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o inferno são os outros

Ou: onde se encontra empatia no mundo de hoje?

Sabe de uma coisa? Nessa minha nada longa vida de mãe eu já li muitos livros sobre maternidade e criação de filhos. Você também, aposto. É que existem muitos livros das mais variadas vertentes, passando pelo adestramento nazista, até a linha do amor nunca é demais. Cuja linha, particularmente, sou adepta e muito simpática.

talvez seja um sinal dos tempos em que vivemos, os números tendendo ao incontável, de livros sobre o assunto. Ė verdade que somos uma geração muito mais exposta à informação que nossos pais, assim como é verdade também,que a sociedade, as famíllias, os papéis e também as crianças mudaram.

e para suprir novas demandas, novas formas de viver, juntamente com novos desafios ao criar/educar uma criança, que tanto se fala e se escreve sobre o assunto.  haja visto o tanto não só de livros, como tambèm de sites, blogs, artigos, portais sobre maternidade/ paternidade. e tudo isso nas mais variadas línguas; passamos, ao que parece, por um momento globalizado de repensar não só a gravidez, o parto, a maternidade/ paternidade, como também a infância de nossos filhos, para que sejam adultos conscientes de si mesmos, da sociedade, do planeta em que vivem, para que sejam gente do bem entre outras coisas.

mas se tem uma coisa que parece não mudar é o fato de criança fazer birra. não importando se brasileira, alemã, inglesa, francesa… o que muda é a personalidade de cada criança, somada à forma que os pais lidam e conduzem a birra, aliada à maneira que outros dentro do círculo de convívio reagem à elas.

segundo todos os livros e artigos que li sobre o assunto é bom que assim seja. acredite, eu acredito nisso. embora nem sempre seja tão agradável saber que meu filho testa os seus, e sobretudo, os meu limites. embora ser firme, convicta e amorosa ao mesmo tempo custe forças que pareço, às vezes, não ter. embora muitas vezes eu tome decisões baseadas no que as pessoas estão pensando, porque criança birrenta é algo intolerável na nossa sociedade.

dia desses eu estava na fila do supermercado. e aqui na alemanha nos supermercados já é natal. e são incontáveis chocolates em forma de papai noel, dos mais variados cores e tamanhos entre outras tentações para qualquer criança pequena. e o mais interessante, todos ficam na boca do caixa, na altura de uma criança pequena. perverso, para dizer o mínimo.

então que meu filho de quase quatro anos me pede um chocolate x em forma de rena. não, eu disse, hoje não é dia de chocolate, lembra? obviamente meu não foi interpretado como uma condenação à forca, como a maior das injustiças já por mim praticadas. e o show começou. a fila atrás de nós só crescia, assim como o descontentamento do meu filho.

assim como li nos livros, me abaixei, ficando assim em sua altura, pedi para ele se acalmar, esperei pelo contato visual, reconheci seu desejo pelo chocolate, e permaneci firme em meu não. não adiantou. choros, lamentos, ranger de dentes e um vale de lágrimas. a caixa de supermercado, as pessoas na fila e eu tivemos de “suportar” até eu pagar e empacotar as compras. e eu sozinha, tive de aguentar os olhares censuradores e expressões de como é que você não consegue fazer esse menino parar de chorar e gritar?

e não, não adiantou ir com uma lista pronta ao supermercado e participar meu filho de cada compra,  fazê-lo me ajudar e tudo mais. e não, não são só as crianças “mal-educadas” e sem limites que fazem birras. toda criança fez, faz e fará. e eu repito, é bom que seja assim. especialmente para a criança que está aprendendo. inclusive sobre limites; os próprios e os alheios. e sim, esse é o único jeito para aprender.

eu fiquei vermelha de vergonha. e preciso confessar que sempre fico quando as birras acontecem publicamente. e esse dia foi especial em dois sentidos: um, porque meu filho caprichou no show, sendo minha vergonha diretamente proporcional ao seu escândalo. E dois, porque naquele dia eu dei um basta para mim mesma. e não, não foi no meu filho. eu prometi nunca mais sentir vergonha do meu filho por um comportamento absolutamente normal. eu aprendi que algumas coisas na maternidade não exigem desculpas, apenas aceitação.

eu já li muitos livros bons sobre maternidade e criação de filhos, mas acho que anda me faltanto mesmo é ler um livro cujo título seja cinquenta tons de estou cagando e andando para você que me julga quando meu filho está sendo apenas o que ele é, ou seja, uma criança.

Se você já fez isso, já censurou, já julgou, já pensou que no lugar da mãe bastava um bofetão na criança, eu gostaria de lhe dizer: abra a sua mente, mãe também é gente, criança também é gente.

e aí? alguém mais pra ler esse livro comigo?

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a vida é mais, artes do Tom, Do cotidiano, mãe zen

Birras: variações do mesmo tema

E daí que com dois anos de idade teve uma mudança de país. Teve um mundo totalmente novo lá fora, e no mundo de dentro, teve um sujeito chilicando dia sim, dia também. Teve ainda a ideia de jerico de colocar o mesmo sujeito na escolinha. Tudo isso somado aos terribles two e voilá : barracos e siricoticos e chiliques e pitis e faniquitos (tudo assim, sem vírgula mesmo, pra não dar tempo de respirar) tornaram-se parte intrínseca de nossas vidas.

Ainda bem que paciência de mãe é um recurso renovável e quase inesgotável.  E dá-lhe muita paciência,  e compreensão, e cartilha anti birras, e suporte, e fé e… resignação. É uma fase. É uma fase que começa nos dois anos e acaba talvez nos 20 quando o sujeito começa a criar vergonha na cara, e percebe por conta própria, que não vale a pena contestar tu-do (eu disse tu-do) que a mãe diz.

 

 

meu birrento favorito
meu birrento favorito

 

 

Então que com três anos teve férias no Brasil teve vô e vós e tias, e não teve rotina, e quase tudo podia, e teve volta prazAlemanha, e não teve mais a galere toda se revezando na atenção pro sujeito, tem ida ao Kindergarten, tem mudança de professor…

Rotina, cansaço, atenção, limites amorosos, paciência, clareza (para mãe), regras claras, simples e consistentes (para o filho). Tudo isso ajuda, mas posso falar? Não resolve assim, num passe de mágica.

A “mágica” consiste em respirar, contar até dez (mais de uma vez), perceber os meus limites, entender minhas limitações e me controlar. Porque tem dias, que só por gezuis, tem dias que dá vontade de sumir no mundo sem avisar ninguém.

Os três anos e meio chegaram, e meu filho ainda varia entre a criatura mais fofa e esperta e carinhosa do mundo, e a criatura mais criaturenta e chiliquenta e birrenta. Assustador!

Antes as birras acabassem quando a cria fizesse três anos… que maravilha viver lá lá lá.

O post não tem nada de novo, nem nada de útil. Não passa mesmo de um simples desabafo.

Porque como mãe eu sei que tudo passa. Mas mesmo assim, algumas palavras de encorajamento e suporte não me fariam nada mal.

Assim sendo, por favor, me deem cá um abraço.