a vida é mais, Da poesia da vida, Do cotidiano, filosofia de boteco, mãe zen, sono dói, uk

Bom conselho #1

Um café quente. Amigo das noites entrecortadas por despertares de um bebê.

A alma de volta para o corpo. O corpo de volta pra vida. A vida de volta aos eixos. Ou quase isso.

Apenas não subestimem o poder de um café, senhoras e senhores!

Alemanha, Do cotidiano, dormir pra quê?, Heidelberg, mãe zen, mães não são de ferro, sonhos, sono dói

Questão de ponto de vista

O João , meu marido, sempre tem umas estorinhas chinesas, persas ou indianas na manga, estorinhas essas cheias de sabedoria de vida. Então que ele uma vez me contou uma estorinha, que diz a lenda, passou-se na Índia. A estória é sobre um homem que foi procurar um guru muito respeitado na região , pois estava enjuriado pelo fato da sogra, do sogro e dos cunhados estarem morando com ele, e não darem provas que iriam embora. Justo ele que já tinha mulher e filhos (não me lembro mais quantos), todos numa casa muito pequena.

Daí que como todo guru, o guru da estória ouviu o homem muito pacientemente, respeitando todas as entonações e arroubos emocionais. No fim, ele aconselhou o pobre homem a levar uma vaca para dentro de casa. Uma vaca? perguntou o já f…. homem. Sim, uma vaca. Mas que parte o senhor não entendeu que eu não tenho espaco na minnha casa? O sábio, mais uma vez, nem se abalou, e entregou a vaca para o homem.

Bom, como sabemos, a vaca na Índia é um animal sagrado. Então o lascado homem levou a vaca para dentro de sua pequena e já povoada casa. E voltou depois de um mês para falar com o guru, uma vez que as consultas com o mesmo só aconteciam uma vez por mês. Emputecido da vida. Minha vida está um inferno! A minha casa fede, tem moscas e eu que já não tinha espaço! O guru mais uma vez ouviu o homem sem demosntrar nenhum sinal de espanto ou admiração . No fim, o homem pergunta o que ele o aconselha desta vez. O filho da puta do guru o aconselha a levar mais uma vaca. O pobre homem nem teve forças para questionar. E dessa vez saiu cabisbaixo e conformado. Com a segunda vaca.

No mês seguinte ele volta desesperado. O sábio disse então que ele poderia devolver uma vaca. E assim ele fez. Alguns dias depois de ter tirado uma das vacas, ele voltou para agradecer, e dizer ao guru que estava muito aliviado, que ter tirado uma vaca de casa foi a melhor coisa do mundo! Que a questão do espaço na casa tinha melhorado muito! Ele nem se lembrava mais da família folgada , e muito menos da outra vaca que ao que tudo indica, deve ter permanecido.

Eu já disse aqui mais de uma vez, que o Tomás não dorme. Faz treze meses, uma semana e cinco dias que eu não sei mais o que é dormir uma noite inteira. Quando Tomás dorme quatro horas seguidas, nós levantamos as mãos para o céu e juramos subir as escadas da Penha de joelhos. Durante o dia, também é uma dificuldade esse menino dormir. Há dias em que ele dorme minutos, mas pra ele parece ser horas, tamanha disposição com que acorda.

A gente reclama? Claro! Quem não quer dormir uma noite inteirinha depois que tem filho que atire a primeira pedra. E se você que me lê tem um filho que dorme a noite inteira desde que nasceu, nem se manifeste! Sou capaz de chorar litros. Acontece que o Tomás está resfriado. E tem duas noites que não sabemos mais o que é dormir uma hora seguida. Ele acorda, chorando, incomodado com o nariz entupido, chora porquê está com sono e não consegue dormir, e nós só não choramos junto porque temos que dar conta do recado.

E de dia não tem sido muito melhor. Ele fica grudado em mim, querendo colo, e só quer dormir grudado no meu cabelo. Enfim… Quando o João chega em casa, eu corro fazer o que ficou de afazeres domésticos para trás, enquando ele dá atenção para o Tomás. Ou seja, descansamos rachando lenha.

Eu só sei que antes do resfriado era paulera, mas a gente até que estava acostumado, sabe? E agora está tão, mas tão paulera que a gente sente saudade do que nem era assim uma brastemp. Eu só sei que eu quero apenas uma vaquinha fazendo cocô na minha sala! Onde eu devolvo a segunda vaca?

Imagem daqui.

Do cotidiano, dormir pra quê?, sono dói

Sonho de uma mãe insone

Depois de tomar um banho quentinho e demorado, eu deito às dez da noite, na minha cama igualmente quentinha, macia e com roupa de cama cheirosa. Durmo a noite inteira, ininterruptamente. Acordo às sete na manhã seguinte. Às sete? É, às sete. Olho no relógio, e me permito mais uma sonequinha. Até às nove. Ai que delícia! Levanto, tomo um banho bem gostoso, um café da manhã com calma, leio o jornal e começo a pensar no dia e nas coisas para fazer.

Hum, mas e o Tomás? Onde ele entra nesse sonho? Ah! esqueci de dizer que no meu sonho, ele dorme tudo isso junto comigo, acorda, mama, fica quietinho no berço enquanto eu tomo meu banho, e brincando feliz com seus brinquedinhos, enquanto eu tomo meu café. Só por um dia, vai! Não custa nada sonhar.

Pois é, o sonho dourado mega blaster plus advanced da minha vida hoje é esse. Eu sei que é um sonho ousado, mas a gente tem que sonhar alto. Eu até posso abdicar da parte da sonequinha até às nove, do banho com calma na manhã seguinte e do café com jornal. Mas vou continuar sonhando com uma noite ininterrupta de sono. Meu ideal de vida, melhor do que casa própria e férias na Disney, minha gente!

Eu e João já estávamos quase estourando o champanhe, comemorando a nova fase do Tomás. Fase na qual ele dormia entre oito e meia, nove horas, acordava duas vezes na madrugada para mamar, saía do peito capotado, e acordava entre sete, sete e meia da manhã.

A gente viajava, os dois, sentados no sofá, depois que ele dormia: Nossa nem acredito que ele está dormindo sem escândalos, acorda, mama e dorme!. Dizia um. Nem eu! Agora é disso para melhor! Ele vai passar a acordar uma única vez e depois… Medo, medo, muito medo de dizer. Depois ele não vai acordar mais! Ele vai dormir a noite inteira! E chorávamos de emoção. Mentira, mas a ideia de voltar a dormir a noite inteira causa uma certa comoção em nós. Entendam, é um assunto muito delicado nesta família.

Mas a verdade é que de uns dia pra cá, Tomás acorda por volta das duas da manhã, se recusa a mamar e claro, se recusa a dormir. Colocamos ele na cama, entre nós, e tentamos em vão convencê-lo a dormir conosco. Ele chora, fica nervoso, daí quer mamar, mama um monte, rola pra lá e pra cá, pra finalmente dormir. Com muita sorte o processo todo dura uns bons quarenta minutos.

No outro dia acorda às seis e meia como se nada tivesse acontecido, no maior pique Bom dia, comunidade!. Quer mamar e sair o mais rápido possível do quarto, para engatinhar pela casa afora.

Deus há de me recompensar com um filho rico, famoso e Nobel de matemática. Fala sério! Eu mereço sonhar alto assim, não mereço?