a vida é mais, Da poesia da vida, uk

Amanhã há de ser outro dia

hoje eu amanheci com uma vontade danada de liberdade. liberdade de escolher, de ir e vir, de planejar a vida no curto prazo. hoje eu amanheci com uma vontade danada de ver gente, receber gente, abraçar outras gentes. hoje eu amanheci com uma vontade danada de ter aquela falsa sensação de estar no controle. hoje eu amanheci cansada de dourar a pílula. Amanheci cansada. Amanheci um pouco amarga. Nada como um café amargo para neutralizar as amarguras da vida. um café amargo, um copo d’água, uma respiração profunda, ouvir a chuva, a bagunça das crianças… Verbalizei meu cansaço ao João, pedi um tempo só meu, fiz planos apesar de tudo, porque sim e porque a vida é mais. #dapoesiadavida #reflexoesdaquarentena #café #coffeetime

Da poesia da vida, Do cotidiano, em tempos de covid, uk

Falta pouco…

…para 2020 acabar. Por aqui nada de novo sob o sol, a não ser a falta dele.

Os dias andam bastante invernais, cinzas e molhados demais. E frios.

Decidimos montar nossa árvore e decorar a casa para o natal. Um pouco cedo, é verdade; mas depois de um ano difícil como esse, temos licensa poética para encher a casa de luzes pisca-pisca e cheiros e cores natalinos a esta altura do campeonato.

Amanhã já é dezembro, e só sei que agora falta pouco pra esse ano maluco acabar.

Da poesia da vida, livros, maternidade, uk

Motherhood #1

Couldn’t agree more!

Do livro Motherhood de Helen Simpson.

E eu volto aqui pra falar sobre esse livro que é simplesmente fantástico.

Da poesia da vida, Do cotidiano, filosofia de boteco

Be kind, carai!

Seja gentil. Seja empático. Seja humano.

Se, porventura, a troca parece difícil, quase impossível, reconheça a humanidade no outro e, gentilmente se afaste.

Talvez a reaproximação jamais aconteça, e está tudo bem também.

Já é sabido que gentileza gera gentileza. Mas não só, gentileza gera paz de espírito.

E nestes tempos loucos em que estamos vivendo, só louco mesmo pra dispensar paz de espírito.

Custa zero dinheiros ser gentil. Anota isso. E seja gentil.

a vida é mais, Da poesia da vida, o terceiro filho, segundinho, Tomás, uk, um bebê muda o que? tudo

Não sou eu quem me navega…

Quando a Violeta nasceu eu estava “se achany” como mãe de dois. A diferença de idade entre o Tomás e a Vivi é de seis anos, e por mais que o Tom tenha passado por umas crises por ter perdido o posto de filho único, ele adorou ter uma irmã para chamar de sua.

E o fato de eu me achar a rainha das mães de dois tudo estava exatamente nessa diferença de idade. O Tom aos seis,  entendia que eu não podia far atenção a ele naquela hora porque as demandas do bebê eram mais urgentes que uma torre de Lego. Então ele trazia os Legos para perto enquanto eu amamentava. E curtia ajudar no banho, nas trocas de fraldas….

Sem contar que quando ele estava na escola eu curtia muito a Violeta, ia em grupos de mãe e bebê, dormia quando ela dormia; e quando eu cansava do modo bebê, eu tinha um menino grande e super companheiro pra curtir.

E até dizia, ora ora, que caso tivessemos começado essa história de ter filhos mais cedo, eu até que teria um terceiro com essa mesma diferença de idade hahahaha hahaha hahaha help.

Mas, ao que tudo indica, Deus castiga mãe que se gaba. E surprise surprise,  engravidei do Martin quando a Violeta tinha 15 meses. Faz as contas aí, meu irmão. Eu fiz e me desesperei ao perceber que a diferença entre eles seria de dois anos! Que eu teria, praticamente, dois bebês em casa. Na verdade, o Martin nasceu doze dias antes da Violeta completar dois anos. Yeah, eu tenho dois arianjos; Martin do dia 01/04 e Vivi do dia 13/04.

Long story short: foi tenso. Violeta queria meu colo toda hora, dava tapas no Martin enquanto eu amamentava, passou a dormir mal, passou a gaguejar e tantas cositas mas.

Eu me senti uma mãe de merda total, sem  poder atendê-la do jeito que eu achava que ela precisava e merecia. Puerpério é o uó. Eu só fazia chorar. Por ela, por mim, pelo bebê, pelo Tomás. É verdade que amor de mãe se expande, e eu tenho certeza de que ela se sabia muito amada. A questão é que nem sempre all you need is love, né! Cada um queria uma mãe só pra si, e eu queria ser essa mãe pra cada um, porém, sem sucesso.

Long story short#2: precisamos de um tempo e muita (foca no muita) paciência para as coisas se ajeitarem, os papeis se redefinerem e as novas rotinas se enraizarem. Não foi smooth, não foi sem sangue, suor, lágrimas, muito leite materno e muitas noites insones. Mas hoje já navegamos por águas menos conturbadas.

Eles brincam muito e (brigam muito também). Temos horas de street fight e horas de abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim.

Eu sei que nem toda criança, independente da diferença de idade, reage da mesma maneira à chegada de um novo membro na família. E sei também que a relação entre irmãos é muito mais complexa do que este post pretendia alcançar.

Mas o que eu sei mesmo, é que nesta vida de mãe de três eu já não tenho certezas nenhuma. E muito menos me gabar. Deus me livre de me gabar!

Da poesia da vida, mãe zen, mudança, palavras soltas ao vento, uk

Não se afobe, não, que nada é pra já

Eu sempre me pego embasbacada a observar a natureza a cada troca de estação.

A natureza vai, dia após dia, dando pistas de que algo maior está para acontecer. Ela o faz sem pressa, sem alarde, num processo sutil e ritmado. É tão sutil e tão de pouquinho em pouquinho, que temos a impressão de que dormimos verão e acordamos outono.

As árvores, as flores, os frutos e cia não se pensam, apenas confiam nos processos com a certeza dos resultados. No matter what. No matter when. Faça chuva ou faça sol, todo dia é dia de caminhar um bocadinho mais em direção ao destino final. Tudo tão harmônico e gentil que chega a me causar inveja.

Somos mais complexos que árvores, flores e frutos, mas compartilhamos de uma mesma natureza. E é tão curioso que mesmo sendo crucial para nosso desenvolvimento pleno, ignoramos, atropelamos, desmerecemos e diminuimos nossos processos (e também os processos alheios). Seja por ignorância, impaciência, impulsividade, imaturidade ou sei lá mais o que, simplesmente nos angustiamos frente às transições.

E há tanta beleza nos processos, há tanta beleza na mudança… Eu não queria que esse post virasse um post de auto-ajuda ou um coach post. Eu só queria era lembrar a mim mesma, que não adianta angustiar-se, nem tampouco apressar a vida, pois tudo acontece no seu próprio ritmo/tempo.

E que a beleza da vida está no processo. Viver é trabalhar processos. Um dia a gente dorme inverno e acorda primavera. Ou achamos que foi isso. Mas no fundo, no fundo cada um sabe do quão trabalhoso foi acordar primavera.

Da poesia da vida, Do cotidiano, mundo afora

Ser estrangeira nesse mundo

Tom Jobim, certa vez numa entrevista, quando morava em Nova York, disse que poucas coisas tinham tanto gosto de Brasil como um café com queijo minas. Tom Jobim que tinha brasileiro até no nome, estava muito certo.

Hoje ao comer um queijo minas (que um mineiro que se mudou pra cá faz, e entrega em casa) com um café coado na hora, eu me transportei pra casa da minha vó Francisca (aka vó Chica), onde a mesa sempre estava posta com um bolo, um queijo fresco e outras iguarias mais. E era só eu chegar pra ela dizer “espera fia, que a vó vai passar um café sem açúcar pra você”.

Deu uma saudade danada de um tempo quando eu achava que a maioria dos desassossegos eram curados numa tarde, na casa de vó, comendo açúcar e ouvindo causos. De um tempo quando eu tinha certeza de que eu bateria asas para muito longe, mas que o que eu deixaria pra trás ficaria pra sempre guardado pra quando eu voltasse poder ser abraçado. De um tempo quando eu era criança na alma, e achava que podia ter tudo ao mesmo tempo e agora.

A vida ensina que se pode ter tudo, mas não tudo ao mesmo tempo. A vida ensina que fazer escolhas agiganta a alma. A vida nos faz chorar saudades que nem sabíamos qué sentíamos. A vida ensina a persistir não por orgulho besta, mas porque pra frente é só o que se tem. A vida ensina a se aquietar pra depois se chatear, até a gente aprender que no meio do caminho entre aquietar-se e chatear-se está o segredo da própria vida.

E quando eu penso que eu não pertenço a lugar nenhum, e quando eu me sinto mais estrangeira dentro de mim, eu me lembro do gosto daquele café, do gosto daquele queijo, dos cheiros daquela cozinha, do som da risada da minha vó, e então… e então eu volto pra casa. Porque “em todo lugar sou estrangeira, menos na minha casa”.

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Bom conselho #1

Um café quente. Amigo das noites entrecortadas por despertares de um bebê.

A alma de volta para o corpo. O corpo de volta pra vida. A vida de volta aos eixos. Ou quase isso.

Apenas não subestimem o poder de um café, senhoras e senhores!

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O amor nos tempos do cólera

Mas também poderia ser nos tempos do covid-19

Apesar dos tempos difíceis lá fora, das dificuldades de implementar uma nova rotina (há dias mais fáceis, outros menos), apesar das novas configurações da vida e as consequências delas advindas ( consequências que ainda nem sabemos direito quais, tanto no pessoal, quanto no coletivo) apesar de todos os pesares, ouso dizer, do alto de todos os meus privilégios, que sentirei saudades desses dias atípicos.

Dias com todos dentro de casa, Dias de apoio, de resignificação e valorização dos nossos papéis, do cuidar…

Obviamente, nem tudo são flores. Há muita chuva e trovoada, também. Mas hoje resolvi focar no bright side of things.

E quando tudo parece demais, eu tento me lembrar de que tudo passa. Isso também passará!

Um pouco dos nossos dias para ficar registrado de que não precisamos de muito para sermos felizes.

E que o amor e o afeto, que sempre existiram, mas que só fez crescer nos últimos tempos, esses nos salvarão.

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sobre filhos e férias

sair de férias com crianças pequenas é a prova de fogo para nossa paciência. porque expô-las por vários dias à situações e rotinas novas, a horários diferentes é quase como armar uma bomba relógio. mesmo planejando ahead, mesmo intercalando hora de passeios e hora de descanso, dias mais intensos e dias mais tranquilos, não é garantia de zero chiliques . ontem depois de um dia intensivo de passeio debaixo de sol e calor, as crianças já davam pistas do cansaço acumulado. como a irritação era crescente resolvemos alimentá-Los antes que a situação escalace. o restaurante foi escolhido a dedo, mas não teve childrens menu e giz de cera que desse conta do modo virado no giraia que meus filhos resolveram entrar. tirei a violeta da mesa várias vezes para um cool down. sem muito resultado. martin dormiu depois de uma catarse. Tomás esqueceu todas as regras de bom comportamento à mesa. coloquei à prova todas as minhas leituras sobre disciplina positiva, coloquei em xeque minha meditação diária, e repetia em looping : abaixe as expectativas, abaixe as expectativas! não sei se por compaixão a nós ou aos demais clientes a moça que nos atendia disse que passou nossos pedidos na frente. a comida das crianças chega. um derruba água outro suco, outro acorda pra mamar. quando meu prato chega violeta fez cocô. volto e fazemos revezamento de filho; um faz Martin dormir outro trata da violeta. dou três garfadas e o bebê acorda aos prantos. “João, pegue os três e volte para o hotel – eu pago a conta e peço pra embrulharem para viagem”. pago a conta e espero nossa comida devidamente embalada. olho para o lado e a mulher da mesa ao lado elegantésima em seus badulaques, com cabelo arrumadissimo, e com sua crispy White camisa de linho sorri para mim “you have your hands full, love” yeah, respondi e sorri de nervoso fazendo a promessa vazia de só tirar férias novamente quando eles tiverem 18 anos. chego no hotel e a maratona de banho e sono começa. por fim, nos sentamos na companhia do nosso mais velho (porque tudo isso aconteceu e não eram nem oito da noite) que nos contava as consequências do aquecimento global que tinha lido na revista, e saboreamos nosso prato requentado.

“Do que adianta ir em restaurante com estrelas no michelin se a gente come requentado? ” e eu num acesso de otimismo respondo que é para ter história para contar.