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assim caminhamos nós

e por esta ilha fria e úmida os dias já cheiram outono. as folhas das árvores começam a mudar suas cores, o vento sopra mais gelado, e os dias cada vez mais curtos estão a nos dizer que mais um verão se passou.

o nosso verão foi muito bem aproveitado. nossos dias de sol e calor os tivemos na alemanha. revimos amigos, refizemos passeios, comemos e bebemos o que sentíamos vontade, consultamos nosso pediatra, tivemos a companhia da minha sogra, comemoramos conquistas e 14 anos de casados.

 abrimos champagne, não dormimos mais do que três horas contínuas, chorei de cansaço, sorri de amores, tomamos muito sorvete, nos abraçamos. foi um bom verão.

Violeta caminha para os seus cinco meses, Tomás caminha para o início de mais um ano letivo. caminhamos à procura de um novo lar. caminho eu para a minha primeira habilitação. aos 37 anos. sem nunca ter dirigido antes. nunca é tarde, disseram. nunca é. 

caminhamos entre noites de sono melhores e piores. mas sempre na fé de que virá a ser melhor. embora saiba que a melhora independe da fé, pois um dia Violeta há de dormir noites inteiras, fato. mas como disseram, a fé não costuma falhar. nem a fé e nem o café de todas as manhãs que me ajuda a segurar o rojão.

gostaria de passar mais por aqui, escrever mais. contudo, nos meus intervalos de amamentação, troca de fraldas, e tudo mais, eu tenho que ser também a mãe do Tomás, a dona de casa, a cozinheira…  não reclamo, só me ressinto de um dia ter apenas 24 horas. embora talvez, dias mais longos não tornariam minhas noites menos curtas.

é uma fase, eu sei. tudo passa, disseram. e eu não duvido. 

do nosso verão
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Alemanha, Do cotidiano, Heidelberg, mambembe

Natalinas #1

Então chegou Dezembro, então chegou o frio (por essas bandas,eu digo), então é quase Natal, então…

Então que a preguiça por aqui anda grande. Lá fora a temperatura só faz descer, aqui dentro a vontade de jogar o despertador pela janela, e ficar na cama, embaixo das cobertas, só faz crescer.

Vontade de ficar no parquinho? Nenhuma, mas se não sai com moleque, moleque destrói a casa.

Mas falemos de coisas boas. Eu adoro Dezembro. Mesmo! Em Dezembro nasceu Tomás, em Dezembro tem Mercado de Natal, tem Glühwein, tem luzes, tem cidade enfeitada, tem cheiro de especiarias e confeitos no ar.

Eu não enfeitei minha casa, não. Ainda não. Já falei que vira o ano e a gente muda de casa? Então, estou falando agora. Preguiça!!!

Mas Tomás não perdoa minha preguiça, e nem deixa a gente desanimar. Neste fim de semana compraremos nossa àrvore de Natal.

Bem de leve, a casa vai ficando com cara de festividades.

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E como fica nesse frio a imensa votade de mastigar? Alface? Claro que não! Vontade de comer biscoito, chocolate, bolo, se joagr no vinho tinto e nas massas em geral todo dia… A ginástica manda lembranças, eu só mando beijo, me esqueça. Aguardemos a virada do Ano.

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Este ano decidi que faria um calendário do advento diferente. No ano passado deu um baita trampo, gastei uma grana, e o resultado foi um monte de bugiganga esquecida. Desta vez decidi comprar um pronto, com mini chocolates. Pelo menos os chocolates são meio amargos, orgânicos e com açúcar mascavo. Pouco prendada, muito preguiçosa. Eu sei. Mas o Tomás está feliz igual que nem no ano passado.

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E antes que me julguem mais pela minha preguiça, Dezembro é aniversário e Natal, ou seja, Tomás conta com presentes grandes. De maneira que pequenos chocolates estã de bom tamanho. Consumismo exagerado e acumulação de coisas desnecessárias procuramos fortemente não praticar.

No mais, o que mais pega para nós é a falta de sol e os dias cada vez mais curtos. Mas contamos com as luzes dos festejos natalinos para dar uma alegrada. E uma tapeada.

Volto com mais Natalinas.

Escrevi, não revisei. Perdoem os erros. Já falei que vou mudar de casa? Então…

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Pensamentos aleatóreos sobre o Tomás no Kindergarten

Antes, muito antes de saber que eu tinha um Tomás na barriga, eu e João já havíamos nos decidido por um Kindergarten Waldorf. No matter where. No Brasil, na Alemanha, na Conchinchina, onde Judas perdeu as botas… tendo um pelas bandas, lá então seria.

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Eu já contei aqui e aqui da nossa frustrada tentativa na creche Waldorf. Demos uma pausa, mas continuamos inscritos para o Kindergarten, na mesma escola. No fundo, eu sabia, a despeito da minha prévia decisão, que lá era o melhor lugar para ele. É claro que, por muitas vezes, eu me perguntava será mesmo? Quem quer tanto que seja lá: você e João, Tomás ou o destino? (sim, eu acredito em destino, não da forma banal e cafona como é pregada por aí). Eu acredito em encontros, eu acredito nas pessoas certas no momento certo. Muito luz e flor? Pode ser. Mas eu sou uma mãe Waldorf, então…

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Quando fomos conversar com o professor do Tomás (sim, o Tom tem professor) ele, do alto da sua experiência,  nos aconselhou  que seria melhor um de nós ficarmos com o Tomás durante o tempo que ele precisasse. Normalmente, a fase de adaptação no Kindergarten não é assim. Mas eles (professor, escola, outros pais) foram e são muito sensíveis em relação a situação do Tomás. O fato de morarmos há um ano na Alemanha, o fato do Tomás não falar alemão, o fato de nunca ter ficado com outra pessoas a não ser comigo e com o pai… Sinceramente? Não acho que encontraria tanta compreensão, tanta sensibilidade e tanto respeito ao tempo do meu filho em outro lugar. Apenas acho, sem grandes confirmações.

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É claro que o um de nós no caso sou eu. Quem traz o pão para casa é o João, logo… E neste tempo que tenho ficado com meu filho, e tenho conhecido as outras crianças, e tenho cruzado com outros pais, e tenho visto com meus olhos tudo o que é feito lá, e tenho visto com meu coração como tudo é feito, tenho ficado cada vez mais segura de cortar nosso cordão umbilical e deixar meu filho passar para outra etapa de sua vidinha. A estruturação do dia, as músicas, os rituais, os brinquedos e o brincar… tudo me cala fundo. É como se eu encontrasse ressonância com aquilo que acredito.

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Sabe, por muitas vezes eu cheguei a pensar que se eu tivesse tido no ano passado essa segurança interna que agora tenho, teria dado certo já no ano passado. Mas eu não tinha. O que eu tinha era um contrato interno comigo mesma de que ficaria os três primeiros anos com meu filho. Contratos internos são mais difíceis de quebrar. E agora, coincidência ou não, eu sinto que eu e Tomás estamos prontos para uma outra fase. Complicado, né?

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Eu já não estava mais dando conta de suprir as necessidades do meu filho. Ele precisa agora também de limites externos, contato com o outro, aprender o alemão… coisas que sozinha eu já não podia dar. E tudo bem; cada fase com suas necessidades, cada fase com sua doação. Minha terapeuta já disse: apenas viva essa fase! E assim estou. Vivendo.

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Por falar em outra fase… Tomás dá passos rumo ao aprendizado de uma nova língua, à aquisição de novas competências sociais, ao conhecimento de novas pessoas de referência… e tem dado provas que vai ser mais rápido do que todos imaginávamos. Enquanto ele sua a camisetinha para conquistar um novo lugar ao sol, eu em breve, vou suar a camisa, e deixar de ser mãe em tempo integral em casa, para ser mãe em tempo integral com vaga na universidade e com trabalho em vista. E eu me sinto como uma menininha de seis anos que vai no começo do ano comprar o caderno novo para escola!

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E eu estou lá no Kindergarten, mas não estou de espectadora não! Eu tenho colocado a mão na massa. Eu tenho limpado, cozinhado, trocado criança, costurado, capinado… O Tomás vê que a mãe está lá, mas ele tem que se virar. No começo meu coração se contorcia de dó por vê-lo ali como o diferente, o que não sabe como as coisas funcionam, o que não fala a língua… Mas eu não posso privá-lo de passar pelas próprias experiências de vida, de se virar sozinho. Afinal, não é sempre que mamãe estará lá para ele.

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E que fique claro que tudo que digo aqui é apenas minha experiência pessoal, longe de qualquer julgamento alheio. Até mesmo porquê, circunstâncias de vida são pessoais e intransferíveis.

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Mas de todas as minhas atividades lá, a que eu mais tenho gostado é a de cozinhar. Tudo o que eles comem é feito lá mesmo pela assistente. Três vezes na semana tem pão integral, cada um de um tipo. Nos outros dois, um mingau de arroz ou de painço. Tudo é integral e nada é adoçado com açúcar (refinado, mascavo nem demerara). Tenho aprendido receitas maravilhosas e bem mais saudáveis. Como o bolo de aniversário feito com farinha integral, leite de arroz e adoçado com xarope de agave.

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Aliás, este post era apenas para passar a receita do bolo, mas eu acabei costurando um pensamento aqui e ali, e quando vi…. 

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No calor da hora eu peguei a receita e fiz em casa. Me esquecendo que a receita serve vinte crianças e mais três adultos. Temos bolo para semanas agora. Quem quiser comer bolo com chá, pode se achegar. Mas você tem que trazer a(s) cria(s) e jurar que não vai me chamar de louca, que essa prolixidade toda de pensamento é coisa de toda mãe. Jura mesmo?

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A receita eu passo outro dia.

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Uma foto por semana – semana #2

Tomás e a febre

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Tudo começou com o Martin e seu atchim sem fim

Passou para o Louis que nada fazia, além de assoar o nariz

A pobre da Flora, xiii! Pegou catapora

E na outra semana?

Sobrou para o Tomás: de molho, na cama!

Febre, lágrimas, dorzinha aqui e ali

Mas nada deixou o menino mais feliz

Do que ficar de novo só com a mama!

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Uma pequena reflexão sobre o fim do inverno

O inverno aqui onde moro foi bem ameno. Não teve neve.  Não teve sequer aquele frio de tiritar. OK, um ou outro dia, mas nada que tenha dado a tônica para esse último inverno. E ninguém gosta de inverno ameno; o desejo é por neve, muita neve. O que, convenhamos, torna a estação mais bonita mesmo.

Mesmo a gente esquecendo o saco que é acordar cedo pra tirar neve da calçada,  mesmo a gente esquecendo como é andar empurrando carrinho de bebê com neve, mesmo a gente esquecendo da merda que é o cotidiano e todas as implicações que da vida com neve derivam, mesmo e ainda assim, a gente quer um inverno branquinho de neve.

Não importando se o mesmo foi severo ou ameno, no começo de Março estamos todos de saco bem do cheio cansados do inverno. E o que queremos? Primavera, pois bem!

E aí num dia de sol, ao olhar pela minha janela e avistar ciclistas com suas saias vaporosas, alemães com casacos abertos, e alemãezinhos sem gorros e sem saquinhos nos carrinhos, acreditei que Primavera já era. E perceba que meia dúzia de pessoas num espaço de tempo de três minutos, não pode ser considerada uma amostragem real e séria da vida. Mas enfim, a pessoa acredita no que ela quer acreditar.

o sol que engana os incautos

Até me esqueci da previsão do tempo, nem chequei o app de temperatura do celular, tamanha minha felicidade. Por via das dúvidas fui conferir a temperatura no termômetro que fica no quarto, e ao me deparar com os 25 graus apontados, nem me passou pela cabeça que aquela era uma temperatura fictícia, uma vez que naquela hora, o sol batia de cheio no sensor do termômetro.

Saí de casa toda serelepe e com roupas esvoaçantes, alegre como o dia, com o sol, quase que oferecendo beijos de amor como cantou o poeta.  A verdade é que ao dobrar a esquina eu já havia me arrependido do meu otimismo, e sobretudo do meu amadorismo. Ao dobrar a esquina, também me deparei com a camada da população mais agasalhada da cidade, com casacos grossos, gorros, cachecóis e luvas.

Eu bem que podia ser como as alemãs geradas, nascidas e criadas em terras tão geladas, que em cujos DNAs carregam gerações e gerações de sobreviventes das maiores friacas conhecidas e até desconhecidas que o mundo já passou.  Eu bem que podia ser como as alemãs geradas, nascidas e criadas em terras tão geladas, que não ligam a mínima se o inverno acabou ou não, querendo mais é usar os modelitos da próxima estação.  Elas sim, podem bancar saia, meia-calça e sapatilhas em módicos cinco graus.

Ao me afastar um quarteirão de casa, decidi que era hora de acabar com aquela palhaçada, que era hora de dar fim às cãibras nos pés, que era hora de aquecer as ancas e a garganta. Meu sonho naquele momento era um chá pelando de quente e me agasalhar até os dentes.

Na volta pra casa ainda encontro um grupo de mulheres indianas que me olhavam surpresas por me verem em trajes tão primaveris, a despeito da  real temperatura.  Decerto acharam que eu era uma dessas raparigas geradas, nascidas e criadas em terras tão geladas.

Mas eu não sou. Sou apenas uma sul-americana ansiando pela Primavera. Ponto.

tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais

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Algumas coisas que eu sinto falta morando fora

1. Padaria

A padaria alemã é de tirar o chapéu. Os pães daqui são deliciosos, e saudáveis, e (podem ser) orgânicos, e são integrais de verdade… Coisa de louco entrar em qualquer padaria por essas bandas de cá.

Mas…

Mas elas não têm balcão onde se possa sentar e pedir um pãozinho pra comer na hora. Não do jeito que concebemos no Brasil. Eu sinto falta mesmo é do balcão de padaria. Oi? Pois é, sabe aquele balcão que você chega e solta Oi campeão, me vê um pão na chapa e um café com leite. Café de coador, por favor!. Sabe aquele balcão pra onde a gente se dirige e já conhece o chapeiro, aquele balcão que a gente toma o café da manhã com pressa antes de ir pra aula ou pro trabalho, ou vai no meio da tarde quando bate uma fome de coisa simples, de… coisa de padaria?

E daí chega aquele pão francês quentinho, num prato duralex junto com famoso pingado? Nossa, salivei agora! Pois é exatamente disso que eu sinto saudade.

Por aqui existem os Cafés, eu sei,  mas não são a mesma coisa. Nos Cafés tem os capuccinos deliciosamente cremosos, ou os latte machiatos, ou os cafès cremes da vida, todos servidos em xícaras belíssimas e chiquérrimas, eu sei. Eu sei também que não há nada mais glamouroso do que sentar num Café, ler um livro e se entregar ao dolce far niente. 

Mas…

… desde quando mãe se entrega ao dolce far niente, né minha gente? Qualquer visita a um Café que não seja para mães com crianças pequenas, é no mínimo, o oposto do luxo. Ainda mais com um filhote desfraldado que faz questão de fazer o número um E o número dois em todos os banheiros diferentes por onde passa. Fala pra mim se tem algum glamour limpar bunda de moleque fora de casa?

Enfim, saudades dos balcões de padaria!

2. Cabeleireiro & Co por preços camaradas 

Well, reclamação quase unânime da mulherada brasileira que não pode se acabar num salão de cabeleireiro por aqui.  Fato é que não dá pra mudar (e manter) drasticamente o corte de cabelo, ou ir a cada três, quatro meses  só pra cortar as pontinhas.  Desculpa aí, as rycas e phynas que podem! Que o luxo, o glamour e o poder permaneçam com vocês.

Nestas idas e vindas, e somando todo o tempo que já morei fora, eu nunca aprendi direito a fazer as coisas by myself . Eu me viro muito bem na cozinha, eu me viro bem na faxina e arrumação da casa e em outras cositas mas, mas eu confesso que nos cuidados pessoais eu sou um zero à esquerda.

Não sirvo pra manicure de mim mesma, e muito menos pra pagar quinze contos de euro pra moça nem mandar um oi pra minha cutícula. Fico com as mãos por fazer mesmo.

E depilação então? Depilação não é tão fácil de achar por aqui, e quando acho também não dá pra se depilar de cima a baixo todo santo mês. Sendo eu detentora de pelos nos lugares mais improváveis e menos convenientes, eu sinto falta pra caramba da Bra, a minha depiladora querida.

Acaba sendo na base da gilette mesmo, apesar de não gostar do resultado. Mas uma vez que já fui capaz de me auto flagelar com bolhas e hematomas decidi não mais me arriscar.

Eu acho super digna e valiosa toda essa discussão a respeito da depilação feminina, mas eu merrrma não banco pernas, axilas e virilhas cabeludas. Digo e repito: EU não banco. É o tipo de coisa tão enraizada na minha cabeça, que só tirando pela raiz mesmo. De preferência com cera quente.

3. Não ser escrava do secador de cabelos

Ô saudade de lavar os cabelos e sair de casa com as madeixas molhadas mesmo. Deixar secar ao tempo, no sol, no vento!

Pois se eu sair com os cabelos molhados aqui, certeza que a vida me dá de presente uma gripe e/ou uma sinusite crônica, pra dizer o mínimo.

Eu acho muito chato secar o cabelo, tenho preguiça mortal. De maneira que não o lavo todos os dias. Pode me julgar, não ligo. Sou adepta do shampoo a seco e sigo feliz assim.

E também né, a gente lava e seca os cabelos, põe toca, quando não põe toma chuva… No fim do dia sua voz continua a mesma, mas o seus cabelos… Ai, preguiça mesmo!

Em tempo: eu não lavo os cabelos todos os dias para não ter que seca-los todos os dias. Mas banho eu continuo tomando t-o-d-o-s os dias!

Outra coisa que eu sinto falta, mas pode entrar nessa mesma categoria, é de não ser escrava do hidratante. No Brasil eu passava hidrante para ficar cheirosa, ou nos meses mais frios quando a pele, de leve, dava uma ressecada.

Se eu saio do banho e não passo hidratante é uma coceira sem fim. Sem contar que a pele mais parece um craquelé. Preguiça também!

minha pele sem hidratante/ imagem: de.wikipedia.org

4. Falar português

Meu marido não é gringo, de modos que a gente conversa a beça em bom português. O pequeno, por enquanto, só quer falar português conosco (e ele fala, viu! como fala esse pequeno).

Mas sabe, tem horas que cansa um bocado se expressar numa língua que não é sua. Tem horas que eu quero ligar o piloto automático e não me preocupar com nada. Nem com pronúncia, nem com declinação, nem com vocabulário.

Eu sei, eu sei, em Roma, como os romanos, mas tem dias que cansa mais do que em outros. Tem dias que eu queria estar numa roda e só jogar papo fora.

Na mesma categoria entra ler jornal em português.

5. Não pensar na vida com tanta antecedência

Eu juro que não sei como os alemães conseguem se planejar com tanta antecedência. Eu sofro um tantico pra entrar no esquema deles.

Se eu vou estar livre no dia 18 de Outubro às 20 horas? Cara, eu espero estar viva! Muita água vai passar por debaixo da ponte! Não posso te responder agora! Minha vontade é responder assim, mas em vez disso a gente abre a agenda e vê se o raio do dia, naquela hora não tem nada marcado. Vai que tem, né?

Isso pra mim, que tenho como lema não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar, é difícil, viu! Se eu falar que é fácil eu estou mentindo.

Mas de novo: em Roma, como os romanos. E bora andar com agenda pra cima e pra baixo. E um dia, quando menos se espera, você já está como eles. E se alguém cancela alguma coisa com você( tipo com cinco horas de antecedência) você fica puta da vida!

Tenso!

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São apenas algumas coisas, a lista pode ser bem maior, dependendo do dia e da hora. Tudo isso varia de pessoa pra pessoa, de lugar pra lugar também. Mas o certo é que não há ganhos sem perdas. E se a vida fosse só ganhos, não passaria de uma imensa perda, como bem já disse um grande amigo (que é outra coisa que eu sinto falta pra caralho, dos amigos) que é também poeta.

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Pessoal, eu me abalei demais com um anônimo desaforado que passou por aqui. Ainda não aprendi a lidar com esse tipo de coisa. Não precisava de tanto, muito menos de post mal escrito e mal educado. Para os que me leem, peço que relevem. 

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Casa limpa e arrumada

Eu sempre tive faxineira no Brasil. Desde a primeira vez, quando eu e João decidimos juntar os trapinhos e reuni-los sob um mesmo teto. Fato esse que gerou muita comoção familiar, uma vez que fomos morar juntos sem nos casar. Eu na graduação, ele no doutorado. Mas nem é sobre isso que vim aqui falar, nem que a casa era uma gracinha com rede na varanda, com hortinha e com pé de acerola no quintal. Não, não. Eu vim dizer que mesmo na simplicidade, numa casa pequena e aconchegante, quase sem mobília, mas cheia de amor e vontade de amar; mesmo nessa casa modesta, a gente tinha uma faxineira.

O que o dinheiro de duas bolsas podia pagar, era a dona Ana de quinze em quinze dias. E a sua visita era esperada com ansiedade e louça fazendo aniversário na pia. Nunca fui boa em mandar. Eu dizia o que queria, ela fazia (às vezes bem, às vezes nem tanto), mas quem se importava com isso naquela época? Eu que não. João muito menos. A gente ficava muito feliz de ter a louça e o banheiro lavados, chão varrido, pó espanado e roupa passada. Afinal, a gente queria morar junto, mas cuidar da casa juntos, bem…

Então a vida nos trouxe para a Alemanha, e na Alemanha não tinha essa de dona Ana não. Mas quem ligava? Eu que não. João muito menos. A gente queria mais era se jogar nos prazeres etílicos (e esses não faltaram), morrer de dormir no dia seguinte, curtir um pileque, colocar mochila nas costas e correr Europa afora. Casa era lugar de passagem, embora fôssemos e ainda somos, muito caseiros. Quando a coisa ficava preta, encardida mesmo, quando não havia um copo, um talher ou um prato limpo, e/ou quando íamos receber visita, a gente dava um trato geral. E pra nós estava ótimo desse jeito, nesse esquema meio assim… república.

Depois de um tempo, queríamos mais era aquietar o corpo e o coração. Ter um teto mais definitivo. E voltamos ao Brasil. A casa já era vista com mais carinho, quase um ninho. Mais mobília, mais livros, mais fotos, mais lembranças…. As visitas da faxineira se tornaram mais frequentes, e a casa, puxa! A casa era um brinco! Embora minha, nossa participação no processo fosse mínima.

Daí, minha gente, que com ninho feito chegou filhote. Filhote chega, e acontece o que? A vida muda,e o ninho vira de cabeça pra baixo! Quando Tomás era bebê, tínhamos faxineira três vezes por semana! E mesmo que adorasse com todas as minhas forças ter a cozinha, os banheiros e todo o resto da casa cheiroso e arrumado, me irritava imensamente ter uma pessoa “estranha” dentro de casa dia sim dia não.

Resumindo bem essa parte, e poupando os leitores e leitoras de todos os detalhes sórdidos, no fim das contas contávamos com a faxineira duas vezes na semana.

Mas a vida nos trouxe de volta para a Alemanha, e eu sabia que a gente teria que se virar com casa, roupa, comida e filho pequeno. Tudo junto ao mesmo tempo agora e todos os dias. Paniquei, claro! Afinal, com filho não dá pra viver no caos. Mas a gente respira fundo, conta até dez e acredita! acredita na gente mesmo, na ajuda do marido, e na gente mesmo de novo.

E eu só sei que tenho aprendido muito nesse tempo cuidando da casa sozinha. Deixei de lado meu perfeccionismo, aquele lado besta de que só limparia a casa se fosse pra fazer tudo de cabo a rabo, jogando água e desinfetante feito maluca. Aprendi que existem outras formas de limpar e cuidar, aprendi que é melhor fazer um pouquinho por dia, do que acumular e deixar pra fazer tudo num só dia. Aprendi que manter é regra de ouro. Aprendi a amar minha lava-louças incondicionalmente, aprendi que lenços umedecidos de limpeza não é coisa de preguiçoso, aprendi que cuidar da casa pode e deve ser prazeroso, aprendi a relativizar a bagunça, aprendi que ninguém morre por não ter faxineira.

Na minha casa as panelas não refletem a nossa imagem, os vidros das janelas não são quase invisíveis de tão limpos, e os azulejos do banheiro não resplandecem limpeza. Mas quem liga? Eu que não. João muito menos. Porém, tem sempre roupa limpa nas gavetas, a louça não faz aniversário na pia, os ácaros não fazem festas psicodélicas e temos um lar mais do que decente, mais do que aconchegante. Temos sim, uma casa limpa e arrumada. Ainda que as fronteiras para a defiiniçao de arrumada tenham sido bastante alargadas.

Não vou mentir. Vez ou outra eu sinto saudades da dona Ana, e de todas as outras donas que passaram por nossas casas e por nossas vidas. Mas eu sinto saudades mesmo da minha rede na varanda, da nossa horta, do nosso pé de acerola carregado de frutinhos. Afinal de contas, uma casa, mais do que limpa e arrumada, uma casa puxa! É feita das memórias e das gentes que passam por ela.

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