a vida é mais, Da poesia da vida, Do cotidiano, poeminha desavergonhado, uk

Previsão do tempo

Chove às nove, olho pra fora e faço um chá

Às onze tem mais chuva, e outra xicara de chá

À uma o sol apruma. Mais um chá?

Chá das três… Chove outra vez

Chá das cinco e já não sei mais o que sinto

Minto

Sinto tanto, sinto muito, sinto tudo

Mais um dia regado à chuva

E chá

E chuva

E choro

E chuva

E chá

A chuva para

Já passa da hora

Amanhã tem mais

Chá

Chuva

Talvez choro

E mais chá

E chuva, chuva, chuva

antes de ser mãe eu não sabia que..., Da poesia da vida, Do cotidiano, maternidade, mães não são de ferro

maternidade, substantivo feminino

hoje não é dia das mães aqui na inglaterra, mas em muito lugar no mundo é.

e como mãe que sou, eu adoro um domingo no ano pra receber presentes e cartões e flores dos meus filhos, pra receber café da manhã na cama, almoçar fora (quando era possível). e apesar de ter consciência de que se trata de uma data bastante comercial, penso que o dia das mães possa trazer também uma certa visibilidade ao ser mãe, possa trazer discussões e outros olhares sobre a maternidade e maternagem.

e sem muita pretensão, eu queria trazer aqui um outro lado da maternidade, aproveitando que maio é considerado o mês internacional da conscientizacão das doenças mentais maternas, e este é um tema que me é muito próximo e muito caro. muito pouco se fala sobre elas, porque infelizmente, maternidade e doença mental é um enorme tabu. ainda.

quando eu tive depressão pós parto, eu me senti num limbo muito grande, muito sozinha, muito desamparada. da primeira vez (sim, como mãe de três, eu vivi esta experiência duas vezes) eu ouvi os maiores absurdos. absurdo do tipo: ah, mas seu filho é tão lindo, tão saudável, perfeito, como assim você está se sentindo triste? e isto é apenas um exemplo de tantos outros. da segunda vez eu tive ajuda muito rápido, e isto fez toda a diferença!

o imaginário romântico da maternidade nos faz duvidar dos nossos sentimentos, nos faz nos sentir culpadas pela tristeza, pela ansiedade, pelos medos, pelos choros… e um pouco destes sentimentos é normal. afinal, o tornar-se mãe é um turbilhão de mudanças: físicas, hormonais, emocionais, pessoais… tudo muda, é verdade, mas tudo tem um certo limite, e se você se sente completamente perdida e desamparada converse com um profissional de saúde.

da primeira vez, eu precisei passar por váaaaaarios profissionias até encontrar uma médica extremamente empática e preparada. foi quando eu recebi o diagnóstico, e puxa, que alívio foi saber que eu não estava louca, nem tampouco sozinha. eu era uma entre tantas mães sofrendo sozinha.

se você convive com uma mãe, seja ela recém nascida ou não, seja empáticx ao que ela diz. pergunte qual a necessidade dela. seja ouvido. seja abraço. seja conforto. seja o café quente que ela precisa. seja o banho morninho que ela não toma. seja o prato de comida fumegante. seja o cochilo que ela nem sabe mais o que é. seja o ombro para o choro que rompe do nada. seja a massagem nos pés. se achar que não pode ser nada disso, só não seja julgamento. nem palpites não solicitados. não sobrecarregue ainda mais uma mãe.

cuidar das mães é cuidar dos bebês também. fala-se tanto da Vila necessária para cuidar de uma criança, mas pouco se fala sobre o cuidar de uma mãe.

eu desejo à todas as mães um feliz dia, mas também mais suporte e amparo nessa jornada igualmente exaustiva e fascinante que é a maternidade.

💜

Da poesia da vida, Do cotidiano, uk

Rain, rain, go away

Washing up Wednesday
a vida é mais, Da poesia da vida, uk

Amanhã há de ser outro dia

hoje eu amanheci com uma vontade danada de liberdade. liberdade de escolher, de ir e vir, de planejar a vida no curto prazo. hoje eu amanheci com uma vontade danada de ver gente, receber gente, abraçar outras gentes. hoje eu amanheci com uma vontade danada de ter aquela falsa sensação de estar no controle. hoje eu amanheci cansada de dourar a pílula. Amanheci cansada. Amanheci um pouco amarga. Nada como um café amargo para neutralizar as amarguras da vida. um café amargo, um copo d’água, uma respiração profunda, ouvir a chuva, a bagunça das crianças… Verbalizei meu cansaço ao João, pedi um tempo só meu, fiz planos apesar de tudo, porque sim e porque a vida é mais. #dapoesiadavida #reflexoesdaquarentena #café #coffeetime

Da poesia da vida, Do cotidiano, em tempos de covid, uk

Falta pouco…

…para 2020 acabar. Por aqui nada de novo sob o sol, a não ser a falta dele.

Os dias andam bastante invernais, cinzas e molhados demais. E frios.

Decidimos montar nossa árvore e decorar a casa para o natal. Um pouco cedo, é verdade; mas depois de um ano difícil como esse, temos licensa poética para encher a casa de luzes pisca-pisca e cheiros e cores natalinos a esta altura do campeonato.

Amanhã já é dezembro, e só sei que agora falta pouco pra esse ano maluco acabar.

Da poesia da vida, livros, maternidade, uk

Motherhood #1

Couldn’t agree more!

Do livro Motherhood de Helen Simpson.

E eu volto aqui pra falar sobre esse livro que é simplesmente fantástico.

Da poesia da vida, Do cotidiano, filosofia de boteco

Be kind, carai!

Seja gentil. Seja empático. Seja humano.

Se, porventura, a troca parece difícil, quase impossível, reconheça a humanidade no outro e, gentilmente se afaste.

Talvez a reaproximação jamais aconteça, e está tudo bem também.

Já é sabido que gentileza gera gentileza. Mas não só, gentileza gera paz de espírito.

E nestes tempos loucos em que estamos vivendo, só louco mesmo pra dispensar paz de espírito.

Custa zero dinheiros ser gentil. Anota isso. E seja gentil.

a vida é mais, Da poesia da vida, o terceiro filho, segundinho, Tomás, uk, um bebê muda o que? tudo

Não sou eu quem me navega…

Quando a Violeta nasceu eu estava “se achany” como mãe de dois. A diferença de idade entre o Tomás e a Vivi é de seis anos, e por mais que o Tom tenha passado por umas crises por ter perdido o posto de filho único, ele adorou ter uma irmã para chamar de sua.

E o fato de eu me achar a rainha das mães de dois tudo estava exatamente nessa diferença de idade. O Tom aos seis,  entendia que eu não podia far atenção a ele naquela hora porque as demandas do bebê eram mais urgentes que uma torre de Lego. Então ele trazia os Legos para perto enquanto eu amamentava. E curtia ajudar no banho, nas trocas de fraldas….

Sem contar que quando ele estava na escola eu curtia muito a Violeta, ia em grupos de mãe e bebê, dormia quando ela dormia; e quando eu cansava do modo bebê, eu tinha um menino grande e super companheiro pra curtir.

E até dizia, ora ora, que caso tivessemos começado essa história de ter filhos mais cedo, eu até que teria um terceiro com essa mesma diferença de idade hahahaha hahaha hahaha help.

Mas, ao que tudo indica, Deus castiga mãe que se gaba. E surprise surprise,  engravidei do Martin quando a Violeta tinha 15 meses. Faz as contas aí, meu irmão. Eu fiz e me desesperei ao perceber que a diferença entre eles seria de dois anos! Que eu teria, praticamente, dois bebês em casa. Na verdade, o Martin nasceu doze dias antes da Violeta completar dois anos. Yeah, eu tenho dois arianjos; Martin do dia 01/04 e Vivi do dia 13/04.

Long story short: foi tenso. Violeta queria meu colo toda hora, dava tapas no Martin enquanto eu amamentava, passou a dormir mal, passou a gaguejar e tantas cositas mas.

Eu me senti uma mãe de merda total, sem  poder atendê-la do jeito que eu achava que ela precisava e merecia. Puerpério é o uó. Eu só fazia chorar. Por ela, por mim, pelo bebê, pelo Tomás. É verdade que amor de mãe se expande, e eu tenho certeza de que ela se sabia muito amada. A questão é que nem sempre all you need is love, né! Cada um queria uma mãe só pra si, e eu queria ser essa mãe pra cada um, porém, sem sucesso.

Long story short#2: precisamos de um tempo e muita (foca no muita) paciência para as coisas se ajeitarem, os papeis se redefinerem e as novas rotinas se enraizarem. Não foi smooth, não foi sem sangue, suor, lágrimas, muito leite materno e muitas noites insones. Mas hoje já navegamos por águas menos conturbadas.

Eles brincam muito e (brigam muito também). Temos horas de street fight e horas de abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim.

Eu sei que nem toda criança, independente da diferença de idade, reage da mesma maneira à chegada de um novo membro na família. E sei também que a relação entre irmãos é muito mais complexa do que este post pretendia alcançar.

Mas o que eu sei mesmo, é que nesta vida de mãe de três eu já não tenho certezas nenhuma. E muito menos me gabar. Deus me livre de me gabar!

Da poesia da vida, mãe zen, mudança, palavras soltas ao vento, uk

Não se afobe, não, que nada é pra já

Eu sempre me pego embasbacada a observar a natureza a cada troca de estação.

A natureza vai, dia após dia, dando pistas de que algo maior está para acontecer. Ela o faz sem pressa, sem alarde, num processo sutil e ritmado. É tão sutil e tão de pouquinho em pouquinho, que temos a impressão de que dormimos verão e acordamos outono.

As árvores, as flores, os frutos e cia não se pensam, apenas confiam nos processos com a certeza dos resultados. No matter what. No matter when. Faça chuva ou faça sol, todo dia é dia de caminhar um bocadinho mais em direção ao destino final. Tudo tão harmônico e gentil que chega a me causar inveja.

Somos mais complexos que árvores, flores e frutos, mas compartilhamos de uma mesma natureza. E é tão curioso que mesmo sendo crucial para nosso desenvolvimento pleno, ignoramos, atropelamos, desmerecemos e diminuimos nossos processos (e também os processos alheios). Seja por ignorância, impaciência, impulsividade, imaturidade ou sei lá mais o que, simplesmente nos angustiamos frente às transições.

E há tanta beleza nos processos, há tanta beleza na mudança… Eu não queria que esse post virasse um post de auto-ajuda ou um coach post. Eu só queria era lembrar a mim mesma, que não adianta angustiar-se, nem tampouco apressar a vida, pois tudo acontece no seu próprio ritmo/tempo.

E que a beleza da vida está no processo. Viver é trabalhar processos. Um dia a gente dorme inverno e acorda primavera. Ou achamos que foi isso. Mas no fundo, no fundo cada um sabe do quão trabalhoso foi acordar primavera.

Da poesia da vida, Do cotidiano, mundo afora

Ser estrangeira nesse mundo

Tom Jobim, certa vez numa entrevista, quando morava em Nova York, disse que poucas coisas tinham tanto gosto de Brasil como um café com queijo minas. Tom Jobim que tinha brasileiro até no nome, estava muito certo.

Hoje ao comer um queijo minas (que um mineiro que se mudou pra cá faz, e entrega em casa) com um café coado na hora, eu me transportei pra casa da minha vó Francisca (aka vó Chica), onde a mesa sempre estava posta com um bolo, um queijo fresco e outras iguarias mais. E era só eu chegar pra ela dizer “espera fia, que a vó vai passar um café sem açúcar pra você”.

Deu uma saudade danada de um tempo quando eu achava que a maioria dos desassossegos eram curados numa tarde, na casa de vó, comendo açúcar e ouvindo causos. De um tempo quando eu tinha certeza de que eu bateria asas para muito longe, mas que o que eu deixaria pra trás ficaria pra sempre guardado pra quando eu voltasse poder ser abraçado. De um tempo quando eu era criança na alma, e achava que podia ter tudo ao mesmo tempo e agora.

A vida ensina que se pode ter tudo, mas não tudo ao mesmo tempo. A vida ensina que fazer escolhas agiganta a alma. A vida nos faz chorar saudades que nem sabíamos qué sentíamos. A vida ensina a persistir não por orgulho besta, mas porque pra frente é só o que se tem. A vida ensina a se aquietar pra depois se chatear, até a gente aprender que no meio do caminho entre aquietar-se e chatear-se está o segredo da própria vida.

E quando eu penso que eu não pertenço a lugar nenhum, e quando eu me sinto mais estrangeira dentro de mim, eu me lembro do gosto daquele café, do gosto daquele queijo, dos cheiros daquela cozinha, do som da risada da minha vó, e então… e então eu volto pra casa. Porque “em todo lugar sou estrangeira, menos na minha casa”.