artes do Tom, curtindo a vida adoidado, gracinhas do tom, Tomás

selfies

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eu vi estas fotos que o tom fez, numa ligeireza absurda, diga-se de passagem, e achei a maior graça (que mãe nunca, né?). e aí comecei a pensar, e como já bem disseram, o pensamento parece uma coisa à toa, mas como é que a gente voa quando começa a pensar…

e meus pensamentos voaram… pra longe…. pra frente, láaaaaa onde tomás está crescido. e viajando mundo afora, me mandando selfies de macaquinhos pendurados em seu ombro, nadando com glolfinhos, com moçoilxs em paris ou em amsterdã… essa coisa bem brega, bem coisa de mãe mesmo.

e me lembrei que na qualidade de filha eu sempre ouvia que filho se cria para o mundo, filho se cria com asas. e eu bati asas para longe, fui para o mundo. para meus pais, certamente cedo demais. para mim era a hora de abandonar o ninho.

na qualidade de mãe eu sei  que filho se cria para o mundo, filho se cria com asas. mas ai mundo, vasto mundo… deixa meu filho pensar que o mundo dele ainda sou eu, vai!

na verdade, filho não se cria com asas, filho já nasce com elas.

e eles lançam voo, e mesmo assim a gente chora feito filhote que caiu do ninho porque ainda não aprendeu a voar. esquecendo que já voou antes de ser mãe. esquecendo, sobretudo, que ensinou a voar.

te desejo voos altos tom. mesmo com o coração apertado. porque asas têm pouca serventia se não são usadas. voa no teu tempo. sempre.

mas saiba filho, que meu colo sempre será seu ninho. se assim o desejar.

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Uma pequena reflexão sobre o fim do inverno

O inverno aqui onde moro foi bem ameno. Não teve neve.  Não teve sequer aquele frio de tiritar. OK, um ou outro dia, mas nada que tenha dado a tônica para esse último inverno. E ninguém gosta de inverno ameno; o desejo é por neve, muita neve. O que, convenhamos, torna a estação mais bonita mesmo.

Mesmo a gente esquecendo o saco que é acordar cedo pra tirar neve da calçada,  mesmo a gente esquecendo como é andar empurrando carrinho de bebê com neve, mesmo a gente esquecendo da merda que é o cotidiano e todas as implicações que da vida com neve derivam, mesmo e ainda assim, a gente quer um inverno branquinho de neve.

Não importando se o mesmo foi severo ou ameno, no começo de Março estamos todos de saco bem do cheio cansados do inverno. E o que queremos? Primavera, pois bem!

E aí num dia de sol, ao olhar pela minha janela e avistar ciclistas com suas saias vaporosas, alemães com casacos abertos, e alemãezinhos sem gorros e sem saquinhos nos carrinhos, acreditei que Primavera já era. E perceba que meia dúzia de pessoas num espaço de tempo de três minutos, não pode ser considerada uma amostragem real e séria da vida. Mas enfim, a pessoa acredita no que ela quer acreditar.

o sol que engana os incautos

Até me esqueci da previsão do tempo, nem chequei o app de temperatura do celular, tamanha minha felicidade. Por via das dúvidas fui conferir a temperatura no termômetro que fica no quarto, e ao me deparar com os 25 graus apontados, nem me passou pela cabeça que aquela era uma temperatura fictícia, uma vez que naquela hora, o sol batia de cheio no sensor do termômetro.

Saí de casa toda serelepe e com roupas esvoaçantes, alegre como o dia, com o sol, quase que oferecendo beijos de amor como cantou o poeta.  A verdade é que ao dobrar a esquina eu já havia me arrependido do meu otimismo, e sobretudo do meu amadorismo. Ao dobrar a esquina, também me deparei com a camada da população mais agasalhada da cidade, com casacos grossos, gorros, cachecóis e luvas.

Eu bem que podia ser como as alemãs geradas, nascidas e criadas em terras tão geladas, que em cujos DNAs carregam gerações e gerações de sobreviventes das maiores friacas conhecidas e até desconhecidas que o mundo já passou.  Eu bem que podia ser como as alemãs geradas, nascidas e criadas em terras tão geladas, que não ligam a mínima se o inverno acabou ou não, querendo mais é usar os modelitos da próxima estação.  Elas sim, podem bancar saia, meia-calça e sapatilhas em módicos cinco graus.

Ao me afastar um quarteirão de casa, decidi que era hora de acabar com aquela palhaçada, que era hora de dar fim às cãibras nos pés, que era hora de aquecer as ancas e a garganta. Meu sonho naquele momento era um chá pelando de quente e me agasalhar até os dentes.

Na volta pra casa ainda encontro um grupo de mulheres indianas que me olhavam surpresas por me verem em trajes tão primaveris, a despeito da  real temperatura.  Decerto acharam que eu era uma dessas raparigas geradas, nascidas e criadas em terras tão geladas.

Mas eu não sou. Sou apenas uma sul-americana ansiando pela Primavera. Ponto.

tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais

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Casa limpa e arrumada

Eu sempre tive faxineira no Brasil. Desde a primeira vez, quando eu e João decidimos juntar os trapinhos e reuni-los sob um mesmo teto. Fato esse que gerou muita comoção familiar, uma vez que fomos morar juntos sem nos casar. Eu na graduação, ele no doutorado. Mas nem é sobre isso que vim aqui falar, nem que a casa era uma gracinha com rede na varanda, com hortinha e com pé de acerola no quintal. Não, não. Eu vim dizer que mesmo na simplicidade, numa casa pequena e aconchegante, quase sem mobília, mas cheia de amor e vontade de amar; mesmo nessa casa modesta, a gente tinha uma faxineira.

O que o dinheiro de duas bolsas podia pagar, era a dona Ana de quinze em quinze dias. E a sua visita era esperada com ansiedade e louça fazendo aniversário na pia. Nunca fui boa em mandar. Eu dizia o que queria, ela fazia (às vezes bem, às vezes nem tanto), mas quem se importava com isso naquela época? Eu que não. João muito menos. A gente ficava muito feliz de ter a louça e o banheiro lavados, chão varrido, pó espanado e roupa passada. Afinal, a gente queria morar junto, mas cuidar da casa juntos, bem…

Então a vida nos trouxe para a Alemanha, e na Alemanha não tinha essa de dona Ana não. Mas quem ligava? Eu que não. João muito menos. A gente queria mais era se jogar nos prazeres etílicos (e esses não faltaram), morrer de dormir no dia seguinte, curtir um pileque, colocar mochila nas costas e correr Europa afora. Casa era lugar de passagem, embora fôssemos e ainda somos, muito caseiros. Quando a coisa ficava preta, encardida mesmo, quando não havia um copo, um talher ou um prato limpo, e/ou quando íamos receber visita, a gente dava um trato geral. E pra nós estava ótimo desse jeito, nesse esquema meio assim… república.

Depois de um tempo, queríamos mais era aquietar o corpo e o coração. Ter um teto mais definitivo. E voltamos ao Brasil. A casa já era vista com mais carinho, quase um ninho. Mais mobília, mais livros, mais fotos, mais lembranças…. As visitas da faxineira se tornaram mais frequentes, e a casa, puxa! A casa era um brinco! Embora minha, nossa participação no processo fosse mínima.

Daí, minha gente, que com ninho feito chegou filhote. Filhote chega, e acontece o que? A vida muda,e o ninho vira de cabeça pra baixo! Quando Tomás era bebê, tínhamos faxineira três vezes por semana! E mesmo que adorasse com todas as minhas forças ter a cozinha, os banheiros e todo o resto da casa cheiroso e arrumado, me irritava imensamente ter uma pessoa “estranha” dentro de casa dia sim dia não.

Resumindo bem essa parte, e poupando os leitores e leitoras de todos os detalhes sórdidos, no fim das contas contávamos com a faxineira duas vezes na semana.

Mas a vida nos trouxe de volta para a Alemanha, e eu sabia que a gente teria que se virar com casa, roupa, comida e filho pequeno. Tudo junto ao mesmo tempo agora e todos os dias. Paniquei, claro! Afinal, com filho não dá pra viver no caos. Mas a gente respira fundo, conta até dez e acredita! acredita na gente mesmo, na ajuda do marido, e na gente mesmo de novo.

E eu só sei que tenho aprendido muito nesse tempo cuidando da casa sozinha. Deixei de lado meu perfeccionismo, aquele lado besta de que só limparia a casa se fosse pra fazer tudo de cabo a rabo, jogando água e desinfetante feito maluca. Aprendi que existem outras formas de limpar e cuidar, aprendi que é melhor fazer um pouquinho por dia, do que acumular e deixar pra fazer tudo num só dia. Aprendi que manter é regra de ouro. Aprendi a amar minha lava-louças incondicionalmente, aprendi que lenços umedecidos de limpeza não é coisa de preguiçoso, aprendi que cuidar da casa pode e deve ser prazeroso, aprendi a relativizar a bagunça, aprendi que ninguém morre por não ter faxineira.

Na minha casa as panelas não refletem a nossa imagem, os vidros das janelas não são quase invisíveis de tão limpos, e os azulejos do banheiro não resplandecem limpeza. Mas quem liga? Eu que não. João muito menos. Porém, tem sempre roupa limpa nas gavetas, a louça não faz aniversário na pia, os ácaros não fazem festas psicodélicas e temos um lar mais do que decente, mais do que aconchegante. Temos sim, uma casa limpa e arrumada. Ainda que as fronteiras para a defiiniçao de arrumada tenham sido bastante alargadas.

Não vou mentir. Vez ou outra eu sinto saudades da dona Ana, e de todas as outras donas que passaram por nossas casas e por nossas vidas. Mas eu sinto saudades mesmo da minha rede na varanda, da nossa horta, do nosso pé de acerola carregado de frutinhos. Afinal de contas, uma casa, mais do que limpa e arrumada, uma casa puxa! É feita das memórias e das gentes que passam por ela.

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Beija, beija. Tá calor, tá calor

Atravessamos o Atlântico e cá estamos em terras calientes. E não é só o clima que anda quente não. Tomás anda derretendo de tanto amor que tem recebido. São abraços e carinhos e beijinhos sem ter fim. Saudades acumuladas sendo dia após dia extirpadas, e avós exibindo sorriso de orelha a orelha.

E assim, vamos fazendo nosso estoque de calor humano para esse ano. Nos aquecendo para nosso retorno daqui alguns dias.

Aproveito que ainda dá tempo, e desejo um feliz ano novo para quem nos lê. Que esse ano comece e termine cheio de carinho de gente que nos quer bem, e cheio de gente a quem queremos bem também. E que não nos preocupemos, porque todo o resto vem.

Um feliz e leve 2014!

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Pausa para o verão

Eu ando muito emocionada com o fato de há três TRÊS semanas consecutivas estarmos com sol e calor batendo na casa dos trinta TRINTA graus!
Acontece que depois de quatro anos e meio vividos no norte da Alemanha, eu nunca pensei que fosse possível ter um verão destes por estas bandas. Todos os dias nas últimas semanas têm sido de alegria agora, agora e amanhã; alegria agora e depois e depois e depois de amanhã (aquele Axé pra vocês). Sim, porque a previsão anda tão bacana que caso não dê para fazer um grill (bom churrasquinho alemão) hoje, amanhã a gente faz. Ou amanhã a gente vai passear na floresta, ou amanhã a gente vai na piscina, ou amanhã a gente faz o que der na telha porque o sol, ah! o sol há de brilhar mais uma vez!(agora eu me redimi do Axé).
E vamos aproveitando porque sabemos que este verão maravilhoso não é eterno, mas que seja eterno enquanto dure!
Depois destes dias de sol e calor, marido emenda viagem (longa) a trabalho, e na volta tiramos férias em família. De maneira que prometo não voltar em breve, mas quando o fizer, prometo que virei com novidades!
Beijocas nossas!