cartas ao tom

Dá zero pra ela – Carta ao Tom #5

Eita que eu fui corrigir um errinho de português, e ao invés de atualizr eu converti em rascunho dãaaa! Agora vai, sem a emoção do dia em que foi escrita, mas o sentimento é o mesmo!

Hoje, como todos os dias desde que você nasceu, você me acordou.

Hoje o sol demorou a chegar.

Chegou.

Iluminou. O dia, meu dia.

Aqueceu. O dia, nosso dia, meu coração.

E me fez lembrar da alegria primeira de ter você em meus braços.

Amanhã não terá sol, segundo a previsão.

Hoje, então, aproveitamos toda luz e todo calor.

O sol se pôs. O dia se foi.

Estou cansada agora.

Você já dorme.

Amanhã com ou sem sol, você vai me acordar, como faz todos os dias desde que nasceu.

Amanhã vai chover, e eu vou olhar pra você e vou me lembrar mais uma vez, que meu sol é você.

E meu coração vai se aquecer. E meu dia vai se iluminar.

Como e desde o dia que você nasceu.

cartas ao tom, com açúcar com afeto, Da poesia da vida, gracinhas do tom

Carta ao Tom # 4 – Você faz três!

Querido Tomás,

Hoje você faz três.

O tempo, implacável como ele só, correu  rápido demais.

O tempo embaçou muitas memórias, aquietou outras mais.

Mas nunca apagou a memória mais viva e mais bonita:

a do dia em que você veio para meus braços de olhos bem abertos, bem escuros, e bem redondos.

Há três anos atrás.

Hoje eu bem que poderia dizer que te amo três vezes mais. Mas é que amor não cabe no vezes um, nem no vezes dois, e nem mesmo no vezes três. Amor, quer saber, não cabe no muitas vezes dez.

Amor cabe num lugar bem próximo do infinito.

E é desse tanto que você é amado. E um pouco mais além.

Nunca se esqueça disso, filho. Do nosso amor por você.

Parabéns, meu pequeno!

cartas ao tom, Da poesia da vida, sonhos

Uma lista de desejos

texto publicado originalmente em 22/08/2012

Ao grande Drummond, peço licença. Licença por ousar ser poeta. Licença por me inspirar descaradamente em algo teu. Tão teu e tão melhor. Mesmo assim, eu o fiz. E o fiz com o desejo, de que tudo que desejo, se realize.

Tomás,

Desejo a você
Uma casa com quintal
Horta regada nos fins de tarde
Terra molhada
Pé de acerola
Jardim de Rosas
Rede na varanda
Roupa cheirosa no varal
Alegria genuína
Muita serenidade
Todos os discos do Tom
E do Chico, e do Noel
Um ou mais amigo fiel
Todos os livros que não li
Todas as línguas que não aprendi
Todos os museus que não vi
Te desejo sonhar mais alto e maior que sonhei
Dar as voltas ao mundo que não dei
Aprender as coisas que não aprendi
Ser livre para ser o que é
Ter coragem para viver o que é
Te desejo, filho querido
Amor verdadeiro
Amor correspondido
Mas também paixões viscerais
Noites em claro
Muitos saraus
O primeiro porre
Que a vida nunca lhe traga o mau
Muito açúcar, muito afeto
Pouca dor
Pouco dissabor
Peito aberto
Sorriso franco
Saber ganhar e perder
E quando já homem feito
Que você nunca se esqueça
Que meu colo ainda é seu
E que nele tem carinho
Pra esquecer os solavancos
E tem muito amor renovado
E muito abraço guardado
Como colo de mãe tem que ser

cartas ao tom, Tomás

Carta ao Tom # 3 – Do sentimento sem volta

Tomás,

Em um ano e meio de vida você já conquistou muitas coisas. Já conquistou o andar, e agora, cada dia mais, tem conquistado o falar. E pra lá de suas próprias conquistas, conquistou meu coração para sempre.

Como é gostoso compartilhar de suas conquistas, descobrir a cada dia que passa que você aprende mais, e que ao seu lado eu aprendo também.

Antes de ser a sua mãe, Tomás, eu acreditava que mãe ensinasse filho a ter esperança, que mãe ensinasse filho a ter paciência, que mãe ensinasse filho a descobrir o mundo.

Como sua mãe, eu te ensino muitas coisas, mas as que você tem me ensinado, eu as tenho como as mais importantes e as mais verdadeiras.

E então, desde que você nasceu, eu tenho me tornado uma pessoa diferente. E então, desde que você nasceu, seguimos aprendendo um com o outro, um do outro, um para o outro.

Sabe, que antes de você, existia em mim um sentimento que, pra ser sincera, eu nem sabia ser meu. Era um amontoado de coisas, um emaranhado de sensações, que estava quieto e parado feito vulcão inativo.

E aí você nasceu, e tudo isso continuou em silêncio. E você estava em meus braços, e tudo isso continuou em silêncio. Mas um dia, não sei precisar quando, tudo veio à tona num rompante, com força e quentura. De maneira que nem se quisesse, poderia segurar. E tudo tomou conta de mim. E se esparramou, e nos aqueceu, e nos abraçou. Amor de mãe? Não sei, não vamos nomear o que sem nome parece tão maior.

Apesar de meu, tudo o que sinto é todo seu. Um não existe sem o outro. E sendo assim, eu te agradeço por, em tão pouco tempo de vida, ter trazido o melhor de mim.

A escrita é breve, mas carregada de sentimento. Um sentimento que feito vulcão ativo, não se pode prever sua força, nem suas consequências. Mas pela primeira vez em muitos anos, eu não tenho medo nem da força, nem das consequências de tal sentimento. Porque é dos mais sinceros que já experimentei, e porque é só para você.

Com carinho,

MamãI (como você mesmo diz)

aniversário, antes de ser mãe eu não sabia que..., cartas ao tom, um aninho

Carta ao Tom #2 – Do seu aniversário

Tomás,

Há um ano atrás, eu vivenciava a experiência mais intensa da minha vida: a do seu nascimento. Há um ano atrás, recém parido, você vinha para os meus braços com os olhos já abertos. Há um ano atrás, eu te abraçava e te cheirava. Há um ano atrás, eu ouvia seu choro pela primeira vez. Há um ano atrás, junto com você, muitas coisas nasciam em mim. Há uma ano atrás, a sua chegada me pedia urgência para resolver questões antigas e arraigadas em mim. Há um ano atrás você mudava o rumo da minha vida para sempre.

Nesse primeiro ano passamos por muitas fases. Cada uma com suas particularidades, com suas dores e suas delícias. Nesse seu primeiro ano de vida, eu não soube, muitas vezes, diferenciar o que era verdareiramente meu, e o que era verdadeiramente seu. Vivemos assim em simbiose, um emaranhado de emoções. Nesse primeiro ano, houve dias nos quais eu me sentia tão forte, e em outros eu me sentia tão frágil. Em alguns dias eu parecia te conhecer tanto e tão bem, e em outros eu ficava tão perdida, com tanto medo. Medo de não saber e de não poder dar o que você precisava.

Você me ensinou e tem me ensinado tanto, Tomás. Mas eu não costumo pensar no futuro. Engraçado, a graça com você está no hoje. Nas muitas coisas que você tem para me dar no dia a dia. A sua alegria genuína, a sua curiosidade, a revelaçao cada dia maior da sua personalidade, a maneira como você responde ao novo, cada gesto novo, cada descoberta… É tanta coisa que vivenciamos juntos, principalmente nesses últimos dois meses, quando você pareceu dar um salto gigantesco de desenvolvimento.

Filho, baseado nesse primeiro ano, posso dizer que apesar de todas as dificuldades, erros e acertos, as coisas têm dado muito certo. Eu, você e seu pai formamos um bom time, e cada dia mais, nos sentimos à vontade, cada um com seu papel, dentro dessa família.

É claro que eu quero que você seja feliz em todos os anos da sua vida, é claro que eu quero que a vida lhe seja generosa, é claro que eu lhe desejo todo o bem do universo. Mas falando assim, parece pouco perto do meu tanto querer para você. São coisas que só o coração mesmo pode entender*. Porque tem muitas coisas, Tomás, que eu só sei sentir, são coisas que eu não sei falar. E quando se trata de você e da sua vida, isso se intensifica.

Agora que você faz um ano, e pouco do mundo e da vida entende, provavelmente não entenderá muito bem que é seu dia, o dia do seu aniversário. Mas espero que você sinta todo o amor que temos por você, todo o amor com que fiz seu bolinho, todo o amor que desejamos para sua vida. Mais do que tudo, eu quero mesmo, que você encontre muito amor na sua vida afora. Que você possa sentir, hoje e sempre todo o amor que eu sinto por você.

Pois como disse seu homônimo famoso (pelo menos no apelido) Tom Jobim, fundamental é mesmo o amor. Olha que coisa bonita, filho! Realmente, fundamental é mesmo o amor. E você é muito amado. Antes mesmo de sabermos que você era você, você já era amado.

Feliz aniversário, meu querido Tomás! Feliz primeiro aniversário!

Te amo muito e tanto.

Deine Mama.


Aprendeu a bater palminha

*Da música Wave de Tom Jobim. Ouve aqui:

antes de ser mãe eu não sabia que..., cartas ao tom, gracinhas do tom, um bebê muda o que? tudo

Carta ao Tom*

Tomás, filhote querido,

Você está com seis meses e meio e, puxa, como passou rápido o tempo! Quantas mudanças em tão pouco tempo de vida. E que privilégio o meu, poder  acompanhar de perto cada etapa do seu desenvolvimento.

Nós completamos seis meses de amamentação exclusiva e em livre demanda. Digo nós, porque para amamentar você, não bastaria apenas o meu querer. Você também o quis assim, e isso me enche de alegria. Agora você está sendo exposto a novos sabores, e tem respondido bem às novidades. E sabe, por mais que eu saiba que você está crescendo, e que isso faz parte da nossa relação, te amamentar menos vezes no dia, me dá uma dorzinha no peito. Bobagens de mãe.

Você é um bebê muito feliz. Ri muito, e é muito sociável; não estranha ninguém. Distribui sorrisos na padaria, no açougue, na quitanda, no elevador… é o garoto simpatia! Adora um passeio, e diferente do seu pai e da sua mãe, caseiríssimos que somos, adora um evento social. Nunca imaginei ter um filho arroz de festa!

Seus olhinhos redondos parecem querer absorver cada novidade. E são muitas, né filhote! Você franze a testa e faz um bico muito engraçado quando concentrado. Vira de um lado pro outro, senta, fica na posição de engatinhar, mas ainda não sabe trocar braços e pernas, para seu desgosto. Estala a língua, coisa que aprendeu com sua tia Brú, fazendo um barulhinho muito fofo.

Por falar em fofura, você está deliciosamente gostoso. Causando em mim, o inevitável efeito colateral de querer beijá-lo e apertá-lo o dia inteiro: no banho, nas trocas de fraldas, quando no colo, enfim, sempre. Obviamente você se irrita com tanta demonstração explícita de amor, e protesta com braveza. Aliás filho, o que você tem de lindo, você tem de bravo.

Dormir continua sendo palavra proibida. Sua resitência ao sono merece um troféu. Praticamente desde que você nasceu travamos uma batalha diária para que você adormeça. Tudo o que está ao nosso alcance, como pais, nós fazemos, mas mesmo assim você só se entrega quando não tem mais jeito. Você acorda uma vez só, na madrugada, e volta a dormir logo depois da mamada. Porém, com muita sorte (minha e o seu pai), você acorda às sete da manhã, já ligado na tomada. É uma pena que a essa hora da manhã sua energia não nos cantagie. Você escolheu pais muito dorminhocos Tomás, e deveria levar isso em consideração quando desperta à cinco e meia da manhã feliz da vida!

Mas confesso que seu ritmo de sono já foi pior. O que nos faz crer, esperançosos, que dias melhores virão. Há três meses atrás, se alguém me disesse que você acoradria apena uma vez na noite, e voltaria a dormir logo em seguida, eu duvidaria com força. Nunca imaginei, por mais que ansiasse, que este dia chegaria. É filho, com você eu tenho aprendido que cada dia é um novo dia.

Ter você em casa tem sido absurdamente delicioso. E clichê dos clichês filho, antes de você, eu nunca imaginei que seria possível amar alguém tão rápido e tão fácil. Obrigada por ter me escolhido como sua mãe, e obrigada, por todos os dias, organizar uma festa em mim**.

* Carta ao Tom 74 é o título da canção de Toquinho e Vinícius de Moraes
** Retirado da canção Minha Festa de Nelson Cavaquinho

Se você quiser escutar as duas: