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Previsão do tempo

Chove às nove, olho pra fora e faço um chá

Às onze tem mais chuva, e outra xicara de chá

À uma o sol apruma. Mais um chá?

Chá das três… Chove outra vez

Chá das cinco e já não sei mais o que sinto

Minto

Sinto tanto, sinto muito, sinto tudo

Mais um dia regado à chuva

E chá

E chuva

E choro

E chuva

E chá

A chuva para

Já passa da hora

Amanhã tem mais

Chá

Chuva

Talvez choro

E mais chá

E chuva, chuva, chuva

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Uma foto por semana – semana #2

Tomás e a febre

2014-03-18 13.48.13

Tudo começou com o Martin e seu atchim sem fim

Passou para o Louis que nada fazia, além de assoar o nariz

A pobre da Flora, xiii! Pegou catapora

E na outra semana?

Sobrou para o Tomás: de molho, na cama!

Febre, lágrimas, dorzinha aqui e ali

Mas nada deixou o menino mais feliz

Do que ficar de novo só com a mama!

Alemanha, antes de ser mãe eu não sabia que..., baião do tomás, com açúcar com afeto, Da poesia da vida, Do cotidiano, poeminha desavergonhado, Tomás

No tempo dele

Eu não sabia, mas há muito eu esperava por ele. E no tempo dele, ele chegou.

E no tempo dele, ele nasceu. Nem um dia a mais, nem um dia a menos. Apenas no tempo dele.

No tempo dele ainda, aprendeu a andar, aprendeu a falar, aprendeu a pensar. E nesse espaço de tempo – nem curto, nem longo – apenas dele, aprendeu muito mais do que posso imaginar.

Todos os dias, no tempo dele, ele aprende uma coisa a mais.

No tempo dele, aprendeu cores, formas e palavras. Conheceu canções, rimas e histórias.

No tempo dele, abriu-se para o de fora.

No tempo dele, decidiu apartar-se das fraldas.

No tempo dele, escolheu a própria cama.

No tempo dele, dorme noite adentro. Coisa essa impossível até então.

No tempo dele, e só dele, desabrocha feito flor em botão.

O tempo dele é tão bonito que até parece conto de fadas.

Mas que tempo é esse? pergunta a senhora

O tempo dele é só o agora.

Da poesia da vida, poeminha desavergonhado

Gosto, sem porquês

das manhãs e dos fins de tarde
das chuvas quentes de verão
do outono e suas folhas douradas
da neve
de chocolate mais do que deveria
de dormir
de acordar
de gargalhar
de chorar a alma
do pôr e do nascer do sol
do aqui e do agora
mas do que ficou para trás também
gosto sem maiores explicações dos opostos
do distante, do nada a ver
gosto mais de sonhar do que de viver
da música que embala mémorias
da música que embalou meu filho
do pai do filho que me é porto
deles eu gosto porque sim
porque há conforto em gostar sem porquês
e porquê não há cartas nem textos
nem prosa e nem poesia
que possa com porquês
explicar o porquê de gostar simplesmente