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Bom conselho #1

Um café quente. Amigo das noites entrecortadas por despertares de um bebê.

A alma de volta para o corpo. O corpo de volta pra vida. A vida de volta aos eixos. Ou quase isso.

Apenas não subestimem o poder de um café, senhoras e senhores!

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Daquilo que preciso

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Eu ando precissadíssima de meia hora de silêncio absoluto, precisadíssima de concluir uma tarefa sem interrupção, de concluir um pensamento sem interrupção. Ando precisada de fazer Uma ligação sem o barulho de um Maracanã inteiro em dia de Fla-Flu ao fundo. Precisada de um café quente, de um dia sem louça na Pia, sem roupa no cesto. De um marido que não quebre as canecas da Minha coleção. Será qué peço demais? Narrador ao fundo: mas ela sabia que era mais fácil pedir um unicórnio, e mesmo assim insistia naquelas ideias malucas!

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sobre filhos e férias

sair de férias com crianças pequenas é a prova de fogo para nossa paciência. porque expô-las por vários dias à situações e rotinas novas, a horários diferentes é quase como armar uma bomba relógio. mesmo planejando ahead, mesmo intercalando hora de passeios e hora de descanso, dias mais intensos e dias mais tranquilos, não é garantia de zero chiliques . ontem depois de um dia intensivo de passeio debaixo de sol e calor, as crianças já davam pistas do cansaço acumulado. como a irritação era crescente resolvemos alimentá-Los antes que a situação escalace. o restaurante foi escolhido a dedo, mas não teve childrens menu e giz de cera que desse conta do modo virado no giraia que meus filhos resolveram entrar. tirei a violeta da mesa várias vezes para um cool down. sem muito resultado. martin dormiu depois de uma catarse. Tomás esqueceu todas as regras de bom comportamento à mesa. coloquei à prova todas as minhas leituras sobre disciplina positiva, coloquei em xeque minha meditação diária, e repetia em looping : abaixe as expectativas, abaixe as expectativas! não sei se por compaixão a nós ou aos demais clientes a moça que nos atendia disse que passou nossos pedidos na frente. a comida das crianças chega. um derruba água outro suco, outro acorda pra mamar. quando meu prato chega violeta fez cocô. volto e fazemos revezamento de filho; um faz Martin dormir outro trata da violeta. dou três garfadas e o bebê acorda aos prantos. “João, pegue os três e volte para o hotel – eu pago a conta e peço pra embrulharem para viagem”. pago a conta e espero nossa comida devidamente embalada. olho para o lado e a mulher da mesa ao lado elegantésima em seus badulaques, com cabelo arrumadissimo, e com sua crispy White camisa de linho sorri para mim “you have your hands full, love” yeah, respondi e sorri de nervoso fazendo a promessa vazia de só tirar férias novamente quando eles tiverem 18 anos. chego no hotel e a maratona de banho e sono começa. por fim, nos sentamos na companhia do nosso mais velho (porque tudo isso aconteceu e não eram nem oito da noite) que nos contava as consequências do aquecimento global que tinha lido na revista, e saboreamos nosso prato requentado.

“Do que adianta ir em restaurante com estrelas no michelin se a gente come requentado? ” e eu num acesso de otimismo respondo que é para ter história para contar.

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das surpresas

a gente se acha no controle de tudo, se não de tudo, pelo menos da parte que nos cabe no nosso latifúndio.

a gente acha que pode controlar as pequenas coisas, e também aquelas maiores. a gente gosta dessa sensação de controlar aquilo que chamamos de nossa vida.

mas a vida como bem sabemos, e fingimos que esquecemos, está sempre disposta a nos mostrar que as coisas não são bem assim, preto no branco, que nem sempre dois e dois são quatro, que nem sempre é o que parece ser…

e foi assim, nessa certeza de que tudo estava no seu lugar, que não haveria grandes mudanças no porvir, que 2018 não me reservava nenhuma grande surpresa – justo eu tão escaldada pela vida e suas reviravoltas – foi assim que me descobri grávida pela terceira vez!

e assim, há catorze semanas e meia, minha surpresa tem um coração a bater mais rápido que o meu, e cresce, cresce, cresce…

será outro bebê de primavera e outra primavera se fará em mim!

mas até lá que eu viva um dia de cada vez, para não perder as boas surpresas da vida, como já bem disse alguém que não me lembro agora. e com a certeza de que a vida, essa a gente não controla. ainda bem!

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pequenas notas para mim mesma

nunca deixe a roupa acumular

nem a louça que parece se reproduzier em velocidade absurda

não deixe a bagunça tomar conta do quarto, da sala, da bancada, da mente

diga sim quando realmente quiser, e use o não com mais frequência

envie aquela carta

convide aquela pessoa para um Café

faça aquele telefonema

admita que acha um porre a obrigação de ser feliz o tempo todo

permita-se a felicidade mesmo que fora de hora

seja gentil consigo mesma

pega leve nas cobranças – consigo e com os outros

baixe as expectativas

não duvide de você

respeite o Tempo, tudo passa, isso também passará

respira fundo

beba mais água

e saiba que em alguns (muitos) dias você vai querer mandar tudo e todos às favas

e vai ser ótimo se você realmente mandar mesmo

mas a louça, por favor, não deixe a louça acumular

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um breve relato do que foi e do que tem sido

Violeta já tem nove semanas,e parece que foi ontem mesmo que a segurei em meus braços pela primeira vez. 

e parece que foi ontem mesmo, depois de cinco horas de parto ativo, sendo duas de expulsivo e uma cesárea de emergência,  que eu finalmente conhecia a minha menina.

nunca pensei que faria parte das estatísticas das cesarianas que salvam vidas, ainda mais após um primeiro parto vaginal, onde fisiologicamente foi tudo perfeito. ninguém esperava. nem eu, nem João, nem as midwives, nem os médicos. mas fizemos parte.

e tê-la em meus braços depois de toda minha Via Crucis foi a maior e melhor sensação de alívio da minha vida. 

tem sido uma delícia amamentar novamente. ela não é tão gulosa como era seu irmão, mas ainda assim mama bastante, a minha pulguinha.

aliás, tem sido uma delícia ter um bebê de novo em casa.

Tomás está apaixonado pela irmã e tem se saído muito bem como irmão mais velho. tivemos alguns dias de choro, uma sensibilidade maior, mas tudo foi se ajustando e ele agora não tem sentido mais as mudanças na sua rotinininha. 

eu estou ótima físicamente, jamais esperava me recuperar tão rápido como me recuperei. emocionalmente então, nem se fala.  eu que experimentei uma depressão pós-parto da primeira vez, sei hoje o que é estar bem depois da chegada de um filho.

e eu não tenho tido tempo de passar por aqui por motivos bastante óbvios: quando Violeta dorme eu tenho que escolher entre lavar a louça ou a roupa, ou tentar arrumar a casa, ou comer ou tomar banho, ou ir ao banheiro… e quando me dou conta, já é hora de buscar o Tom na escola.

por falar em escola, vem “ni mim” férias de verão! é só o que penso.

e é isso, por ora, o que tenho para dizer. Vivi dorme há meia hora, e antes que ela acorde para mamar, vou lá lavar uma louça.

mas volto pra relatar com detalhes o nascimento da Vivi. Alguém ainda se interessa por relato de parto?🤔

beijos nossos e até o próximo post.

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tempo de espera ou too much information de uma uma só vez

a espera do gestar é, para mim, a única espera realmente gostosa. às vezes bate aquela vontade louca de ter o bebê nos braços, mas ao mesmo tempo é muito gostoso sentir o bebê dentro de mim.

não sei se pelo fato desta ser minha última gestação, ou se pelo fato de já ter passado por uma gravidez, ou se pelas duas coisas, só sei que tenho a impressão de que o tempo tem voado agora.  quando me dou conta o aplicativo no meu celular já me avisa que o bebê está do tamanho de uma banana, e só o que penso é que ontem mesmo eu tinha completado 16 semanas. uma loucura!

apesar da rapidez com que tem passado, temos todos curtido muito a barriga. tomás tem sido extremamente carinhoso, curioso e participativo. tenho certeza de que ele será um super irmão! sempre me pergunta como me sinto, faz carinho na minha barriga, conversa comigo sobre possíveis nomes,  não esquecendo de reforçar que quem escolhe o nome é o bebê. aliás, que fase gostosa essa em que está meu primogênito: muito companheiro, esperto, curioso, engraçado, carinhoso, e por vezes, tão crescido, tão independente, um lord… a cada dia meu amor por ele só faz crescer! incrível isso de amar um filho (e mais de um, no caso)!

ah! esqueci de mencionar que teremos uma menina!estamos muito felizes com a chegada de uma bebéia, mas não tenho dúvidas de que estaríamos igualmente felizes se fosse um menino. eles são o que são independente do gênero, isso é certo. mas sim, estamos contentíssimos com o fato de ser uma menininha!

a descoberta não nos fez pintar o quarto de rosa, nem qualquer coisa do tipo. aliás, ela vai ficar no nosso quarto nos primeiros meses, pois eu quero amamentar assim como fiz com o tom. e também porque eu não estou com a menor vontade de mexer no quarto de hóspedes para torná-lo um quarto de “bebê”.  dividir quarto com o irmão está fora de cogitação, pelo menos por agora. o gap entre eles é muito grande, e um bebê “atrapalharia”o sono do tomi, com suas intermináveis acordadas para mamar e trocar fraldas. mas pra ser bem sincera, o que torna o argumento irrefutável, é porque eu quero mesmo que ela fique no nosso quarto!

sobre nomes, e eu ainda quero escrever um post só sobre isso (porque adoro), temos dois. dois diametralmente opostos, mas igualmente lindos hehe. porém, ainda não batemos o martelo.  o tom tem razão, ela é quem precisa nos assoprar o nome dela! aguardemos então.

a bebéia tem mexido bastante e tem se desenvolvido bem. no ultrassom de 20 semanas a midwife me disse que minha placenta estava baixa (placenta praevia) e por isso, eu terei que fazer outro ultrassom com 34 semanas. prometi pra mim mesma não me preocupar, não me desesperar. conversei com um médico que me acalmou, dizendo que 20 semanas é muito cedo para definir um diagnóstico de placenta praevia e consequentemente de uma cesárea. sigo confiante no parto natural e com pensamento positivo de que tudo há de dar certo.

por falar em parto, logo na primeira consulta com a midwife ela me perguntou onde eu queria ter o bebê: em casa, numa casa de parto ou no hospital.  eu disse que precisava pensar, e no formulário ela colocou a opção default, que é no hospital. Mas me disse que não havia problema nenhum em mudar mais tarde.

ela me falou do parto domiciliar com uma segurança e uma naturalidade espantosas. no entanto eu, particularmente, exclui o parto domiciliar. é seguro, ainda mais pra quem já pariu um filho e tem uma gestação sem intercorrências como é o meu caso até aqui, mas não sei, sinto que não é pra mim. até reli o livro da ana vieira pereira, do ventre ao berço: em casa; é encantador, é mágico… porém tem uma pulguinha atrás da minha orelha, uma coisa aqui dentro me dizendo que não. ainda não consegui nomear o porquê dessa resistência, desse receio, só sei que por ora, prefiro aceitar e respeitar-me.

fiquei com a casa de parto (birth centre), que aliás é dentro do hospital, porém em nada lembra um hospital e é comandada apenas pelas midwives. o fato de não parecer um hospital, mas ter a estrutura de um a uma porta de distância me tranquiliza. não sei viu, parece que a gente vai ficando mais velha e vai ficando mais medrosa. a segurança de um hospital tem gritado na minha cabeça.

cada parto é um parto, e por mais que eu saiba o que esperar agora que o parir não é totalmente desconhecido para mim, eu sei que cada filho chega do seu jeito, trazendo consigo o que precisa ser trazido. não tenho mais medo da dor do parto,  mas confesso que o puerpério ainda me assombra. mas como disse lorna, minha midwife: não é porque você teve depressão pós parto na primeira vez, que você terá novamente. além do mais, você terá visitas constantes nas primeiras semanas, e nós costumamos agir muito rápido nesses casos. você não estará sozinha, e não consideramos esse tema um tabu! alívio, alívio, alívio. e muito amô por você, lorna!

mas como disse acima, não quero me preocupar, nem quero me desesperar. por nada, aliás. gestar é tempo de esperar, e que esse esperar seja leve e gostoso, porque certamente deixará saudade. enquanto isso, bora fazer yoga e meditar!

wish me luck, babe! 😉

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Birras: variações do mesmo tema

E daí que com dois anos de idade teve uma mudança de país. Teve um mundo totalmente novo lá fora, e no mundo de dentro, teve um sujeito chilicando dia sim, dia também. Teve ainda a ideia de jerico de colocar o mesmo sujeito na escolinha. Tudo isso somado aos terribles two e voilá : barracos e siricoticos e chiliques e pitis e faniquitos (tudo assim, sem vírgula mesmo, pra não dar tempo de respirar) tornaram-se parte intrínseca de nossas vidas.

Ainda bem que paciência de mãe é um recurso renovável e quase inesgotável.  E dá-lhe muita paciência,  e compreensão, e cartilha anti birras, e suporte, e fé e… resignação. É uma fase. É uma fase que começa nos dois anos e acaba talvez nos 20 quando o sujeito começa a criar vergonha na cara, e percebe por conta própria, que não vale a pena contestar tu-do (eu disse tu-do) que a mãe diz.

 

 

meu birrento favorito
meu birrento favorito

 

 

Então que com três anos teve férias no Brasil teve vô e vós e tias, e não teve rotina, e quase tudo podia, e teve volta prazAlemanha, e não teve mais a galere toda se revezando na atenção pro sujeito, tem ida ao Kindergarten, tem mudança de professor…

Rotina, cansaço, atenção, limites amorosos, paciência, clareza (para mãe), regras claras, simples e consistentes (para o filho). Tudo isso ajuda, mas posso falar? Não resolve assim, num passe de mágica.

A “mágica” consiste em respirar, contar até dez (mais de uma vez), perceber os meus limites, entender minhas limitações e me controlar. Porque tem dias, que só por gezuis, tem dias que dá vontade de sumir no mundo sem avisar ninguém.

Os três anos e meio chegaram, e meu filho ainda varia entre a criatura mais fofa e esperta e carinhosa do mundo, e a criatura mais criaturenta e chiliquenta e birrenta. Assustador!

Antes as birras acabassem quando a cria fizesse três anos… que maravilha viver lá lá lá.

O post não tem nada de novo, nem nada de útil. Não passa mesmo de um simples desabafo.

Porque como mãe eu sei que tudo passa. Mas mesmo assim, algumas palavras de encorajamento e suporte não me fariam nada mal.

Assim sendo, por favor, me deem cá um abraço.

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Shit happens

O título já diz muito. A vida de verdade é assim, tem hora que dá certo, tem hora que não dá.

Por exemplo, quando a gente deleta quase todas as fotos do perfil do google + se esquecendo que ele está vinculado com o blogger, e quando você vê… seu blog não tem foto nenhuma.

Ou quando você, por razões que a própria razão desconhece, perde três (longas) postagens no prelo.

Ou ainda quando coisas de vulto e significado e importâncias muito maiores parecem ruir em três, dois, um… deixando a gente assim, com cara de onde estou, quem sou, para onde vou.

E o Guimarães Rosa disse assim: O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta.O que ela quer da gente é coragem.

E quando a vida pede a gente dá.

Porque também já bem disseram: a vida só se dá pra quem se deu.

Vou ali me dar pra vida e já volto. 
 
 

Alemanha, antes de ser mãe eu não sabia que..., brincar, brincar é coisa séria, com açúcar com afeto, Da poesia da vida, Do cotidiano, escola, filho Waldorf, Heidelberg, mãe Waldorf, mãe zen, Tomás

Pensamentos aleatóreos sobre o Tomás no Kindergarten

Antes, muito antes de saber que eu tinha um Tomás na barriga, eu e João já havíamos nos decidido por um Kindergarten Waldorf. No matter where. No Brasil, na Alemanha, na Conchinchina, onde Judas perdeu as botas… tendo um pelas bandas, lá então seria.

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Eu já contei aqui e aqui da nossa frustrada tentativa na creche Waldorf. Demos uma pausa, mas continuamos inscritos para o Kindergarten, na mesma escola. No fundo, eu sabia, a despeito da minha prévia decisão, que lá era o melhor lugar para ele. É claro que, por muitas vezes, eu me perguntava será mesmo? Quem quer tanto que seja lá: você e João, Tomás ou o destino? (sim, eu acredito em destino, não da forma banal e cafona como é pregada por aí). Eu acredito em encontros, eu acredito nas pessoas certas no momento certo. Muito luz e flor? Pode ser. Mas eu sou uma mãe Waldorf, então…

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Quando fomos conversar com o professor do Tomás (sim, o Tom tem professor) ele, do alto da sua experiência,  nos aconselhou  que seria melhor um de nós ficarmos com o Tomás durante o tempo que ele precisasse. Normalmente, a fase de adaptação no Kindergarten não é assim. Mas eles (professor, escola, outros pais) foram e são muito sensíveis em relação a situação do Tomás. O fato de morarmos há um ano na Alemanha, o fato do Tomás não falar alemão, o fato de nunca ter ficado com outra pessoas a não ser comigo e com o pai… Sinceramente? Não acho que encontraria tanta compreensão, tanta sensibilidade e tanto respeito ao tempo do meu filho em outro lugar. Apenas acho, sem grandes confirmações.

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É claro que o um de nós no caso sou eu. Quem traz o pão para casa é o João, logo… E neste tempo que tenho ficado com meu filho, e tenho conhecido as outras crianças, e tenho cruzado com outros pais, e tenho visto com meus olhos tudo o que é feito lá, e tenho visto com meu coração como tudo é feito, tenho ficado cada vez mais segura de cortar nosso cordão umbilical e deixar meu filho passar para outra etapa de sua vidinha. A estruturação do dia, as músicas, os rituais, os brinquedos e o brincar… tudo me cala fundo. É como se eu encontrasse ressonância com aquilo que acredito.

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Sabe, por muitas vezes eu cheguei a pensar que se eu tivesse tido no ano passado essa segurança interna que agora tenho, teria dado certo já no ano passado. Mas eu não tinha. O que eu tinha era um contrato interno comigo mesma de que ficaria os três primeiros anos com meu filho. Contratos internos são mais difíceis de quebrar. E agora, coincidência ou não, eu sinto que eu e Tomás estamos prontos para uma outra fase. Complicado, né?

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Eu já não estava mais dando conta de suprir as necessidades do meu filho. Ele precisa agora também de limites externos, contato com o outro, aprender o alemão… coisas que sozinha eu já não podia dar. E tudo bem; cada fase com suas necessidades, cada fase com sua doação. Minha terapeuta já disse: apenas viva essa fase! E assim estou. Vivendo.

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Por falar em outra fase… Tomás dá passos rumo ao aprendizado de uma nova língua, à aquisição de novas competências sociais, ao conhecimento de novas pessoas de referência… e tem dado provas que vai ser mais rápido do que todos imaginávamos. Enquanto ele sua a camisetinha para conquistar um novo lugar ao sol, eu em breve, vou suar a camisa, e deixar de ser mãe em tempo integral em casa, para ser mãe em tempo integral com vaga na universidade e com trabalho em vista. E eu me sinto como uma menininha de seis anos que vai no começo do ano comprar o caderno novo para escola!

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E eu estou lá no Kindergarten, mas não estou de espectadora não! Eu tenho colocado a mão na massa. Eu tenho limpado, cozinhado, trocado criança, costurado, capinado… O Tomás vê que a mãe está lá, mas ele tem que se virar. No começo meu coração se contorcia de dó por vê-lo ali como o diferente, o que não sabe como as coisas funcionam, o que não fala a língua… Mas eu não posso privá-lo de passar pelas próprias experiências de vida, de se virar sozinho. Afinal, não é sempre que mamãe estará lá para ele.

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E que fique claro que tudo que digo aqui é apenas minha experiência pessoal, longe de qualquer julgamento alheio. Até mesmo porquê, circunstâncias de vida são pessoais e intransferíveis.

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Mas de todas as minhas atividades lá, a que eu mais tenho gostado é a de cozinhar. Tudo o que eles comem é feito lá mesmo pela assistente. Três vezes na semana tem pão integral, cada um de um tipo. Nos outros dois, um mingau de arroz ou de painço. Tudo é integral e nada é adoçado com açúcar (refinado, mascavo nem demerara). Tenho aprendido receitas maravilhosas e bem mais saudáveis. Como o bolo de aniversário feito com farinha integral, leite de arroz e adoçado com xarope de agave.

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Aliás, este post era apenas para passar a receita do bolo, mas eu acabei costurando um pensamento aqui e ali, e quando vi…. 

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No calor da hora eu peguei a receita e fiz em casa. Me esquecendo que a receita serve vinte crianças e mais três adultos. Temos bolo para semanas agora. Quem quiser comer bolo com chá, pode se achegar. Mas você tem que trazer a(s) cria(s) e jurar que não vai me chamar de louca, que essa prolixidade toda de pensamento é coisa de toda mãe. Jura mesmo?

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A receita eu passo outro dia.

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