a vida é mais, antes de ser mãe eu não sabia que..., mãe zen, mães não são de ferro

Daquilo que preciso

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Eu ando precissadíssima de meia hora de silêncio absoluto, precisadíssima de concluir uma tarefa sem interrupção, de concluir um pensamento sem interrupção. Ando precisada de fazer Uma ligação sem o barulho de um Maracanã inteiro em dia de Fla-Flu ao fundo. Precisada de um café quente, de um dia sem louça na Pia, sem roupa no cesto. De um marido que não quebre as canecas da Minha coleção. Será qué peço demais? Narrador ao fundo: mas ela sabia que era mais fácil pedir um unicórnio, e mesmo assim insistia naquelas ideias malucas!

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Aí vem o desespero

Eu anunciei que ia me ausentar, e acabei voltando. Meu anúncio não foi nenhum tipo de estratégia, e minha volta é por puro desespero.

Vou abrir meu coração e pedir ajuda para as mãe tudo e tudo as mãe.  Como eu disse aqui o Tomás está frequentando uma escola ou uma creche, ou em bom alemão, uma Kinderkrippe.

Muito bem,  meu raciocíonio foi de que quanto antes ele começasse a frequentar uma escolinha, mais rápido ele se acostumaria com a língua e com o país. Principalmente com a língua, uma vez que nós não falamos alemão com ele em casa, e começar de uma hora para outra seria, no minímo, estranho.

Então que a gente escolheu uma escola que vai de encontro com nossos valores e convicções, uma escola aberta, uma escola com porquinho, cabrinha, galo, galinha, ganso e o caramba à quatro, uma escola com comida vegetariana e orgânica, uma escola com cuidadoras simpáticas, sensíveis e amorosas,uma escola com as criança loira de zóio azul mais loira de zóio azul desse mundo, uma escola com os brinquedos de madeira e as bonecas de pano mais lindos desse mundo, e o moleque se recusa a ficar nela. Ele não chora um pouquinho, pede a mamãe e volta a brincar. Deixa eu repetir: ele se RE-CU-SA a ficar na escola.

Levando em conta que o país é novo, a língua é nova, as pessoas são novas, enfim, tudo é novo para o Tomás, e que a única coisa “velha” e segura sou eu; levando em conta que o menino ficou comigo desde que nasceu, levando em conta que ainda vai fazer três meses que chegamos por aqui, levando em conta tantas outras coisas que eu ainda nem me dei conta, só o que eu tenho a dizer é que tá… phoda.

Então, a gente sempre ouviu que criança se adapta rápido, que criança aprende muito rápido uma língua e blá blá blá blá. Mas o que é ser rápido, né? E, no meu caso, pressa pra quê? De modos que, eu não sei se desisto do processo agora, e volto com essa ideia de escola lá pro fim do verão por aqui, quando espero em deus (andar com fé eu vou), Tomás estará mais aclimatado. Ou se tento mais o mês de Maio.

E sem contar o grude que esse menino anda comigo. Tudo é a mãe, com a mãe. TU-DO. E vem a vontade de ficar sozinha, e vem a culpa por querer ficar sozinha, por não estar dando tudo (e isso existe?) que meu filho precisa nessa fase da vida dele, e… Sem querer fazer um melodrama, mas já fazendo…

Não sei se você já se sentiu assim, mas eu ando com uma vontade de dar uma sumida de cena, sabe? Voltar quando tudo estiver lindo e funcionando, sabe? Mas não dá, né?! A gente é protagonista da própria vida, e não tem jeito, eu tenho que enfrentar plateia e holofotes e desempenhar o papel que me foi designado. O problema é que eu nem sei direito qual é o meu papel nessa história toda.

E olha minha gente, eu não vou sumir, não, porque eu sou tão ordinária quanto esse desabafo, viu?! Mas agora vocês me dão licença que eu vou ali no meu canto chorar mais pouquinho. 

E estou aceitando conselhos, abraços, chazinhos, novenas e um sem fim de carinhos. É que eu tô bem da precisada.

Tomás e sua  carinha de quem não está a fim de muita coisa
a vida é mais, mães não são de ferro

Eu não tenho sangue de barata ou um anônimo para chamar de meu

Todos nós carregamos um mundo dentro de nós. Mundo formado pelas nossas vivências, nossas percepções do mundo a nossa volta, pelas pessoas que passaram por nossas vidas, pelas pessoas que fazem parte dela, por convicções de toda espécie, por nossas crenças ou falta delas, enfim, somos o que somos, também, por esse montão de coisas que conosco trazemos. E porque tudo isso é diferente pra cada um, somos diferentes uns dos outros, somos únicos, ainda que escolhamos pessoas com bagagens semelhantes às nossas para convivermos.

Baseado nessas diferenças, nessa suigeneridade de cada um, seria muita ilusão da minha parte, que o que escrevo, o que sai da minha cabeça, chegue tal e qual na cabeça de quem me lê. Seria muita pretensão de minha parte acreditar, que cada pessoa que me lê, decodifica o mundo, as coisas do mundo, com o mesmo olhar que o meu, da mesma forma que eu. Porém, o meu blog é público, de maneira que para além daquelas pessoas que têm uma visão de mundo, de vida, muito parecidas com a minha, algumas outras diferentes de mim, também me lêem. E viva a democracia!

Acontece que, um anônimo resolveu deixar um comentário muito dos mal-educados no meu relato de parto. Eu, tendo ficado emputecida com tantas distorções do que, num repente, de maneira visceral, à flor da pele, escrevi meses atrás, conversei com meu marido, que me aconselhou a esquecer e apagar o ofensivo comentário. Acreditando na democracia como princípio, penso que pessoas com opiniões diferentes das minhas são muito bem-vindas porém, ofensas são inaceitáveis.

Quando estava realmente deixando tudo pra lá, eis que me deparo com outro comentário ofensivo, dessa vez no Tomás Querêncio. Aí, eu que não tenho vocação para ser zen, senti meu sangue ferver. Mexeu com minha cria, mexeu com meus brios. E a política do deixa disso viveu dias de declínio absoluto no reinado de Gabriela.

Supondo que o anônimo em questão seja o mesmo, e mesmo não sendo, segue minha resposta.

Sobre o Tomás Querêncio, não vou me pronunciar. Se você não tem capacidade para entender um simples texto sobre um menino de um ano e meio e seu querer, não sou eu que vou te explicar.

Sobre meu relato de parto e seu profundo incomôdo, eu gostaria de dizer que, tendo você parido ou não, sendo você homem ou mulher, contra ou absolutamente contra o parto natural humanizado, nada justifica sua postura ofensiva, depreciadora e pejorativa. Nada!

Sobre sua interpretação de que eu, como mulher burra (sic), senti dor porque quis, eu quero lhe dizer que senti dor sim, uma dor absurda, uma dor lancinante, uma dor que como eu disse lá no relato, eu não queria aceitar, uma dor para a qual eu não queria me entregar. E sim, de certa forma, eu quis sentí-la. Não como quem quer sentir uma dor pelo prazer da dor, mas quis sentí-la muito mais porque, informada e esclarecida dos benefícios de uma parto natural, eu sabia que a dor era apenas parte do processo para trazer meu filho ao mundo. E que os ganhos eram muito maiores do que a dor em si. É claro que eu tinha isso de maneira consciente, racional. Na vida real, na hora do vamos ver, a dor foi muito maior do que tudo o que eu li e ouvi sobre ela. Hoje, tendo já passado pela famigerada e mal compreendida dor do parto, eu não a menosprezo. Hoje eu a respeito. Respeito como uma tempestade de verão, como força da natureza que tem sua função, seu ápice e seu fim. E nenhuma mulher é burra ao optar parir sem anestesia, por ter parido sem anestesia.

Outro ponto abordado por você anônimo, foi o termo trilogia do parto. Realmente, talvez tenha sido muita arrogância da mimha parte chamar um relato tão pessoal, tão mixuruca, sem vulto literário (e nem era essa a intenção), de trilogia. Talvez o termo só faça sentido para os grandes como Goethe, Kieslowski, Coppola… Mas minha intenção, de longe, foi ser arrogante. Ao relatar minha experiência, eu quis compartilhar (termo tão facebookiano) minhas dores, frustrações e alegrias. E por acreditar na escrita como método terapêutico, eu usei meu relato como parte da minha cura. Ao escrevê-lo, eu precisei revisitar comôdos sombrios da minha alma, da minha memória. Lugares que não queria entrar, mas que me libertaram de uma série de ilusões e falsas lembranças. E pôxa, como eu me senti aliviada, como eu fiquei feliz em receber comentários solidários, em saber que muito mais gente se sentiu ou se sentia como eu. O lugar de destaque, como você disse, somente se deve ao fato de que num blog materno, outras mães procurarem por relatos de parto. Não sei se você é frequentador assíduo de blogs maternos, anônimo, mas esse comportamento é extremamente natural por essas bandas.

Brecht disse que o pior analfabeto é o analfabeto político; aquele que estufa o peito, e tem orgulho de dizer que odeia política. Não passando de burro, segundo ele, acaba se tornando um alienado da realidade em que vive. Traçando um paralelo com Brecht, quando eu disse que eu não era militante de nada, eu não quis dizer que estufo o meu peito orgulhosa, alheia da realidade dos partos no Brasil. Alienada do número de césareas, alienada do preconceito e dos boicotes que profissionais do parto humanizado sofrem, alienada do desrespeito às parturientes, das mentiras que muitos profissionais contam às parturientes.

No entanto, todo relativismo tem um fim, e a vida nos cobra um posicionamento. Assim sendo, eu me posiciono absolutamente a favor do parto natural e humanizado, seja ele hospitalar, domiciliar ou em casa de parto. Se querem chamar isso de militância, que assim seja. Eu, tendo passado pela experiência de um parto humanizado, tendo sido amparada por profissionais que são referência, nem poderia ter um discurso diferente. Achei que isso tivesse ficado claro. Achei…

Hoje eu vejo que o foco do meu relato foi na minha dor, na minha depressão pós-parto. Se tivesse escrito o relato hoje, o tom seria outro. Natural, hoje minha depressão é passado. E ainda que, quando escrito, a depressão já não existisse, sua dor ainda ecoava. Hoje, nem a dor ecoa; é só uma lembrança ruim. Mesmo tendo focado na minha dor, eu deixei bem claro que não foi o parto natural que causou meu estado depressivo. Outro engano meu foi ter acreditado que tinha sido clara quanto a isso.

Eu fui acusada de louca, de ser adepta de uma modinha. Sinto muito anônimo, mas nascer naturalmente não é uma modinha. Não é coisa de hippie desocupado (e eu não acho que hippie é sinônimo de desocupado, ok?). E nenhuma mulher é louca por querer parir, por ter parido. Aliás, se eu te contasse a lucidez que essa experiência me trouxe, aí sim, você me chamaria de louca.

Se você não tem o que fazer, te adianto que não é aqui que vai encontrar ocupação.

À todas as pessoas que não têm nada a ver com tudo isso, peço sinceras desculpas pelo barraco.

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O que você sabe sobre as mães?

Um pouco antes de ser mãe eu já tinha começado a enxergar minha própria mãe de maneira diferente. Não que a nossa relação fosse conflituosa antes, mas eu ainda guardava algumas diferenças e rancorizinhos. Coisas de filha.

Um pouco antes de ser mãe, eu resolvi que já era hora de colocar pontos finais em questões antigas com minha mãe, e seguir uma vida livre de entraves e barreiras. É que no fim dos 20 anos, a gente se cansa de culpar pai, mãe ou quem quer que seja, por nossos problemas ainda não solucionados.

Um pouco antes de ser mãe, eu já havia perdoado, e considere a palavra perdão da maneira como quiser, não necessariamente o perdão cristão, de um bocado de coisa. Um pouco antes de ser mãe, eu acreditei que o ser mãe era tarefa não tão difícil, e que respeitar um outro ser na sua individualidade e nas suas peculiaridades seria natural.

Quando estava prestes a me tornar mãe de fato, passando pelas dores do parto, eu não pensei em nada, não. Meses depois, com meu filho nos braços e tendo que ser mãe, eu humanizei minha mãe. Humanizei porque pensei que ela havia passado pelas mesmas dores que eu, porque talvez ela tivesse passado pelos mesmos problemas e questionamentos que eu passei no meu pós-parto, e a humanizei porque ela, com apenas 19 anos de idade, teve que crescer e ser mãe. A minha mãe.

Isso não significa que eu concorde com tudo que minha mãe fez, da maneira que ela fez. Isso significa que eu, como mãe, percebi que como seres humanos, erramos e acertamos. E como mãe, mesmo querendo acertar, erra-se. Foda isso, viu! E por isso, mesmo não concordando cem por cento com minha mãe (até hoje), eu a considero muito mais hoje do que a dez anos atrás.

Como mãe, eu percebi que mães são criaturas que merecem muito respeito. Respeito, porque elas tentam com todas as forças fazer o seu melhor. Como mãe, eu sei que nem sempre meu melhor é o suficiente; como mãe, agora sei, que mesmo querendo acertar, eu erro feio; como mãe que sou, eu sei que pedir desculpas, não é só reconhecer um erro, é de fato lamentar por ele. Não um lamento vazio ou um lamento autoflagelador, um lamento sincero de quem não queria errar com alguém que me foi confiado e que quero tanto. E é prometer a si mesma, que vai tentar agir melhor. Uma promessa tão sincera, tão verdadeira, que chega a doer.

Eu, já mãe, quis precisar da minha mãe. E gostei disso. Eu, já mãe, precebi, que mães não são criaturas sobrenaturais, são apenas humanas. Que mães são mulheres, e como mulher que me tornei e sou, sei que nem sempre é fácil ser apenas mulher, quem dirá mãe e mulher, tudo junto ao mesmo tempo!

Mães são criaturas fantásticas, não acha?! Elas fazem uma casa funcionar, muitas vezes trabalhando fora, podem não ser excelente cozinheiras, mas sempre têm uma receita reconfortante e familiar, procuram fazer da casa um ninho, e ainda pensam em detalhes que só mães conseguem pensar!

Por exemplo, antes de ser mãe, eu achava que seria fácil manter uma casa bonita como a da minha mãe, sempre com flores, tudo no lugar e cheiro de pão saindo do forno. Ainda que tenha aprendido muito com ela sobre administração do lar, minha casa insiste em ser marrommeno, ter sempre flores velhas ou plantas mortas, bagunça por todos os cantos, e cheiro de pão…queimado. E aí eu me pergunto, quando é, senhor, que eu vou ser um pouquinho parecida com minha mãe?

Mas isso, claro, depois que me tornei mãe. Porque antes de ser mãe, a simples ideia de ser parecida com a minha, em qualquer coisa que fosse, me dava medo. Hoje, engraçado, não só consigo admirá-la, como desejo ser em muitas coisas como ela.

Como mãe e mulher, eu acredito que nem toda mulher precisa passar pela experiência da maternidade para reconstruir essa mãe interna. Esse foi o meu caminho. Agora, como mãe e mulher, eu acredito que toda mulher deveria, ao menos tentar, fazer as pazes com a própria mãe. Ainda que secretamente.

Afinal, presente ou não em nossas vidas, mãe é única, e a carregamos conosco a vida toda. Então, que seja leve o carregar.

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Fora de serviço

Só para avisar que nosso sumiço se deve à uma rinofaringite do Tomás, aos molares que despontam, uma casa que mais parece o cenário do Armagedon, um marido viajando absurdos e que, quando em casa, é só o pó da rabióla, e uma mãe muito, muito cansada.

Muito tempo longe da internet, muito tempo longe dos blogs amigos, mas como mãe e ser humano que sou, sei que é só uma fase. Apenas uma fase onde tudo parece demorar em ser tão ruim.

Gostei demais dos comentários sobre a trilogia do meu relato de parto. Prometo responder os que ficaram sem respostas.

Beijos e não nos esqueçam!

A imagem vem do blog mãe digital.

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Questão de ponto de vista

O João , meu marido, sempre tem umas estorinhas chinesas, persas ou indianas na manga, estorinhas essas cheias de sabedoria de vida. Então que ele uma vez me contou uma estorinha, que diz a lenda, passou-se na Índia. A estória é sobre um homem que foi procurar um guru muito respeitado na região , pois estava enjuriado pelo fato da sogra, do sogro e dos cunhados estarem morando com ele, e não darem provas que iriam embora. Justo ele que já tinha mulher e filhos (não me lembro mais quantos), todos numa casa muito pequena.

Daí que como todo guru, o guru da estória ouviu o homem muito pacientemente, respeitando todas as entonações e arroubos emocionais. No fim, ele aconselhou o pobre homem a levar uma vaca para dentro de casa. Uma vaca? perguntou o já f…. homem. Sim, uma vaca. Mas que parte o senhor não entendeu que eu não tenho espaco na minnha casa? O sábio, mais uma vez, nem se abalou, e entregou a vaca para o homem.

Bom, como sabemos, a vaca na Índia é um animal sagrado. Então o lascado homem levou a vaca para dentro de sua pequena e já povoada casa. E voltou depois de um mês para falar com o guru, uma vez que as consultas com o mesmo só aconteciam uma vez por mês. Emputecido da vida. Minha vida está um inferno! A minha casa fede, tem moscas e eu que já não tinha espaço! O guru mais uma vez ouviu o homem sem demosntrar nenhum sinal de espanto ou admiração . No fim, o homem pergunta o que ele o aconselha desta vez. O filho da puta do guru o aconselha a levar mais uma vaca. O pobre homem nem teve forças para questionar. E dessa vez saiu cabisbaixo e conformado. Com a segunda vaca.

No mês seguinte ele volta desesperado. O sábio disse então que ele poderia devolver uma vaca. E assim ele fez. Alguns dias depois de ter tirado uma das vacas, ele voltou para agradecer, e dizer ao guru que estava muito aliviado, que ter tirado uma vaca de casa foi a melhor coisa do mundo! Que a questão do espaço na casa tinha melhorado muito! Ele nem se lembrava mais da família folgada , e muito menos da outra vaca que ao que tudo indica, deve ter permanecido.

Eu já disse aqui mais de uma vez, que o Tomás não dorme. Faz treze meses, uma semana e cinco dias que eu não sei mais o que é dormir uma noite inteira. Quando Tomás dorme quatro horas seguidas, nós levantamos as mãos para o céu e juramos subir as escadas da Penha de joelhos. Durante o dia, também é uma dificuldade esse menino dormir. Há dias em que ele dorme minutos, mas pra ele parece ser horas, tamanha disposição com que acorda.

A gente reclama? Claro! Quem não quer dormir uma noite inteirinha depois que tem filho que atire a primeira pedra. E se você que me lê tem um filho que dorme a noite inteira desde que nasceu, nem se manifeste! Sou capaz de chorar litros. Acontece que o Tomás está resfriado. E tem duas noites que não sabemos mais o que é dormir uma hora seguida. Ele acorda, chorando, incomodado com o nariz entupido, chora porquê está com sono e não consegue dormir, e nós só não choramos junto porque temos que dar conta do recado.

E de dia não tem sido muito melhor. Ele fica grudado em mim, querendo colo, e só quer dormir grudado no meu cabelo. Enfim… Quando o João chega em casa, eu corro fazer o que ficou de afazeres domésticos para trás, enquando ele dá atenção para o Tomás. Ou seja, descansamos rachando lenha.

Eu só sei que antes do resfriado era paulera, mas a gente até que estava acostumado, sabe? E agora está tão, mas tão paulera que a gente sente saudade do que nem era assim uma brastemp. Eu só sei que eu quero apenas uma vaquinha fazendo cocô na minha sala! Onde eu devolvo a segunda vaca?

Imagem daqui.

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Mamatraca

Hoje eu estou no Colcha de Retalhos, contando qual foi meu maior erro como mãe até hoje, na curta vidinha do Tomás.

Corre lá ver o que eu e outras mães têm a dizer! Bora mamatraquear!

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Mãe em tempo integral

É verdade que o que faz uma mulher ser mãe e um homem ser pai é uma criança. Mas quem já é mãe e quem já é pai, bem sabe que da notícia da gravidez até o nascimento da criança, e tudo o que vem depois, não nos fazem automaticamente mães e pais.

Eu, como mulher, vivenciei o processo de tornar-me mãe, primeiro no corpo. Mesmo antes da barriga crescer, foram tantas as transformações, que a ideia de estar se tornando mãe foi se apoderando e se desenvolvendo em mim, assim como o Tomás. Mas mesmo depois do parto, o processo de tornar-me mãe continuou e continua até hoje. Ao meu marido, coube o papel, até o nascimento, de observador sensível e atento. Papel desempenhado com louvor, diga-se de passagem.

Tudo isso para dizer que desde a concepção, uma criança muda a dinâmica familiar pra xuxu. Em algumas famílias mais, em outras menos. Mas muda, invariavelmente.

No nosso caso, mesmo antes do Tomás nascer, ficou decidido que eu ficaria com ele no seu primeiro ano de vida. E que ao final desse ano, a decisão seria repensada. Tal decisão faz com que eu “arque”, na maior parte do tempo, com os cuidados em relação ao Tomás, e também, que eu esteja, na maior parte do tempo, à sua inteira disposição.

E quando eu digo “estar a inteira disposição”, eu não quero dizer que estou sendo subserviente, ou que estou me anulando pelo meu filho. Eu quero dizer que estar à disposição do Tomás nos seus primeiros meses de vida representa uma atividade profissional plenamente válida.

Só que estar em casa com um bebê é muito diferente do que estar em casa sozinha ou com o marido. Parece óbvio, mas para mim não era. Eu realmente acreditava que eu não precisaria abdicar de muitas coisas da minha vida antiga. Eu sabia que minha vida mudaria com a chegada do meu filho, mas eu não podia prever o quanto. Abdicar de uma casa arrumada, mesmo estando em casa, foi apenas uma das muitas mudanças.

Eu já disse aqui e aqui o quão solitário e repetitivo pode ser o dia-a-dia com um bebê, se você como eu, resolveu abdicar da profissão por um tempo. E tanto faz aqui se você decidiu ficar três meses, oito meses, um ano, dois anos sem trabalhar fora de casa. Momentos nos quais você vai querer sumir, ficar sem fazer nada, absolutamente N-A-D-A, se jogar numa cerveja ou num vinho, dormir 24 horas seguidas, namorar com seu marido até enjoar, ir ao cinema sem a cria (para aquelas que pelo menos podem levar a cria ao cinema. Oi, Cine Materna!) e outras cositas más, existirão, pode ter certeza. Se bem que esses momentos existem quer se trabalhe fora ou não.

Então o que fazer? Não é lei, não é regra, e nem mesmo chega a caracterizar “dicas”, mas vou contar um pouquinho do que eu tenho feito para segurar o rojão, o que eu tenho feito para que o Tomás tenha uma mãe mentalmente sã. Vamos lá:

Conversar com outras mães: Aqui onde moro ocorre quinzenalmente (muito menos do que eu gostaria) uma Roda de Mães no espaço Arte de Nascer. Lá, eu e Tomás nos encontramos com outras mães e outros bebês, e é um tempo muito gostoso de bate-papo, de troca de experiências. Ninguém se importa se meu filho vai dar pitis, ninguém se importa de colocar o peito pra fora e amamentar, de trocar fraldas. São mães reais, com filhos reais, com dia-a-dia real, com problemas /questões muito próprios da maternidade, e que a gente acha que só a gente tem. Olha, essa Roda só me faz bem. E se faz bem a mim, faz bem ao Tom. Eu saio de lá com a certeza de que eu e meu filho somos normais, e mais ainda com a certeza de que o Tomás não dorme mesmo! Olá bebês dorminhocos dessa roda!
A troca com outras mães blogosfera afora é bárbara. Foi através dela que nos primeiros momentos de vida do Tomás eu procurei ajuda e consolo. Mas a troca real com outras mães é saudável e também, muito prazerosa.
Não canso de repetir, mas a Roda salvou a minha vida!

Momentos me, myself and I: No começo era apenas uma hora no sábado. Agora, eu tenho as manhãs de sábado inteirinhas só para mim. Aproveito essas quatro horas do meu jeito, fazendo coisas que me distraem e recarregam minhas baterias. O celular não toca, e eu também não ligo para saber se está tudo bem. Esse tempo só meu, tem sido fundamental para restabelecer a sensação de que eu sou dona da minha própria vida.
Durante a semana eu também tenho meus momentos ilha, e apesar de serem de menor duração, são igualmente energizantes e fundamentais.
Nesse tempo só meu, o João dá conta do Tomás com maestria. E eu fico feliz em saber que os meninos se curtem e se conhecem mais. Também é importante para o João ter um tempo sozinho com o Tomás.

Uma rotina: Antes, muito antes de ter o Tomás, eu assistia esses Super Nanny da vida e achava tão babaca aquele quadrinho com os horários da família. Eu pensava: Cara, todo mundo sabe que horas acordar, quando ir para o trabalho, quando comer, quando dormir!. Pois é, se na vida de maneira geral a língua é o chicote da bunda, na maternidade essa máxima se torna duas vezes mais verdadeira. Hoje, me vejo as voltas com meu caderninho onde estão todos os horários e as atividades do dia, nossas e as do Tomás. Parece besteira, mas não é. Isso me ajuda muito e dá ao Tomás segurança. Uma rotina pré-estabelecida maximiza meu tempo e me orienta ao longo do dia, além de me mostrar que eu não só cozinho, lavo louça, lavo roupa. É claro que minhas tarefas diárias incluem tudo isso, mas eu também passeio com o Tomás, brinco com ele, tiro um cochilo, leio mas não respondo meus e-mails. Ou seja, a rotina me mostra que meus dias são ocupados com coisas menos e mais prazerosas, assim como o dia de qualquer outra pessoa.

Fugir para a casa da minha mãe: Como eu moro longe da minha família, e tenho um filho que dorme muito pouco de dia e de noite (gente, eu não estou exagerando. Tomasito dorme pouco mesmo). Às vezes me pico de mala e cuia para casa dos meus pais. É uma ajuda, um respiro. Eu não deixo de ser mãe, mas eu tenho uma estrutura por detrás que acaba me cansando menos. Mas esses períodos ocorrem só em último caso, como quando o João tem muito trabalho e/ou muitas viagens.

Isso também passará: Mas ás vezes bate um desespero, uma sensação de que a minha vida nunca mais será a mesma, de que eu nunca mais vou ter liberdade de ação. Daí eu penso que é apenas uma fase , assim como outras fases da minha vida – boas e ruins – passaram, esta também passará. E tem passado… Outro dia, vendo fotos do Tomás recém-nascido, me bateu uma baita saudade. E olha que nem de longe foram os três meses mais tranquilos da minha vida. E no entanto, passaram. Conclusão mega óbvia, mas verdadeira: tudo passa, não se apegue à nenhuma fase!

E tudo tem passado tão depressa! E a cada dia que passa eu tenho me sentido mais à vontade nesse papel de mãe. Menos ansiosa, menos encanada, menos exigente comigo mesma. Parece que agora a maternidade se tornou mais real e menos idealizada, mais leve e menos engessada. Como a gente é capaz de mudar em tão pouco tempo, né?

Aí me vem o João e me fala: Dá até pra pensar no segundo! Não, meu amor. Não dá, não! Deixa eu dormir uma noite inteira pelo menos, vá!

E você mãe que não voltou a trabalhar, você mãe que trabalha o dia todo, meio período, ou que trabalha em casa? O que você faz para ter sua saúde mental em dia? Me conta, que eu quero saber muito mais.

Do cotidiano, dormir pra quê?, mães não são de ferro, tempo escasso

Cadê tempo?

Ao que tudo indica, o espírito da falta de tempo baixou sobre as mães blogueiras. Com esta mãe que agora vos escreve não está sendo diferente.

Por isso, este blog ainda tão jovem, fará uma pequena pausa para que esta mãe se restabeleça. Se restabeleça de um bebê engantinhante e tentando ser bípede, que precisa de supervisão constante, caso contrário muitos tombos seguidos de choro inconsolável virão, de um bebê mega irritadiço com dentes despontando, de um bebê que só quer colo, o MEU colo; para que eu possa me restabecer de um bebê que tem dormido pouco de noite e muito pouco de dia. Ou seja, me restabelecer de uma fase high demandante do Tomás.

Preciso de tempo para terminar de escrever meu relato de parto quase nove meses depois do mesmo, preciso de tempo para terminar de escrever meu relato de amamentação, preciso de tempo para alimentar este blog. Preciso de tempo para cuidar de uma anemia que insiste em não regredir, e para isso, preciso de mais tempo para cuidar da minha alimentação, que confesso, andei negligenciando. Preciso de tempo para fazer uma atividade física para descansar o corpo e a mente, preciso de mais tempo com o João.

Como se não bastasse, pintou um trabalho, e por mais que eu tenha decidido dedicar este ano para o Tomás, trabalho a gente não nega, né?!

Então colegas de batente e leitores queridos e fiéis (oi família!), meus posts serão mais esporádicos, assim como a troca cazamiga tudo. Mas prometo aparecer por aqui sempre que possível, e fazer visitas na casa docês, mas não prometo comentários. Porém, não percam as esperanças, e nem desistam de nós! Muitas ideias, muitas novidades para os próximos meses estão surgindo. Garanto que a espera valerá a pena!

Força na paçoca para todas nós!

E para as que já estavam com saudades, uma foto do meu mequetrefinho insone mega lindo.

Ei, mamãe! Fases piores e mais difíceis virão. Eu prometo!

Do cotidiano, gracinhas do tom, mãe zen, mães não são de ferro, perguntas

Perguntas que não calam # 2

Se você ainda não leu as primeiras da série, então clique aqui.

Da desconhecida palpiteira

No elevador, a caminho do pediatra:

Desconhecida: Cadê a blusa do nenê? Cadê mamãe a blusa do nenê? Tá tão frio lá fora…

Qual a melhor reação da mãe (no caso eu)?

a) Faço a linha zen: Inspiro profundamente, expiro lentamente e Ooooom, Ooooom, Ooooom

b) Faço a linha grossa: Cala a boca sua louca! Você acha que EU sendo a MÃE vou deixar meu filho passar frio?

b) Faço a linha sem noção: Ele tem uma disfunção genética que o impede de sentir frio. É, se a gente morasse na Sibéria ele não sentiria frio.

c) Faço a linha violenta: auto-explicativa

d) Faço a linha mais louca que a própria louca: Como? Como é que é? Não ouvi a senhora.

Por que tem sempre um desconhecido pronto a dar pitacos/conselhos para uma pobre mãe?

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Do desconhecido enigmático

No elevador, a caminho de casa:

Vizinho desconhecido: Que belezinha? É ele ou ela?

Eu (acho óbvio que se trata de um menino, maaaaaaas): Ele. É o Tomás.

Vizinho: Oi Tomás! Quantos meses você tem?

Eu: Ele completa oito no sábado.

Vizinho: Nossa como ele é grande! Ele já tem dente?

Eu: Não, ainda não saiu nenhum.

Chegamos no andar do vizinho.

Vizinho: Ah! então é por isso. Tchau! Tchau Tomás!

O problema está no meu cérebro insone ou realmente está de difícil de entender esta? Alguém entendeu a relação tamanho do Tomás X ausência de dentes?
Com certeza concorre ao prêmio Pergunta que não cala of the year. Não é possível que alguém termine uma conversa assim, é?

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Das preferências pouco higiênicas

Situação: Eu precisando fazer almoço. Obviamente Tomás está acordado, sem parar um minuto. No colo, chora. No berço, chora. No cadeirão, chora. No carrinho, chora.

A solução: colocá-lo no chão com todos os brinquedinhos tão legais que eu e João compramos com todo cuidado e carinho. Aqueles de madeira, sem BPA, específicos para a faixa etária dele.
Ele se distrai, eu dou um sprint na cozinha. Minutos de muito, muito silêncio. Vou ver o que está acontecendo. Me deparo com o sujeito fora do espaço delimitado para a brincadeira (pra ser sincera, bem fora mesmo. Do tipo, do outro lado da sala) mastigando, mais feliz do que pinto no lixo, o cadarço do tênis do pai dele. Ou seja, uma das coisas mais sujas que se tem notícia.

Por que bebês preferem brincar com as coisas mais podres e perigosas? Por que Gesuis, por quê?

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Da fofura absoluta

Tomás completou oito meses hoje. “Fala” um mama tão bonitinho que eu me derreto.

Alguém me explica como pode um bebê de oito meses ser tão escandalosamente fofo? Deveria ser proibida tanta fofura! E a vontade de morder? Como fica?