Alemanha, antes de ser mãe eu não sabia que..., baião do tomás, com açúcar com afeto, Da poesia da vida, Do cotidiano, poeminha desavergonhado, Tomás

No tempo dele

Eu não sabia, mas há muito eu esperava por ele. E no tempo dele, ele chegou.

E no tempo dele, ele nasceu. Nem um dia a mais, nem um dia a menos. Apenas no tempo dele.

No tempo dele ainda, aprendeu a andar, aprendeu a falar, aprendeu a pensar. E nesse espaço de tempo – nem curto, nem longo – apenas dele, aprendeu muito mais do que posso imaginar.

Todos os dias, no tempo dele, ele aprende uma coisa a mais.

No tempo dele, aprendeu cores, formas e palavras. Conheceu canções, rimas e histórias.

No tempo dele, abriu-se para o de fora.

No tempo dele, decidiu apartar-se das fraldas.

No tempo dele, escolheu a própria cama.

No tempo dele, dorme noite adentro. Coisa essa impossível até então.

No tempo dele, e só dele, desabrocha feito flor em botão.

O tempo dele é tão bonito que até parece conto de fadas.

Mas que tempo é esse? pergunta a senhora

O tempo dele é só o agora.

a descoberta do nome, baião do tomás

De como se descobre o nome do filho

Outro dia eu me lembrei do nosso processo para chegar no nome do filhote. Até a batida do martelo, quase aos oito meses de gestação, parecia que nenhum nome combinava com o bebê que eu carregava na barriga.

Muita gente acha engraçado, e até mesmo estranho, quando eu falo que o Tomás “assoprou” o nome dele pra nós. Talvez porque não entendam que a assoprada no caso, é no sentido figurado. A verdade, acredito eu, é que quem escolhe como quer ser chamado é o bebê, aos pais, cabe apenas a descoberta do nome. OK, vamos deixar de lado os pais absolutamente sem noção, que dão nomes esdrúxulos e vexatórios para seus filhos.

O João queria Miguel, eu apesar de achar bonito, achava que não era. Teodoro? o João dizia que jamais. Téo, então. De jeito nenhum. Tiago? Hum, não sei. E Tomás? Pode ser. Só que pra mim, já era!

Até que um belo dia,  ele apareceu com a música do Luiz Tatit e do Chico Saraiva, Baião do Tomás. E gente, eu chorei feito criança. Era como se o Tatit e o Chico (eita, intimidade!) tivessem feito a música para o nosso bebê. Foi a confirmação. E a partir dali, anunciávamos sem dúvida, que era o Tomás, o nosso Tomás que estava chegando.

Baião do Tomás

Quando o filho do filho do pai
Nasceu tão bem
O avô que era pai do seu pai
Foi ver o neném
Ele viu que seu filho sorria
Isso já lhe agradou
Era o filho que o filho queria
E que agora chegou
Tinha um pouco do pai
E mais um pouco do avô

Quando a mãe desse filho do pai
Teve o neném
A avó que era mãe dessa mãe
Não passou bem
Ela via que a filha sofria
Isso lhe dava dó
Mas o filho da filha trazia
Uma alegria só
Tinha um pouco da mãe
E mais um pouco da avó

Muitos tios e tias
Já davam sinais
Que queriam ser os padrinhos
Só falavam desse sobrinho
Muitos outros filhos
Dos irmãos dos pais
Os maiores e os pequeninos
Não tiravam os olhos do primo
Que dormia em paz
Sonhava com os pais
Avós dos pais
E todos ancestrais

Era tanta gente
Não acabava mais
Uns pediam um passinho à frente
Tio do tio também é parente
A cidade toda
Veio ver o Tomás
Que nascera, que maravilha
O menino, filho da filha
Que dormia em paz
Sonhava que juntou
Os tios os pais
Com todos os demais