2015, beijos não me liga!

Sabe, gratidão é um sentimento interessante. Ou você sente ou você não sente. Não dá pra ser meio grato na vida pelas coisas e pelas pessoas.

Tem gente que é grata sem fazer esforço.  Tem gente que aprende a ser grata. E de fato, acredito eu, gratidão é um exercício diário. Pelo menos pra mim, que não sou Mestre zazen nessa vida.

Ser grato quando tudo está top é  fácil,  diz muita gente. Quero ver agradecer quando a vida vai as merdas! Completam esses mesmos incrédulos.

Eu já discordo sabe, eu acho que gratidão vem muito de mãos dadas com a felicidade: independem das circunstâncias para ser e ter. É mais um estado de espírito, uma resolução interna, um postura de vida, enfim.

Eu desconfio seriamente de quem vive dizendo que ah! tudo bem, mas ser feliz em Paris (em Nova York, em Berlin…) É bem mais fácil.  Eu acho que felicidade e gratidão a gente carrega com a gente, independente do lugar.

OK, OK eu não quero ser simplista. Esse papo rende muitas horas e muitas cervejas pra gente chegar talvez a conclusão de que, a pessoa tendo o basicão das necessidades físicas supridas (casa, comida, emprego, roupa, amores, biritas ocasionais, amigos…) ela pode ser feliz e grata pela vida. Ela pode, mas depende dela querer.

Tem horas que a gente tem mesmo que pedir um tempo, reclamar (mesmo sabendo que não vai resolver, mas pelo menos vai aliviar um pouco), tem horas que a gente pede pra sair, tem horas que a gente sucumbe mesmo ao pessimismo, à desilusão.

Meu 2015 foi assim: cheio de altos e baixos. E apesar de racionalmente me manter na meta, não desistir  (nem dava), eu escolhi ser grata. Não aquela gratidão Luz e flor yoga suco verde do instagram ( embora não veja problemas nisso também ). Mas a minha particular e intransferível  gratidão: Pela minha vida, ora capenga, ora funcionando com eficiência. Pela minha vida como ela é, pelas pessoas que dela fazem parte, por aquelas que passaram para ensinar-me, pelo meu filho sempre tão disposto a recomeçar,  pelo meu marido sempre tão respeitador dos meus tempos.

Talvez gratidão seja uma, talvez gratidão sejam muitas coisas, eu sei que em 2015 eu escolhi ser grata, eu aprendi a ser grata.

Se valeu a pena?  Não  sei. Só  sei que eu passaria pelas mesmas coisas que passei, com ou sem ela. Mas a gratidão nestes casos, neste ano que passou me ajudou a aceitar com mais maturidade, sem grandes dramas tudo que despencou na minha cabeça.

Pensando bem, valeu sim.

Estamos no Brasil agora, celebrando com a família.  E embora eu tenha escolhido a gratidão como caminho, um caminho, eu só quero dizer neste último dia do ano de 2015, que sinto-me grata por esse ano estar no fim. Porque não sou tão evoluída assim, e não é porque eu entendi que precisava passar por tudo que passei, e passei agradecendo por ter forças e apoio, que eu vou dizer que foi um ano bom. Foi nada. Pelo menos no que diz respeito ao bom no sentido champanhe caviar Paris é uma festa uhul 2015 irado. Não,  Foi bom no sentido : tá ruim, mas tá  bom. Compreende?

Não faço promessas mirabolantes para 2016. Nem tenho grandes metas. Já me basta,  por ora, saber que será tudo novo: país novo, casa nova, nova língua, um novo dia a dia para descobrir e por fazer.

Entro com fé  (que essa não pode faltar e que não costuma falhar), com alegria e tá dá. .. com gratidão!

Desejo  à  você que lê essas linhas um feliz e maravilhoso 2016. E se você quiser, tente agradecer mais (lembrando que não somos partidários da gratidão Polyana).

Escrevi e não li, grata pela compreensão!

 

 

 

 

 

os dias felizes

era fim de ano. depois de uma experiência triste e desagradável, daquelas que abalam nossas estruturas, nos decepcionam, eu decidi que, embora parecesse o fim do mundo, eu não me deixaria abater. como bem disse a maysa ” …se meu mundo caiu, eu que aprenda a levantar”.

e olha que eu, nem de longe, sou o ser mais otimista do mundo. mas aquela situação me mostrou tanta coisa, que se reverteu num bem tão maior mais tarde, que eu aprendi ali, que escolheria sempre procurar o lado bom e positivo das coisas.

por um lado é uma pena que a gente precise passar por experiências negativas para abrir os olhos, para aprender. bem já disse também o pessoa “… quem quer passar além do bojador, tem que passar além da dor…” a dor tem um papel transformador incrível. e eu sempre me surpreendo com nosso poder de transformação e de renovação.

naquele fim de ano não existia instagram, nem mesmo os #100happydays, mas eu decidi que dali em diante, todos os dias do ano eu escreveria um acontecimento feliz. uma felicidade por dia, todos os dias no ano.

e é muito legal reler ese meu diário de 2009 hoje, em pleno 2014. o distanciamento emocional dos fatos, os acontecimentos tão corriqueiros e aparentemente banais, que tornaram meus dias mais doces, mais suaves, mais bonitos, mais felizes. bem disse o guimarães rosa ” felicidade se acha é em horinhas de descuido”.

eu chego ao fim deste ano cansada. e às vezes, eu me pergunto: cansada do quê? a vida pode cansar, mas ir contra a vida pode cansar mais ainda. o ano foi intenso, mas muito bom. eu, nós, aprendemos muito, crescemos juntos, compartilhamos, amamos, choramos, sorrimos, planejamos, fracassamos, levantamos e cá estamos, sempre seguindo, sempre acreditando.

tivesse eu feito outro calendário da felicidade, teria ainda mais motivos para agradecer o ano que já vai terminando.

eu queria fazer um post falando sobre os muitos e lindos mercados de natal na cidade, sobre o quanto a cidade fica bonita nessa época do ano, sobre os biscoitos que temos assado… mas eu gosto tanto do período do advento, do natal aqui na alemanha, porque esse período nos convida a interiorização. lá fora faz frio, está úmido e a luz do dia se vai às quato e meia da tarde. o próprio tempo nos convida a ficarmos mais quietos, mais recolhidos. quem sabe no fim do ano que vem eu faça esse post, que tanto me é caro? aguardemos 🙂

vou me usar disso tudo e vou me despedindo do ano. vou comprar os presentes que preciso e que quero comprar, vou preparar minha casa para recebir minhas visitas tão amadas e tão esperadas para nosso natal e fim de ano, vou preparar o aniversário do meu filho, vou me preparar para receber o ano de 2015.

que promete ser um belo ano, aliás. não só pelos planos que temos, mas tembém porque desejamos que assim seja, porque queremos que assim seja.  e sobre o querer, pessoa ( de novo ele) já disse melhor do que eu :

quero, terei – se não aqui, noutro lugar que inda não sei. nada perdi. tudo serei.

e desejo que o período do advento, o natal de todxs aquelxs que lêem este post seja um tempo muito caloroso e de muito amor. e embora hoje seja doze de dezembro, e que ainda falte alguma àgua pra rolar debaixo da ponte de 2014, desejo que o 2015 de todxs seja de muitas alegrias e de muita paz.

gracias a la vida que me ha dado tanto

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e até as árvores peladas, e a vida fria e molhada lá fora tem lá sua beleza