Do cotidiano, mãe zen, mundo afora, parto, uk, Violeta

um breve relato do que foi e do que tem sido

Violeta já tem nove semanas,e parece que foi ontem mesmo que a segurei em meus braços pela primeira vez. 

e parece que foi ontem mesmo, depois de cinco horas de parto ativo, sendo duas de expulsivo e uma cesárea de emergência,  que eu finalmente conhecia a minha menina.

nunca pensei que faria parte das estatísticas das cesarianas que salvam vidas, ainda mais após um primeiro parto vaginal, onde fisiologicamente foi tudo perfeito. ninguém esperava. nem eu, nem João, nem as midwives, nem os médicos. mas fizemos parte.

e tê-la em meus braços depois de toda minha Via Crucis foi a maior e melhor sensação de alívio da minha vida. 

tem sido uma delícia amamentar novamente. ela não é tão gulosa como era seu irmão, mas ainda assim mama bastante, a minha pulguinha.

aliás, tem sido uma delícia ter um bebê de novo em casa.

Tomás está apaixonado pela irmã e tem se saído muito bem como irmão mais velho. tivemos alguns dias de choro, uma sensibilidade maior, mas tudo foi se ajustando e ele agora não tem sentido mais as mudanças na sua rotinininha. 

eu estou ótima físicamente, jamais esperava me recuperar tão rápido como me recuperei. emocionalmente então, nem se fala.  eu que experimentei uma depressão pós-parto da primeira vez, sei hoje o que é estar bem depois da chegada de um filho.

e eu não tenho tido tempo de passar por aqui por motivos bastante óbvios: quando Violeta dorme eu tenho que escolher entre lavar a louça ou a roupa, ou tentar arrumar a casa, ou comer ou tomar banho, ou ir ao banheiro… e quando me dou conta, já é hora de buscar o Tom na escola.

por falar em escola, vem “ni mim” férias de verão! é só o que penso.

e é isso, por ora, o que tenho para dizer. Vivi dorme há meia hora, e antes que ela acorde para mamar, vou lá lavar uma louça.

mas volto pra relatar com detalhes o nascimento da Vivi. Alguém ainda se interessa por relato de parto?🤔

beijos nossos e até o próximo post.

Do cotidiano, palavras soltas ao vento, segundinho, uk

sobre um montão de coisinhas

pois é, o tempo passou mesmo. é que o tempo costuma passar, não tem jeito. mas a verdade é que cheguei à trigésima sétima semana de gravidez e daqui pra frente nossa bebê pode nascer a qualquer momento.

eu confesso que senti muito medo no início dessa gravidez. um medo insano de perder essa bebê. não sei se porquê o pré-natal aqui começou só na décima semana, não sei se pelo fato do primeiro ultra som ter sido feito com 13 semanas, só sei que queria que chegasse rápido na semana 16 para afastar todo risco de perda (perceba que não era nem na décima segunda semana, eu encasquetei nas 16).

olhando agora, parece bobagem, mas eu fiquei bem esquisita no começo. mais uma coisa que vai pra conta dos hormônios enlouquecidos. sei também, que depois de passado o medo da perda, o segundo trimestre foi um bololô só. eu não curti a barriga como da primeira vez, eu tinha (e tenho) tantas coisas para me fazer e me concentrar, além de ter um filho pra cuidar.

e assim o tempo passou. e até aqui eu não tinha parado pra pensar no óbvio: como vai ser a vida com dois filhos? não sei se vale muito a pena ficar torrando a cabeça com essa questão, porque afinal, terei dois filhos e  todos sobreviveremos. mas mesmo que eu apele para o racional (o que é difícil, uma vez que estou com os sentimentos à flor da pele), quando paro para pensar nos desdobramentos da nossa nova configuração familiar, fico tão sentimental.

como será que o tomás vai reagir? como será que vai se sentir? como eu vou me sentir? como eu vou reagir perante às demandas do meu primogênito com um bebê cujas demandas são tão urgentes? conto, claro, com o fato de ter um filho de seis anos com o qual posso dialogar e que já entende muita coisa.

também foi assim da primeira vez. eu não imaginava como seria a vida depois da chegada do tomás, e tudo se encaixou. de um jeito ou de outro. no seu tempo. do jeito que tinha que ser. não tem porquê duvidar que  será diferente dessa vez, não é mesmo? (pergunta retórica, eu tento me convencer o tempo todo sobre isso).

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sobre o parto agora. como cheguei na 34. semana sem nenhuma complicação, bebê virou, placenta subiu, pressão ok… pude ser direcionada para o birth centre. minhas consultas  agora são feitas lá até o dia da bebê nascer.

sexta-feira passada foi minha primeira consulta, e eu simplesmente fiquei muito em paz como minha decisão de ter escolhido o birth centre para trazê-la ao mundo. o lugar é muito acolhedor, calmo,tranquilo, e em nada lembra um hospital, embora seja dentro do hospital. sobre as midwives, então, uns amores!

agora se eu quiser uma epidural, eu terei que ser transferida para o hospital. porém, além do gás (entonox), no birth centre eu posso receber uma injeção se pethidine (não sei como chamam no brasil). obviamente, se assim eu quiser.

sabe, depois do meu primeiro parto, onde não recebi nenhuma anestesia, eu posso dizer que não descarto os métodos acima para alivio das dores.

eu sempre disse para o joão que se u parisse de novo, eu queria um parto civilizado hahaha!  digo isso porque no meu primeiro parto eu virei um bicho que parecia enjaulado, porque gritei, porque virei uma fera, porque perdi meu eixo, porque me perdi, porque não conseguia mais ser consciente, porque eu era puro instinto.

bom, parir é isso mesmo. é instintivo, é visceral, é entrar em contato com o feminino mais ancestral, arquetípico. parto é também sexualidade. é sombra, é encarar os maiores medos.  é, muitas vezes, trazer à tona aquelas coisas bem escondidinhas no inconsciente.

teve um texto que viralizou por conta disso e que eu transcrevo abaixo:

Sabe aquela imagem dá mulher parindo serena na banheira, esquece aquilo miga! Parir é primitivo, é irracional. É preciso perder uns tufos de cabelo, gritar, gemer, tirar a roupa, agachar, ficar de quatro, uivar, ficar com raiva de todo mundo, sentir medo e explodir em alegria. Entrar numa caverna tão profunda que você nem sabia que existia. Parir serena, sem cheiro, sem excreções, bela, recatada e do lar, é só no imaginário das pessoas. Pq miga, alguém vai atravessar você, vai passar por voce, vai abrir você, vai te jogar teu mundo no chão e reconstruir outro, não tem como ser fácil, não tem como não dar medo, mas ainda sim tem como ser prazeroso. Tira as rédeas das mãos dos outros e coloque na sua e grite o quanto quiser, pq o poder, ahhhhhh vc vai experimentar que realmente você pode tudo. autoria thaiane guerra caetano.

eu super concordo com a thaiane. mas, às vezes, o mergulho é tão fundo que a subida para superfície é mais dolorosa que a própria descida. e by the way, essa sensação de poder tudo, de me sentir a própria she-ra, a fodona, eu não tive depois que meu filho nasceu. eu fiquei anestesiada. exaurida. calada. eu queria virar caramujo.

 

claro que quero ser protagonista do meu parto. mas eu também quero ser uma protagonista mais consciente dessa vez, e não joguete dos meu próprios instintos.

esse assunto dá pano pra manga, e muita gente não vai entender ou vai entender aquilo que quer das minhas palavras.

certamente voltarei para falar do parto, uma vez que ele é um evento que demora tempo para ser digerido. e quem sabe também, dessa vez, eu acabe por me perder e adore a experiência. afinal, parto é um evento único, e cada filho traz consigo o que filho e mãe precisam.

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puxa, ainda preciso cortar o cabelo, fazer a sobrancelha, passar algumas roupas dela, arrumar nossas malas da maternidade, abastecer o freezer…

e ainda queria ir, antes dela nascer, aos meus cafés favoritos, terminar de ler os três livros que concomitantemente estou a ler. queria ir para londres mais uma vez, queria ver aquela exposição que há tempos estou para ver.

mas estou a limpar cada canto da casa, a jogar fora muitas coisas, a organizar o que parece já estar organizado.

que coisa esse tal de nesting!

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a bebê continua sem nome, e sabe o que é mais difícil? lidar com a ansiedade dos outros. estamos tranquilos quanto à isso. temos até seis semanas para registrá-la. obviamente, não gostaria de ficar seis semanas sem nomeá-la, mas acho que quando ela nascer vamos olhar para ela, e ela vai nos cantar seu nome.

as pessoas do nosso convívio direto são super ok, não ficam perguntando toda hora.

mas tem gente que só por deus. é por direct no instagram, é por mensagem no facebook, é por email… olha, minha vontade é perguntar se a pessoa quer saber o nome para me enviar um presente com o nome dela gravado.

meus parabéns às mães que resolvem não saber o sexo do bebê. deve ser um porre aguentar a ansiedade alheia, nesses casos.

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bora fazer um bolão? quando você acha que a bebê chega?

37 semanas (por favor, espera mais pouquinho!)

38 semanas (ok, mas seria melhor esperar a vovó chegar)

39 semanas ( super ok)

40 semanas ou mais ( ansiedade já atingiu níveis estratosféricos)

façam suas apostas e sobretudo, torçam por uma boa hora.

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um resumo de como eu me sinto por ora

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fim

 

 

 

 

 

 

 

 

antes de ser mãe eu não sabia que..., dilemas da vida moderna, Do cotidiano, filosofia de boteco, mundo afora, uk

dos ares ingleses e da maternidade compulsória

os ares ingleses não têm sido gentis conosco. desde que chegamos aqui o tomás passou por cinco viroses terríveis. claro que coincidiu com o fato dele ter entrado na escola, e sua convivência com todos os novos vírus que o cercam.

o mais recente deles foi um noro vírus (ou a gripe do estômago) extremamente popular nos meses de inverno por aqui. é o inferno na terra, ainda que por 48 horas. vômitos de hora em hora, roupas de cama, toalhas, paredes e chão carimbados, diarréia, uma criança amuada, e máquina de lavar e secadora trabalhando à exaustão.

nossa senhora da gestação dessa vez não deu conta. achou que limpar tanta sujeira e receber um jato de vômito nos cabelos já era demais, e tirou sua proteção.  resultado óbvio, eu peguei a virose. ontem eu estava só o reboco. acabada era pouco. hoje eu consegui manter uma maça, duas torradas, e líquidos (água, chá, limão com água) no meu estômago.

a despeito de toda escatologia hoje, embora me sentindo fraca, eu sai da cama para ler e aproveitei para dar uma espiada na internet.  e a internet é sempre um campo muito vasto e fértil, não é mesmo?

e foi nesse vasto mundo que eu me deparei com essa reportagem http://estilo.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/bbc/2016/12/09/tenho-motivos-para-odiar-criancas-o-polemico-testemunho-de-escritora-francesa-que-se-arrepende-de-ser-mae.htm

abaixo da foto de uma mulher bonita, trajando um maiô, em uma paisagem igualmente bela lemos o seguinte:

A autora francesa Corinne Maier, que tem dois filhos, anuncia para quem quiser ouvir sua opinião de que, no mundo atual, os adultos estão tão obsessivos por seus filhos e tão exaustos por ter de cuidar deles que não têm energia para mais nada.

seu livro cujo título é No Kids: 40 Good Reasons Not to Have Childrenfoi lançado, segundo a reportagem, em 2009 e eu só fui saber dele agora, em 2016. embora se tivesse sabido da sua existência antes, isso não mudaria os meus planos de ter filhos.

mas gostaria de fazer uma análise sobre a proposta da autora. mesmo que correndo o risco de ser injusta, afinal não li o livro, e minha análise será baseada apenas na curta reportagem, ainda assim gostaria de tecer minhas considerações a respeito.

vamos lá. um dos contras citados na reportagem seria a questão da super população mundial …Em 2100, seremos 11 bilhões. Como o planeta vai alimentar todo mundo?” 

este é um argumento que honestamente não me assusta. primeiro porque não é o mundo inteiro que consome no mesmo ritmo que as nações industrializadas. vivemos num mundo absurdamente desigual onde 1 bilhão de pessoas passam fome (segundo o IFPRI, International Food Policy Research Institut https://www.ifpri.org), enquanto 1,3 bilhão de tonelada de tudo que é produzido no mundo é jogado no lixo.  segundo a ONU se esse desperdício fosse reduzido ( veja, reduzido apenas)  seria o suficiente para alimentar… 2 bilhões de pessoas! falta comida mesmo?

eu sei que tem outras questões em jogo, como a água  doce e potável, por exemplo. a água é um recurso finito e muita gente usa como se fosse infinito. talvez eu na minha ingenuidade e no meu otimismo, ache que ao fazer a minha parte (e sei de mais gente que também o faz) o futuro dos nossos filhos não será apocalíptico. acho que ao consumir menos, consumir orgânicos/produtos de produtores locais, usar conscientemente os recursos naturais, evitar o desperdício dentro da nossa casa (coisa que eu evito/luto constantemente), sinceramente acho que é uma saída viável e inteligente. desde que seja consistente, não dá pra adotar tais medidas apenas de vez em quando. é necessário tê-las como um estilo de vida consciente.

ainda sobre este ponto, eu acredito que deveríamos cobrar nossos governantes por planos mais ambiciosos de preservação ambiental, e também, cobrá-los por ações mais concretas a curto, médio e longo prazo. Quantos estão dispostos a fazer isso, não é mesmo? minha pergunta vale para ambos os lados (governo e sociedade).

outro ponto citado foi  Vivemos em uma sociedade obsessiva por crianças. Um filho é considerado uma garantia de felicidade, um desenvolvimento pessoal e até um status social.” sério mesmo que vivemos numa sociedade obsessiva por crianças?  pois eu, na minha perspectiva de mãe acho o contrário, acho que vivemos numa sociedade que exclui crianças dos espaços públicos, que espera que elas sejam mini adultos, que nunca chorem, que nunca incomodem… talvez eu tenha entendido errado a frase dela, mas essa obsessão tal qual eu entendo a palavra, eu não vejo não.

sobre filho ser considerado uma garantia de felicidade, desenvolvimento pessoal e até status social, well… eu não posso dizer os motivos pelos quais os outros quiseram ter filhos, e acredito até que algumas pessoas os tenham por esses motivos  citados por ela. mas no meu caso, honestamente, não foi. eu sei que quando se tem filhos projeções são inevitáveis, mas cabe a cada mãe/pai torná-las conscientes e baixar a bola se for o caso. a minha garantia de felicidade soy yo, não é marido, não é emprego, não é post code, não é jeans 36 e muito menos filho. embora meus filhos me tragam muitas alegrias também; mas não porque eu espero que eles me façam felizes, e sim porque relações próximas e afetivas nos trazem alegrias ( e raiva, e tristeza, e cansaço e outras cositas mas). sobre a questão do status social, pffff… cago e ando, perdoem meu francês.

mas vamos em frente que tem mais. ela diz ainda ” indivíduos que não têm filhos são descritos como egoístas e cidadãos de segunda classe. Muitos deles se sentem pressionados a se justificar: ‘Eu não posso ter filhos, mas eu adoro crianças.’ Quando ouço isso, logo faço um comentário para inflamar a conversa. Algo como: ‘Eu tenho filhos, mas tenho razões para odiar crianças’.”  mesmo que alguém decida não ter filhos por razões egoístas (e defina razões egoístas para mim cara pálida) este alguém está totalmente em seu direito. não vejo filhos como algo compulsório. na vida a gente tem que seguir as leis e pagar impostos (e se você tem filhos você tem que educá-los) de resto não tem que nada não. cidadãos de segunda classe? isso existe? pessoas são pessoas, com ou sem filhos. sobre justificar-se por não ter filhos… acredite, se você os tivesse também teria de justificar-se (por que só um? por que três?  por que não dá um biscoito recheado? e assim vai).

e o crème de la crème para mim foi  ‘Eu tenho filhos, mas tenho razões para odiar crianças’.  olha, nessa minha vida de mãe, eu já desejei sumir no mundo sem avisar ninguém e voltar quando meu filho tivesse 20 anos (provavelmente sentirei isso novamente com o bebê que ainda está na minha barriga). não porque eu odiei o meu filho, mas muito mais porque eu estava exausta, exaurida, perdida, sozinha, sem saber o que fazer. na minha opinião você pode odiar coentro, tofu, mc donalds, mas odiar criança, gato, cachorro, odiar qualquer pessoa diz mais sobre você mesmo do que sobre o outro. se antes de ser mãe eu  já não tinha razões para odiar crianças, hoje como uma eu vejo que não tenho mesmo!

sigamos. outra questão colocada foi …Por que tanta pressão? A resposta, claro, é fornecer um número ainda maior de miniconsumidores que não vão se cansar nunca do capitalismo, que precisa vender sempre mais. É em nome das crianças que os pais compram carros, máquinas de lavar, casas e gadgets.” vivemos em uma sociedade extremamente consumista, é verdade. mas, conhece aquela máxima né: exemplo arrasta?! pois, se você só pensa em comprar, se você mostra para seu filho que ter é mais importante do que ser, provavelmente seu filho também pensará (e agirá) assim, não se cansando nunca do capitalismo e do consumo excessivo. legal mostrar pro nossos filhos que as coisas tem um valor além daquele da etiqueta, que aquela roupa, aquele livro, aquele alimento vem de tal lugar, foi produzido sem trabalho escravo, sem desperdiçar recursos naturais e humanos, e por isso é preciso cuidar bem daquilo. nem sempre é possível, comprar coisas ética e politicamente corretas, eu sei. mas não é necessário gastar os tufos dos mufurufos pra ensinar pra uma criança o valor das coisas.

outra coisa que sozinha daria um outro livro Eu mesma hoje sou perfeitamente ciente de como estava envolvida – envolvida demais – e como me tornei o estereótipo da “mãe judia” (superprotetora, intromissiva e controladora). E isso produz crianças hipercontroladas e hiperobservadas. Tanto que eu penso em como eles conseguem, de fato, virar adultos.” o papel dela como mãe é um problema dela (e dos filhos dela), mas não existe apenas um modelo de maternidade. inclusive, este modelo por ela citado, não é o modelo que eu quero pra mim. sabe, a gente vive num mundo onde as pessoas parecem saber mais do que nós sobre nossos filhos. só pode brinquedo waldorf, só pode quarto montessori, só pode criação com apego, ou pode deixar na frente da tv sim, pode danoninho sim, pode cesárea eletiva sim e etc (sim, eu exagerei nos extremos propositalmente). gente, a categoria boas mães é muito ampla, e contempla na minha opinião, quem está atrás de informação, quem se dispõe a pensar e fazer diferente se o que se faz não traz resultados. e sobretudo se o que se faz é confortável pra quem faz e para todos os envolvidos. a busca do equilibrio é uma constante na vida, porque não seria também na maternidade?

calma que eu estou acabando. outro ponto que não poderia faltar é o dinheiro Criar meus filhos não apenas me deixou exausta, mas também me levou à falência. Em breve, minha filha vai terminar seus estudos. Vou dar uma festa. Finalmente não ter mais que bancá-la. Que alívio!”  não só acredito como concordo com a exaustão. obviamente não temos a mesma liberdade financeira de antes da chegada dos filhos; todo nosso planejamento financeiro é  baseado majoritariamente pensando neles. e eu não vejo nisso um problema. e sinceramente, não acho que meus filhos me levarão à falência. sei que os gastos acompanham o crescimento dele, mas até agora estamos longe da falência, e não a prevejo mesmo num futuro distante. somos de dar o passo do tamanho das nossas pernas. o que está além, ou  se espera ou não se dá.

e por fim Crianças, bem-vindas e boa sorte na entrada nesse mundo podre que seus pais, que te amam muitíssimo, te deixaram. Eles passaram tanto tempo cuidando de vocês que não tiveram tempo de transformar o mundo. Eles desistiram, penduraram as chuteiras. ‘A criança é o que há de mais importante….'” cuidar dos meus filhos, da maneira que eu concebo o cuidar, é para mim um fator transformador. criar cidadãos conscientes de si, das pessoas e do mundo ao seu redor é uma tarefa e tanto. tarefa essa que tomo com satisfação. eu sei por experiência própria que nem tudo são flores, mas eu digo que, para mim, mesmo com os percalços, vale a pena. e eu não pendurei as chuteiras não, porque tomar esta tarefa para si significa não desistir. e sei de muito mais gente que também não pendurou. e  também vejo os meus, os seus, os nossos filhos como o que há de mais importante na construção desse novo mundo (uhul pique nova era).

olha, como eu disse eu não li o livro e suas 40 razões para não ter filhos, e por isso mesmo não vou ficar  aqui criticando a autora. até mesmo porque, na minha opinião, você não precisa de muitas ou poucas razões para ter ou não ter filhos; bastam que sejam as suas e que você fique satisfeitx com elas.

o que eu gostaria de criticar, na verdade, é a obrigatoriedade velada na nossa sociedade da mulher tornar-se mãe. não estou dizendo que o foi o caso com madame maier, mas ao ler os comentários eu pude ver que muitas mulheres se sentiram representadas e validadas em suas convicções, como que dizendo “tá vendo, eu não preciso ser mãe”. não, colega, você não precisa ser nada que você não queira. inclusive mãe.

algumas pessoas também citaram o fato dos filhos crescerem e ignorarem os pais. e me pergunto: o que seria ignorar os pais? eu, particularmente, vejo meus filhos como seres autônomos e independentes de mim;  a cada dia essa independência torna-se maior, e eu acho natural, desejável e saudável. a relação pais e filhos é um construto diário e constante. eu amo e respeito meus filhos não apenas porque eles são meus filhos (e vice-versa), mas porque diariamente construimos uma relação baseada no diálogo, no amor e no respeito. acho difícil ignorar e ser ignorado nessas bases. se é fácil? claro que não! mas eu escolho isso para mim.

nietzshe uma vez escreveu: quem quer por você? e esta pergunta é tão impactante para tudo nessa vida, que chega a me paralisar, às vezes. quem quer que você seja mãe? você ou seu/sua companheiro(a)? seus pais? a sociedade? quem não quer ter filhos? você? os livros? seu/sua companheiro(a)? eu sei que nossas escolhas não são 100% conscientes, mas quanto mais conscientes fizermos nossas escolhas, mas chance de agradarmos a nós mesmos teremos.

uma maternidade ressentida ( a saber, uma mulher arrepender-se de ter se tornado mãe) é totalmente legítima e não deve ser tratada como tabu, especialmente numa sociedade que espera que as mães amem seus filhos acima de tudo, e que abram mão de suas próprias vidas por eles. você não acha interessante que muitas mulheres tenham usado os comentários (sob uma identidade irreconhecível) para dizer que que se arrependiam de serem mães?  eu não só acho interessante como triste, porque uma mulher não pode dizer isso que imediatamente é julgada. e acredito que se fosse mais fácil admitir isso sem olhares tortos, a relação delas próprias com a maternidade real poderia dar um passo qualitativo.

eu só me tornei mãe porque o componente filhos entrou na minha vida, mas eu não deixei as outras partes pelo caminho ao tornar-me mãe, eu apenas acrescentei mais uma. parece simples essa matemática, mas não foi e não tem sido simples. porém, acredito que falar sem dramas das dificuldades, e dos sentimentos menos nobres, torna o meu maternar mais consciente,  menos rígido, menos culposo, mais leve e mais amoroso. comigo mesma e com meus filhos.

ideal mesmo seria que todos os filhos fossem desejados e amados e respeitados e educados para um mundo tal e qual, nós adultos, desejamos pra nós no agora. e não apenas vistos como serezinhos hiperprotegidos, mimados, predadores do planeta terra, consumistas em potencial e herdeiros de um mundo fadado ao fracasso. talvez seja idealismo demais. talvez… mas se eu fosse escrever um livro eu teria mais de 40 razões para dar do porquê acreditar nesse ideal.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Do cotidiano, filosofia de boteco

Preciso me encontrar

Quando eu comecei a escrever nesse blog há quase cinco anos atrás, eu comecei por puro desespero. Meu filho contava com quase cinco meses, eu havia passado por um puerperio terrível e tinha uma depressão ainda não diagnosticada.

Se o blog me ajudou? Um pouco, sim. Conheci virtualmente pessoas sempre dispostas a dar conselhos amorosos, demonstrar solidariedade aos percalços da maternidade; a escrita, de certa forma, ajudou a colocar ordem nos pensamentos, a suprir a falta de mim mesma, a nomear sentimentos…

Hoje se fala abertamente por aí sobre maternidade e depressão, embora esse lado b da maternidade ainda seja visto com olhos tortos, julgamentos e preconceitos.

Com o passar dos meses e dos anos, acredito que ter um blog e fazer parte de uma comunidade virtual de mães, acabou sendo uma ajuda para lidar com as diferentes fases de crescimento do meu filho, uma ajuda para lidar com os desafios e as descobertas de cada fase.

O desespero inicial que foi o estopim para criar esse blog há muito se dissolveu, assim como muitas dúvidas e medos daqueles tempos. Eu mudei, claro. Não só pessoalmente, com amadurecimento e alguns cabelos brancos, mas também geograficamente. Muitas vezes. Meu filho cresceu, e embora a maternidade tenha o mesmo gosto da  descoberta todos os dias, aquele gostinho de ter meu filho em meus braços pela primeirissima vez, ela se tornou bem mais serena (ou teria eu me tornado mais serena?).

Tudo que escrevi aqui não é só para mim e para minha terapia pessoal, ou para quem lê o blog. É também sobre e para o meu filho. E agora eu tenho um filho falante, que me conta altas histórias e com quem eu protagonizo altas aventuras, mas que exatamente por falar, me pede para que suas narrativas e peripécias não sejam espalhadas. Acho justo. 

A blogosfera materna mudou. Admiro quem soube mudar junto com ela e ao mesmo tempo soube se recriar sem perder a ternura. Hoje há tantos blogs maternos que eu nem sabia que existiam, e tantos outros que eu nem saberei que existem, muito pelo fato de eu não estar mais na fase das noites insones, mamadas em livre demanda, saltos de desenvolvimento e cia. 

Muita gente ainda tem usado o Facebook como plataforma de compartilhamento e interação sobre maternidade e afins, mas a esse espaço eu já não pertenço e não pretendo pertencer.

E c’est la vie.

Aqui no blog tem memórias minhas por demais preciosas, coisas que escrevi não somente para não esquecer-me delas, mas também para me lembrar do quão especial a vida é, de que tudo se supera, de que eu mesma me superei, de que a vida é assim mesmo, feita de altos e baixos. E abandonar essas memórias seria abandonar uma parte importante de mim mesma.

Mas escrever só sobre maternidade já não me apetece, embora a maternidade seja a minha principal “ocupação ” no momento. 

Por ora, tenho que lidar com a imensa vontade de continuar a escrever, mas também de ressignificar aquilo que quero compartilhar. Não quero vir aqui e escrever bobagenzinhas que não fazem sentido nem a mim mesma só para ter um blog ativo. Mas também não quero desativar o blog de vez, e muito menos quero fazer drama.

O melhor que tenho a fazer agora é esperar e aproveitar a primavera, arejar os pensamentos, assistir ao sol nascer (coisa fácil de se fazer com filho madrugador), ver as as águas dos rios correr (com a devida licença poética), ouvir os pássaros cantar (porque moro perto de uma floresta, e mesmo que não morasse é primavera e eles estão à todo vapor), eu quero viver (obrigada Candeia por ter escrito essa maravilhosa canção)*.

E como já disse o Chico Buarque: …”correndo no escuro, pichado no muro, você vai saber de mim”…. 

Saberá porque voltarei, e voltarei porque quero tanto. Só resta-me saber quando, como e talvez onde.

P.S.: um abraço apertado a todos que passam por crise bloguisticas hoho

*Preciso me encontrar – Candeia

http://youtu.be/plOTKOJ32Os

 

Do cotidiano, naturebices, receitinha

sobre leite vegetal

eu sei que escrever sobre leite vegetal é como chover no molhado. e por isso mesmo, eu achei que nem valia a pena compartilhar uma coisa vergonhosamente simples. e já tão pública e notória.

mas apesar de simples, eu achava que fazer o próprio leite vegetal era coisa de
gente luz e flor demais. e sobretudo, eu achava que ia dar muito trabalho. e ai, que preguiça de mais trabalho!

muito desse pensamento vinha do fato de, na alemanha, eu encontrar leite vegetal facim facim. e orgânico e biodinâmico e sem conservantes, aromatizantes, açúcares e demais porcarias. era na embalagem tetra pak, mas eu achava que dos males o menor. além do que, eu achava que deveria dar um apoio para os fabricantes que apareciam em fotos sorridentes na caixinha, garantindo a procedência e a qualidade do produto.

ainda que o custo fosse relativamente alto, eu pagava com a consciência tranquila, e seguia feliz com meu leitinho prático e embalado.

aqui na inglaterra eu ainda não achei 100% meus esquemas de compra. sobretudo o circuito alternativo de compras. e foi ao comprar uma embalagem de leite de amêndoas, e me deparar com a realidade de que naquela caixinha vinha muito mais do que o leite propriamente dito, a saber: maltodextrina, óleo de girassol, sal, emulsificantes e conservantes, que eu decidi dar uma chance para o modo homemade de leite vegetal.

então se você, assim como eu achava que seria muito trabalho, eu te digo por experiência própria que não. e além de ficar uma delícia, não tem os veneninhos disfarçados adicionais. e não vai te custar mais do que vinte minutos.

a receita é mega simples: para cada xícara de amêndoas (ou qualquer outra castanha de sua preferência) você adiciona três xicaras de água. mas antes você precisa deixa-las de molho por 12 horas, preferencialmente.

depois é só escorrer a água do molho (e descarta-la), bater bem no lquificador, coar com um pano tipo voil ou pano de prato bem limpo, e voilà, tens teu leite.

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com o que sobra depois de coar, a gente coloca em cima das frutas no café da manhã, ou coloco na massa de bolos, muffins & Co. e dá também pra fazer queijo vegano, mas eu ainda não fiz.

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já percebeu que não é necessário ter diploma de naturebices, nem estágio em woodstock, nem coroa de flores na cabeça para fazer seu próprio leite vegetal, não é!

e se com este post eu consegui provar por a mais b que, de fato, fazer leite de amêndoas é coisa fácil, considero minha missão cumprida.

então, experimenta fazer, e depois volta pra me contar se a vontade não era mergulhar dentro da garrafa pra aproveitar cada gota, de tão gostoso que ficou.

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Do cotidiano, mambembe, mudança, mundo afora

2015, beijos não me liga!

Sabe, gratidão é um sentimento interessante. Ou você sente ou você não sente. Não dá pra ser meio grato na vida pelas coisas e pelas pessoas.

Tem gente que é grata sem fazer esforço.  Tem gente que aprende a ser grata. E de fato, acredito eu, gratidão é um exercício diário. Pelo menos pra mim, que não sou Mestre zazen nessa vida.

Ser grato quando tudo está top é  fácil,  diz muita gente. Quero ver agradecer quando a vida vai as merdas! Completam esses mesmos incrédulos.

Eu já discordo sabe, eu acho que gratidão vem muito de mãos dadas com a felicidade: independem das circunstâncias para ser e ter. É mais um estado de espírito, uma resolução interna, um postura de vida, enfim.

Eu desconfio seriamente de quem vive dizendo que ah! tudo bem, mas ser feliz em Paris (em Nova York, em Berlin…) É bem mais fácil.  Eu acho que felicidade e gratidão a gente carrega com a gente, independente do lugar.

OK, OK eu não quero ser simplista. Esse papo rende muitas horas e muitas cervejas pra gente chegar talvez a conclusão de que, a pessoa tendo o basicão das necessidades físicas supridas (casa, comida, emprego, roupa, amores, biritas ocasionais, amigos…) ela pode ser feliz e grata pela vida. Ela pode, mas depende dela querer.

Tem horas que a gente tem mesmo que pedir um tempo, reclamar (mesmo sabendo que não vai resolver, mas pelo menos vai aliviar um pouco), tem horas que a gente pede pra sair, tem horas que a gente sucumbe mesmo ao pessimismo, à desilusão.

Meu 2015 foi assim: cheio de altos e baixos. E apesar de racionalmente me manter na meta, não desistir  (nem dava), eu escolhi ser grata. Não aquela gratidão Luz e flor yoga suco verde do instagram ( embora não veja problemas nisso também ). Mas a minha particular e intransferível  gratidão: Pela minha vida, ora capenga, ora funcionando com eficiência. Pela minha vida como ela é, pelas pessoas que dela fazem parte, por aquelas que passaram para ensinar-me, pelo meu filho sempre tão disposto a recomeçar,  pelo meu marido sempre tão respeitador dos meus tempos.

Talvez gratidão seja uma, talvez gratidão sejam muitas coisas, eu sei que em 2015 eu escolhi ser grata, eu aprendi a ser grata.

Se valeu a pena?  Não  sei. Só  sei que eu passaria pelas mesmas coisas que passei, com ou sem ela. Mas a gratidão nestes casos, neste ano que passou me ajudou a aceitar com mais maturidade, sem grandes dramas tudo que despencou na minha cabeça.

Pensando bem, valeu sim.

Estamos no Brasil agora, celebrando com a família.  E embora eu tenha escolhido a gratidão como caminho, um caminho, eu só quero dizer neste último dia do ano de 2015, que sinto-me grata por esse ano estar no fim. Porque não sou tão evoluída assim, e não é porque eu entendi que precisava passar por tudo que passei, e passei agradecendo por ter forças e apoio, que eu vou dizer que foi um ano bom. Foi nada. Pelo menos no que diz respeito ao bom no sentido champanhe caviar Paris é uma festa uhul 2015 irado. Não,  Foi bom no sentido : tá ruim, mas tá  bom. Compreende?

Não faço promessas mirabolantes para 2016. Nem tenho grandes metas. Já me basta,  por ora, saber que será tudo novo: país novo, casa nova, nova língua, um novo dia a dia para descobrir e por fazer.

Entro com fé  (que essa não pode faltar e que não costuma falhar), com alegria e tá dá. .. com gratidão!

Desejo  à  você que lê essas linhas um feliz e maravilhoso 2016. E se você quiser, tente agradecer mais (lembrando que não somos partidários da gratidão Polyana).

Escrevi e não li, grata pela compreensão!

 

 

 

 

 

Alemanha, antes de ser mãe eu não sabia que..., Do cotidiano

o dia em que eu quase chorei

ou o dia em que eu quis um pósparto assim

eu não me envergonho nem um pouco em dizer que a minha decisão em ter um segundo filho foi adiada por motivo de: pós-parto tenebroso.

também não me envergonho em dizer que passei alguns anos (principalmente os dois primeiros anos) dizendo que nunca jamais nessa ou em qualquer outra vida eu teria um segundo filho. fato este até já narrado aqui : DAS CONVICÇÕES, O MEDO DO SEGUNDO, A STARBUCKS E O MUNDO DOS SONHOS

tampouco vou omitir que eu ficava muito pê da vida com qualquer pessoa que duvidasse da minha decisão de não ter mais filhos. ou com qualquer pessoa que risse dela.

tudo são águas passadas. a falsa convicção em não ter mais filhos. os dias sombrios do puerpério. graças a deus minha vida mudou, quem me viu quem me vê, a tristeza passou. citando camões: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança; todo o mundo é composto de mudanças, tomando sempre novas qualidades. amém mil vezes, camões!

mas antes de ontem, um amigo do tomás veio aqui casa brincar com meu filho. e a mãe dele também veio. e é muito legal ver os dois brincando, e mais legal ainda ficar conversando com gente grande. ainda mais com ela, que é uma pessoa super bacana.

nós estávamos falando sobre segundo filho, entre outras coisas. mas sobretudo sobre isto, de ter o segundo filho. no que a mulher me solta que depois que o filho dela nasceu ela se sentiu tão bem, tão forte, tão autosuficiente, que o marido até se ressentiu dela nunca precisar dele para nada!

como é que é??

e antes que eu achasse que as alemãs são seres geneticamente modificados, que dão à luz com rapidez e eficiência, que não padecem no vale de choro e de lágrimas do puerpério AND dão conta de dois, três filhos pequenos sozinhas, muitas vezes sem família por perto, e em todas as vezes sem faxineira, ela me disse que na verdade, ela era uma exceção. ufa, já me sinto melhor agora.

pois eu era o oposto da força. eu só fazia chorar e não entendia o porquê de tanto choro. eu precisei da ajuda do meu marido e do mundo inteiro. olha, eu precisei buscar forças e nem sabia de onde tirar. alguém tinha de ser responsabilizado por tudo aquilo. e quem eu responsabilizei? a dor do parto, é claro!

o parto foi ótimo, foi rápido para uma primípera, foi sucesso. amamentação idem. mas o puerpério, olha… difícil.

se me perguntassem há três anos atrás se, caso eu tivesse outro filho, eu teria um parto natural novamente, a resposta era um sonoro e redondo não.

hoje se me perguntarem: segundo filho? quero!! parto natural? com certeza, quero!!! puerpério estilo alemão? queeeeeeeeeeero!!!!!

não dá para assegurar essas coisas, afinal cada gravidez é uma, cada parto é um e cada filho é único. e hoje, eu só sou o que sou graças ao tomás, graças à todas as coisas que ele me trouxe e que com ele eu aprendi e tenho aprendido.

como diz a sabedoria popular, o segundo filho deveria vir antes do primeiro. mas não vem, e a gente aprende na marra mesmo. aprende inclusive, a passar pelas dores do parto e do puerpério. e aaaaaaah que clichê, sai mais forte delas. começo a suspeitar das verdades escondidas nos clichês….

mas olha, eu nunca desejei tanto na minha vida ser uma exceção como minha amiga alemã, e ter um puerpério excepcionalmente maravilhoso!

levando em conta que eu já tenho um filho pra criar, será que eu posso?

 

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mudei o layout do blog e vou continuar mudando sempre que me der na telha, ou até que esgotem as possibilidades do wordpress. ou seja, nunca. e se reclamar eu mudo de novo amanhã. e depois também 🙂

p.s.2 (tá na moda p.s, né?): na coluna blogs que sigo aparecem apenas os do wordpress. assim que eu conseguir adicionar azamigas do blogger vocês aparecerão aqui, viu migues!

 

 

 

Alemanha, Do cotidiano, Heidelberg, mambembe

Natalinas #1

Então chegou Dezembro, então chegou o frio (por essas bandas,eu digo), então é quase Natal, então…

Então que a preguiça por aqui anda grande. Lá fora a temperatura só faz descer, aqui dentro a vontade de jogar o despertador pela janela, e ficar na cama, embaixo das cobertas, só faz crescer.

Vontade de ficar no parquinho? Nenhuma, mas se não sai com moleque, moleque destrói a casa.

Mas falemos de coisas boas. Eu adoro Dezembro. Mesmo! Em Dezembro nasceu Tomás, em Dezembro tem Mercado de Natal, tem Glühwein, tem luzes, tem cidade enfeitada, tem cheiro de especiarias e confeitos no ar.

Eu não enfeitei minha casa, não. Ainda não. Já falei que vira o ano e a gente muda de casa? Então, estou falando agora. Preguiça!!!

Mas Tomás não perdoa minha preguiça, e nem deixa a gente desanimar. Neste fim de semana compraremos nossa àrvore de Natal.

Bem de leve, a casa vai ficando com cara de festividades.

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E como fica nesse frio a imensa votade de mastigar? Alface? Claro que não! Vontade de comer biscoito, chocolate, bolo, se joagr no vinho tinto e nas massas em geral todo dia… A ginástica manda lembranças, eu só mando beijo, me esqueça. Aguardemos a virada do Ano.

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Este ano decidi que faria um calendário do advento diferente. No ano passado deu um baita trampo, gastei uma grana, e o resultado foi um monte de bugiganga esquecida. Desta vez decidi comprar um pronto, com mini chocolates. Pelo menos os chocolates são meio amargos, orgânicos e com açúcar mascavo. Pouco prendada, muito preguiçosa. Eu sei. Mas o Tomás está feliz igual que nem no ano passado.

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E antes que me julguem mais pela minha preguiça, Dezembro é aniversário e Natal, ou seja, Tomás conta com presentes grandes. De maneira que pequenos chocolates estã de bom tamanho. Consumismo exagerado e acumulação de coisas desnecessárias procuramos fortemente não praticar.

No mais, o que mais pega para nós é a falta de sol e os dias cada vez mais curtos. Mas contamos com as luzes dos festejos natalinos para dar uma alegrada. E uma tapeada.

Volto com mais Natalinas.

Escrevi, não revisei. Perdoem os erros. Já falei que vou mudar de casa? Então…

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antes de ser mãe eu não sabia que..., Da poesia da vida, Do cotidiano

Das voltas que o mundo dá

Quando o Tomás tinha pouco mais de um aninho, eu encontrei um senhor um dia que me perguntou quando viria o segundo filho. Na época, eu respondi que o segundo filho nunca, jamais viria. Na época também, a maternidade era algo ainda novo para mim. A maternidade havia me atingido em cheio, feito raio certeiro em dia de temporal, e eu me sentia como aquela que havia sobrevivido e voltado para contar como eram as coisas lá do outro lado.

Eu também não sabia, mas o outro lado em questão começara no puérperio. E parecia que a vida real, aquela vida na qual eu me sabia tão eu, nunca recomeçava.

Na época, eu não conseguia nem separar muito bem, nem integrar muito bem, a Gabriela mãe e a Gabriela mulher. Na época eu me olhava no espelho e procurava desesperadamente por mim mesma. Na época, eu me perguntava constantemente quem sou? para onde vou? onde estou?. Naquele momento, ter outro filho significava para mim, me perder para sempre, nunca mais achar respostas para minhas perguntas, nunca mais me reconhecer no espelho.

Hoje eu sei que nao preciso separar nada. Hoje eu me sei inteira de novo. Hoje eu sei que a gente se separa, se parte pela metade, se despedaça, pra depois se juntar e seguir refeita. Até a próxima ruptura…

O começo da maternidade não é assim para toda mulher/mãe e também não precisa ser assim. Comigo foi, e tudo bem. Aceita que dói menos.

Mas voltando ao senhor do começo do texto… ao ouvir minha resposta, ele riu e disse que duvidava. Eu fiquei puta da vida, bem puta mesmo. Ele disse que duvidava, porque percebia que eu havia nascido para ser mãe. Eu continuei puta da vida, bem puta mesmo.

Até mesmo porquê, naquela altura da vida e da lida, onde eu estava me tornando mãe um pouquinho por dia, na raça mesmo; dizer que eu havia nascido para ser mãe me parecia falar sem conhecimento de causa. Como se estalássemos os dedos e ó… nasce uma mãe.

Eu podia ter desfiado um rosário naquele dia, ter falado quem era ele para ser invasivo daquele jeito, invasivo a ponto de opinar numa escolha tão minha, tão pessoal? Mas eu só fiquei danada de raiva e insisti que não teria outro filho.

Ele se despediu dizendo que filho era bênção. Deixa vir, disse ele ainda.

Na época, aquilo me incomodou demais da conta. E quando o incômodo é grande, o problema geralmente está na gente, e não no outro que falou o que falou.

Fui averiguar as razões do meu desconforto. Desconforto inversamente proporcional ao que o senhorzinho me disse.

Daí é aquela coisa, chora um dia, descobre um pouco noutro dias, nos outros dois ou três nem se fala mais nisso… Vai na terapia, chora na terapia, depois não quer voltar na terapeuta… E por fim, como em todo processo de autoconhecimento você desata aquele nó.

Sai aquele aperto do peito

A vida flui.

Mais leve.

Porque tudo nessa vida é uma questão de tempo.

E neste tempo, eu tenho dias de achar que eu nao dou conta de nada; Em outros pareço abraçar o mundo só com dois braços. Tem dias em que o amor não cabe no peito; em outros, ele parece faltar, nunca ser o suficiente. Tem dias em que acho que um filho só valem por dez; em outros sonho com um quintal cheio de filhos. Tenho dias de me achar uma super mãe; e tenho outros mãe de merda total, a rainha das “menas” mãe tudo. E a lista poderia seguir infinitamente, poruqe a vida é assim mesmo; cheia de dias bons e outros nem tanto.

Mas ultimamente, eu tenho tido dias de achar que seria muito legal o Tom ganhar um/a irmão/ã, e um/a irmão/ã ganhar o Tom. E tenho dias até, de achar aquele senhorzinho muito simpático.

Se a gente vai partir para essa aventura, de novo, é uma questão que levará o seu próprio tempo. Por ora, o que sei, é que tenho vivido dias de muito querer.

"Mama, ou você vem chutar bola comigo ou me dá um irmãozinho pra eu  poder brincar." Cataploft!
“Mama, ou você vem chutar bola comigo ou me dá um irmãozinho pra eu poder brincar.” Cataploft!
a vida é mais, Do cotidiano

Quem é vivo sempre aparece, ou não

Eu sou péssima para fazer social. Seja na vida real, seja na vida cibernética.

À primeira vista eu posso parecer tudo, menos legal, mas eu “agaranto“: eu sou do bem. Quem tem coragem e paciência para se aproximar, eu também posso garantir boas conversas.

Meu problema (um dos, né!) é que eu sou demais da conta na minha. De tão na minha descubro tudo por último, fico sabendo de tudo por último. Já nem me abalo mais.

Eu fico semanas sem mandar emails prazamiga tudo, semanas sem entrar no facebook, semanas sem entrar nos blogs que eu gosto… e daí é aquela coisa. Too much information de uma vez só.  Daí eu não dou conta de parabenizar todo mundo que fez aniversário ou que engravidou ou que já teve bebê ou de comentar nos blogs amigos ou ou ou ou…

Eu entendo a correria da vida dos outros, e acho que os outros também entendem a minha. Pois é, eu sou assim. Quem quiser gostar de mim eu sou assim 🙂

Acabei descobrindo que não tenho o menor perfil para redes sociais. Pra ser sincera, eu não tenho o menor perfil para ser um ente predominantemente social, eu acho. A única rede social que malemá tem dado certo na minha vida é o Instagram.

Por isso mesmo, não ache pessoal o fato de eu nunca responder mensagens no FB. 

Mas… a gente vive em society, né pessoal!

Então eu sigo quase sempre fazendo um mea culpa aqui outro ali, chegando atrasada mesmo, dando o ar da graça como e quando posso.

Porque no meio disso tudo tem a vida real aqui fora que puxa e exige e corre e acelera. E tem também as minhas questões pra dar conta. E no meio de tudo, o tudo parece muito, e às vezes é mesmo. E no meio de tudo eu pareço me perder, e às vezes me perco mesmo. Mas me encontro, pois é assim que a vida tem que ser. Perder-se para encontrar-se, e encontrar-se para perder-se quantas e tantas vezes for preciso.

No melhor estilo “tô me guardando pra quando o carnaval chegar” eu fico parada, calada, distante, no meu canto.

Mas ó,  eu garanto que eu sei sambar! Posso chegar por último, mas eu sempre chego! 

E quando chego respondo email, mensagem no face, e curto fotos no insta, comento nos blogs amigos e tudo o mais. 

Porque sigo vivinha da silva, e todo vivo tem lá seus altos e baixos.

Não é mesmo?