um recesso e meus desejos

talvez eu tenha iniciado esse meu projeto de um poema por semana num tempo não muito oportuno.

eu realmente tenho me ocupado de coisas que, na  prática, me impossibilitam de escrever semanalmente no blog.

há de se ter prioridades, é bem verdade. e as minhas,  no momento,  são muito outras. 😄

estamos de férias (iuuuupi!). passamos pela Alemanha, onde estive muito ocupada passeando e revendo amigos.  chegamos na Austria, onde sigo ocupadíssima passeando 😉

mas desejo a você que vem toda semana por aqui à procura de um poema,  tudo Aquilo que Drummond já desejou.

DESEJOS  

Desejo a vocês…
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

Carlos Drummond de Andrade

Algumas frases que eu não gostaria de ouvir nas próximas 48 ou 72 horas

1. Vou demorar um pouquinho mais no trabalho hoje, tá bom? Marido ligando às 19h, avisando que vai chegar mais tarde ainda.

2. Eu vou viajar na próxima semana, mas vai ser uma viagem curta. E é a última do ano. Marido viajento e cara de pau.

2. Outro chocolate? Você está na TPM? Marido sem noção do perigo.

3. Outro brinquedo? Mas esse menino já tem muito brinquedo! Marido observador.

4. Outro livro? O mesmo marido acima.

5. Você não trabalha? Eu não aguentaria ficar o dia inteiro em casa! Eu também não. É por isso, inclusive, que eu saio de casa todos os dias com meu filho.

6. Você está grávida? Fala a verdade, você está né! Os avós

7. Mas você vai ter outro filho, não vai? Os avós ainda.

8. O Tomás não come maçã? Nossa, Zezinho adoooora maçã. Uma mãe afortunada (e exibida).

9. Mamãaaaaaaaaaaaaaaaaaae, eu quero acordar agora! Posso, mamãe? Meu filho às 5 e meias da manhã.

10. Eu não quero dormir! Meu filho, sempre.

11. Eu quero agora! O mesmo filho, para quase todas as coisas.

Posso pedir isso tudo, produção?

Pela atenção, obrigada!

não tá fácil pra ninguém

imagina se você é mulher, então…

ninguém me avisou, mas ao que parece vivemos uma competição diária

aquelas que chegarem em primeiro lugar devem ganhar alguma coisa (se é que existe um primeiro lugar nessa história), porque olha…

sei não, anda meio sem graça até

está grávida? mas não tem doula

tem doula? é privilegiada

pariu no hospital? mas não pariu na água

pariu na água mas não pariu em casa

pariu em casa na água, mas não amamentou em livre demanda

amamentou em livre demanda, mas não prolongadamente

amamentou em livre demanda, prolongadamente mas nunca precisou fazer dieta de aplv

nunca usou sling

só usa sling

deu chupeta e mamadeira

o moleque dorme na sua cama

deixa chorar

dá muito colo

não dá industrializados para o filho

não dá industrializados para o filho E é vegetariana

faz- me rir, somo veganos

começou a introdução alimentar com quatro meses

não sabe o que é blw?

voltou a trabalhar e pôs na creche

diz que só trabalha em casa? pfff

a filha nasceu faz tempo e a mãe continua gorda

é magra e bonita porque tem babá e empregada

pede mais empatia… ai que dodói

pede mais amor por favor… ai que balela

é muito crítica

falta crítica

e a lista continua ad infinitum

….

é saudável ter parâmetros, é desejável ter informação, é necessário respeitar o que cada um decide fazer com a mesma, penso eu

posso estar errada, mas sou muito mais da filosofia do “viva  e deixe viver”

acho que preciso me concentrar mais no meu tricot. quem sabe até eu engravidar e até nascer o bebê eu já tenha terminado os sapatinhos e a touquinha?

é isso, vou me concentrar nos blogs de ticotagem.

não, espera….

será que tem tretas nos blogs de tricot?

será que alguém vai querer enfiar a agulha no meu olho?

acho melhor fazer yoga

e meditar

e desconectar

é, não está fácil mesmo

 

 

 

 

eles crescem

ou a constatação de que um filho está há anos-luz dos seus paisimage segunda-feira gelada e molhada. e preguiçosa. convido sem esperanças tomás para uma soneca. usando-me do seguinte argumento:

tom, quando você era bebê, eu e seu pai cantávamos assim pra você: o que que um pai pode fazer pro nenê nanar, o que que um pai pode fazer no meio da noite, pro nenê nanar…

funcionava? pergunta ele.

não, mas hoje eu tenho outra versão dessa música pra você: o que a mamãe pode fazer pro tomás cochilar, o que mamãe pode fazer ,no meio da tarde, pro tomás cochilar. gostou?

não. e depois de um tempo me diz, eu tenho uma outra versão ainda: o que o tomás pode fazer pra mamãe acordar, o que o tomás pode fazer, no meio da tarde, pra mamãe acordar.

moral da história 1: se a vida lhe dá a mão não queira o braço. seu filho insone haverá de crescer e dormir. e deixará pai e mãe também dormirem. não desejes sonecas vespertinas.

moral da história 2: seu filho crescerá, dormirá e haverá de trollar pai e sobretudo, a mãe.

**********************************************************

dou por encerrado e esgotado o assunto sono neste blog. volto a falar sobre ele (ou a falta dele) somente no próximo filho. combinado?

*************************************************************

a música, para @s afortunad@s que não a conhecem por motivo de: filhos dorminhocos

Continuar lendo

os dias felizes

era fim de ano. depois de uma experiência triste e desagradável, daquelas que abalam nossas estruturas, nos decepcionam, eu decidi que, embora parecesse o fim do mundo, eu não me deixaria abater. como bem disse a maysa ” …se meu mundo caiu, eu que aprenda a levantar”.

e olha que eu, nem de longe, sou o ser mais otimista do mundo. mas aquela situação me mostrou tanta coisa, que se reverteu num bem tão maior mais tarde, que eu aprendi ali, que escolheria sempre procurar o lado bom e positivo das coisas.

por um lado é uma pena que a gente precise passar por experiências negativas para abrir os olhos, para aprender. bem já disse também o pessoa “… quem quer passar além do bojador, tem que passar além da dor…” a dor tem um papel transformador incrível. e eu sempre me surpreendo com nosso poder de transformação e de renovação.

naquele fim de ano não existia instagram, nem mesmo os #100happydays, mas eu decidi que dali em diante, todos os dias do ano eu escreveria um acontecimento feliz. uma felicidade por dia, todos os dias no ano.

e é muito legal reler ese meu diário de 2009 hoje, em pleno 2014. o distanciamento emocional dos fatos, os acontecimentos tão corriqueiros e aparentemente banais, que tornaram meus dias mais doces, mais suaves, mais bonitos, mais felizes. bem disse o guimarães rosa ” felicidade se acha é em horinhas de descuido”.

eu chego ao fim deste ano cansada. e às vezes, eu me pergunto: cansada do quê? a vida pode cansar, mas ir contra a vida pode cansar mais ainda. o ano foi intenso, mas muito bom. eu, nós, aprendemos muito, crescemos juntos, compartilhamos, amamos, choramos, sorrimos, planejamos, fracassamos, levantamos e cá estamos, sempre seguindo, sempre acreditando.

tivesse eu feito outro calendário da felicidade, teria ainda mais motivos para agradecer o ano que já vai terminando.

eu queria fazer um post falando sobre os muitos e lindos mercados de natal na cidade, sobre o quanto a cidade fica bonita nessa época do ano, sobre os biscoitos que temos assado… mas eu gosto tanto do período do advento, do natal aqui na alemanha, porque esse período nos convida a interiorização. lá fora faz frio, está úmido e a luz do dia se vai às quato e meia da tarde. o próprio tempo nos convida a ficarmos mais quietos, mais recolhidos. quem sabe no fim do ano que vem eu faça esse post, que tanto me é caro? aguardemos 🙂

vou me usar disso tudo e vou me despedindo do ano. vou comprar os presentes que preciso e que quero comprar, vou preparar minha casa para recebir minhas visitas tão amadas e tão esperadas para nosso natal e fim de ano, vou preparar o aniversário do meu filho, vou me preparar para receber o ano de 2015.

que promete ser um belo ano, aliás. não só pelos planos que temos, mas tembém porque desejamos que assim seja, porque queremos que assim seja.  e sobre o querer, pessoa ( de novo ele) já disse melhor do que eu :

quero, terei – se não aqui, noutro lugar que inda não sei. nada perdi. tudo serei.

e desejo que o período do advento, o natal de todxs aquelxs que lêem este post seja um tempo muito caloroso e de muito amor. e embora hoje seja doze de dezembro, e que ainda falte alguma àgua pra rolar debaixo da ponte de 2014, desejo que o 2015 de todxs seja de muitas alegrias e de muita paz.

gracias a la vida que me ha dado tanto

image

e até as árvores peladas, e a vida fria e molhada lá fora tem lá sua beleza

o inferno são os outros

Ou: onde se encontra empatia no mundo de hoje?

Sabe de uma coisa? Nessa minha nada longa vida de mãe eu já li muitos livros sobre maternidade e criação de filhos. Você também, aposto. É que existem muitos livros das mais variadas vertentes, passando pelo adestramento nazista, até a linha do amor nunca é demais. Cuja linha, particularmente, sou adepta e muito simpática.

talvez seja um sinal dos tempos em que vivemos, os números tendendo ao incontável, de livros sobre o assunto. Ė verdade que somos uma geração muito mais exposta à informação que nossos pais, assim como é verdade também,que a sociedade, as famíllias, os papéis e também as crianças mudaram.

e para suprir novas demandas, novas formas de viver, juntamente com novos desafios ao criar/educar uma criança, que tanto se fala e se escreve sobre o assunto.  haja visto o tanto não só de livros, como tambèm de sites, blogs, artigos, portais sobre maternidade/ paternidade. e tudo isso nas mais variadas línguas; passamos, ao que parece, por um momento globalizado de repensar não só a gravidez, o parto, a maternidade/ paternidade, como também a infância de nossos filhos, para que sejam adultos conscientes de si mesmos, da sociedade, do planeta em que vivem, para que sejam gente do bem entre outras coisas.

mas se tem uma coisa que parece não mudar é o fato de criança fazer birra. não importando se brasileira, alemã, inglesa, francesa… o que muda é a personalidade de cada criança, somada à forma que os pais lidam e conduzem a birra, aliada à maneira que outros dentro do círculo de convívio reagem à elas.

segundo todos os livros e artigos que li sobre o assunto é bom que assim seja. acredite, eu acredito nisso. embora nem sempre seja tão agradável saber que meu filho testa os seus, e sobretudo, os meu limites. embora ser firme, convicta e amorosa ao mesmo tempo custe forças que pareço, às vezes, não ter. embora muitas vezes eu tome decisões baseadas no que as pessoas estão pensando, porque criança birrenta é algo intolerável na nossa sociedade.

dia desses eu estava na fila do supermercado. e aqui na alemanha nos supermercados já é natal. e são incontáveis chocolates em forma de papai noel, dos mais variados cores e tamanhos entre outras tentações para qualquer criança pequena. e o mais interessante, todos ficam na boca do caixa, na altura de uma criança pequena. perverso, para dizer o mínimo.

então que meu filho de quase quatro anos me pede um chocolate x em forma de rena. não, eu disse, hoje não é dia de chocolate, lembra? obviamente meu não foi interpretado como uma condenação à forca, como a maior das injustiças já por mim praticadas. e o show começou. a fila atrás de nós só crescia, assim como o descontentamento do meu filho.

assim como li nos livros, me abaixei, ficando assim em sua altura, pedi para ele se acalmar, esperei pelo contato visual, reconheci seu desejo pelo chocolate, e permaneci firme em meu não. não adiantou. choros, lamentos, ranger de dentes e um vale de lágrimas. a caixa de supermercado, as pessoas na fila e eu tivemos de “suportar” até eu pagar e empacotar as compras. e eu sozinha, tive de aguentar os olhares censuradores e expressões de como é que você não consegue fazer esse menino parar de chorar e gritar?

e não, não adiantou ir com uma lista pronta ao supermercado e participar meu filho de cada compra,  fazê-lo me ajudar e tudo mais. e não, não são só as crianças “mal-educadas” e sem limites que fazem birras. toda criança fez, faz e fará. e eu repito, é bom que seja assim. especialmente para a criança que está aprendendo. inclusive sobre limites; os próprios e os alheios. e sim, esse é o único jeito para aprender.

eu fiquei vermelha de vergonha. e preciso confessar que sempre fico quando as birras acontecem publicamente. e esse dia foi especial em dois sentidos: um, porque meu filho caprichou no show, sendo minha vergonha diretamente proporcional ao seu escândalo. E dois, porque naquele dia eu dei um basta para mim mesma. e não, não foi no meu filho. eu prometi nunca mais sentir vergonha do meu filho por um comportamento absolutamente normal. eu aprendi que algumas coisas na maternidade não exigem desculpas, apenas aceitação.

eu já li muitos livros bons sobre maternidade e criação de filhos, mas acho que anda me faltanto mesmo é ler um livro cujo título seja cinquenta tons de estou cagando e andando para você que me julga quando meu filho está sendo apenas o que ele é, ou seja, uma criança.

Se você já fez isso, já censurou, já julgou, já pensou que no lugar da mãe bastava um bofetão na criança, eu gostaria de lhe dizer: abra a sua mente, mãe também é gente, criança também é gente.

e aí? alguém mais pra ler esse livro comigo?

De doce basta a vida

Esta frase dizia meu sogro, sempre que alguém lhe oferecia algum doce ou lhe passava o açucareiro, caso ele desejasse  adoçar  seu café. Amargo, ele dizia. Eu gosto de café amargo. De doce, me basta a vida. E assim, tomava de um gole o seu café, para logo em seguida, acender seu cigarro.

Os anos de tabagismo lhe devolveram um câncer de pulmão que acabou abreviando, em muito, sua vida. O neto ele conheceu só na barriga, e tantas outras coisas mais que acabou por nunca presenciar. Um fim nada doce, para quem achava a vida por demais açucarada.

Pois é, a vida, às vezes, deixa um travo amargo, difícil de engolir.

Mas eu me lembrei do meu sogro dia desses, quando subtamente fui arrebatada por uma vontade quase incontrolável de comer o mais doce dos doces. Ao contrário dele, eu sempre fui daquelas que um tiquinho a mais de açúcar não faria mal, pelo contrário, deixava a vida até mais doce. E quanto mais doce a vida, melhor. Sim, eu era asim, quase um melado ambulante.

Mas a gente vira mãe, e acaba virando exemplo de um monte de coisas, querendo ou não, a gente vai revendo as crenças, os hábitos. E a gente também se preocupa com a qualidade do que oferecemos aos nossos filhos. Comer, passa a ser muito mais do que matar a fome. Comer passa a ser o ato de alimentar, de nutrir: a si mesmo e ao outro.

De repente a gente se vê pensando em vitaminas e minerais, mais do que em calorias. A gente se vê pensando nas frutas, verduras e legumes da estação, mais do que em comida pronta. A gente se vê comprando orgânicos, e gastando mais em comida do que jamais suporia ou imaginaria gastar. E o melhor, a gente se vê feliz fazendo assim. A gente se vê pesquisando alternativas, experimentando, criando, imaginando como ou onde usar tal e tal ingrediente. E descobre que é muito gostoso este processo de nutrir o outro.  Eu respeito, mas juro que não entendo quem diz que não gosta de cozinhar.

Uma das coisas que mais mudei em questão de alimentação foi em relação aos doces, de maneira geral. Muito cedo percebi que minha paixão pelo doce, muito doce, adocicado, açucarado e afins, tinha grande ressonância com o gosto do Tomás. Maaaaaas…. Não dá para dar doce assim para uma criança.

Então o primeiro passo foi parar de comprar os doces industrializados: biscoitos, pãezinhos, barrinhas e tudo mais que tivesse uma quantidade surreal de açúcar, principalmente fontes escondidas ou disfarçadas de açúcar.

Passei para as versões caseiras de bolos, pães, biscoitos e lálálá. A princípio a versão original, com açúcar e farinha refinados. Depois galgamos para paladares mais naturebas, com versões mais integrais, orgânicas e nada refinadas. Depois procuramos outras alternativas para o açúcar, como xarope de agave, açúcar de côco. Hoje, eu não consigo compar açúcar e farinha refinados, simplesmente não consigo. Minha consciência parece gritar.

Chocolate? É o amargo mesmo. E nessa, eu percebi que hábitos são realmente construidos, porquê o Tom aprovou e se acostumou ( e nós também) super bem com os novos paladares.  Não sem antes dar uma torcidinha básica no nariz, claro.

É claro que dá para ser saudável sem ser xiita; exceções são sempre bem-vindas. Porque tem dias que a gente quer mais é ser feliz com glúten, açúcar e lactose, tudo junto e misturado. Mas eu penso que se dá para fazer trocas inteligentes, saudáveis e sobretudo saborosas no dia a dia, why the hell not?  Aí a exceção parece ficar até mais gostosa.

Muito bem, então eu olho na geladeira e me deparo com minhas cenouras orgânicas já quase dobrando o cabo da boa esperança, ou seja, quase estragando. Obviamente eu não podia deixar isto acontecer. E o que mais eu poderia fazer além de sopa e refoga? Acertou quem dise bolo de cenoura!

O bolo que eu fiz não levou glúten, nem açúcar e nem lactose. Não é a reeinvenção da roda, mas ficou deliciosamente igual ao clássico bolo de cenoura, na sua versão pecaminosa, segundo os sites e médicos das atrizes  que ostentam boa forma porque abdicaram da acima já citada trindade do mal.

Gente, eu juro que eu, um dia, consiguirei vir aqui e deixar apenas a receita. Mas de novo, eu acabei escrevendo um mundo de coisa.

Vamos ao bolo? Então você vai precisar de:

3 cenouras grandes (de preferência, orgânicas, lavadas e raladas)

3 ovos grandes (também orgânicos, preferencialmente.claras e gemas separadas)

2 xícaras de uva-passa (preferencialmente a escura)

3 xícaras de farinha sem glúten (a mistura básica para bolos são 2 xícaras de farinha de arroz, 2/3 xícara de fécula de batata e 1/3 xícara de polvilho doce)

1 xícara de óleo ( eu costumo usar óleo de côco, e a xícara mal cheia)

2 colheres de sopa de fermento (preferencialmente livre de fosfato)

Para cobertura:

4 colheres de sopa de cacau de verdade

2 colheres de sopa de óleo de côco

1/2 xícara de leite de arroz (ou leite de amêndoas)

2 colheres de sopa de xarope de agave

Como faz? Assim:

Bata as claras em neve e reserve. Bata no liquidificador as gemas, o óleo e a uva passa. Mas Gabi, uva passa adoça? Eu lhe digo que sim, mas você precisa se abrir para esta experiência. Caso o seu paladar seja acostumado ao doce, muito doce e açucarado, e você ainda não queira rever seus conceitos, vá de açúcar demerara ou mascavo, mas então use uma xícara e meia.

Em outro recipiente peneire a farinha e o fermento. Acrescente a mistura do liquidificador e mexa com uma colher de pau até ficar uniforme. Coloque as claras em neve e misture delicadamente.

Coloque a massa numa fôrma untada com farinha de arroz, e leve para assar em forno pré-aquecido à 180 graus. Deixe por 30 minutos mais ou menos (variando de forno para forno).

Para cobertura você vai levar todos os outros ingredientes ao fogo, menos o agave. Vá mexendo sempre com colher de pau em fogo brando, e quando estiver uniforme e levantar fervura, acrescente o agave. Misture bem e coloque sobre o bolo ainda quente.

imageimage

O Tomás quando viu o bolo pronto disse que achava a cobertura “alegante”, e que bolo com cobertura de chocolate o deixava feliz! Bom, eu não preciso nem dizer o quanto eu fiquei feliz.

Talvez meu finado sogro tivesse realmente razão, a vida já é demasiadamente doce, ainda mais quando se tem filho pequeno. Mas eu continuo com minha opinião de que adoçar um pouquinho mais, não faz mal não. Aliás, eu acho até que neste caso, o doce vai direto para o coração.

A gente não quer só parir

Eu chego atrasada, eu sei, como me é sempre peculiar. Mas ainda que no fim da Semana Mundial de Respeito ao Nascimento e Contra a Violência Obstétrica, eu gostaria de deixar aqui o meu relato e o mais profundo e sincero desejo.

Anos atrás, ainda na Alemanha, eu me deparava pela primeira vez com uma concepção diferente do nascer. Naquela época eu não tinha certeza ainda de que teria filhos, mas o contato com uma outra forma de ver a gravidez e, principalmente o parto, me deixou com uma pulguinha atrás da orelha.

De volta ao Brasil e cada vez mais certa do projeto filho, eu comecei a ler tudo quanto era possível sobre parto natural e humanizado. Livros, sites, relatos de parto. Antes mesmo do Tomás nascer eu já tinha pra mim que queria um parto domiciliar. Se é pra chutar o balde… eu pensava. Cesárea sem necessidade, cesárea agendada… nem pensar! Antes mesmo de engravidar eu sabia que queria parir. E querer já é muita coisa.

E eu pari meu filho; não em casa. Pari num hospital, pari sem anestesia, sem episiotomia, sem pressa, com muito grito, com liberdade, com carinho, com atenção. Pari com gente que é o crème de la crème do parto humanizado no Brasil. Gente que, além de extremamente competente, é gente de verdade. Gente que há anos luta por uma causa, ao meu ver, muito muito justa. E importante!

Eu sei, eu tive sorte sim. Mas eu também sei que eu corri atrás desta sorte. Munida de vontade e informação, cercada de profissionais sérios e competentes, eu fiz a minha sorte.

O que aconteceu depois do meu parto (baby blues) não tem livro, nem doula, nem médico que possa evitar. E muito menos uma cesárea. O nascimento de um filho é algo tão impactante, que cada mulher vivência de um jeito diferente.

Há quase quatro anos atrás começava o processo que mudaria a minha vida para sempre. E eu estava amparada e acolhida por uma parteira maravilhosa. Há quase quatro anos atrás eu dei um passo para viver o processo mais transformador da minha vida. E eu estava amparada e acolhida por uma parteira maravilhosa.

Um parto demora muito tempo para ser digerido, tanto tempo que parece que deixou de ser importante. Meu parto ecoa até hoje, mas hoje, passada a dor do parto, passada a dor da transformação, passada a dor da ruptura de vida, hoje, quase quatro anos depois, eu não tenho palavras para expressar a minha gratidão por ter tido uma parteira e um obstetra maravilhosos ao nosso lado, por eles terem acreditado em mim, por terem me acolhido, nos acolhido, e por terem me ajudado a trazer o Tom para este mundo. Eles sempre farão parte das nossas vidas e das nossas mais doces e amorosas lembranças.

Hoje, nas voltas que o mundo dá, e de volta à Alemanha, com filho parido e longe de estar criado, eu começo a me dar conta do que ter parido significou pra mim. É como se quase quatro anos depois (é, meu bebê já não é mais um bebê), a minha ficha caísse de uma única vez. É como se o acontecido, o meu, o nosso parto, se descortinasse e clareasse na minha cabeça.

Então, dia desses uma pessoa escreveu no Facebook que nenhuma mulher do seu círculo de amizade real ou virtual tinha parido de verdade, nenhuma mulher sequer. Eu respondi que eu tinha parido sim. Ela respondeu de volta, dizendo que eu não contava, pois tinha parido na Alemanha. Então, neste dia, ficou claro para mim que nosso imaginário tupiniquim, parir é só para as gringas ou para as mulheres que moram fora do Brasil.

Eu sei da realidade do nosso Brasil, mesmo estando hoje fora dele. Eu sei que, muitas vezes, não basta a vontade, não basta a fé, não basta a informação. O que falta é gente que abrace essa outra concepção do nascer, gente que abrace (literal e metaforicamente) a mulher que quer parir.

Mas este cenário está mudando. Hoje em terras tupiniquins, presenciamos um verdadeiro renascimento do parto; muito mais gente vê e espera que um parto, um nascimento, seja o mais natural, o mais respeitoso possível para mãe e filho .

E é também por conta de toda esta mudança, que eu estufei o peito, e fiquei muito feliz e orgulhosa em dizer para minha amiga virtual de Facebook que não, eu não pari na Alemanha. Eu pari no Brasil, e não foi em nenhuma maternidade top e podre de chique. Foi no interior de São Paulo, para ser bem precisa, numa maternidade que em nada lembra um hotel! E que isto na verdade não fez a menor diferença, pois o essencial, ou seja, o respeito ao meu corpo, ao  tempo mãe-bebê vale mais que qualquer instalação cinco estrelas.

E em tempos onde a própria OMS reconhece que a violência obstétrica é violência contra a mulher, e em tempos onde existe uma semana dedicada ao respeito ao nascimento, eu deixo aqui meu testemunho. Um relato de quem vivenciou todo o respeito, e o meu profundo e sincero desejo a todos (mães e pais) que desejam um parto, que de fato o tenham.

Mas a gente não quer só parir, a gente quer fazê-lo com respeito. E acredite, hoje no Brasil, parir não constitui mera sorte ou acaso.  Aos poucos está virando fato.

Das ausências

Hoje a Paula e o Felipe voltaram para o Brasil. Hoje ficou aquele vazio que fica quando alguém querido se vai.Vazio que demora dias, semanas, talvez alguns meses, para deixar de ser percebido.

Porque ausências, como bem sabemos, só podem ser preenchidas com as próprias presenças.

Hoje o dia está chuvoso. Hoje teve chá com pipoca, teve bolo de chocolate, teve muitos livros lidos na cama, teve muito brincar.

Tudo para distrair a falta, tudo para esquecer a ida.

Que coisa essa vida… uns sempre estão de partida.

DSC06027
DSC06038