Alemanha, Do cotidiano, dormir pra quê?, Heidelberg, mãe zen, mães não são de ferro, sonhos, sono dói

Questão de ponto de vista

O João , meu marido, sempre tem umas estorinhas chinesas, persas ou indianas na manga, estorinhas essas cheias de sabedoria de vida. Então que ele uma vez me contou uma estorinha, que diz a lenda, passou-se na Índia. A estória é sobre um homem que foi procurar um guru muito respeitado na região , pois estava enjuriado pelo fato da sogra, do sogro e dos cunhados estarem morando com ele, e não darem provas que iriam embora. Justo ele que já tinha mulher e filhos (não me lembro mais quantos), todos numa casa muito pequena.

Daí que como todo guru, o guru da estória ouviu o homem muito pacientemente, respeitando todas as entonações e arroubos emocionais. No fim, ele aconselhou o pobre homem a levar uma vaca para dentro de casa. Uma vaca? perguntou o já f…. homem. Sim, uma vaca. Mas que parte o senhor não entendeu que eu não tenho espaco na minnha casa? O sábio, mais uma vez, nem se abalou, e entregou a vaca para o homem.

Bom, como sabemos, a vaca na Índia é um animal sagrado. Então o lascado homem levou a vaca para dentro de sua pequena e já povoada casa. E voltou depois de um mês para falar com o guru, uma vez que as consultas com o mesmo só aconteciam uma vez por mês. Emputecido da vida. Minha vida está um inferno! A minha casa fede, tem moscas e eu que já não tinha espaço! O guru mais uma vez ouviu o homem sem demosntrar nenhum sinal de espanto ou admiração . No fim, o homem pergunta o que ele o aconselha desta vez. O filho da puta do guru o aconselha a levar mais uma vaca. O pobre homem nem teve forças para questionar. E dessa vez saiu cabisbaixo e conformado. Com a segunda vaca.

No mês seguinte ele volta desesperado. O sábio disse então que ele poderia devolver uma vaca. E assim ele fez. Alguns dias depois de ter tirado uma das vacas, ele voltou para agradecer, e dizer ao guru que estava muito aliviado, que ter tirado uma vaca de casa foi a melhor coisa do mundo! Que a questão do espaço na casa tinha melhorado muito! Ele nem se lembrava mais da família folgada , e muito menos da outra vaca que ao que tudo indica, deve ter permanecido.

Eu já disse aqui mais de uma vez, que o Tomás não dorme. Faz treze meses, uma semana e cinco dias que eu não sei mais o que é dormir uma noite inteira. Quando Tomás dorme quatro horas seguidas, nós levantamos as mãos para o céu e juramos subir as escadas da Penha de joelhos. Durante o dia, também é uma dificuldade esse menino dormir. Há dias em que ele dorme minutos, mas pra ele parece ser horas, tamanha disposição com que acorda.

A gente reclama? Claro! Quem não quer dormir uma noite inteirinha depois que tem filho que atire a primeira pedra. E se você que me lê tem um filho que dorme a noite inteira desde que nasceu, nem se manifeste! Sou capaz de chorar litros. Acontece que o Tomás está resfriado. E tem duas noites que não sabemos mais o que é dormir uma hora seguida. Ele acorda, chorando, incomodado com o nariz entupido, chora porquê está com sono e não consegue dormir, e nós só não choramos junto porque temos que dar conta do recado.

E de dia não tem sido muito melhor. Ele fica grudado em mim, querendo colo, e só quer dormir grudado no meu cabelo. Enfim… Quando o João chega em casa, eu corro fazer o que ficou de afazeres domésticos para trás, enquando ele dá atenção para o Tomás. Ou seja, descansamos rachando lenha.

Eu só sei que antes do resfriado era paulera, mas a gente até que estava acostumado, sabe? E agora está tão, mas tão paulera que a gente sente saudade do que nem era assim uma brastemp. Eu só sei que eu quero apenas uma vaquinha fazendo cocô na minha sala! Onde eu devolvo a segunda vaca?

Imagem daqui.

desmame, Do cotidiano, dormir pra quê?

Mamou daquela vez como se fosse a última

Durante a gestação eu não me preocupei com o assunto amamentação. Eu tinha cá pra mim que tudo daria certo, que meu filho mamaria e eu teria leite. Ponto. Fácil e simples assim. Não li muito sobre o assunto, não conversei com o ginecologista nem com a minha doula sobre o amamentar. Eu tinha um contrato mental com meu bebê. Um contrato de que seriam seis meses de amamentação exclusiva e em livre demanda, e que eu o amamentaria até um ano.

Bom, tudo o que é idealizado nem sempre é realizado. Começou com o parto, que é uma outra (longa) história, continuando com a amamentação e com o ser mãe de um bebê de verdade.

O parto natural e humanizado, fez com que o colostro descesse e que o Tomás mamasse logo na sua primeira hora de vida. Ainda na sala de parto, e ainda cheia de sangue (que valha-me deus, como sai sangue!) o Tomás, todo quentinho, todo molinho foi colocado no meu peito. A Jamile me orientou, e assim Tomás mamou.

Depois no quarto, ainda no hospital foi aquela agonia. Desnecessária, diga-se de passagem. Mas, né? Era meu primeiro filho, era a primeira vez que eu fazia aquilo. Então, quando ele se decidia por mamar, eu deixava ele “pegar” o peito de qualquer jeito. Resultado óbvio: fissuras. Já em casa, mega nervosa e com o peito fissurado, empedrado e dolorido, voltou Jamile para me ajudar, me dar uma força e me acalmar. Sanados os primeiros problemas, plus uma mãe mais calma, Tomás esvaziava os peitos da mama aqui com desenvoltura. Nascera para isso, o rapaz.

Mas aí eu me deparei com uma outra questão. A da livre demanda. E nos três primeiros meses do Tomás eu só pensava: Que porra é essa de ter que dar de mamar de uma em uma hora? De ter que acordar de madrugada de duas em duas horas? De não ter mais tempo de tomar banho e lavar o cabelo, depilar meu subaco? De não poder mais comer com calma? De não poder mais fazer outra coisa da minha vida a não ser alimentar meu filho? É claro que foi um ajuste, um período. É claro que isso varia de bebê para bebê. É claro que isso varia de mãe para mãe. Amamentar é muito prazeroso, mas nesse primeiro momento eu só pensava em quão cansativo era tudo aquilo.

Mas daí você me pergunta: Mas você não deu chupeta pra ele? Só com quatro meses, quando teoricamente a “pega” já está estabelecida. Parte controversa da história: me arrependo de ter dado tão tarde. Isso não significa que estou fazendo apologia da chupeta. Se eu tiver outro bebê, talvez ele nem precise de chupeta. Mas o Tomás tinha uma necessidade de sucção tremenda, e eu virei chupeta dele por longos três meses. Tem gente que não liga pra isso, mas eu liguei.

Seguimos seis meses felizes,depois introduzimos os primeiros alimentos e…. chegamos aos nove meses com um bebê que ainda acordava de madrugada, de quatro a cinco vezes querendo mamar. Mas daí você me pergunta: Ao invés de dar o peito você experimentou dar chá ou água? Experimentei, e ele ficava muito bravo e nervoso. Além do que, ele não me chupetava de madrugada, ele mamava com fé e coragem. O que me leva a crer que ele tinha fome. Apesar de ser esse um péssimo momento para sentir fome. Mas aí você dava o peito, não experimentou deixar ele chorando pra ver se ele voltava a dormir? Primeiro deixa eu recobrar o fôlego, porque deixar o Tomás chorando no berço é piada. Ele não chora, ele se esgoela. Pronto, agora eu te respondo com outra pergunta: Você aguentaria um bebê ber-ran-do no seu ouvido de madrugada, estando você podre de sono e cansada? Imaginei que não.

Como eu não nasci para ser mártir, conversei com a pediatra e optei por introduzir a mamadeira de madrugada. As outras mamadas seguiriam normalmente. Eu não tinha a esperança de que o leite fosse milagroso, que fizesse meu filho dormir a noite inteira. Eu queria era passar a bola para o João, ele que acordasse para dar de mamar agora fazer uma experiência. Eu queria ver se ele pelo menos, acordaria menos.

Começamos então com 60ml do famigerado Nan para ver se ele não estranharia, não teria cólicas. Tomás secou a mamadeira. Depois secou 90 ml, secou 120 ml, secou 150 ml, secou 180 ml e quando muito inspirado seca 210 ml do leite industrializado. E de fato passou a acordar menos: duas vezes nas melhores noites! Nas piores de três a quatro. Daí vem você de novo e me diz: Nossa, quanta diferença! Oferecer mamadeira pro seu filho pra acordar uma vez a menos! Eu te falo que no decorrer dos dias, das semanas faz diferença. Está bem melhor assim. Mesmo não dormindo direto.

Mas aí que a mamadeira é a lei do mínimo esforço. E ele gostou disso. Toda vez que eu dava o peito era uma peleja, ele suava, ficava irritado, eu insistia, ele sugava, sugava e parecia não se satisfazer. Até que um dia, na mamada da tarde, logo depois de dar o peito, eu resolvi fazer uma mamadeira. E parece mentira, mas ele dava gritinhos ao ver a mamadeira. E mamou tudinho, não deixou uma gota sequer.

Porém, eu resolvi ignorar os sinais e insisti. Até que um dia ele começou a achar que meu sutiã era estilingue, que meu peito podia ser apertado, beliscado e mordido sem grandes pudores. E assim, com 10 meses e um dia, ele decretou que aquelas tetas de outrora já não eram mais seu passatempo preferido.

Se eu fiquei triste? Nao, não fiquei. E me angustiei por isso. Eu deveria ter ficado triste, não é normal eu não ficar triste com o fato do meu filho preferir mamadeira a mim. Eu não sou uma boa mãe, eu estou rejeitando meu filho e blá blá blá blá. Até que eu dei um basta, pois de culpa eu já estou até a tampa, mais uma pro saco, não.

Eu apressei o desmame? Pode ser. Eu desmamei meu filho? Pode ser, mas não foi traumático pra nenhum de nós dois. E isso pra mim é o mais importante. Se eu sinto saudades de amamentar? Claro! Apesar dos percalços e das dificuldades, foi muito gostoso. Mas eu cheguei no meu limite, e eu preferi que meu filho tivesse uma mãe feliz e menos cansada.

Como eu disse lá em cima, eu tinha um “contrato” mental com o Tomás. Todo contrato pode ser revogado, renovado, é verdade. Mas no nosso caso, acho que o contrato foi cumprido com grande sucesso. E agora seguiremos com outra fase.

Se o Tomás dormisse a noite inteira talvez eu não tivesse desmamado, chego a pensar algumas vezes. Mas daí não seria o Tomás, não seria minha vida. E projetar um bebê irreal não me leva a nada. Viva o Tomás do jeitinho que ele é! Viva a sua (e a minha) insônia! É com ele que eu tenho aprendido a ser mãe, e não com uma projeção irreal e idealizada, né?

Do cotidiano, dormir pra quê?, mães não são de ferro, tempo escasso

Cadê tempo?

Ao que tudo indica, o espírito da falta de tempo baixou sobre as mães blogueiras. Com esta mãe que agora vos escreve não está sendo diferente.

Por isso, este blog ainda tão jovem, fará uma pequena pausa para que esta mãe se restabeleça. Se restabeleça de um bebê engantinhante e tentando ser bípede, que precisa de supervisão constante, caso contrário muitos tombos seguidos de choro inconsolável virão, de um bebê mega irritadiço com dentes despontando, de um bebê que só quer colo, o MEU colo; para que eu possa me restabecer de um bebê que tem dormido pouco de noite e muito pouco de dia. Ou seja, me restabelecer de uma fase high demandante do Tomás.

Preciso de tempo para terminar de escrever meu relato de parto quase nove meses depois do mesmo, preciso de tempo para terminar de escrever meu relato de amamentação, preciso de tempo para alimentar este blog. Preciso de tempo para cuidar de uma anemia que insiste em não regredir, e para isso, preciso de mais tempo para cuidar da minha alimentação, que confesso, andei negligenciando. Preciso de tempo para fazer uma atividade física para descansar o corpo e a mente, preciso de mais tempo com o João.

Como se não bastasse, pintou um trabalho, e por mais que eu tenha decidido dedicar este ano para o Tomás, trabalho a gente não nega, né?!

Então colegas de batente e leitores queridos e fiéis (oi família!), meus posts serão mais esporádicos, assim como a troca cazamiga tudo. Mas prometo aparecer por aqui sempre que possível, e fazer visitas na casa docês, mas não prometo comentários. Porém, não percam as esperanças, e nem desistam de nós! Muitas ideias, muitas novidades para os próximos meses estão surgindo. Garanto que a espera valerá a pena!

Força na paçoca para todas nós!

E para as que já estavam com saudades, uma foto do meu mequetrefinho insone mega lindo.

Ei, mamãe! Fases piores e mais difíceis virão. Eu prometo!

Do cotidiano, dormir pra quê?, sono dói

Sonho de uma mãe insone

Depois de tomar um banho quentinho e demorado, eu deito às dez da noite, na minha cama igualmente quentinha, macia e com roupa de cama cheirosa. Durmo a noite inteira, ininterruptamente. Acordo às sete na manhã seguinte. Às sete? É, às sete. Olho no relógio, e me permito mais uma sonequinha. Até às nove. Ai que delícia! Levanto, tomo um banho bem gostoso, um café da manhã com calma, leio o jornal e começo a pensar no dia e nas coisas para fazer.

Hum, mas e o Tomás? Onde ele entra nesse sonho? Ah! esqueci de dizer que no meu sonho, ele dorme tudo isso junto comigo, acorda, mama, fica quietinho no berço enquanto eu tomo meu banho, e brincando feliz com seus brinquedinhos, enquanto eu tomo meu café. Só por um dia, vai! Não custa nada sonhar.

Pois é, o sonho dourado mega blaster plus advanced da minha vida hoje é esse. Eu sei que é um sonho ousado, mas a gente tem que sonhar alto. Eu até posso abdicar da parte da sonequinha até às nove, do banho com calma na manhã seguinte e do café com jornal. Mas vou continuar sonhando com uma noite ininterrupta de sono. Meu ideal de vida, melhor do que casa própria e férias na Disney, minha gente!

Eu e João já estávamos quase estourando o champanhe, comemorando a nova fase do Tomás. Fase na qual ele dormia entre oito e meia, nove horas, acordava duas vezes na madrugada para mamar, saía do peito capotado, e acordava entre sete, sete e meia da manhã.

A gente viajava, os dois, sentados no sofá, depois que ele dormia: Nossa nem acredito que ele está dormindo sem escândalos, acorda, mama e dorme!. Dizia um. Nem eu! Agora é disso para melhor! Ele vai passar a acordar uma única vez e depois… Medo, medo, muito medo de dizer. Depois ele não vai acordar mais! Ele vai dormir a noite inteira! E chorávamos de emoção. Mentira, mas a ideia de voltar a dormir a noite inteira causa uma certa comoção em nós. Entendam, é um assunto muito delicado nesta família.

Mas a verdade é que de uns dia pra cá, Tomás acorda por volta das duas da manhã, se recusa a mamar e claro, se recusa a dormir. Colocamos ele na cama, entre nós, e tentamos em vão convencê-lo a dormir conosco. Ele chora, fica nervoso, daí quer mamar, mama um monte, rola pra lá e pra cá, pra finalmente dormir. Com muita sorte o processo todo dura uns bons quarenta minutos.

No outro dia acorda às seis e meia como se nada tivesse acontecido, no maior pique Bom dia, comunidade!. Quer mamar e sair o mais rápido possível do quarto, para engatinhar pela casa afora.

Deus há de me recompensar com um filho rico, famoso e Nobel de matemática. Fala sério! Eu mereço sonhar alto assim, não mereço?

Do cotidiano, dormir pra quê?, gracinhas do tom, um bebê muda o que? tudo

Bebê bossa nova

É chegada a hora de corujar: Tomás é um bebê muito risonho (e inúmeros outros adjetivos). Mesmo!
Acorda às seis da matina e é só sorrisos (definitivamente não puxou para mãe), sorri enquanto mama e depois que mama, se abre todo ao menor sinal de gracinha, distribui sorrisos para desconhecidos, enfim, um bebê muito simpático (eu sou a mãe, sugiro que não me desaprovem).

Mas às vezes, no meio de uma deliciosa e aberta gargalhada, ele começa a chorar. Do nada, no melhor estilo de repente do riso fez-se o pranto*. É bem verdade que isso acontece quando alguém o belisca ele está com sono, morrendo de sono. E sono minha gente, é o inimigo número um do meu filho.

É só ele perceber que está se entregando ao sono que ele fica num ri e chora sem fim. E apesar de todos os conselhos de que o melhor seria colocar o Tomás no berço quando ele está com sono, ele só dorme no colo. E como na maternidade nem sempre o melhor é o real, seguimos eu e Tomás pela casa. Eu cantando e dançando pra ver se ele se dá por vencido, e finalmente se entrega ao sono, e ele, rindo e chorando durante o processo.

Abre parentêses. Eu preciso confessar que hoje, entendo perfeitamente como deve ser difícil a vida da Beyonce, que canta e dança ao mesmo tempo. Só que ela não carrega quase nove quilos nos braços enquanto canta e dança.  Fato esse que me deixa profundamente orgulhosa, e que faz com que eu me sinta mais poderosa que toda cantora-atriz-modelo-dançarina do universo, mesmo colocando os pulmões pra fora toda vez que faço meu filho dormir. A inveja da barriga dela é um detalhe. Fecha parênteses.

E lá se vai todo meu repertório, todas as dancinhas e jeitos diferentes de ninar um bebê resistente ao sono. E o Tomás me dando um baile, literalmente. Até que finalmente ele dorme, e eu morro.

Ô filhote, na dúvida entre rir e chorar, ria e durma de uma vez por todas! Afinal, é melhor ser alegre que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe*.

A benção Vinícius.

http://www.goear.com/listen/4dcf366/samba-da-bencao-bebel-gilberto

*Na ordem em que aparecem no texto: Soneto da separação (Vinícius de Moraes), e Samba da benção (Vinícius e Baden Powell)

dormir pra quê?

Sono, esse desconhecido

 Quando eu estava grávida, não tinha uma só pessoa que não dissesse: Gabi, você e o João são tão zen, certeza que esse bebê vai ser muito tranquilo!

Então que o tempo passou, e o bebê, no caso o Tomás, nasceu, e advinhem: ele não é zen! A verdade é que tivemos um filho ligado na tomada, e minha gente, isso não está sendo fácil (lembram da Kátia cega?) para um casal urso como nós!

Nós encerramos uma fase tenebrosa de não dormir nem de dia, e muito muito mal de noite (horror, horror, horror),e inauguramos,  há vinte dias, a fase de dormir mal. Quando dormimos quatro horas seguidas é luxo absoluto! Acreditem, é neurotizante.

Mas quando se está na merdósia e desatola um pouquinho, consegue-se ver o lado positivo da situação: graças à deus, que é pai num é padrasto, é só colocá-lo no berço depois de mamar de madrugada, e ele dorme. É verdade que ele não demora muito para acordar, mas eu não perco meu pique de sono. Porque, ó vida, ó céus, ó azar, nas madrugadas mais punks, depois de fazê-lo dormir  com muito custo, eu perdia o sono. Eu, podre de cansaço, ainda tinha o capricho de perder o sono.

Vai passar, eu sei. Mais do que saber, eu tenho FÉ que vai passar. Eu só espero, de coração, que não seja  só quando ele tiver dez anos de idade. Enquanto isso, vou aproveitando minhas quatro horinhas de sono, porque depois que eu virei mãe, qualquer tempo só pra mim, inclusive dormindo, é coisa rara.