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assim caminhamos nós

e por esta ilha fria e úmida os dias já cheiram outono. as folhas das árvores começam a mudar suas cores, o vento sopra mais gelado, e os dias cada vez mais curtos estão a nos dizer que mais um verão se passou.

o nosso verão foi muito bem aproveitado. nossos dias de sol e calor os tivemos na alemanha. revimos amigos, refizemos passeios, comemos e bebemos o que sentíamos vontade, consultamos nosso pediatra, tivemos a companhia da minha sogra, comemoramos conquistas e 14 anos de casados.

 abrimos champagne, não dormimos mais do que três horas contínuas, chorei de cansaço, sorri de amores, tomamos muito sorvete, nos abraçamos. foi um bom verão.

Violeta caminha para os seus cinco meses, Tomás caminha para o início de mais um ano letivo. caminhamos à procura de um novo lar. caminho eu para a minha primeira habilitação. aos 37 anos. sem nunca ter dirigido antes. nunca é tarde, disseram. nunca é. 

caminhamos entre noites de sono melhores e piores. mas sempre na fé de que virá a ser melhor. embora saiba que a melhora independe da fé, pois um dia Violeta há de dormir noites inteiras, fato. mas como disseram, a fé não costuma falhar. nem a fé e nem o café de todas as manhãs que me ajuda a segurar o rojão.

gostaria de passar mais por aqui, escrever mais. contudo, nos meus intervalos de amamentação, troca de fraldas, e tudo mais, eu tenho que ser também a mãe do Tomás, a dona de casa, a cozinheira…  não reclamo, só me ressinto de um dia ter apenas 24 horas. embora talvez, dias mais longos não tornariam minhas noites menos curtas.

é uma fase, eu sei. tudo passa, disseram. e eu não duvido. 

do nosso verão
Alemanha, Do cotidiano, Heidelberg, mambembe

Natalinas #1

Então chegou Dezembro, então chegou o frio (por essas bandas,eu digo), então é quase Natal, então…

Então que a preguiça por aqui anda grande. Lá fora a temperatura só faz descer, aqui dentro a vontade de jogar o despertador pela janela, e ficar na cama, embaixo das cobertas, só faz crescer.

Vontade de ficar no parquinho? Nenhuma, mas se não sai com moleque, moleque destrói a casa.

Mas falemos de coisas boas. Eu adoro Dezembro. Mesmo! Em Dezembro nasceu Tomás, em Dezembro tem Mercado de Natal, tem Glühwein, tem luzes, tem cidade enfeitada, tem cheiro de especiarias e confeitos no ar.

Eu não enfeitei minha casa, não. Ainda não. Já falei que vira o ano e a gente muda de casa? Então, estou falando agora. Preguiça!!!

Mas Tomás não perdoa minha preguiça, e nem deixa a gente desanimar. Neste fim de semana compraremos nossa àrvore de Natal.

Bem de leve, a casa vai ficando com cara de festividades.

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E como fica nesse frio a imensa votade de mastigar? Alface? Claro que não! Vontade de comer biscoito, chocolate, bolo, se joagr no vinho tinto e nas massas em geral todo dia… A ginástica manda lembranças, eu só mando beijo, me esqueça. Aguardemos a virada do Ano.

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Este ano decidi que faria um calendário do advento diferente. No ano passado deu um baita trampo, gastei uma grana, e o resultado foi um monte de bugiganga esquecida. Desta vez decidi comprar um pronto, com mini chocolates. Pelo menos os chocolates são meio amargos, orgânicos e com açúcar mascavo. Pouco prendada, muito preguiçosa. Eu sei. Mas o Tomás está feliz igual que nem no ano passado.

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E antes que me julguem mais pela minha preguiça, Dezembro é aniversário e Natal, ou seja, Tomás conta com presentes grandes. De maneira que pequenos chocolates estã de bom tamanho. Consumismo exagerado e acumulação de coisas desnecessárias procuramos fortemente não praticar.

No mais, o que mais pega para nós é a falta de sol e os dias cada vez mais curtos. Mas contamos com as luzes dos festejos natalinos para dar uma alegrada. E uma tapeada.

Volto com mais Natalinas.

Escrevi, não revisei. Perdoem os erros. Já falei que vou mudar de casa? Então…

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Da poesia da vida, Do cotidiano, gracinhas do tom, Heidelberg, one photo per week, Tomás

Uma foto por semana – semana#5

Tomás lidando com a frustração de receber um não

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Uma foto por semana – semana #4

Tomás e a roupa suja

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Pensamentos aleatóreos sobre o Tomás no Kindergarten

Antes, muito antes de saber que eu tinha um Tomás na barriga, eu e João já havíamos nos decidido por um Kindergarten Waldorf. No matter where. No Brasil, na Alemanha, na Conchinchina, onde Judas perdeu as botas… tendo um pelas bandas, lá então seria.

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Eu já contei aqui e aqui da nossa frustrada tentativa na creche Waldorf. Demos uma pausa, mas continuamos inscritos para o Kindergarten, na mesma escola. No fundo, eu sabia, a despeito da minha prévia decisão, que lá era o melhor lugar para ele. É claro que, por muitas vezes, eu me perguntava será mesmo? Quem quer tanto que seja lá: você e João, Tomás ou o destino? (sim, eu acredito em destino, não da forma banal e cafona como é pregada por aí). Eu acredito em encontros, eu acredito nas pessoas certas no momento certo. Muito luz e flor? Pode ser. Mas eu sou uma mãe Waldorf, então…

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Quando fomos conversar com o professor do Tomás (sim, o Tom tem professor) ele, do alto da sua experiência,  nos aconselhou  que seria melhor um de nós ficarmos com o Tomás durante o tempo que ele precisasse. Normalmente, a fase de adaptação no Kindergarten não é assim. Mas eles (professor, escola, outros pais) foram e são muito sensíveis em relação a situação do Tomás. O fato de morarmos há um ano na Alemanha, o fato do Tomás não falar alemão, o fato de nunca ter ficado com outra pessoas a não ser comigo e com o pai… Sinceramente? Não acho que encontraria tanta compreensão, tanta sensibilidade e tanto respeito ao tempo do meu filho em outro lugar. Apenas acho, sem grandes confirmações.

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É claro que o um de nós no caso sou eu. Quem traz o pão para casa é o João, logo… E neste tempo que tenho ficado com meu filho, e tenho conhecido as outras crianças, e tenho cruzado com outros pais, e tenho visto com meus olhos tudo o que é feito lá, e tenho visto com meu coração como tudo é feito, tenho ficado cada vez mais segura de cortar nosso cordão umbilical e deixar meu filho passar para outra etapa de sua vidinha. A estruturação do dia, as músicas, os rituais, os brinquedos e o brincar… tudo me cala fundo. É como se eu encontrasse ressonância com aquilo que acredito.

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Sabe, por muitas vezes eu cheguei a pensar que se eu tivesse tido no ano passado essa segurança interna que agora tenho, teria dado certo já no ano passado. Mas eu não tinha. O que eu tinha era um contrato interno comigo mesma de que ficaria os três primeiros anos com meu filho. Contratos internos são mais difíceis de quebrar. E agora, coincidência ou não, eu sinto que eu e Tomás estamos prontos para uma outra fase. Complicado, né?

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Eu já não estava mais dando conta de suprir as necessidades do meu filho. Ele precisa agora também de limites externos, contato com o outro, aprender o alemão… coisas que sozinha eu já não podia dar. E tudo bem; cada fase com suas necessidades, cada fase com sua doação. Minha terapeuta já disse: apenas viva essa fase! E assim estou. Vivendo.

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Por falar em outra fase… Tomás dá passos rumo ao aprendizado de uma nova língua, à aquisição de novas competências sociais, ao conhecimento de novas pessoas de referência… e tem dado provas que vai ser mais rápido do que todos imaginávamos. Enquanto ele sua a camisetinha para conquistar um novo lugar ao sol, eu em breve, vou suar a camisa, e deixar de ser mãe em tempo integral em casa, para ser mãe em tempo integral com vaga na universidade e com trabalho em vista. E eu me sinto como uma menininha de seis anos que vai no começo do ano comprar o caderno novo para escola!

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E eu estou lá no Kindergarten, mas não estou de espectadora não! Eu tenho colocado a mão na massa. Eu tenho limpado, cozinhado, trocado criança, costurado, capinado… O Tomás vê que a mãe está lá, mas ele tem que se virar. No começo meu coração se contorcia de dó por vê-lo ali como o diferente, o que não sabe como as coisas funcionam, o que não fala a língua… Mas eu não posso privá-lo de passar pelas próprias experiências de vida, de se virar sozinho. Afinal, não é sempre que mamãe estará lá para ele.

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E que fique claro que tudo que digo aqui é apenas minha experiência pessoal, longe de qualquer julgamento alheio. Até mesmo porquê, circunstâncias de vida são pessoais e intransferíveis.

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Mas de todas as minhas atividades lá, a que eu mais tenho gostado é a de cozinhar. Tudo o que eles comem é feito lá mesmo pela assistente. Três vezes na semana tem pão integral, cada um de um tipo. Nos outros dois, um mingau de arroz ou de painço. Tudo é integral e nada é adoçado com açúcar (refinado, mascavo nem demerara). Tenho aprendido receitas maravilhosas e bem mais saudáveis. Como o bolo de aniversário feito com farinha integral, leite de arroz e adoçado com xarope de agave.

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Aliás, este post era apenas para passar a receita do bolo, mas eu acabei costurando um pensamento aqui e ali, e quando vi…. 

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No calor da hora eu peguei a receita e fiz em casa. Me esquecendo que a receita serve vinte crianças e mais três adultos. Temos bolo para semanas agora. Quem quiser comer bolo com chá, pode se achegar. Mas você tem que trazer a(s) cria(s) e jurar que não vai me chamar de louca, que essa prolixidade toda de pensamento é coisa de toda mãe. Jura mesmo?

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A receita eu passo outro dia.

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Uma foto por semana – semana #2

Tomás e a febre

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Tudo começou com o Martin e seu atchim sem fim

Passou para o Louis que nada fazia, além de assoar o nariz

A pobre da Flora, xiii! Pegou catapora

E na outra semana?

Sobrou para o Tomás: de molho, na cama!

Febre, lágrimas, dorzinha aqui e ali

Mas nada deixou o menino mais feliz

Do que ficar de novo só com a mama!

Alemanha, Da poesia da vida, Do cotidiano, Heidelberg, one photo per week, Tomás

Uma foto por semana – semana #1

Tomás & Björn

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