème para mim foi  ‘Eu tenho filhos, mas tenho razões para odiar crianças’.  olha, nessa minha vida de mãe, eu já desejei sumir no mundo sem avisar ninguém e voltar quando meu filho tivesse 20 anos (provavelmente sentirei isso novamente com o bebê que ainda está na minha barriga). não porque eu odiei o meu filho, mas muito mais porque eu estava exausta, exaurida, perdida, sozinha, sem saber o que fazer. na minha opinião você pode odiar coentro, tofu, mc donalds, mas odiar criança, gato, cachorro, odiar qualquer pessoa diz mais sobre você mesmo do que sobre o outro. se antes de ser mãe eu  já não tinha razões para odiar crianças, hoje como uma eu vejo que não tenho mesmo!

sigamos. outra questão colocada foi …Por que tanta pressão? A resposta, claro, é fornecer um número ainda maior de miniconsumidores que não vão se cansar nunca do capitalismo, que precisa vender sempre mais. É em nome das crianças que os pais compram carros, máquinas de lavar, casas e gadgets.” vivemos em uma sociedade extremamente consumista, é verdade. mas, conhece aquela máxima né: exemplo arrasta?! pois, se você só pensa em comprar, se você mostra para seu filho que ter é mais importante do que ser, provavelmente seu filho também pensará (e agirá) assim, não se cansando nunca do capitalismo e do consumo excessivo. legal mostrar pro nossos filhos que as coisas tem um valor além daquele da etiqueta, que aquela roupa, aquele livro, aquele alimento vem de tal lugar, foi produzido sem trabalho escravo, sem desperdiçar recursos naturais e humanos, e por isso é preciso cuidar bem daquilo. nem sempre é possível, comprar coisas ética e politicamente corretas, eu sei. mas não é necessário gastar os tufos dos mufurufos pra ensinar pra uma criança o valor das coisas.

outra coisa que sozinha daria um outro livro Eu mesma hoje sou perfeitamente ciente de como estava envolvida – envolvida demais – e como me tornei o estereótipo da “mãe judia” (superprotetora, intromissiva e controladora). E isso produz crianças hipercontroladas e hiperobservadas. Tanto que eu penso em como eles conseguem, de fato, virar adultos.” o papel dela como mãe é um problema dela (e dos filhos dela), mas não existe apenas um modelo de maternidade. inclusive, este modelo por ela citado, não é o modelo que eu quero pra mim. sabe, a gente vive num mundo onde as pessoas parecem saber mais do que nós sobre nossos filhos. só pode brinquedo waldorf, só pode quarto montessori, só pode criação com apego, ou pode deixar na frente da tv sim, pode danoninho sim, pode cesárea eletiva sim e etc (sim, eu exagerei nos extremos propositalmente). gente, a categoria boas mães é muito ampla, e contempla na minha opinião, quem está atrás de informação, quem se dispõe a pensar e fazer diferente se o que se faz não traz resultados. e sobretudo se o que se faz é confortável pra quem faz e para todos os envolvidos. a busca do equilibrio é uma constante na vida, porque não seria também na maternidade?

calma que eu estou acabando. outro ponto que não poderia faltar é o dinheiro Criar meus filhos não apenas me deixou exausta, mas também me levou à falência. Em breve, minha filha vai terminar seus estudos. Vou dar uma festa. Finalmente não ter mais que bancá-la. Que alívio!”  não só acredito como concordo com a exaustão. obviamente não temos a mesma liberdade financeira de antes da chegada dos filhos; todo nosso planejamento financeiro é  baseado majoritariamente pensando neles. e eu não vejo nisso um problema. e sinceramente, não acho que meus filhos me levarão à falência. sei que os gastos acompanham o crescimento dele, mas até agora estamos longe da falência, e não a prevejo mesmo num futuro distante. somos de dar o passo do tamanho das nossas pernas. o que está além, ou  se espera ou não se dá.

e por fim Crianças, bem-vindas e boa sorte na entrada nesse mundo podre que seus pais, que te amam muitíssimo, te deixaram. Eles passaram tanto tempo cuidando de vocês que não tiveram tempo de transformar o mundo. Eles desistiram, penduraram as chuteiras. ‘A criança é o que há de mais importante….'” cuidar dos meus filhos, da maneira que eu concebo o cuidar, é para mim um fator transformador. criar cidadãos conscientes de si, das pessoas e do mundo ao seu redor é uma tarefa e tanto. tarefa essa que tomo com satisfação. eu sei por experiência própria que nem tudo são flores, mas eu digo que, para mim, mesmo com os percalços, vale a pena. e eu não pendurei as chuteiras não, porque tomar esta tarefa para si significa não desistir. e sei de muito mais gente que também não pendurou. e  também vejo os meus, os seus, os nossos filhos como o que há de mais importante na construção desse novo mundo (uhul pique nova era).

olha, como eu disse eu não li o livro e suas 40 razões para não ter filhos, e por isso mesmo não vou ficar  aqui criticando a autora. até mesmo porque, na minha opinião, você não precisa de muitas ou poucas razões para ter ou não ter filhos; bastam que sejam as suas e que você fique satisfeitx com elas.

o que eu gostaria de criticar, na verdade, é a obrigatoriedade velada na nossa sociedade da mulher tornar-se mãe. não estou dizendo que o foi o caso com madame maier, mas ao ler os comentários eu pude ver que muitas mulheres se sentiram representadas e validadas em suas convicções, como que dizendo “tá vendo, eu não preciso ser mãe”. não, colega, você não precisa ser nada que você não queira. inclusive mãe.

algumas pessoas também citaram o fato dos filhos crescerem e ignorarem os pais. e me pergunto: o que seria ignorar os pais? eu, particularmente, vejo meus filhos como seres autônomos e independentes de mim;  a cada dia essa independência torna-se maior, e eu acho natural, desejável e saudável. a relação pais e filhos é um construto diário e constante. eu amo e respeito meus filhos não apenas porque eles são meus filhos (e vice-versa), mas porque diariamente construimos uma relação baseada no diálogo, no amor e no respeito. acho difícil ignorar e ser ignorado nessas bases. se é fácil? claro que não! mas eu escolho isso para mim.

nietzshe uma vez escreveu: quem quer por você? e esta pergunta é tão impactante para tudo nessa vida, que chega a me paralisar, às vezes. quem quer que você seja mãe? você ou seu/sua companheiro(a)? seus pais? a sociedade? quem não quer ter filhos? você? os livros? seu/sua companheiro(a)? eu sei que nossas escolhas não são 100% conscientes, mas quanto mais conscientes fizermos nossas escolhas, mas chance de agradarmos a nós mesmos teremos.

uma maternidade ressentida ( a saber, uma mulher arrepender-se de ter se tornado mãe) é totalmente legítima e não deve ser tratada como tabu, especialmente numa sociedade que espera que as mães amem seus filhos acima de tudo, e que abram mão de suas próprias vidas por eles. você não acha interessante que muitas mulheres tenham usado os comentários (sob uma identidade irreconhecível) para dizer que que se arrependiam de serem mães?  eu não só acho interessante como triste, porque uma mulher não pode dizer isso que imediatamente é julgada. e acredito que se fosse mais fácil admitir isso sem olhares tortos, a relação delas próprias com a maternidade real poderia dar um passo qualitativo.

eu só me tornei mãe porque o componente filhos entrou na minha vida, mas eu não deixei as outras partes pelo caminho ao tornar-me mãe, eu apenas acrescentei mais uma. parece simples essa matemática, mas não foi e não tem sido simples. porém, acredito que falar sem dramas das dificuldades, e dos sentimentos menos nobres, torna o meu maternar mais consciente,  menos rígido, menos culposo, mais leve e mais amoroso. comigo mesma e com meus filhos.

ideal mesmo seria que todos os filhos fossem desejados e amados e respeitados e educados para um mundo tal e qual, nós adultos, desejamos pra nós no agora. e não apenas vistos como serezinhos hiperprotegidos, mimados, predadores do planeta terra, consumistas em potencial e herdeiros de um mundo fadado ao fracasso. talvez seja idealismo demais. talvez… mas se eu fosse escrever um livro eu teria mais de 40 razões para dar do porquê acreditar nesse ideal.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Alemanha, antes de ser mãe eu não sabia que..., Do cotidiano

o dia em que eu quase chorei

ou o dia em que eu quis um pósparto assim

eu não me envergonho nem um pouco em dizer que a minha decisão em ter um segundo filho foi adiada por motivo de: pós-parto tenebroso.

também não me envergonho em dizer que passei alguns anos (principalmente os dois primeiros anos) dizendo que nunca jamais nessa ou em qualquer outra vida eu teria um segundo filho. fato este até já narrado aqui : DAS CONVICÇÕES, O MEDO DO SEGUNDO, A STARBUCKS E O MUNDO DOS SONHOS

tampouco vou omitir que eu ficava muito pê da vida com qualquer pessoa que duvidasse da minha decisão de não ter mais filhos. ou com qualquer pessoa que risse dela.

tudo são águas passadas. a falsa convicção em não ter mais filhos. os dias sombrios do puerpério. graças a deus minha vida mudou, quem me viu quem me vê, a tristeza passou. citando camões: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança; todo o mundo é composto de mudanças, tomando sempre novas qualidades. amém mil vezes, camões!

mas antes de ontem, um amigo do tomás veio aqui casa brincar com meu filho. e a mãe dele também veio. e é muito legal ver os dois brincando, e mais legal ainda ficar conversando com gente grande. ainda mais com ela, que é uma pessoa super bacana.

nós estávamos falando sobre segundo filho, entre outras coisas. mas sobretudo sobre isto, de ter o segundo filho. no que a mulher me solta que depois que o filho dela nasceu ela se sentiu tão bem, tão forte, tão autosuficiente, que o marido até se ressentiu dela nunca precisar dele para nada!

como é que é??

e antes que eu achasse que as alemãs são seres geneticamente modificados, que dão à luz com rapidez e eficiência, que não padecem no vale de choro e de lágrimas do puerpério AND dão conta de dois, três filhos pequenos sozinhas, muitas vezes sem família por perto, e em todas as vezes sem faxineira, ela me disse que na verdade, ela era uma exceção. ufa, já me sinto melhor agora.

pois eu era o oposto da força. eu só fazia chorar e não entendia o porquê de tanto choro. eu precisei da ajuda do meu marido e do mundo inteiro. olha, eu precisei buscar forças e nem sabia de onde tirar. alguém tinha de ser responsabilizado por tudo aquilo. e quem eu responsabilizei? a dor do parto, é claro!

o parto foi ótimo, foi rápido para uma primípera, foi sucesso. amamentação idem. mas o puerpério, olha… difícil.

se me perguntassem há três anos atrás se, caso eu tivesse outro filho, eu teria um parto natural novamente, a resposta era um sonoro e redondo não.

hoje se me perguntarem: segundo filho? quero!! parto natural? com certeza, quero!!! puerpério estilo alemão? queeeeeeeeeeero!!!!!

não dá para assegurar essas coisas, afinal cada gravidez é uma, cada parto é um e cada filho é único. e hoje, eu só sou o que sou graças ao tomás, graças à todas as coisas que ele me trouxe e que com ele eu aprendi e tenho aprendido.

como diz a sabedoria popular, o segundo filho deveria vir antes do primeiro. mas não vem, e a gente aprende na marra mesmo. aprende inclusive, a passar pelas dores do parto e do puerpério. e aaaaaaah que clichê, sai mais forte delas. começo a suspeitar das verdades escondidas nos clichês….

mas olha, eu nunca desejei tanto na minha vida ser uma exceção como minha amiga alemã, e ter um puerpério excepcionalmente maravilhoso!

levando em conta que eu já tenho um filho pra criar, será que eu posso?

 

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mudei o layout do blog e vou continuar mudando sempre que me der na telha, ou até que esgotem as possibilidades do wordpress. ou seja, nunca. e se reclamar eu mudo de novo amanhã. e depois também 🙂

p.s.2 (tá na moda p.s, né?): na coluna blogs que sigo aparecem apenas os do wordpress. assim que eu conseguir adicionar azamigas do blogger vocês aparecerão aqui, viu migues!

 

 

 

a vida é mais, antes de ser mãe eu não sabia que...

Vence na vida quem diz sim

não é a resposta padrão que recebo do meu filho. não é a resposta primeira, na ponta da língua. não é areposta que sai na lata, sem nem pensar. mesmo que venha seguido de um sim. é não pra quase tudo, é não em qualquer hora.

daí que eu parei de perguntar. pra que insistir numa estratégia que vinha se mostrando falida? passei a falar: ei tomás, vamos levar os seus amigos do banho para banheira? vaaaaaaamos!!! ei tomás, vamos levar seu teddy para tomar um ar no parque? eeeeeeeeeeeba! ei tomás, vamos fazer de conta que vamos comer num restaurante? ( e daí sirvo omelete com brócolis e arroz integral, mas né, a gente está num super restaurante). vaaaaaaaamos!

se dá certo sempre? claro que não!

falar não é com ele mesmo, mas pergunta se ele gosta de ouvir um não? não, nãogosta não. é que é chato mesmo ouvir não. ninguém gosta, né! gente pequena, gente grande, ninguém gosta. mas apesar de ninguém gostar, todo mundo sabe que receber sim pra tudo sempre, não é legal também.

pensando nisso, na chateação de ouvir um não, é que eu me vi matutando para os nãos que eu mesma andava dizendo para o meu filho. tem não que não abro mão; são os nãos dos limites claros, do respeito ao próximo, da segurança, do bem-estar. são os nãos que parecem ruins, mas na verdade fazem bem e corroboram para um sim da vida, talvez aqui, talvez láaaaa na frente. mas ainda assim, permanecem não. e ponto!

já outros…. por que não mudar para um sim? podemos ficar mais no parque? podemos comprar esse macarrão hoje? podemos voltar por aqui? na boa, o que poderia acontecer? atrasar um pouco o jantar, experimentar uma marca diferente, conhecer outro caminho?

se é fácil discernir um não não de um não sim? às vezes não, às vezes sim. mas vida de mãe e pai é assim: no fio da navalha sempre. tem horas que pendemos para um lado e acertamos, e tem horas que pendemos para outro e…. erramos. somos humanos, afinal.

daí que pensando nesse tudo de não, nese tudo de sim, nesse tudo de vezes sim, vezes não…. eu parei e reparei. o não do meu filho é quase sempre por contestação, esperando o limite. mas também é um não sincero, genuíno, dito quase sempre com um sorriso no rosto. é um não leve.

daí que eu não me lembro quando foi a última vez que eu disse um não com tanta leveza, com um sorriso no rosto, querendo dizer não de verdade. ou da últimamvez que eu disse sim querendo mesmo dizer sim, sorrindo, com leveza, convicta.

a gente leva uma vida entre sim e não, a toda hora, a todo momento. mas tem sim que era pra ser um não e tem não que bem que podia ser sim.

quando é que a gente esqueceu de dizer sim e não com o coração, feito criança pequena?  não sei. mas sei que com filho pequeno a gente tem oportunidade de repensar muita coisa e refazer tantas outras.

dizer sim quando me importo, de verdade. dizer não quando realmente passou dos meus limites. dizer não quando já estou satisfeita, cansada…

dizer sim pra parecer bonita? dizer sim pra ficar bem na fita? hum, meu filho nem sabe o que é isso.

e na dúvida entre o sim e o não, eu ficom com a pureza da resposta das crianças.

o não vou dizendo conforme a ocasião. afinal, sim e não tem a mesma duração quando falados.

eu digo sim pra lida. digo sim na dúvida, nas despedidas. eu digo sim pra vida.

porque eu acho que vence na vida quem diz sim pra ela. porque quem diz sim querendo dizer não, quase sempre perde.

tô certa, chico?

não louça, hoje você vai esperar. hoje eu resolvi dizer sim para o passeio primeiro.
não louça, hoje você vai esperar. hoje eu resolvi dizer sim para o passeio primeiro.
antes de ser mãe eu não sabia que..., Da poesia da vida, Do cotidiano

Das voltas que o mundo dá

Quando o Tomás tinha pouco mais de um aninho, eu encontrei um senhor um dia que me perguntou quando viria o segundo filho. Na época, eu respondi que o segundo filho nunca, jamais viria. Na época também, a maternidade era algo ainda novo para mim. A maternidade havia me atingido em cheio, feito raio certeiro em dia de temporal, e eu me sentia como aquela que havia sobrevivido e voltado para contar como eram as coisas lá do outro lado.

Eu também não sabia, mas o outro lado em questão começara no puérperio. E parecia que a vida real, aquela vida na qual eu me sabia tão eu, nunca recomeçava.

Na época, eu não conseguia nem separar muito bem, nem integrar muito bem, a Gabriela mãe e a Gabriela mulher. Na época eu me olhava no espelho e procurava desesperadamente por mim mesma. Na época, eu me perguntava constantemente quem sou? para onde vou? onde estou?. Naquele momento, ter outro filho significava para mim, me perder para sempre, nunca mais achar respostas para minhas perguntas, nunca mais me reconhecer no espelho.

Hoje eu sei que nao preciso separar nada. Hoje eu me sei inteira de novo. Hoje eu sei que a gente se separa, se parte pela metade, se despedaça, pra depois se juntar e seguir refeita. Até a próxima ruptura…

O começo da maternidade não é assim para toda mulher/mãe e também não precisa ser assim. Comigo foi, e tudo bem. Aceita que dói menos.

Mas voltando ao senhor do começo do texto… ao ouvir minha resposta, ele riu e disse que duvidava. Eu fiquei puta da vida, bem puta mesmo. Ele disse que duvidava, porque percebia que eu havia nascido para ser mãe. Eu continuei puta da vida, bem puta mesmo.

Até mesmo porquê, naquela altura da vida e da lida, onde eu estava me tornando mãe um pouquinho por dia, na raça mesmo; dizer que eu havia nascido para ser mãe me parecia falar sem conhecimento de causa. Como se estalássemos os dedos e ó… nasce uma mãe.

Eu podia ter desfiado um rosário naquele dia, ter falado quem era ele para ser invasivo daquele jeito, invasivo a ponto de opinar numa escolha tão minha, tão pessoal? Mas eu só fiquei danada de raiva e insisti que não teria outro filho.

Ele se despediu dizendo que filho era bênção. Deixa vir, disse ele ainda.

Na época, aquilo me incomodou demais da conta. E quando o incômodo é grande, o problema geralmente está na gente, e não no outro que falou o que falou.

Fui averiguar as razões do meu desconforto. Desconforto inversamente proporcional ao que o senhorzinho me disse.

Daí é aquela coisa, chora um dia, descobre um pouco noutro dias, nos outros dois ou três nem se fala mais nisso… Vai na terapia, chora na terapia, depois não quer voltar na terapeuta… E por fim, como em todo processo de autoconhecimento você desata aquele nó.

Sai aquele aperto do peito

A vida flui.

Mais leve.

Porque tudo nessa vida é uma questão de tempo.

E neste tempo, eu tenho dias de achar que eu nao dou conta de nada; Em outros pareço abraçar o mundo só com dois braços. Tem dias em que o amor não cabe no peito; em outros, ele parece faltar, nunca ser o suficiente. Tem dias em que acho que um filho só valem por dez; em outros sonho com um quintal cheio de filhos. Tenho dias de me achar uma super mãe; e tenho outros mãe de merda total, a rainha das “menas” mãe tudo. E a lista poderia seguir infinitamente, poruqe a vida é assim mesmo; cheia de dias bons e outros nem tanto.

Mas ultimamente, eu tenho tido dias de achar que seria muito legal o Tom ganhar um/a irmão/ã, e um/a irmão/ã ganhar o Tom. E tenho dias até, de achar aquele senhorzinho muito simpático.

Se a gente vai partir para essa aventura, de novo, é uma questão que levará o seu próprio tempo. Por ora, o que sei, é que tenho vivido dias de muito querer.

"Mama, ou você vem chutar bola comigo ou me dá um irmãozinho pra eu  poder brincar." Cataploft!
“Mama, ou você vem chutar bola comigo ou me dá um irmãozinho pra eu poder brincar.” Cataploft!
antes de ser mãe eu não sabia que..., dilemas da vida moderna, Do cotidiano

Das coisas que eu jurei que nunca faria

No aeroporto lotado eu disse para meu filho que caso ele saísse de perto de mim alguém o levaria embora.

Não, eu não me orgulho disso.

OK, eu não disse que o homem do saco o levaria.

E continuo não me orgulhando disso.

OK, o aeroporto estava uma loucura; de alguma maneira ele precisava entender que ficar perto de mim era uma questão de segurança.

OK, eu escolhi a mais fácil para mim. Não precisei dar zilhões de explicações, como sempre em se tratando do meu filho.

OK, eu escolhi a pior maneira para ele, que não pode exercer seu direito de perguntar.

OK, estamos bem são e salvos.

OK, eu continuo não me orgulhando de nada disso.

E eu que jurei de pé junto que jamais falaria algo do gênero?

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Há tempos que o Tomás precisa cortar o cabelo.O assunto sempre vem acompanhado de choro e de repetidos eu não vou nunca deixar cortarem o meu cabelo.

Cansada da ladainha, e cansada de dar argumentos do quão legal seria ir ao salão cortar o cabelo, eu meio que desisti de tocar no assunto.

Então, um dia folheando uma revista com o Tomás empoleirado no meu colo, eu me deparo com este camarada aqui:

 

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O Tomás me pergunta quem é o sujeito. Eu respondo. Ele pergunta por que que o cabelo dele é assim. E eu respondo: porque ele nunca deixava a mãe dele levá-lo para cortar o cabelo!

Muito choro (da parte do meu filho, claro). E a certeza (minha, claro) de que finalmente cortaríamos o cabelo.

Não, eu não me orgulho disso.

OK, eu escolhi a maneira mais fácil para mim de convencê-lo a cortar o cabelo.

OK, foi a maneira mais ridícula e menos nobre.

OK, Tomás vai cortar o cabelo. No fim funcionou.

OK, eu continuo não me orgulhando de nada disso.

E eu que jurei de pé junto que jamais falaria algo do gênero?

**********

Eu havia jurado por todos os santos que jamais usaria argumentos pouco ortodoxos, ou a pedagogia do medo, da comparação e tantas outras (anti) pedagogias com o meu filho.

Mas a despeito do meu juramento, às vezes me pego fazendo algumas das coisas que jurei que jamais faria.

É claro que existe um norte, o qual me atenho e não cedo jamais: bater e gritar estão realmente fora de cogitação. É claro que falo de maneira impaciente, é claro que preciso contar até dez e sair de perto, é claro que uso de argumentos estapafúrdios (os exemplos acima são apenas dois entre centenas). Mas não há nada que meu filho faça ou diga, que justifique uma agressão da minha parte. Nada mesmo.

A verdade é que criar filhos está longe de ser tarefa simples e com fórmula pronta. A verdade é que para criar um filho é preciso muito autoconhecimento e muita autoeducação.

Autoconhecimento, para tornar consciente nossos monstros, nossos medos, nossas sombras. Acho que não existe nada mais desumano do que bombardear uma criança que me foi confiada com meu material inconsciente, do que transferir para meu filho tudo aquilo que está encoberto (embora a transferência seja inevitável em tantas vezes).

Autoeducação, porque bem sabemos que todas criança (ainda mais na primeira infância) aprende através de exemplos. E é tão difícil ser exemplo quando me percebo tão falha em tantas coisas.

Simples? Não, já falei logo acima que não.

E apesar da dificuldade, dos inúmeros erros, de alguns acertos, eu tenho aprendido muito e tenho me tornado uma pessoa melhor. Engraçado, né? Eu, na qualidade de mãe que quer para o filho apenas o melhor e que ele possa com isso fazer o melhor de si, acabo me tornando melhor. Por ele, para ele. Mas também por nós, para nós.

**********

Uma vez eu li* que Freud disse que ninguém, de fato, perdoa a pessoa que o educou; porque o processo de educar deixa influências, cicatrizes e limitações permanentes. No entanto, o laissez-faire, ou seja, não colocar limites e apenas expor nossos filhos ao mundo de maneira simplista, resultaria num desastre muito maior.

Ou seja, conte com as cagadas e espere até o dia de que suas orelhas irão ferver quando seu/sua filho/a se deitar na divã, e dizer que a culpa de tudo que ele/a está passando é sua, só porque você é mãe dele/a.

Exagero, eu sei. Mas com as cagadas pode continuar contando.

Na perspectiva mais otimista da vida, de toda cagada, alguma vira adubo. Adubo para crescer e florescer coisas boas e bacanas.

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E por fim, eu mesma dei uma aparada na cabeleira do Tom. De leve, pra apagar incêndio. E por fim, nem precisava da pressa pra cortar o cabelo.

cabelo

E por fim, ele ainda há de me odiar por cortar os cabelos dele e deixá-los todos tortos. E por tirar fotos deles assim. E por publicá-las.

E eu que jurei que nunca iria estragar o cabelo do meu filho?

*JOHNSON, Robert A. & RUHL, Jerry M. Viver a vida não vivida. Editora Vozes

Alemanha, antes de ser mãe eu não sabia que..., Tomás

De Copa em Copa

Na Copa passada eu estava grávida do Tomás.

Naquela altura eu nem sabia que esperava por um menininho. Naquela época nós morávamos em São Paulo. Naquela época só muito picolé de limão pra passar os enjoos, que persistiram por quase intermináveis quatro meses.

Naquela época eu não me empolgava com os jogos da seleção brasileira, nem queria saber do burburinho dos botecos pré e pós-jogos. Naquela época eu sentia um sono enorme.

Na Copa passada, a minha bola é que andava cheia. Eu não precisava de jogos da Seleção para me animar, nem precisava de desculpas para ser feliz. Eu era feliz sem mais, sem poréns. Talvez felicidade não seja a palavra certa, mas ainda assim eu era.

Nessa Copa eu tenho o menino Tom comigo. Um menino de três anos e meio, ativo, falante e faceiro. Nessa Copa eu não tenho picolé de limão, mas em compensação, cerveja não falta não.

Nessa Copa eu continuo dormindo menos do que gostaria. Continuo não precisando dos jogos para me animar e nem de desculpas para ser feliz. Eu já sou feliz. Talvez felicidade não seja a palavra certa, mas ainda assim eu sou.

Da última Copa pra cá muita coisa mudou. No Brasil, no mundo, na minha vida… Passo por fases de bola murcha e de bola cheia. Assim como o resto da humanidade.

Da última Copa pra cá eu fiz o gol mais bonito da minha vida.

Diferente de algumas mulheres que já se sentem mães ao verem o positivo no exame, eu demorei para vestir a camisa da maternidade.

Demorei, mas vesti. E tenho suado a camisa para ser a mãe que quero ser, a mãe que acredito que posso ser.

E embora muita coisa não seja dita, nem lida, nem explicada. E embora a vida real não seja padrão Fifa, eu continuo sendo mãe todos os dias. Com ou sem Copa do Mundo.

É que ser mãe, com ou sem Copa, ser mãe é show de bola!

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Shit happens

O título já diz muito. A vida de verdade é assim, tem hora que dá certo, tem hora que não dá.

Por exemplo, quando a gente deleta quase todas as fotos do perfil do google + se esquecendo que ele está vinculado com o blogger, e quando você vê… seu blog não tem foto nenhuma.

Ou quando você, por razões que a própria razão desconhece, perde três (longas) postagens no prelo.

Ou ainda quando coisas de vulto e significado e importâncias muito maiores parecem ruir em três, dois, um… deixando a gente assim, com cara de onde estou, quem sou, para onde vou.

E o Guimarães Rosa disse assim: O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta.O que ela quer da gente é coragem.

E quando a vida pede a gente dá.

Porque também já bem disseram: a vida só se dá pra quem se deu.

Vou ali me dar pra vida e já volto. 
 
 

antes de ser mãe eu não sabia que..., com açúcar com afeto, Da poesia da vida, Do cotidiano, filosofia de boteco, palavras soltas ao vento, Tomás, tudo sobre minha mãe

Túnel do tempo

A memória da gente é coisa engraçada demais. Pelo menos a minha é. Talvez eu seja caso de estudo, porquê pra mim, memória é feito uma casa cheia de cômodos com suas janelas e portas fechadas.

Daí basta um cheiro, uma voz, um rosto familiar, uma música, uma palavra e pronto… lá se vai abrir aquele cômodo empoeirado em algum canto da memória.

O problema, às vezes, é que transferimos sentimentos e sensações do presente para o passado e vice-versa. Por vezes também abrimos mais de um cômodo de uma vez gerando interferências que nem sempre correspondem com a veracidade do que de fato ocorreu. Complicado, né?

Eu, por exemplo, tinha pra mim que o Tomás só chorou nos primeiros meses de vida. Pois é, em que cômodo escuro da minha memória tão distorcida eu guardava lembranças desvinculadas da realidade?

Mas se tem uma coisa que pais de primeira viagem fazem a exaustão é tirar muitas fotos e filmar seus rebentos. Tudo é digno de nota: das reais fofuras às escatologias. Nada escapa às lentes dos pais principiantes.

Ainda bem!

Digo isso porque dia desses comecei a olhar pastas e pastas com fotos e vídeos do Tomás, para selecionar algumas fotos para revelar. E então, além da overdose de fofura ao rever meu filho em tempos de bebê, eu pude também ressignificar o período em que acreditava que meu filho não fazia outra coisa da vida além de chorar.

Que surpresa redescobrir meu filho. Que surpresa sabê-lo e entendê-lo como um bebê… normal.

Eu não sei, sabe? Mas acho que na categoria memória, existe uma subcategoria memória materna. Porque não há de existir bicho com memória mais seletiva do que o bicho mãe. Algumas coisas não esquecemos jamais, vide o dia do nascimento. Outras lembramos vagamente, vide noites insones. Outras nem lembramos mais, vide… não me lembro.

Eu acho que os deuses mnemônicos fazem isso conosco mães: acharás que sofres, esqueceras que um dia achou, e por fim lembrarás apenas de toda fofura. Conto com os mesmos deuses para esquecer tão rapidamente da fase das birras. Amém.

Para os descrentes, uma prova da fofura.

 
P.S.: Foi difícil escolher um entre tantos.
P.P.S.: Eu sei que é sacanagem colocar um vídeo com baralho de secador de cabelo, mas pense que o vídeo poderia durar bem mais do que os 30 segundos.
 

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Pensamentos aleatóreos sobre o Tomás no Kindergarten

Antes, muito antes de saber que eu tinha um Tomás na barriga, eu e João já havíamos nos decidido por um Kindergarten Waldorf. No matter where. No Brasil, na Alemanha, na Conchinchina, onde Judas perdeu as botas… tendo um pelas bandas, lá então seria.

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Eu já contei aqui e aqui da nossa frustrada tentativa na creche Waldorf. Demos uma pausa, mas continuamos inscritos para o Kindergarten, na mesma escola. No fundo, eu sabia, a despeito da minha prévia decisão, que lá era o melhor lugar para ele. É claro que, por muitas vezes, eu me perguntava será mesmo? Quem quer tanto que seja lá: você e João, Tomás ou o destino? (sim, eu acredito em destino, não da forma banal e cafona como é pregada por aí). Eu acredito em encontros, eu acredito nas pessoas certas no momento certo. Muito luz e flor? Pode ser. Mas eu sou uma mãe Waldorf, então…

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Quando fomos conversar com o professor do Tomás (sim, o Tom tem professor) ele, do alto da sua experiência,  nos aconselhou  que seria melhor um de nós ficarmos com o Tomás durante o tempo que ele precisasse. Normalmente, a fase de adaptação no Kindergarten não é assim. Mas eles (professor, escola, outros pais) foram e são muito sensíveis em relação a situação do Tomás. O fato de morarmos há um ano na Alemanha, o fato do Tomás não falar alemão, o fato de nunca ter ficado com outra pessoas a não ser comigo e com o pai… Sinceramente? Não acho que encontraria tanta compreensão, tanta sensibilidade e tanto respeito ao tempo do meu filho em outro lugar. Apenas acho, sem grandes confirmações.

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É claro que o um de nós no caso sou eu. Quem traz o pão para casa é o João, logo… E neste tempo que tenho ficado com meu filho, e tenho conhecido as outras crianças, e tenho cruzado com outros pais, e tenho visto com meus olhos tudo o que é feito lá, e tenho visto com meu coração como tudo é feito, tenho ficado cada vez mais segura de cortar nosso cordão umbilical e deixar meu filho passar para outra etapa de sua vidinha. A estruturação do dia, as músicas, os rituais, os brinquedos e o brincar… tudo me cala fundo. É como se eu encontrasse ressonância com aquilo que acredito.

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Sabe, por muitas vezes eu cheguei a pensar que se eu tivesse tido no ano passado essa segurança interna que agora tenho, teria dado certo já no ano passado. Mas eu não tinha. O que eu tinha era um contrato interno comigo mesma de que ficaria os três primeiros anos com meu filho. Contratos internos são mais difíceis de quebrar. E agora, coincidência ou não, eu sinto que eu e Tomás estamos prontos para uma outra fase. Complicado, né?

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Eu já não estava mais dando conta de suprir as necessidades do meu filho. Ele precisa agora também de limites externos, contato com o outro, aprender o alemão… coisas que sozinha eu já não podia dar. E tudo bem; cada fase com suas necessidades, cada fase com sua doação. Minha terapeuta já disse: apenas viva essa fase! E assim estou. Vivendo.

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Por falar em outra fase… Tomás dá passos rumo ao aprendizado de uma nova língua, à aquisição de novas competências sociais, ao conhecimento de novas pessoas de referência… e tem dado provas que vai ser mais rápido do que todos imaginávamos. Enquanto ele sua a camisetinha para conquistar um novo lugar ao sol, eu em breve, vou suar a camisa, e deixar de ser mãe em tempo integral em casa, para ser mãe em tempo integral com vaga na universidade e com trabalho em vista. E eu me sinto como uma menininha de seis anos que vai no começo do ano comprar o caderno novo para escola!

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E eu estou lá no Kindergarten, mas não estou de espectadora não! Eu tenho colocado a mão na massa. Eu tenho limpado, cozinhado, trocado criança, costurado, capinado… O Tomás vê que a mãe está lá, mas ele tem que se virar. No começo meu coração se contorcia de dó por vê-lo ali como o diferente, o que não sabe como as coisas funcionam, o que não fala a língua… Mas eu não posso privá-lo de passar pelas próprias experiências de vida, de se virar sozinho. Afinal, não é sempre que mamãe estará lá para ele.

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E que fique claro que tudo que digo aqui é apenas minha experiência pessoal, longe de qualquer julgamento alheio. Até mesmo porquê, circunstâncias de vida são pessoais e intransferíveis.

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Mas de todas as minhas atividades lá, a que eu mais tenho gostado é a de cozinhar. Tudo o que eles comem é feito lá mesmo pela assistente. Três vezes na semana tem pão integral, cada um de um tipo. Nos outros dois, um mingau de arroz ou de painço. Tudo é integral e nada é adoçado com açúcar (refinado, mascavo nem demerara). Tenho aprendido receitas maravilhosas e bem mais saudáveis. Como o bolo de aniversário feito com farinha integral, leite de arroz e adoçado com xarope de agave.

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Aliás, este post era apenas para passar a receita do bolo, mas eu acabei costurando um pensamento aqui e ali, e quando vi…. 

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No calor da hora eu peguei a receita e fiz em casa. Me esquecendo que a receita serve vinte crianças e mais três adultos. Temos bolo para semanas agora. Quem quiser comer bolo com chá, pode se achegar. Mas você tem que trazer a(s) cria(s) e jurar que não vai me chamar de louca, que essa prolixidade toda de pensamento é coisa de toda mãe. Jura mesmo?

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A receita eu passo outro dia.

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