das surpresas

a gente se acha no controle de tudo, se não de tudo, pelo menos da parte que nos cabe no nosso latifúndio.

a gente acha que pode controlar as pequenas coisas, e também aquelas maiores. a gente gosta dessa sensação de controlar aquilo que chamamos de nossa vida.

mas a vida como bem sabemos, e fingimos que esquecemos, está sempre disposta a nos mostrar que as coisas não são bem assim, preto no branco, que nem sempre dois e dois são quatro, que nem sempre é o que parece ser…

e foi assim, nessa certeza de que tudo estava no seu lugar, que não haveria grandes mudanças no porvir, que 2018 não me reservava nenhuma grande surpresa – justo eu tão escaldada pela vida e suas reviravoltas – foi assim que me descobri grávida pela terceira vez!

e assim, há catorze semanas e meia, minha surpresa tem um coração a bater mais rápido que o meu, e cresce, cresce, cresce…

será outro bebê de primavera e outra primavera se fará em mim!

mas até lá que eu viva um dia de cada vez, para não perder as boas surpresas da vida, como já bem disse alguém que não me lembro agora. e com a certeza de que a vida, essa a gente não controla. ainda bem!

Outonando

and all at once, summer collapsed into fall – oscar wilde

os ventos do outono chegaram junto com suas cores e sua luz própria. oficialmente a temporada de apanhar castanhas e frutas vermelhas chegou, e não vejo a hora de perfumar a casa com cheiro de compotas e tortas de maçã.

é tempo também de tomar mais chá, demorados banhos de banheira, bebericar um bom vinho durante a noite, ler e tricotar mais, vestir as crianças (e nós também) em camadas.

outono também é tempo de preparar o jardim para o inverno e vê-lo adormecer aos poucos; de preparar a casa e alma para os dias da sensação do sol esquentar os ossos forem apenas uma lembrança.

não me levem a mal, eu gosto do verão com seus dias que parecem não ter fim, das noites quentes a soprar um vento morno, e das longas conversas na grama regada a vinho gelado.

mas o outono, oh boy, o outono! minha estação favorita! com suas cores e aromas e seu refresco.

outono é a preparação para uma mudança maior; mudança tema que me é tão familiar e tão caro. é sobre desfolhar-se sem medo do inverno escuro e gelado, porque depois tudo vira primavera. e começa uma outra celebração🍁

aos pequenos prazeres

Eu jurava que fazia mais de um ano que eu não escrevia por aqui, tamanha a falta que eu sinto de escrever.

Quando a gente fica longe do que a gente gosta, o tempo parece muito maior, a falta parece grudar na gente.

E eu sempre procurando o melhor dia, a melhor hora, a melhor forma de passar por aqui.

Quando não existe a melhor hora, o melhor dia, a melhor forma de fazer as coisas. O melhor é o agora, né!

Se não prejudica você e nem ninguém, deu vontade vai lá e faz!

A vida já é cheia de regrinhas, rotinas, rótulos… pra quê complicar nas coisas que a gente mais gosta, que nos dá prazer?

Parece que a gente faz uma espécie de auto-sabotagem conosco, que caso as coisas não estejam de acordo com nosso quadro mental de perfeição não podemos nos dar meia hora no dia para fazer aquilo que nos dá prazer porque nos parece errado.

Nos parece errado tomar aquele café com calma, nos parece errado alongar aquela conversa, nos parece errado tirar aquela soneca, esticar o caminho só para passar em frente daquele lugar bonito, ou encurtá-lo só para chegar mais cedo em casa e se esparramar no sofá para assistir aquele episódio em plena quarta-feira!

Parece tanta contravenção dentro de uma rotina por vezes rígida, por vezes quadrada.

Somos adultos, sabemos que não é possível fazer só o que se gosta o tempo todo. Temos contas para pagar, responsabilidades dentro e fora de casa, e por aí vai.

Mas o meu ponto é, desde o começo do texto, que por conta do emaranhado de nós dessa vida adulta a gente se perde nessa adultisse e se esquece de nos fazer um agrado, um carinho.

Eu decidi que não precisa ser nada de grandioso, nada que exija um planejamento. Basta um parágrafo no meu caderno de anotações, basta tomar um chá sozinha na hora da soneca da minha filha, basta uma gentileza comigo mesma, ouvir músicas preferidas…

E que apesar da lida preocupada, corrida, suada, batida* eu consiga ver e me conceder um pequeno prazer. Para poder levar a vida pro lado contrário da dor **.

E que em plena segunda-feira, data em que escrevo este texto, possamos trazer um pouco de um domingo preguiçoso e ensolarado pra segurar o rojão.

* e ** da canção Bom Tempo de Chico Buarque

assim caminhamos nós

e por esta ilha fria e úmida os dias já cheiram outono. as folhas das árvores começam a mudar suas cores, o vento sopra mais gelado, e os dias cada vez mais curtos estão a nos dizer que mais um verão se passou.

o nosso verão foi muito bem aproveitado. nossos dias de sol e calor os tivemos na alemanha. revimos amigos, refizemos passeios, comemos e bebemos o que sentíamos vontade, consultamos nosso pediatra, tivemos a companhia da minha sogra, comemoramos conquistas e 14 anos de casados.

 abrimos champagne, não dormimos mais do que três horas contínuas, chorei de cansaço, sorri de amores, tomamos muito sorvete, nos abraçamos. foi um bom verão.

Violeta caminha para os seus cinco meses, Tomás caminha para o início de mais um ano letivo. caminhamos à procura de um novo lar. caminho eu para a minha primeira habilitação. aos 37 anos. sem nunca ter dirigido antes. nunca é tarde, disseram. nunca é. 

caminhamos entre noites de sono melhores e piores. mas sempre na fé de que virá a ser melhor. embora saiba que a melhora independe da fé, pois um dia Violeta há de dormir noites inteiras, fato. mas como disseram, a fé não costuma falhar. nem a fé e nem o café de todas as manhãs que me ajuda a segurar o rojão.

gostaria de passar mais por aqui, escrever mais. contudo, nos meus intervalos de amamentação, troca de fraldas, e tudo mais, eu tenho que ser também a mãe do Tomás, a dona de casa, a cozinheira…  não reclamo, só me ressinto de um dia ter apenas 24 horas. embora talvez, dias mais longos não tornariam minhas noites menos curtas.

é uma fase, eu sei. tudo passa, disseram. e eu não duvido. 

do nosso verão

um breve relato do que foi e do que tem sido

Violeta já tem nove semanas,e parece que foi ontem mesmo que a segurei em meus braços pela primeira vez. 

e parece que foi ontem mesmo, depois de cinco horas de parto ativo, sendo duas de expulsivo e uma cesárea de emergência,  que eu finalmente conhecia a minha menina.

nunca pensei que faria parte das estatísticas das cesarianas que salvam vidas, ainda mais após um primeiro parto vaginal, onde fisiologicamente foi tudo perfeito. ninguém esperava. nem eu, nem João, nem as midwives, nem os médicos. mas fizemos parte.

e tê-la em meus braços depois de toda minha Via Crucis foi a maior e melhor sensação de alívio da minha vida. 

tem sido uma delícia amamentar novamente. ela não é tão gulosa como era seu irmão, mas ainda assim mama bastante, a minha pulguinha.

aliás, tem sido uma delícia ter um bebê de novo em casa.

Tomás está apaixonado pela irmã e tem se saído muito bem como irmão mais velho. tivemos alguns dias de choro, uma sensibilidade maior, mas tudo foi se ajustando e ele agora não tem sentido mais as mudanças na sua rotinininha. 

eu estou ótima físicamente, jamais esperava me recuperar tão rápido como me recuperei. emocionalmente então, nem se fala.  eu que experimentei uma depressão pós-parto da primeira vez, sei hoje o que é estar bem depois da chegada de um filho.

e eu não tenho tido tempo de passar por aqui por motivos bastante óbvios: quando Violeta dorme eu tenho que escolher entre lavar a louça ou a roupa, ou tentar arrumar a casa, ou comer ou tomar banho, ou ir ao banheiro… e quando me dou conta, já é hora de buscar o Tom na escola.

por falar em escola, vem “ni mim” férias de verão! é só o que penso.

e é isso, por ora, o que tenho para dizer. Vivi dorme há meia hora, e antes que ela acorde para mamar, vou lá lavar uma louça.

mas volto pra relatar com detalhes o nascimento da Vivi. Alguém ainda se interessa por relato de parto?🤔

beijos nossos e até o próximo post.

nasceu!

nossa primavera ficou mais cheirosa, mais bonita e mais florida desde a semana passada com a chegada da nosssa flor.

depois de 40 semanas + 6 dias, depois de achar que ficaria grávida para sempre, depois de luas e mais luas…

Violeta nasceu às 18:58 h de uma quinta-feira, véspera de feriado, muito saudável, fofinha e cabeluda. e linda linda linda !

seja bem-vinda minha flor! Violeta nosso amor💜💜💜


volto com detalhes assim que possível.

sobre um montão de coisinhas

pois é, o tempo passou mesmo. é que o tempo costuma passar, não tem jeito. mas a verdade é que cheguei à trigésima sétima semana de gravidez e daqui pra frente nossa bebê pode nascer a qualquer momento.

eu confesso que senti muito medo no início dessa gravidez. um medo insano de perder essa bebê. não sei se porquê o pré-natal aqui começou só na décima semana, não sei se pelo fato do primeiro ultra som ter sido feito com 13 semanas, só sei que queria que chegasse rápido na semana 16 para afastar todo risco de perda (perceba que não era nem na décima segunda semana, eu encasquetei nas 16).

olhando agora, parece bobagem, mas eu fiquei bem esquisita no começo. mais uma coisa que vai pra conta dos hormônios enlouquecidos. sei também, que depois de passado o medo da perda, o segundo trimestre foi um bololô só. eu não curti a barriga como da primeira vez, eu tinha (e tenho) tantas coisas para me fazer e me concentrar, além de ter um filho pra cuidar.

e assim o tempo passou. e até aqui eu não tinha parado pra pensar no óbvio: como vai ser a vida com dois filhos? não sei se vale muito a pena ficar torrando a cabeça com essa questão, porque afinal, terei dois filhos e  todos sobreviveremos. mas mesmo que eu apele para o racional (o que é difícil, uma vez que estou com os sentimentos à flor da pele), quando paro para pensar nos desdobramentos da nossa nova configuração familiar, fico tão sentimental.

como será que o tomás vai reagir? como será que vai se sentir? como eu vou me sentir? como eu vou reagir perante às demandas do meu primogênito com um bebê cujas demandas são tão urgentes? conto, claro, com o fato de ter um filho de seis anos com o qual posso dialogar e que já entende muita coisa.

também foi assim da primeira vez. eu não imaginava como seria a vida depois da chegada do tomás, e tudo se encaixou. de um jeito ou de outro. no seu tempo. do jeito que tinha que ser. não tem porquê duvidar que  será diferente dessa vez, não é mesmo? (pergunta retórica, eu tento me convencer o tempo todo sobre isso).

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sobre o parto agora. como cheguei na 34. semana sem nenhuma complicação, bebê virou, placenta subiu, pressão ok… pude ser direcionada para o birth centre. minhas consultas  agora são feitas lá até o dia da bebê nascer.

sexta-feira passada foi minha primeira consulta, e eu simplesmente fiquei muito em paz como minha decisão de ter escolhido o birth centre para trazê-la ao mundo. o lugar é muito acolhedor, calmo,tranquilo, e em nada lembra um hospital, embora seja dentro do hospital. sobre as midwives, então, uns amores!

agora se eu quiser uma epidural, eu terei que ser transferida para o hospital. porém, além do gás (entonox), no birth centre eu posso receber uma injeção se pethidine (não sei como chamam no brasil). obviamente, se assim eu quiser.

sabe, depois do meu primeiro parto, onde não recebi nenhuma anestesia, eu posso dizer que não descarto os métodos acima para alivio das dores.

eu sempre disse para o joão que se u parisse de novo, eu queria um parto civilizado hahaha!  digo isso porque no meu primeiro parto eu virei um bicho que parecia enjaulado, porque gritei, porque virei uma fera, porque perdi meu eixo, porque me perdi, porque não conseguia mais ser consciente, porque eu era puro instinto.

bom, parir é isso mesmo. é instintivo, é visceral, é entrar em contato com o feminino mais ancestral, arquetípico. parto é também sexualidade. é sombra, é encarar os maiores medos.  é, muitas vezes, trazer à tona aquelas coisas bem escondidinhas no inconsciente.

teve um texto que viralizou por conta disso e que eu transcrevo abaixo:

Sabe aquela imagem dá mulher parindo serena na banheira, esquece aquilo miga! Parir é primitivo, é irracional. É preciso perder uns tufos de cabelo, gritar, gemer, tirar a roupa, agachar, ficar de quatro, uivar, ficar com raiva de todo mundo, sentir medo e explodir em alegria. Entrar numa caverna tão profunda que você nem sabia que existia. Parir serena, sem cheiro, sem excreções, bela, recatada e do lar, é só no imaginário das pessoas. Pq miga, alguém vai atravessar você, vai passar por voce, vai abrir você, vai te jogar teu mundo no chão e reconstruir outro, não tem como ser fácil, não tem como não dar medo, mas ainda sim tem como ser prazeroso. Tira as rédeas das mãos dos outros e coloque na sua e grite o quanto quiser, pq o poder, ahhhhhh vc vai experimentar que realmente você pode tudo. autoria thaiane guerra caetano.

eu super concordo com a thaiane. mas, às vezes, o mergulho é tão fundo que a subida para superfície é mais dolorosa que a própria descida. e by the way, essa sensação de poder tudo, de me sentir a própria she-ra, a fodona, eu não tive depois que meu filho nasceu. eu fiquei anestesiada. exaurida. calada. eu queria virar caramujo.

 

claro que quero ser protagonista do meu parto. mas eu também quero ser uma protagonista mais consciente dessa vez, e não joguete dos meu próprios instintos.

esse assunto dá pano pra manga, e muita gente não vai entender ou vai entender aquilo que quer das minhas palavras.

certamente voltarei para falar do parto, uma vez que ele é um evento que demora tempo para ser digerido. e quem sabe também, dessa vez, eu acabe por me perder e adore a experiência. afinal, parto é um evento único, e cada filho traz consigo o que filho e mãe precisam.

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puxa, ainda preciso cortar o cabelo, fazer a sobrancelha, passar algumas roupas dela, arrumar nossas malas da maternidade, abastecer o freezer…

e ainda queria ir, antes dela nascer, aos meus cafés favoritos, terminar de ler os três livros que concomitantemente estou a ler. queria ir para londres mais uma vez, queria ver aquela exposição que há tempos estou para ver.

mas estou a limpar cada canto da casa, a jogar fora muitas coisas, a organizar o que parece já estar organizado.

que coisa esse tal de nesting!

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a bebê continua sem nome, e sabe o que é mais difícil? lidar com a ansiedade dos outros. estamos tranquilos quanto à isso. temos até seis semanas para registrá-la. obviamente, não gostaria de ficar seis semanas sem nomeá-la, mas acho que quando ela nascer vamos olhar para ela, e ela vai nos cantar seu nome.

as pessoas do nosso convívio direto são super ok, não ficam perguntando toda hora.

mas tem gente que só por deus. é por direct no instagram, é por mensagem no facebook, é por email… olha, minha vontade é perguntar se a pessoa quer saber o nome para me enviar um presente com o nome dela gravado.

meus parabéns às mães que resolvem não saber o sexo do bebê. deve ser um porre aguentar a ansiedade alheia, nesses casos.

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bora fazer um bolão? quando você acha que a bebê chega?

37 semanas (por favor, espera mais pouquinho!)

38 semanas (ok, mas seria melhor esperar a vovó chegar)

39 semanas ( super ok)

40 semanas ou mais ( ansiedade já atingiu níveis estratosféricos)

façam suas apostas e sobretudo, torçam por uma boa hora.

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um resumo de como eu me sinto por ora

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fim

 

 

 

 

 

 

 

 

meus favoritos

tem três coisas que eu usei na gravidez passada, e dessa vez não poderia ser diferente. porque coisa boa a gente agarra um amor e não deixa de lado por nada. na verdade, eu só tenho óleos para eles. perdoem-me o trocadilho infame, e vamos ao que interessa.

o primeiro deles, eu uso desde o começo da gestação, e na minha opinião é simplesmente ma-ra-vi-lho-so!

é o óleo da weleda para prevenção de estrias. eu não tenho palavras para dizer o quanto amo esse óleo. o cheiro é suave,  absorve super rápido na pele, super efetivo e além do mais, ele é feito com ingredientes naturais. nada de parabenos e outras porcarias mais.

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até tentei fazer uso de outro óleo, mas o cheiro me embrulhava o estômago, além de me deixar toda melecada. eca!

como eu disse, eu uso desde o começo da gravidez, e depois do parto também, quando a barriga começa a voltar para o seu tamanho original.

o outro óleo igualmente fantástico, é  também da weleda, e é para massagear o períneo. se você deseja um parto natural, deveria fortemente considerar usá-lo. diferente do óleo para barriga, esse óleo é para ser usado a partir da 34. semana da gravidez.

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as instruções de como massagear o períneo você vai encontrar no folheto explicativo que vem na embalagem.  não precisa ser todo dia, três ou quatro vezes por semana já são suficientes. uma dica: faça de bexiga vazia. outra dica: peça ajuda para seu parceiro/marido/namorado para fazer a massagem. não precisa me agradecer por isso ;-).

a minha recuperação física depois do parto do tomás foi excelente. eu sentava, agachava, ia sem problemas ao banheiro. é claro, que ter uma equipe humanizada foi fundamental, mas o óleo também cumpriu sua função. não apenas recomendo, como usarei novamente.

o último, mas não menos importante,  óleo da minha lista é o óleo que ajuda na amamentação.  atenção agora: ele não vai sozinho resolver os seus problemas. se você estiver tendo problemas para amamentar consulte um profissional de saúde entusiasta da amamentação para orientá-la.

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ele é feito com óleos essenciais naturais (assim como todos os óleos da weleda),  que ajudam a estimular o fluxo de leite. e é para ser usado a partir da 38. semana de gestação.

como o tomás nasceu de 38semanas + 3 dias, quase nem deu tempo de eu usar grávida. mas o alívio que o óleo me trouxe, especialmente no começo, quando o leite parece descer de uma vez e o bebê não dá conta de tomar aquela quantidade de leite, foi e-nor-me!

eu esvaziava meu peito massageando com o óleo e  se não fosse por ele, certamente teria sido infinitamente pior.

o chá da weleda para amamentação também é bárbaro! além de, na minha opinião, ser delicioso. não veja a hora de voltar a tomá-lo!

para mim vale a pena todo investimento (porque sim, weleda não é baratinho) e eu recomendo fortemente esses óleos de ouro.

desnecessário dizer que sou fã número um da linha calêndula para bebê da marca.

e é isso. esse post não é jabá e coisa boa a gente passa pra frente mesmo!

 

 

30 semanas

cheguei à trigésima semana, e quero deixar aqui registrado o quão chocada eu estou com a rapidez que esta gravidez tem passado. serião!

se a bebê tiver pressa como o irmão, que cutucou a bolsa e resolveu sair com 38 semanas + 3 dias, eu confesso um leve desespero. 8 semanas restantes, na velocidade em que o mundo tem girado, é praticamente depois de amanhã!

exageros (e desesperos) meus à parte, minhas preces são para que ela espere o mês de março dentro do forninho. março será um mês cheio de acontecimentos por aqui, e por isso mesmo, seria otimo se ela esperasse minha mãe chegar do brasil, e mais ainda, esperar o joão voltar de viagem. porque parir sem anestesia eu aceito, mas sem marido já é demais.

até aqui a gravidez tem sido super tranquila. a barriga deu um boom, e tenho tido insônia (o que é um ultraje, visto que depois que a bebê nascer dormir não será uma opção no começo), mas apesar da insônia tenho me sentido disposta.

a lista de preparativos para antes da chegada dela caminhou a passos lentos (devido à uma gripe terrível que derrubou o filho, o pai e a mãe. não ao mesmo tempo, mas necessariamente nesta ordem), e ainda assim estou tranquila, uma vez que colocando tudo na ponta do lápis, não falta muito.

falta pouco para conhecê-la e ao mesmo tempo falta muito. percepções e contradições gravídicas. aliás, até aqui nessa gravidez eu fui assim, uma metamorfose ambulante. altos e baixos estados de espírito, emoções à flor da pele, choros porque esqueci de comprar salada… bem diferente da minha primeira, quando eu fiquei constantemente de bom humor e sereníssima; nada me abalava, tudo estava bom. curioso,  não é?

no mais, estou muito satisfeita com minha midwife,  que é muito calma, experiente e atenciosa. e eu queria muito que o universo conspirace a meu favor,  e ela estivesse de plantão justamente quando eu entrasse em trabalho de parto. já pensou que tudo? isso pra mim seria como zerar no tetris da vida.

ando devagar porque a barriga não permite a pressa, e tenho procurado resolver uma coisa de cada vez. riscando item por item da minha to do list. e não existe sensação mais maravilhosa do que ver uma lista com todos os itens ticados. juro que atualizei minhas definições para paz de espírito depois de resolver minhas listas.

e assim segue a vida. e como não posso controlar quase nada, tudo o que me resta é entregar, aceitar, confiar e agradecer. ela que venha no tempo dela, que as coisas aconteçam no tempo que tiverem que acontecer. como já bem disse o leminski: não discuto com o destino, o que pintar eu assino.

pois é, com o destino não se discute. e acho que tem muita poesia nessa aceitação, viu!

dos ares ingleses e da maternidade compulsória

os ares ingleses não têm sido gentis conosco. desde que chegamos aqui o tomás passou por cinco viroses terríveis. claro que coincidiu com o fato dele ter entrado na escola, e sua convivência com todos os novos vírus que o cercam.

o mais recente deles foi um noro vírus (ou a gripe do estômago) extremamente popular nos meses de inverno por aqui. é o inferno na terra, ainda que por 48 horas. vômitos de hora em hora, roupas de cama, toalhas, paredes e chão carimbados, diarréia, uma criança amuada, e máquina de lavar e secadora trabalhando à exaustão.

nossa senhora da gestação dessa vez não deu conta. achou que limpar tanta sujeira e receber um jato de vômito nos cabelos já era demais, e tirou sua proteção.  resultado óbvio, eu peguei a virose. ontem eu estava só o reboco. acabada era pouco. hoje eu consegui manter uma maça, duas torradas, e líquidos (água, chá, limão com água) no meu estômago.

a despeito de toda escatologia hoje, embora me sentindo fraca, eu sai da cama para ler e aproveitei para dar uma espiada na internet.  e a internet é sempre um campo muito vasto e fértil, não é mesmo?

e foi nesse vasto mundo que eu me deparei com essa reportagem http://estilo.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/bbc/2016/12/09/tenho-motivos-para-odiar-criancas-o-polemico-testemunho-de-escritora-francesa-que-se-arrepende-de-ser-mae.htm

abaixo da foto de uma mulher bonita, trajando um maiô, em uma paisagem igualmente bela lemos o seguinte:

A autora francesa Corinne Maier, que tem dois filhos, anuncia para quem quiser ouvir sua opinião de que, no mundo atual, os adultos estão tão obsessivos por seus filhos e tão exaustos por ter de cuidar deles que não têm energia para mais nada.

seu livro cujo título é No Kids: 40 Good Reasons Not to Have Childrenfoi lançado, segundo a reportagem, em 2009 e eu só fui saber dele agora, em 2016. embora se tivesse sabido da sua existência antes, isso não mudaria os meus planos de ter filhos.

mas gostaria de fazer uma análise sobre a proposta da autora. mesmo que correndo o risco de ser injusta, afinal não li o livro, e minha análise será baseada apenas na curta reportagem, ainda assim gostaria de tecer minhas considerações a respeito.

vamos lá. um dos contras citados na reportagem seria a questão da super população mundial …Em 2100, seremos 11 bilhões. Como o planeta vai alimentar todo mundo?” 

este é um argumento que honestamente não me assusta. primeiro porque não é o mundo inteiro que consome no mesmo ritmo que as nações industrializadas. vivemos num mundo absurdamente desigual onde 1 bilhão de pessoas passam fome (segundo o IFPRI, International Food Policy Research Institut https://www.ifpri.org), enquanto 1,3 bilhão de tonelada de tudo que é produzido no mundo é jogado no lixo.  segundo a ONU se esse desperdício fosse reduzido ( veja, reduzido apenas)  seria o suficiente para alimentar… 2 bilhões de pessoas! falta comida mesmo?

eu sei que tem outras questões em jogo, como a água  doce e potável, por exemplo. a água é um recurso finito e muita gente usa como se fosse infinito. talvez eu na minha ingenuidade e no meu otimismo, ache que ao fazer a minha parte (e sei de mais gente que também o faz) o futuro dos nossos filhos não será apocalíptico. acho que ao consumir menos, consumir orgânicos/produtos de produtores locais, usar conscientemente os recursos naturais, evitar o desperdício dentro da nossa casa (coisa que eu evito/luto constantemente), sinceramente acho que é uma saída viável e inteligente. desde que seja consistente, não dá pra adotar tais medidas apenas de vez em quando. é necessário tê-las como um estilo de vida consciente.

ainda sobre este ponto, eu acredito que deveríamos cobrar nossos governantes por planos mais ambiciosos de preservação ambiental, e também, cobrá-los por ações mais concretas a curto, médio e longo prazo. Quantos estão dispostos a fazer isso, não é mesmo? minha pergunta vale para ambos os lados (governo e sociedade).

outro ponto citado foi  Vivemos em uma sociedade obsessiva por crianças. Um filho é considerado uma garantia de felicidade, um desenvolvimento pessoal e até um status social.” sério mesmo que vivemos numa sociedade obsessiva por crianças?  pois eu, na minha perspectiva de mãe acho o contrário, acho que vivemos numa sociedade que exclui crianças dos espaços públicos, que espera que elas sejam mini adultos, que nunca chorem, que nunca incomodem… talvez eu tenha entendido errado a frase dela, mas essa obsessão tal qual eu entendo a palavra, eu não vejo não.

sobre filho ser considerado uma garantia de felicidade, desenvolvimento pessoal e até status social, well… eu não posso dizer os motivos pelos quais os outros quiseram ter filhos, e acredito até que algumas pessoas os tenham por esses motivos  citados por ela. mas no meu caso, honestamente, não foi. eu sei que quando se tem filhos projeções são inevitáveis, mas cabe a cada mãe/pai torná-las conscientes e baixar a bola se for o caso. a minha garantia de felicidade soy yo, não é marido, não é emprego, não é post code, não é jeans 36 e muito menos filho. embora meus filhos me tragam muitas alegrias também; mas não porque eu espero que eles me façam felizes, e sim porque relações próximas e afetivas nos trazem alegrias ( e raiva, e tristeza, e cansaço e outras cositas mas). sobre a questão do status social, pffff… cago e ando, perdoem meu francês.

mas vamos em frente que tem mais. ela diz ainda ” indivíduos que não têm filhos são descritos como egoístas e cidadãos de segunda classe. Muitos deles se sentem pressionados a se justificar: ‘Eu não posso ter filhos, mas eu adoro crianças.’ Quando ouço isso, logo faço um comentário para inflamar a conversa. Algo como: ‘Eu tenho filhos, mas tenho razões para odiar crianças’.”  mesmo que alguém decida não ter filhos por razões egoístas (e defina razões egoístas para mim cara pálida) este alguém está totalmente em seu direito. não vejo filhos como algo compulsório. na vida a gente tem que seguir as leis e pagar impostos (e se você tem filhos você tem que educá-los) de resto não tem que nada não. cidadãos de segunda classe? isso existe? pessoas são pessoas, com ou sem filhos. sobre justificar-se por não ter filhos… acredite, se você os tivesse também teria de justificar-se (por que só um? por que três?  por que não dá um biscoito recheado? e assim vai).

e o crème de la crème para mim foi  ‘Eu tenho filhos, mas tenho razões para odiar crianças’.  olha, nessa minha vida de mãe, eu já desejei sumir no mundo sem avisar ninguém e voltar quando meu filho tivesse 20 anos (provavelmente sentirei isso novamente com o bebê que ainda está na minha barriga). não porque eu odiei o meu filho, mas muito mais porque eu estava exausta, exaurida, perdida, sozinha, sem saber o que fazer. na minha opinião você pode odiar coentro, tofu, mc donalds, mas odiar criança, gato, cachorro, odiar qualquer pessoa diz mais sobre você mesmo do que sobre o outro. se antes de ser mãe eu  já não tinha razões para odiar crianças, hoje como uma eu vejo que não tenho mesmo!

sigamos. outra questão colocada foi …Por que tanta pressão? A resposta, claro, é fornecer um número ainda maior de miniconsumidores que não vão se cansar nunca do capitalismo, que precisa vender sempre mais. É em nome das crianças que os pais compram carros, máquinas de lavar, casas e gadgets.” vivemos em uma sociedade extremamente consumista, é verdade. mas, conhece aquela máxima né: exemplo arrasta?! pois, se você só pensa em comprar, se você mostra para seu filho que ter é mais importante do que ser, provavelmente seu filho também pensará (e agirá) assim, não se cansando nunca do capitalismo e do consumo excessivo. legal mostrar pro nossos filhos que as coisas tem um valor além daquele da etiqueta, que aquela roupa, aquele livro, aquele alimento vem de tal lugar, foi produzido sem trabalho escravo, sem desperdiçar recursos naturais e humanos, e por isso é preciso cuidar bem daquilo. nem sempre é possível, comprar coisas ética e politicamente corretas, eu sei. mas não é necessário gastar os tufos dos mufurufos pra ensinar pra uma criança o valor das coisas.

outra coisa que sozinha daria um outro livro Eu mesma hoje sou perfeitamente ciente de como estava envolvida – envolvida demais – e como me tornei o estereótipo da “mãe judia” (superprotetora, intromissiva e controladora). E isso produz crianças hipercontroladas e hiperobservadas. Tanto que eu penso em como eles conseguem, de fato, virar adultos.” o papel dela como mãe é um problema dela (e dos filhos dela), mas não existe apenas um modelo de maternidade. inclusive, este modelo por ela citado, não é o modelo que eu quero pra mim. sabe, a gente vive num mundo onde as pessoas parecem saber mais do que nós sobre nossos filhos. só pode brinquedo waldorf, só pode quarto montessori, só pode criação com apego, ou pode deixar na frente da tv sim, pode danoninho sim, pode cesárea eletiva sim e etc (sim, eu exagerei nos extremos propositalmente). gente, a categoria boas mães é muito ampla, e contempla na minha opinião, quem está atrás de informação, quem se dispõe a pensar e fazer diferente se o que se faz não traz resultados. e sobretudo se o que se faz é confortável pra quem faz e para todos os envolvidos. a busca do equilibrio é uma constante na vida, porque não seria também na maternidade?

calma que eu estou acabando. outro ponto que não poderia faltar é o dinheiro Criar meus filhos não apenas me deixou exausta, mas também me levou à falência. Em breve, minha filha vai terminar seus estudos. Vou dar uma festa. Finalmente não ter mais que bancá-la. Que alívio!”  não só acredito como concordo com a exaustão. obviamente não temos a mesma liberdade financeira de antes da chegada dos filhos; todo nosso planejamento financeiro é  baseado majoritariamente pensando neles. e eu não vejo nisso um problema. e sinceramente, não acho que meus filhos me levarão à falência. sei que os gastos acompanham o crescimento dele, mas até agora estamos longe da falência, e não a prevejo mesmo num futuro distante. somos de dar o passo do tamanho das nossas pernas. o que está além, ou  se espera ou não se dá.

e por fim Crianças, bem-vindas e boa sorte na entrada nesse mundo podre que seus pais, que te amam muitíssimo, te deixaram. Eles passaram tanto tempo cuidando de vocês que não tiveram tempo de transformar o mundo. Eles desistiram, penduraram as chuteiras. ‘A criança é o que há de mais importante….'” cuidar dos meus filhos, da maneira que eu concebo o cuidar, é para mim um fator transformador. criar cidadãos conscientes de si, das pessoas e do mundo ao seu redor é uma tarefa e tanto. tarefa essa que tomo com satisfação. eu sei por experiência própria que nem tudo são flores, mas eu digo que, para mim, mesmo com os percalços, vale a pena. e eu não pendurei as chuteiras não, porque tomar esta tarefa para si significa não desistir. e sei de muito mais gente que também não pendurou. e  também vejo os meus, os seus, os nossos filhos como o que há de mais importante na construção desse novo mundo (uhul pique nova era).

olha, como eu disse eu não li o livro e suas 40 razões para não ter filhos, e por isso mesmo não vou ficar  aqui criticando a autora. até mesmo porque, na minha opinião, você não precisa de muitas ou poucas razões para ter ou não ter filhos; bastam que sejam as suas e que você fique satisfeitx com elas.

o que eu gostaria de criticar, na verdade, é a obrigatoriedade velada na nossa sociedade da mulher tornar-se mãe. não estou dizendo que o foi o caso com madame maier, mas ao ler os comentários eu pude ver que muitas mulheres se sentiram representadas e validadas em suas convicções, como que dizendo “tá vendo, eu não preciso ser mãe”. não, colega, você não precisa ser nada que você não queira. inclusive mãe.

algumas pessoas também citaram o fato dos filhos crescerem e ignorarem os pais. e me pergunto: o que seria ignorar os pais? eu, particularmente, vejo meus filhos como seres autônomos e independentes de mim;  a cada dia essa independência torna-se maior, e eu acho natural, desejável e saudável. a relação pais e filhos é um construto diário e constante. eu amo e respeito meus filhos não apenas porque eles são meus filhos (e vice-versa), mas porque diariamente construimos uma relação baseada no diálogo, no amor e no respeito. acho difícil ignorar e ser ignorado nessas bases. se é fácil? claro que não! mas eu escolho isso para mim.

nietzshe uma vez escreveu: quem quer por você? e esta pergunta é tão impactante para tudo nessa vida, que chega a me paralisar, às vezes. quem quer que você seja mãe? você ou seu/sua companheiro(a)? seus pais? a sociedade? quem não quer ter filhos? você? os livros? seu/sua companheiro(a)? eu sei que nossas escolhas não são 100% conscientes, mas quanto mais conscientes fizermos nossas escolhas, mas chance de agradarmos a nós mesmos teremos.

uma maternidade ressentida ( a saber, uma mulher arrepender-se de ter se tornado mãe) é totalmente legítima e não deve ser tratada como tabu, especialmente numa sociedade que espera que as mães amem seus filhos acima de tudo, e que abram mão de suas próprias vidas por eles. você não acha interessante que muitas mulheres tenham usado os comentários (sob uma identidade irreconhecível) para dizer que que se arrependiam de serem mães?  eu não só acho interessante como triste, porque uma mulher não pode dizer isso que imediatamente é julgada. e acredito que se fosse mais fácil admitir isso sem olhares tortos, a relação delas próprias com a maternidade real poderia dar um passo qualitativo.

eu só me tornei mãe porque o componente filhos entrou na minha vida, mas eu não deixei as outras partes pelo caminho ao tornar-me mãe, eu apenas acrescentei mais uma. parece simples essa matemática, mas não foi e não tem sido simples. porém, acredito que falar sem dramas das dificuldades, e dos sentimentos menos nobres, torna o meu maternar mais consciente,  menos rígido, menos culposo, mais leve e mais amoroso. comigo mesma e com meus filhos.

ideal mesmo seria que todos os filhos fossem desejados e amados e respeitados e educados para um mundo tal e qual, nós adultos, desejamos pra nós no agora. e não apenas vistos como serezinhos hiperprotegidos, mimados, predadores do planeta terra, consumistas em potencial e herdeiros de um mundo fadado ao fracasso. talvez seja idealismo demais. talvez… mas se eu fosse escrever um livro eu teria mais de 40 razões para dar do porquê acreditar nesse ideal.