Pensamentos aleatóreos sobre o Tomás no Kindergarten

Antes, muito antes de saber que eu tinha um Tomás na barriga, eu e João já havíamos nos decidido por um Kindergarten Waldorf. No matter where. No Brasil, na Alemanha, na Conchinchina, onde Judas perdeu as botas… tendo um pelas bandas, lá então seria.

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Eu já contei aqui e aqui da nossa frustrada tentativa na creche Waldorf. Demos uma pausa, mas continuamos inscritos para o Kindergarten, na mesma escola. No fundo, eu sabia, a despeito da minha prévia decisão, que lá era o melhor lugar para ele. É claro que, por muitas vezes, eu me perguntava será mesmo? Quem quer tanto que seja lá: você e João, Tomás ou o destino? (sim, eu acredito em destino, não da forma banal e cafona como é pregada por aí). Eu acredito em encontros, eu acredito nas pessoas certas no momento certo. Muito luz e flor? Pode ser. Mas eu sou uma mãe Waldorf, então…

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Quando fomos conversar com o professor do Tomás (sim, o Tom tem professor) ele, do alto da sua experiência,  nos aconselhou  que seria melhor um de nós ficarmos com o Tomás durante o tempo que ele precisasse. Normalmente, a fase de adaptação no Kindergarten não é assim. Mas eles (professor, escola, outros pais) foram e são muito sensíveis em relação a situação do Tomás. O fato de morarmos há um ano na Alemanha, o fato do Tomás não falar alemão, o fato de nunca ter ficado com outra pessoas a não ser comigo e com o pai… Sinceramente? Não acho que encontraria tanta compreensão, tanta sensibilidade e tanto respeito ao tempo do meu filho em outro lugar. Apenas acho, sem grandes confirmações.

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É claro que o um de nós no caso sou eu. Quem traz o pão para casa é o João, logo… E neste tempo que tenho ficado com meu filho, e tenho conhecido as outras crianças, e tenho cruzado com outros pais, e tenho visto com meus olhos tudo o que é feito lá, e tenho visto com meu coração como tudo é feito, tenho ficado cada vez mais segura de cortar nosso cordão umbilical e deixar meu filho passar para outra etapa de sua vidinha. A estruturação do dia, as músicas, os rituais, os brinquedos e o brincar… tudo me cala fundo. É como se eu encontrasse ressonância com aquilo que acredito.

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Sabe, por muitas vezes eu cheguei a pensar que se eu tivesse tido no ano passado essa segurança interna que agora tenho, teria dado certo já no ano passado. Mas eu não tinha. O que eu tinha era um contrato interno comigo mesma de que ficaria os três primeiros anos com meu filho. Contratos internos são mais difíceis de quebrar. E agora, coincidência ou não, eu sinto que eu e Tomás estamos prontos para uma outra fase. Complicado, né?

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Eu já não estava mais dando conta de suprir as necessidades do meu filho. Ele precisa agora também de limites externos, contato com o outro, aprender o alemão… coisas que sozinha eu já não podia dar. E tudo bem; cada fase com suas necessidades, cada fase com sua doação. Minha terapeuta já disse: apenas viva essa fase! E assim estou. Vivendo.

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Por falar em outra fase… Tomás dá passos rumo ao aprendizado de uma nova língua, à aquisição de novas competências sociais, ao conhecimento de novas pessoas de referência… e tem dado provas que vai ser mais rápido do que todos imaginávamos. Enquanto ele sua a camisetinha para conquistar um novo lugar ao sol, eu em breve, vou suar a camisa, e deixar de ser mãe em tempo integral em casa, para ser mãe em tempo integral com vaga na universidade e com trabalho em vista. E eu me sinto como uma menininha de seis anos que vai no começo do ano comprar o caderno novo para escola!

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E eu estou lá no Kindergarten, mas não estou de espectadora não! Eu tenho colocado a mão na massa. Eu tenho limpado, cozinhado, trocado criança, costurado, capinado… O Tomás vê que a mãe está lá, mas ele tem que se virar. No começo meu coração se contorcia de dó por vê-lo ali como o diferente, o que não sabe como as coisas funcionam, o que não fala a língua… Mas eu não posso privá-lo de passar pelas próprias experiências de vida, de se virar sozinho. Afinal, não é sempre que mamãe estará lá para ele.

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E que fique claro que tudo que digo aqui é apenas minha experiência pessoal, longe de qualquer julgamento alheio. Até mesmo porquê, circunstâncias de vida são pessoais e intransferíveis.

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Mas de todas as minhas atividades lá, a que eu mais tenho gostado é a de cozinhar. Tudo o que eles comem é feito lá mesmo pela assistente. Três vezes na semana tem pão integral, cada um de um tipo. Nos outros dois, um mingau de arroz ou de painço. Tudo é integral e nada é adoçado com açúcar (refinado, mascavo nem demerara). Tenho aprendido receitas maravilhosas e bem mais saudáveis. Como o bolo de aniversário feito com farinha integral, leite de arroz e adoçado com xarope de agave.

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Aliás, este post era apenas para passar a receita do bolo, mas eu acabei costurando um pensamento aqui e ali, e quando vi…. 

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No calor da hora eu peguei a receita e fiz em casa. Me esquecendo que a receita serve vinte crianças e mais três adultos. Temos bolo para semanas agora. Quem quiser comer bolo com chá, pode se achegar. Mas você tem que trazer a(s) cria(s) e jurar que não vai me chamar de louca, que essa prolixidade toda de pensamento é coisa de toda mãe. Jura mesmo?

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A receita eu passo outro dia.

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Brinquedos com orientação Waldorf

Quando você pensa em brinquedo Waldorf aposto que a primeira coisa que lhe vem à mente são aquelas bonecas de pano! Se você conhece um pouco mais da pedagogia Waldorf, você também poderá pensar em brinquedos de madeira.

Em ambos os casos vocês está correta (o). Porém, nem toda boneca de pano e nem todo brinquedo de madeira (muito menos) é de orientação Waldorf. Ainda que o fato de serem de pano ou madeira seja um mérito enorme no meio dessa selva de plástico, luzes, sons e cores chamativas, os brinquedos Waldorf se diferenciam pela maneira que são produzidos. E claro, por toda a filosofia da Pedagogia Waldorf, derivada da Antroposofia.

Um brinquedo Waldorf sempre será confeccionado com materiais naturais, como tecidos de puro algodão, feltro de lã e lã de carneiro. No caso dos brinquedos de madeira, a madeira utilizada sempre será de cultivo certificado ou reaproveitada, não existindo no produto final (brinquedo) cantos vivos, farpas, nem pregos e/ou parafusos aparentes. Quando coloridos, são feitos com tintas naturais, atóxicas, solúveis em água ou recebem apenas acabamento com cera de abelhas. Geralmente são pesados e maciços, conferindo resistência ao material.

Um brinqueo Waldorf tem, por princípio, a intenção de estimular a criatividade e o livre brincar; de desenvolver os sentidos da criança.

Rudolf Steiner, criador da Pedagogia Waldorf, já em sua época dizia que os brinquedos de plástico, ou os brinquedos mecanizados eram brinquedos “mortos”, pois não possibilitam à criança o desenvolvimento pleno de sua criatividade.

A confecção de um brinquedo Waldorf sempre levará em conta a responsabilidade social (nunca empregará trabalho escravo, por exemplo) e sempre que possível, optará pelo comércio equitativo.

Levando tudo isso em conta, é claro que um brinquedo Waldorf  não será exatamente barato. Mas você concorda que nesse mar de brinquedos, muitos, mas muitos brinquedos mesmo, que na minha humilde opinião não passam da mais pura porcaria, também não são baratos?

Eu não sou pedagoga, mas como mãe de um menino de dois anos e meio eu sei, na prática, da importância do brincar. E é exatamente por acreditar nessa importância,  que os brinquedos do Tomás estão cada vez menos… plastificados.

Confesso que a mudança para Alemanha facilitou nosso trabalho. Muitos brinquedos do Tom não puderam vir, e na ausência de avós, tias, padrinhos e amigos para mimá-lo presenteá-lo, o ritmo de ganhar brinquedos diminuiu bastante. E além disso, como passamos, nós os pais, a sermos os únicos e maiores fornecedores de brinquedos ao Tom, imaginem quais escolhemos?

E querem saber de uma coisa? Ficou claro também que criança não precisa de muito brinquedo. Com pouco se faz muito. E um dos maiores brinquedos que demos ao Tomás foi a possibilidade de ter contato com a natureza, através dos muitos parques que temos por aqui.

É impressionante como a imaginação do pequeno corre solta com aquilo que, nós adultos, talvez consideremos como pouco.

Eu não sou pedagoga, mas como mãe de um menino de dois anos e meio eu sei, na prática, que meu filho precisa de tempo, de brinquedos adequados e de apoio para brincar.

Pode parecer pouco, pode parecer sem glamour, pode parecer tão sem-graça, mas garanto que não é!

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crédito das imagens http://www.livipur.de/