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um recesso e meus desejos

talvez eu tenha iniciado esse meu projeto de um poema por semana num tempo não muito oportuno.

eu realmente tenho me ocupado de coisas que, na  prática, me impossibilitam de escrever semanalmente no blog.

há de se ter prioridades, é bem verdade. e as minhas,  no momento,  são muito outras. 😄

estamos de férias (iuuuupi!). passamos pela Alemanha, onde estive muito ocupada passeando e revendo amigos.  chegamos na Austria, onde sigo ocupadíssima passeando 😉

mas desejo a você que vem toda semana por aqui à procura de um poema,  tudo Aquilo que Drummond já desejou.

DESEJOS  

Desejo a vocês…
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

Carlos Drummond de Andrade

a vida é mais, Da poesia da vida, jardineira acidental, palavras soltas ao vento

sobre rosas,daquilo que incomoda e um poema por semana #3

olha, eu vou confessar aqui um sonho que eu sempre tive. pode parecer pueril, pode parecer bobo, mas um dos meus maiores sonhos era ter uma roseira. tá bom, eu sou romântica. eu amo rosas, e muito. preciso me controlar para não comprar apenas rosas toda semana para a casa. e embora as vermelhas sejam minhas preferidas (tenho até uma tatuada) eu amo rosas de todas as cores.

quando nos mudamos para a casa nova, e eu vi que tinha duas roseiras plantadas no jardim eu juro que me emocionei. elas estavam judiadas, abafadas, largadas…mas meu super marido jardineiro entrou em ação e resgatou as roseiras que estão florindo lindamente agora.

eu nunca tive um quintal na minha infância, sequer um jardim. cresci feito galinha de granja, que quando saía sentia nojinho de terra molhada e piniqueira de mato. diferente do joão que cresceu com quintal, horta, gato, cachorro, galinha, árvore… por isso mesmo, o jardineiro oficial da casa é ele. e foi com ele também que aprendi a gostar de terra molhada, de jardinagem, de estar em contato com a natureza. e fico feliz de vê-lo passando isso pro tomás, que desde cedo mete a mão na terra, e cuida das plantas junto com o pai.

depois de um longo hiato sem uma horta, joão agora se delicia cuidando de uma. e apesar de não termos tido horta e nem quintal nos últimos anos, nós sempre tivemos plantas, muitas plantas nas nossas varandas.

a mim cabe o título de jardineira acidental, pois quando meu marido se ausenta sou eu quem cuida do jardim. e quando o faço, entendo o porquê da alegria deles ao cuidar e mexer com as plantas.

mas então que fique aqui registrado que meu singelo sonho de ter uma roseira se concretizou.

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esqueçam um pouco do meu sonho e da minha roseira.

eu quero falar agora de um texto de uma colunista que eu li dias atrás. era um texto bastante irônico sobre pessoas que abusavam nas redes sociais com seus milhões de posts sobre: alimentação saudável, parto natural, criação com apego, crossfiteiros, maratonistas e marombeiros em geral, escola alternativa para as crias, pessoal namastê e gratidão, gente viciada em séries de televisão e mais algumas coisas que não me recordo agora.

eu acho a ironia um recurso linguístico bastante interessante, mas quando usado em certa medida. ironia é feito baunilha em bolo, se usada demais o que era bom acaba por ficar ruim, deixando um trago de amargor, uma coisa enjoada.

na minha humilde opinião o texto da moça ficou amargo e difícil de engolir até o final.

e eu parei pra pensar. gente, redes sociais são inerentes na nossa vida hoje em dia, e o desejo de compartilhar idem. e cada um é livre para participar daquela que melhor lhe apetece.

e que mesmo escolhendo de qual rede social eu quero participar, eu tenho apenas o controle daquilo que eu posto. o que os outros postam é problema só e somente dos outros.

e que se meu incômodo é igualmente proporcional à quantidade de oversharings de determinadas pessoas, o problema é muito mais meu do que de quem posta. em outras palavras: o problema é do incomodado e não de quem postou.

as redes sociais são uma forma de exposição. alguns escolhem expor mais, outros menos. o mais e o menos também é relativo pra cada um.

por isso mesmo, eu fui voltando no tempo e li uns quatro ou cinco textos passados da colunista, e pude ver que ela não falava de outra coisa a não ser a sua mudança de país, e do quanto ela estava apaixonada pela nova capital européia que ela escolheu como novo lar. claro que fui até o instagram da moça, porque curiosidade é outro traço inerente a todos nós, e o que eu vi? oversharing de cantos e mais cantos do bairro dela. que é um puta bairro bacana diga-se de passagem. e seguindo o raciocínio dela, eu poderia enquadrá-la na seita dos que a adoram a cidade X.

e o que eu quero dizer com isso? que quem tem telhado de vidro não joga pedra no telhado do vizinho. e que por mais que a gente queira desesperadamente nos diferenciar em alguma coisa, somos todos a mesma porcaria. em outras palavras: todos nós temos telhado de vidro. compreendeu meu raciocínio?

existem pessoas que, de fato, se diferenciam no uso das redes sociais. e que por mais que postem mais do mesmo, o fazem de um jeito parece nos encantar. maaaaaas… ainda assim, não é possível agradar a gregos e troianos.

e a minha estratégia pessoal para lidar com pessoas que postam repetidas vezes as mesmas coisas foi: limitar minha participação a uma única rede social (fora este blog, que nem sei se pode ser considerado uma rede social), dar likes quando realmente eu quero dar, desconectar e…. admirar o meu jardim, em especial as minhas roseiras.

essa é a minha estratégia. não estou dizendo pra você fazer o mesmo. vê lá, hein!

e cada vez mais que eu faço isso, eu percebo o quanto a vida se descomplica pra mim. o quanto a vida fica próxima de ser vivida apenas. sem aquela “pressão” em mostrar se estou aqui ou acolá, se minha vida vais às mil maravilhas, ou se vai às merdas. a minha vida por mim vivida, sem me preocupar em compartilhar. só em viver.

embora existam os momentos de abrir-se, tal qual as rosas que na época certa desabrocham e nos escancaram a beleza da flor, e a beleza do tudo ao seu tempo.

e embora também sejamos todos a mesma porcariazinha porque somos demasiadamente humanos, também somos únicos, porque temos cada um nossos próprios destinos.

então, na melhor das hipóteses, viva e deixe viver.

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Segue o Teu Destino

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nos queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-proprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis, in “Odes”
Heterónimo de Fernando Pessoa

 

 

 

 

 

 

aniversário, Da poesia da vida, mudança, mundo afora

sobre o mês de junho e um poema por semana #2

mas meu deus do céu, não! esse meu projeto está mais para um poema por ano do que por semana, não é não!? mas vamos que vamos, agora retomo com todo prazer aquilo a que me propus.

bom, tudo sempre tem um motivo, e o motivo que fez ausentar-me daqui foi uma mudança de casa. mudança essa que começou no mês de maio e que concluiu-se  neste mês de junho.

a casa escolhida deu mais, muito mais trabalho do que o esperado. ela nos consumiu bons fins-de-semana em família, e muitos outros dias meus apenas. eu, quando entrei na casa, de cara vi que ela daria trabalho, mas eu vi mais do que trabalho ali: eu vi um potencial lar. e me apaixonei por ela. mas como joão gilberto já cantou: o coração tem razões que a própria razão desconhece.

e assim, baseando-me pura e simplesmente no meu coração, escolhi essa casa em que agora habitamos e que já muito amamos. apesar do trabalho que ela ainda nos dá, veja só.

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amor à primeira pisada

mas o tempo passou, o que parecia nunca se ajeitar, deu-se um jeito ou ajeitou-se. nossa casa está com cheiro de casa, cara de casa, vida de casa. e anda difícil mesmo é sair de casa.

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e ando encantada com cada novo canto. plus eu tenho duas roseiras para chamar de minhas

mas o mais legal para mim é que eu completei primaveras na nova casa! e nesse aniversário eu tive muito para agradecer. e só de me lembrar que eu ficava triste nos meus aniversários… haha. o bom de amadurecer, eu acho, é que a gente vai cada vez mais dando valor ao que realmente importa para nós. e a gente vai descobrindo cada vez mais, o que realmente importa.

pois bem, completei anos na casa nova. e fiquei muito feliz pelo ano que se passou e mais ainda pelo novo ano que tenho pela frente!

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moi: the birthday girl. repara só na toalha amassada tirada da caixa de mudança especialmente para a ocasião (mentira, foi a primeira que achei na caixa)

e esse meu junho tem sido muito especial. eu amo o mês de junho! faço anos, é o mês de festa junina (aliás, para o ano que vem já prevejo uma baita festa junina por aqui), mês dos festejos que mais gosto! e porque é verão por aqui, e até sol e calor eu tive no meu aniversário (abafa o fato de ter chovido os sete dias posteriores a ele).

junho só não foi melhor porque hoje recebemos a notícia de que o uk resolveu sair da união européia. só lamento que no mundo de hoje as pessoas insistam em reforçar fronteiras que nos separam, e insistam com seus discursos conservadores, com argumentos sofistas e pouco agregadores. mas what happened is happened.

because it’s june june june! hahaha amo

mas apesar de toda alegria, toda mudança e todo trabalho dela resultado, aniversário é tempo de reflexão para mim. tempo de olhar com carinho para mim mesma, de reorganizar algumas coisas, de realinhar outras, de traçar metas, de ver o que tem funcionado, o que precisa mudar e o que precisa ficar. e nesse espírito de reflexão, o poema que me vem à mente, e que me caiu como uma luva foi um poema tão, mais tão especial e tão belo, que às vezes, chega a me faltar o ar ao recitá-lo: degraus (stufen) de hermann hesse.

e esse ano ao relê-lo não pude conter as lágrimas. diz tanto de mim e diz tanto da vida. e nesse espírito de novos começos (casa, ano…) eu me rendo aos seus encantos, mas sempre disposta a recomeçar se preciso for, porque “o apelo da vida nunca tem fim”.

e não me atrevo a dizer mais nada, para preservar toda beleza do poema de hesse. ei-lo aqui:

Degraus

Assim como toda flor perde o viço e como toda juventude

Cede à idade, floresce cada degrau da vida, 

Floresce toda sabedoria também e toda virtude
A seu tempo, e não pode durar para sempre.
O coração deve, em cada chamado da vida,
Estar pronto para a despedida e para o recomeço,
Para se dar, na valentia e sem qualquer
Luto, a outras novas ligações.
E em todo começo reside um encanto próprio
Que nos protege e nos ajuda a viver.

Transponhamos serenos espaço a espaço
E a nenhum nos prendamos qual a uma pátria.
O espírito do mundo não quer nos atar nem comprimir,
Ele quer elevar-nos degrau a degrau, alastrar-nos.
Mal nos habituamos a ser íntimos
De um ambiente, ameaça o relaxar-se.
Só quem está pronto para partir e viajar
Poderá eludir o hábito paralisante.

Acaso a hora da morte ainda nos envie
Ao encontro de novos espaços,
Jamais há de cessar o clamor da vida por nós…
Eia, pois, coração, despede-te e convalesce!

Hermann Hesse (1877-1962), Alemanha
in “O jogo das contas de vidro”, trad. de Thessalonian (transtrazendo.blogspot.com)

Stufen

Wie jede Blüte welkt und jede Jugend
Dem Alter weicht, blüht jede Lebensstufe,
Blüht jede Weisheit auch und jede Tugend
Zu ihrer Zeit und darf nicht ewig dauern.
Es muß das Herz bei jedem Lebensrufe
Bereit zum Abschied sein und Neubeginne,
Um sich in Tapferkeit und ohne Trauern
In andre, neue Bindungen zu geben.
Und jedem Anfang wohnt ein Zauber inne,
Der uns beschützt und der uns hilft, zu leben.

Wir sollen heiter Raum um Raum durchschreiten,
An keinem wie an einer Heimat hängen,
Der Weltgeist will nicht fesseln uns und engen,
Er will uns Stuf’ um Stufe heben, weiten.
Kaum sind wir heimisch einem Lebenskreise
Und traulich eingewohnt, so droht Erschlaffen,
Nur wer bereit zu Aufbruch ist und Reise,
Mag lähmender Gewöhnung sich entraffen.

Es wird vielleicht auch noch die Todesstunde
Uns neuen Räumen jung entgegen senden,
Des Lebens Ruf an uns wird niemals enden…
Wohlan denn, Herz, nimm Abschied und gesunde!

Da poesia da vida, mudança, mundo afora, naturebices, palavras soltas ao vento

das memórias afetivas e um poema por semana

memória é um trem doido mesmo. do nada, num dia qualquer, em circunstâncias despretensiosas você passa por uma situação que te evoca lembranças que parecem até ser de outra vida, de tão longínquas e desconectadas do presente que são.

e os gatilhos que despertam lembranças são tão inesperados e tão particulares, que eu sempre me surpreendo com minha própria memória.

hoje eu estava num café esperando pelo meu expresso. e do nada, o cheiro do chocolate quente do meu predecessor na fila chegou a mim. as repetidas lufadas pareciam jogar na minha cara o quão gostoso aquele chocolate quente era e o quão desinteressante meu café seria perto daquela exuberância cremosa.

por segundos eu me arrependi do fundo da minha alma por não tomar mais leite, e muito menos leite com achocolatados. me arrependi por não ter pedido um golinho do chocolate quente pro meu colega de fila. 

por segundos pensei no quanto o tempo passa e no quanto os gostos mudam. seja por necessidade, seja porque se quis que mudassem.

lembrei, já com meu café em mãos, da minha infância regada a leite de vaca com toddy ou nescau.  e também me lembrei do quanto o leite com chocolate  parecia infinitamente mais gostoso na casa da tia zeza, ou na casa da vó chica ( a grama do vizinho,  sabe como é).

e me peguei pensando no quão longe dessa infância eu estou. não só pelos anos passados, mas muito mais pela distância geográfica em que me encontro de todo meu passado.

faz pouco tempo que me mudei para inglaterra. mas faz muito tempo que estou fora “de casa”.  eu sempre soube que não ficaria  naquele lugar que nasci e cresci.  tudo muda, mesmo que por lá ficasse, nada seria igual à essa infância da minha memória.

às vezes, só o que me faz falta é me saber parte de algo. às vezes, o que me faz falta são as pessoas. às vezes, todas as coisas me fazem falta. mas aí eu me lembro do fernando pessoa que deu voz a ricardo reis quando disse “para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui…”. não exagera a falta, porque a vida é assim mesmo: ora se tem, ora não tem.  não exclui a responsabilidade das escolhas: ganhar e perder são dois lados da mesma moeda.

e ele continua dizendo: …”Sê todo em cada coisa. Põe quanto és No mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive”. e aí me volto inteira pro presente, sorvo meu café muito bem tirado, me ponho inteira novamente em todos os sentidos, levanto para resolver minhas coisas com a sensação de que a vida é exatamente tão gostosa quanto àquela vida do leite com nescau.  mas volto pra casa ainda com a memória olfativa do chocolate quente.

resolvo fazer um para mim. com leite de amêndoas e cacau puro. porque apesar das memórias serem as mesmas (graças a deus), os paladares já são outros. devo dizer graças a deus também? talvez deva.

 

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meu chocolate quente não ficou atrás do chocolate do costa 🙂

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mais dia menos dia vou escrever o porquê de ter mudado o nome do blog, o tanto que gosto de poesia e um pouco mais. por enquanto, quero apenas “estrear” minha ideia/vontade de deixar aqui alguns dos poemas que mais gosto.  a ideia original era deixar um poema por dia, mas não sou disciplinada a ponto de passar todos os dias no blog. um por semana, por ora, está de bom tamanho, e cabe bem na minha lista de afazeres (e espero poder cumprir).

o poema da semana não poderia ser outro que não o  acima citado. espero que goste tanto quanto eu (embora eu tenha enormes desconfianças de gente que não gosta de fernando pessoa. nem de poesia 😉 ).

 

Põe quanto És no Mínimo que Fazes

Para ser grande, sê inteiro: nada
          Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
          No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda
          Brilha, porque alta vive

Ricardo Reis, in “Odes”
Heterónimo de Fernando Pessoa

Do cotidiano, filosofia de boteco

Preciso me encontrar

Quando eu comecei a escrever nesse blog há quase cinco anos atrás, eu comecei por puro desespero. Meu filho contava com quase cinco meses, eu havia passado por um puerperio terrível e tinha uma depressão ainda não diagnosticada.

Se o blog me ajudou? Um pouco, sim. Conheci virtualmente pessoas sempre dispostas a dar conselhos amorosos, demonstrar solidariedade aos percalços da maternidade; a escrita, de certa forma, ajudou a colocar ordem nos pensamentos, a suprir a falta de mim mesma, a nomear sentimentos…

Hoje se fala abertamente por aí sobre maternidade e depressão, embora esse lado b da maternidade ainda seja visto com olhos tortos, julgamentos e preconceitos.

Com o passar dos meses e dos anos, acredito que ter um blog e fazer parte de uma comunidade virtual de mães, acabou sendo uma ajuda para lidar com as diferentes fases de crescimento do meu filho, uma ajuda para lidar com os desafios e as descobertas de cada fase.

O desespero inicial que foi o estopim para criar esse blog há muito se dissolveu, assim como muitas dúvidas e medos daqueles tempos. Eu mudei, claro. Não só pessoalmente, com amadurecimento e alguns cabelos brancos, mas também geograficamente. Muitas vezes. Meu filho cresceu, e embora a maternidade tenha o mesmo gosto da  descoberta todos os dias, aquele gostinho de ter meu filho em meus braços pela primeirissima vez, ela se tornou bem mais serena (ou teria eu me tornado mais serena?).

Tudo que escrevi aqui não é só para mim e para minha terapia pessoal, ou para quem lê o blog. É também sobre e para o meu filho. E agora eu tenho um filho falante, que me conta altas histórias e com quem eu protagonizo altas aventuras, mas que exatamente por falar, me pede para que suas narrativas e peripécias não sejam espalhadas. Acho justo. 

A blogosfera materna mudou. Admiro quem soube mudar junto com ela e ao mesmo tempo soube se recriar sem perder a ternura. Hoje há tantos blogs maternos que eu nem sabia que existiam, e tantos outros que eu nem saberei que existem, muito pelo fato de eu não estar mais na fase das noites insones, mamadas em livre demanda, saltos de desenvolvimento e cia. 

Muita gente ainda tem usado o Facebook como plataforma de compartilhamento e interação sobre maternidade e afins, mas a esse espaço eu já não pertenço e não pretendo pertencer.

E c’est la vie.

Aqui no blog tem memórias minhas por demais preciosas, coisas que escrevi não somente para não esquecer-me delas, mas também para me lembrar do quão especial a vida é, de que tudo se supera, de que eu mesma me superei, de que a vida é assim mesmo, feita de altos e baixos. E abandonar essas memórias seria abandonar uma parte importante de mim mesma.

Mas escrever só sobre maternidade já não me apetece, embora a maternidade seja a minha principal “ocupação ” no momento. 

Por ora, tenho que lidar com a imensa vontade de continuar a escrever, mas também de ressignificar aquilo que quero compartilhar. Não quero vir aqui e escrever bobagenzinhas que não fazem sentido nem a mim mesma só para ter um blog ativo. Mas também não quero desativar o blog de vez, e muito menos quero fazer drama.

O melhor que tenho a fazer agora é esperar e aproveitar a primavera, arejar os pensamentos, assistir ao sol nascer (coisa fácil de se fazer com filho madrugador), ver as as águas dos rios correr (com a devida licença poética), ouvir os pássaros cantar (porque moro perto de uma floresta, e mesmo que não morasse é primavera e eles estão à todo vapor), eu quero viver (obrigada Candeia por ter escrito essa maravilhosa canção)*.

E como já disse o Chico Buarque: …”correndo no escuro, pichado no muro, você vai saber de mim”…. 

Saberá porque voltarei, e voltarei porque quero tanto. Só resta-me saber quando, como e talvez onde.

P.S.: um abraço apertado a todos que passam por crise bloguisticas hoho

*Preciso me encontrar – Candeia

http://youtu.be/plOTKOJ32Os

 

Do cotidiano, naturebices, receitinha

sobre leite vegetal

eu sei que escrever sobre leite vegetal é como chover no molhado. e por isso mesmo, eu achei que nem valia a pena compartilhar uma coisa vergonhosamente simples. e já tão pública e notória.

mas apesar de simples, eu achava que fazer o próprio leite vegetal era coisa de
gente luz e flor demais. e sobretudo, eu achava que ia dar muito trabalho. e ai, que preguiça de mais trabalho!

muito desse pensamento vinha do fato de, na alemanha, eu encontrar leite vegetal facim facim. e orgânico e biodinâmico e sem conservantes, aromatizantes, açúcares e demais porcarias. era na embalagem tetra pak, mas eu achava que dos males o menor. além do que, eu achava que deveria dar um apoio para os fabricantes que apareciam em fotos sorridentes na caixinha, garantindo a procedência e a qualidade do produto.

ainda que o custo fosse relativamente alto, eu pagava com a consciência tranquila, e seguia feliz com meu leitinho prático e embalado.

aqui na inglaterra eu ainda não achei 100% meus esquemas de compra. sobretudo o circuito alternativo de compras. e foi ao comprar uma embalagem de leite de amêndoas, e me deparar com a realidade de que naquela caixinha vinha muito mais do que o leite propriamente dito, a saber: maltodextrina, óleo de girassol, sal, emulsificantes e conservantes, que eu decidi dar uma chance para o modo homemade de leite vegetal.

então se você, assim como eu achava que seria muito trabalho, eu te digo por experiência própria que não. e além de ficar uma delícia, não tem os veneninhos disfarçados adicionais. e não vai te custar mais do que vinte minutos.

a receita é mega simples: para cada xícara de amêndoas (ou qualquer outra castanha de sua preferência) você adiciona três xicaras de água. mas antes você precisa deixa-las de molho por 12 horas, preferencialmente.

depois é só escorrer a água do molho (e descarta-la), bater bem no lquificador, coar com um pano tipo voil ou pano de prato bem limpo, e voilà, tens teu leite.

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com o que sobra depois de coar, a gente coloca em cima das frutas no café da manhã, ou coloco na massa de bolos, muffins & Co. e dá também pra fazer queijo vegano, mas eu ainda não fiz.

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já percebeu que não é necessário ter diploma de naturebices, nem estágio em woodstock, nem coroa de flores na cabeça para fazer seu próprio leite vegetal, não é!

e se com este post eu consegui provar por a mais b que, de fato, fazer leite de amêndoas é coisa fácil, considero minha missão cumprida.

então, experimenta fazer, e depois volta pra me contar se a vontade não era mergulhar dentro da garrafa pra aproveitar cada gota, de tão gostoso que ficou.

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a vida é mais, Da poesia da vida

navegar é preciso

e  porque o espírito festivo daqueles que estão longe me contaminou. e porque hoje é terça-feira gorda. e porque eu acho que essa música  diz muito sobre meus movimentos nos últimos tempos. e porque eu acho que , às vezes, podemos controlar e direcionar o rumo da vida. mas às vezes é  preciso soltar o leme  e ver onde vai dar. e porque eu estou muito feliz por ter me deixado levar pela vida. e porque demorou, mas eu cheguei onde deveria chegar. e porque é  carnaval, embora ele não se faça sentir onde estou. mas isso não importa.

bom fim de festa pra quem é da folia.

boa viagem para quem se lançar ao mar. qualquer mar, de qualquer escolha, pra qualquer lugar.

Timoneiro nunca fui
Que eu não sou de velejar
O leme da minha vida
Deus é quem faz governar
E quando alguém me pergunta
Como se faz pra nadar
Explico que eu não navego
Quem me navega é o mar

https://youtu.be/EflJ67AAZFc

mambembe, mundo afora

a mudança (resumão)

como mais de meia dúzia de pessoas me mandaram e-mail perguntando sobre nossa mudança, e como eu percebi que escrevia vários e-mails semelhantes para cada uma delas, resolvi responder de uma vez só e em forma de post, pra quem perguntou e pra quem não perguntou também. mas isso não significa que eu não vá responder cada uma um dia desses. tenham fé!

bom, hoje faz dez dias que eu e tomás chegamos na inglaterra. joão já estava aqui trabalhando e arrumando, sobretudo, a casa para nossa chegada.

estamos num apartamento provisório e completamente mobiliado. embora não tenha morrido de amores por ele, penso que foi o melhor, por ora. com o básico assegurado, teremos calma para escolher a casa que será nosso lar por um bom tempo. nada melhor do que ver com os olhos e com o coração os cantos da cidade.

nosso tempo nesse apartamento não será nem tão curto assim (5 meses), mas era o que tínhamos disponível no momento. e convenhamos, nada que uma ida à ikea com suas velas e tapetes e plantas e panos de prato, não resolva. minha urgência, na verdade, é transformar um apê cafona num lar com cheiro de bolo, com cheiro da gente, sabe?

as tchentas caixas com nossas coisas estão num guarda móveis ainda, uma vez que elas não caberiam de forma alguma no nosso diminuto apartamento. algumas coisas fazem falta, mas nessa vida mambembe a gente aprende a desapegar (por um tempo, ou pra sempre) e mais ainda, a se virar com o que tem em mãos.

tomás me surpreendeu e tem me surpreendido enormemente. embora já tenhamos tido alguns stresses, no geral, ela está muito bem mesmo:animado, empolgado, visivelmente feliz. à princípio, meu coração de mãe não quis que ele chegasse e fosse direto para uma escola, com aulas já começadas em setembro, sem saber a língua. decidimos, até mesmo com base na nossa malfadada experiência na alemanha, que conheceríamos as possíveis escolas, conversaríamos e então tomaríamos uma decisão.

no quesito escola estamos numa corrida contra o tempo. vamos inscrevê-lo, já fora do prazo, para o próximo ano letivo que começará em setembro. a escolha da escola está diretamente relacionada à escolha do bairro, uma vez que a inscrição só é feita para as escolas do bairro em que se mora. por isso o conhecer primeiro, por isso o conversar e explicar. tenho estado estranhamente calma quando penso sobre isso, vai ver é alguma coisa que tem no chá de camomila inglês, que aliás, tenho tomado aos litros.

a ideia era eu fazer um homeschooling com o tomás até setembro. já vi que não vai rolar. não tanto por uma necessidade dele, mas muito mais por uma necessidade minha. temos visto (e gostado) a nursery da universidade, que é mais flexível, e que aceita crianças de cinco anos. à princípio duas vezes por semana, mas não excluo a possibilidade de aumentar para uma vez mais.

esses primeiros dias foram como todos os primeiros dias num novo lugar: burocracias, familiarização das rotas, dos lugares, mapeamento de supermercados, playgrounds…

nosso alarme de incêndio já disparou sem termos colocado fogo na casa. aparentemente, nosso vizinho o fez. quase morremos de susto, tomás desatou a chorar, pra depois desatar a rir e a vibrar com a chegada dos bombeiros, liguei desesperada para o meu marido, que me mandou sair imediatamente de casa, coisa que fizemos com trajes pouco apropriados para o frio… ou seja, nossos primeiros dias por aqui foram perfeitamente normais.

ainda não conseguimos passear, e tudo parece estranhamente novo, assim como um sapato novíssimo, que por mais que seja encantador e belíssimo, precisa de um tempo para lacear e se adaptar aos pés.

dez dias não são nada, eu sei. mas a cada dia temos a convicção de que estamos no lugar certo, na hora certa. e a cada dia eu tenho certeza de que com o joão e com o tomás eu iria até pra marte, e começaria do zero tudo outra vez.

pronto! nosso 2016 oficialmente começou.

 

Do cotidiano, mambembe, mudança, mundo afora

2015, beijos não me liga!

Sabe, gratidão é um sentimento interessante. Ou você sente ou você não sente. Não dá pra ser meio grato na vida pelas coisas e pelas pessoas.

Tem gente que é grata sem fazer esforço.  Tem gente que aprende a ser grata. E de fato, acredito eu, gratidão é um exercício diário. Pelo menos pra mim, que não sou Mestre zazen nessa vida.

Ser grato quando tudo está top é  fácil,  diz muita gente. Quero ver agradecer quando a vida vai as merdas! Completam esses mesmos incrédulos.

Eu já discordo sabe, eu acho que gratidão vem muito de mãos dadas com a felicidade: independem das circunstâncias para ser e ter. É mais um estado de espírito, uma resolução interna, um postura de vida, enfim.

Eu desconfio seriamente de quem vive dizendo que ah! tudo bem, mas ser feliz em Paris (em Nova York, em Berlin…) É bem mais fácil.  Eu acho que felicidade e gratidão a gente carrega com a gente, independente do lugar.

OK, OK eu não quero ser simplista. Esse papo rende muitas horas e muitas cervejas pra gente chegar talvez a conclusão de que, a pessoa tendo o basicão das necessidades físicas supridas (casa, comida, emprego, roupa, amores, biritas ocasionais, amigos…) ela pode ser feliz e grata pela vida. Ela pode, mas depende dela querer.

Tem horas que a gente tem mesmo que pedir um tempo, reclamar (mesmo sabendo que não vai resolver, mas pelo menos vai aliviar um pouco), tem horas que a gente pede pra sair, tem horas que a gente sucumbe mesmo ao pessimismo, à desilusão.

Meu 2015 foi assim: cheio de altos e baixos. E apesar de racionalmente me manter na meta, não desistir  (nem dava), eu escolhi ser grata. Não aquela gratidão Luz e flor yoga suco verde do instagram ( embora não veja problemas nisso também ). Mas a minha particular e intransferível  gratidão: Pela minha vida, ora capenga, ora funcionando com eficiência. Pela minha vida como ela é, pelas pessoas que dela fazem parte, por aquelas que passaram para ensinar-me, pelo meu filho sempre tão disposto a recomeçar,  pelo meu marido sempre tão respeitador dos meus tempos.

Talvez gratidão seja uma, talvez gratidão sejam muitas coisas, eu sei que em 2015 eu escolhi ser grata, eu aprendi a ser grata.

Se valeu a pena?  Não  sei. Só  sei que eu passaria pelas mesmas coisas que passei, com ou sem ela. Mas a gratidão nestes casos, neste ano que passou me ajudou a aceitar com mais maturidade, sem grandes dramas tudo que despencou na minha cabeça.

Pensando bem, valeu sim.

Estamos no Brasil agora, celebrando com a família.  E embora eu tenha escolhido a gratidão como caminho, um caminho, eu só quero dizer neste último dia do ano de 2015, que sinto-me grata por esse ano estar no fim. Porque não sou tão evoluída assim, e não é porque eu entendi que precisava passar por tudo que passei, e passei agradecendo por ter forças e apoio, que eu vou dizer que foi um ano bom. Foi nada. Pelo menos no que diz respeito ao bom no sentido champanhe caviar Paris é uma festa uhul 2015 irado. Não,  Foi bom no sentido : tá ruim, mas tá  bom. Compreende?

Não faço promessas mirabolantes para 2016. Nem tenho grandes metas. Já me basta,  por ora, saber que será tudo novo: país novo, casa nova, nova língua, um novo dia a dia para descobrir e por fazer.

Entro com fé  (que essa não pode faltar e que não costuma falhar), com alegria e tá dá. .. com gratidão!

Desejo  à  você que lê essas linhas um feliz e maravilhoso 2016. E se você quiser, tente agradecer mais (lembrando que não somos partidários da gratidão Polyana).

Escrevi e não li, grata pela compreensão!

 

 

 

 

 

Alemanha, mudança, mundo afora

de sina itinerante

segundo o dicionário houaiss da língua portuguesa, o adjetivo itinerante significa também, que ou aquele que transita, que se desloca, que viaja.

o adjetivo se aplica com maestria no nosso caso.

eu já perdi as contas das vezes que nos mudamos. desde que estou com o joão colecionamos 11 casas em 13 anos juntos, sob o mesmo teto.

se eu gosto de mudar de casa? sim e não. não, eu não gosto da bagunça, do encaixotamento, das inúmeras burocracias e probleminhas decorrentes de uma mudança. sim, eu adoro uma casa nova, um lugar novo, uma vida nova.

toda mudança me traz aquela sensação de zerar a vida. puxa, um lugar novinho para (re)começar. experimentar novos caminhos, descobrir novas pessoas, novos supermercados, novas praças, novos parques, novos cheiros, novos sabores, novas regras, novas línguas, novas formas de pensar…

mas também a sensação de zerar a vida. só que o lado b de zerar  a vida. puxa, ter que descobrir supermercados, praças, parques, familiriazar-se com a cidade, os caminhos, as pessoas, outra língua, outras regras, outras formas de pensar, outros cheiros, outros sabores…

tem hora que cansa? tem. mas tem hora que cansa também ficar no mesmo lugar. veja, nem sempre o mesmo lugar significa ruim. pelo contrário, nunca ficamos em um lugar sem querer ficar nele.

mas eu não sei o que acontece com a gente. eu e o joão temos um comichão que se retroalimenta. quando um está sossegado o outro vai lá cutucar.

chegou um dia em que um olhou pro outro e disse: nossa a alemanha é massa, mas não é nosso lugar no mundo. vamos mudar? e não é que da teoria partimos para prática?!

e toda vez, toda vez que eu começo a empacotar as coisas eu penso: onde estávamos com a cabeça? e toda vez, toda vez que a gente começa a procurar um novo lar a gente pensa: onde estávamos com a cabeça? e toda vez, toda vez que a gente chega num novo lugar a gente pensa: onde estávamos com a cabeça.? e sobretudo, toda vez, toda vez que o tomás fica mais de um mês perdido na nova realidade e nos levando às raias da loucura, a gente se pergunta: onde estávamos com a cabeça, minha nossa senhora da paciência?

mas toda vez, toda vez que passado o tsunami de novidades, quando a vida atinge a velocidade de cruzeiro, quando nos vemos no novo, pensamos: que bom que fizemos!

por essas e por outras é que não me preocupo com o futuro. todas as preocupações com o tempo são dissolvidas. eu me preocupo em não saber viver o presente.

porque essa transição, essa fase de não estar nem cá nem lá, essa fase em que não vale a pena renovar contrato disso ou daquilo, em que você não pode se comprometer com muita coisa, porque sabe que não vai mais estar ali se precisarem de você… isso pra mim é o mais difícil.

e me é difícil, porque eu acabo me esquecendo das coisas importantes e que fazem a vida num determinado lugar mais saborosas, por causa desse pensamento do já não vale mais a pena!

viver com a cabeça no aqui e no agora. viver pensando no que virá, mas sem estar no que está por vir. este é o meu desafio.

é o tal negócio que o chico e o edu lobo cantaram e eu me sinto completamente representada: …”a arte deixar algum lugar quando não se tem pra onde ir”…

na prática existe um lugar, uma casa, mas não existem relações, dia a dia, rotinas, rostos e lugares familiares…

mas não reclamo da vida não. deus me livre reclamar da vida que eu mesma escolhi pra mim, que escolhemos pra nós.

algo me diz que desta vez será por muito mais tempo. espero, de coração, que este algo esteja coberto de razão.

enquanto o novo não chega, vou vivendo o presente. que é o que tenho, que é o que me faz ter fé no futuro.

e quem advinhar pra onde vamos ganha um postal :-)!!!!