sobre leite vegetal

eu sei que escrever sobre leite vegetal é como chover no molhado. e por isso mesmo, eu achei que nem valia a pena compartilhar uma coisa vergonhosamente simples. e já tão pública e notória.

mas apesar de simples, eu achava que fazer o próprio leite vegetal era coisa de
gente luz e flor demais. e sobretudo, eu achava que ia dar muito trabalho. e ai, que preguiça de mais trabalho!

muito desse pensamento vinha do fato de, na alemanha, eu encontrar leite vegetal facim facim. e orgânico e biodinâmico e sem conservantes, aromatizantes, açúcares e demais porcarias. era na embalagem tetra pak, mas eu achava que dos males o menor. além do que, eu achava que deveria dar um apoio para os fabricantes que apareciam em fotos sorridentes na caixinha, garantindo a procedência e a qualidade do produto.

ainda que o custo fosse relativamente alto, eu pagava com a consciência tranquila, e seguia feliz com meu leitinho prático e embalado.

aqui na inglaterra eu ainda não achei 100% meus esquemas de compra. sobretudo o circuito alternativo de compras. e foi ao comprar uma embalagem de leite de amêndoas, e me deparar com a realidade de que naquela caixinha vinha muito mais do que o leite propriamente dito, a saber: maltodextrina, óleo de girassol, sal, emulsificantes e conservantes, que eu decidi dar uma chance para o modo homemade de leite vegetal.

então se você, assim como eu achava que seria muito trabalho, eu te digo por experiência própria que não. e além de ficar uma delícia, não tem os veneninhos disfarçados adicionais. e não vai te custar mais do que vinte minutos.

a receita é mega simples: para cada xícara de amêndoas (ou qualquer outra castanha de sua preferência) você adiciona três xicaras de água. mas antes você precisa deixa-las de molho por 12 horas, preferencialmente.

depois é só escorrer a água do molho (e descarta-la), bater bem no lquificador, coar com um pano tipo voil ou pano de prato bem limpo, e voilà, tens teu leite.

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com o que sobra depois de coar, a gente coloca em cima das frutas no café da manhã, ou coloco na massa de bolos, muffins & Co. e dá também pra fazer queijo vegano, mas eu ainda não fiz.

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já percebeu que não é necessário ter diploma de naturebices, nem estágio em woodstock, nem coroa de flores na cabeça para fazer seu próprio leite vegetal, não é!

e se com este post eu consegui provar por a mais b que, de fato, fazer leite de amêndoas é coisa fácil, considero minha missão cumprida.

então, experimenta fazer, e depois volta pra me contar se a vontade não era mergulhar dentro da garrafa pra aproveitar cada gota, de tão gostoso que ficou.

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O curioso causo da polenta com aspargo

Era uma vez um bebê que chorava muito. A mãe dava muito peito, muito colo e muito carinho. Mas um dia o choro cansou pai, cansou mãe e cansou filho. Todos juntos foram ao médico entender o que era aquilo. Olha daqui e de lá, pergunta um pouco disso e daquilo para soltar um veredito: são cólicas. Espace as mamadas, evite leite e seus derivados. Com um muito obrigado saíram todos aliviados.

Apesar de seguido, o sugerido não resolveu. Será cólica ou será a vida? O bebê chora porque tem dor de barriga ou chora porque saiu da barriga? Resposta? Não havia, nem a dúvida no ar se dissolveu.

Apesar do choro constante, peito, colo e carinho eram mais que frequente. E apesar disso tudo teve um dia, que tristeza!, o choro foi tão forte, tão alto e tão sem fim, que a mãe chorou junto, e os dois podia-se ouvir lá de Berlim.

Foi então que no desespero, a mãe escreveu para um médico que não era nem obstetra nem pediatra, mas era amigo e homeopata. Para o bebê Chamomilla na D2*. Para a mãe receitou: corte pepino e tomate,  alho e cebola esqueça completamente; leite nem pra mim, nem pra você nem pra ninguém. E paciência, que tudo passa, essa fase também. Obrigada doutor, amém!

E qual não foi a surpresa? Passou! O tempo mais forte que o vento levou dores, levou descontentamento. Ficou algum choro, mas ficou o riso, ficou a graça, ficou o peito, o colo, o carinho e a boniteza.

Mas o bebê de tanto mamar deixava a mãe com a barriga a roncar. E o que comer se ela pouco podia provar?

A mãe que não era boba nem nada descobriu a polenta como resposta à charada. Como é sabido, a polenta vem do fubá. Mas como esse mundo anda doido varrido inventaram o fubá transgênico. Não disse? O mundo anda mesmo esquizofrênico! Pois é, estamos mesmo pela hora da morte. Então já sabe, fubá orgânico é o norte.

Uma xícara de fubá e duas de água mexendo no fogo brando devagarinho. Uma pitada de sal para dar um gostinho; melhor ainda se colocar caldo de frango ou de legumes caseiro. Lembrando sempre que o amor é o melhor tempeiro.

A polenta que arretada! Mata a fome e dá sustância. Mas comer só polenta? Santa ignorância! A mãe com desejos de mulher que amamenta, encontrou nos aspargos verdes o acompanhamento de igual importância.

Os aspargos verdes e frescos iam amarradinhos para a panela de água fervendo. Ao saírem de lá passavam pela frigideira com um fio do melhor azeite. Não tinha glúten, não tinha queijo, não tinha glamour, nem requeijão, mas o trem ó… o trem era bão! Parece receita danada de sem graça, mas a polenta com aspargos quer saber?  Tem vitaminas, minerais, fibras e ferro que segura qualquer rojão.

A mãe satisfeita que só, produzia leite gostoso! O bebê de barriga cheinha, devolvia o olhar carinhoso.

Hoje o bebê já não mama mais no peito, nem bebê ele não é. Já é menino crescido, bonito, levado e faceiro. E fala pelo cotovelo.

Já escolhe bem o que quer, e é cheio de preferência. E às vezes pergunta sem paciência: por que hoje não se tem polenta?

A mãe orgulhosa da cria responde sempre  na brincadeira: Ah! menino, quem é que te aguenta!

Essa história me contaram, já não sei bem mais quem. Curiosamente eu sei que pai, mãe e filho passam bem.

*Jamais medique seu filho sem a orientação do seu médico! O nome do medicamento acima no texto não se trata de nenhuma sugestão para consumo.