a vida é mais, Da poesia da vida, Do cotidiano, mambembe, mundo afora

“less is more”


eu sempre achei muito chique aquelas pessoas cujas vidas cabem numa mala e numa caixa de papelão. já reparou nelas em filmes? aquelas que dizem: vou-me embora! e ao abrirem o guarda-roupa, todos os pertences cabem na única mala da Casa? seriam elas hoje as chamadas minimalistas? ou tais pessoas só existem na ficção mesmo? 

não sei dizer, mas sei que as do primeiro grupo rendem reportagens de revista e livros de auto-ajuda. já eu, particularmente, nunca fui nem minimalista e nem imitei a ficção. porque a bem da verdade, nem uma mala para passar um fim de semana na cidade ao lado eu sei arrumar. 

 mas durante esta minha vida mambembe, eu tive que aprender na raça, a minimizar. e toda vez que me mudo, e foram muitas mudanças na última década, eu juro – sempre no calor da hora-  que não comprarei uma agulha sequer.  o que acaba nunca acontecendo, porque minha memória sempre apaga o caos de toda mudança. faz desaparecer os momentos de desespero onde me pergunto do porquê ter comprado isso ou aquilo, faz virar fumaça tudo que acabo tendo que reciclar.

 e apesar do aprendizado, ainda estou longe de ser uma…. minimalista.

apesar de toda reciclagem e renovada que uma mudança de casa e de vida exige, eu percebi que tenho muitas coisas, sobretudo louças e livros. coisas que possuem valor emocional para mim. e que me custam desapegar.

hoje eu conto com poucos pares de sapato, ainda não tenho o guarda-roupa mais funcional e prático do mundo, mas conto nos dedos quantas peças de roupa comprei para mim neste ano que passou. e só as comprei pois a barriga a crescer exigiu.

 bijuterias não as compro mais. há tempos fiz uma seleção minuciosa dos meus balangandãs, o que foi ótimo. restaram apenas os que ganhei e/ou peças de valor sentimental. deixei-os todos  à vista, e no último ano os usei muito mais.

já fui de exibir uma coleção de cosméticos e maquiagem. percebi que não precisava e, veja só – não queria- de tudo aquilo. e confesso ter sido uma grande libertação para mim apresentar a minha cara lavada por aí.

e porque estou a dizer tudo isto? porque me deparei com uma reportagem sobre minimalismo/minimalistas, e embora concorde com a necessidade de consumirmos conscientemente, me incomoda a ideia de que armários, gavetas e prateleiras quase vazios tragam paz de espírito e felicidade.

na outra ponta, também não acho que acumular objetos tenha o mesmo efeito.

veja, é que estão a dizer que viver com duas t-shirts e uma xícara de café é o suprassumo da liberdade. e caso você tenha mais que isso, talvez você precise reconsiderar essa sua vida tão abarrotada de coisas, mas tão vazia de sentido.

talvez, junto com menos acumuladores, o mundo precise de menos gente dizendo pra você e pra mim o que é liberdade e o que é paz de espírito. pois essas reportagens cheias de frases feitas e estáticas alarmantes não me convencem. 

ademais, excluindo-se os exageros e trazendo à Luz o bom senso, o que seria pouco? Ou muito? Ou suficiente? Como disse Virginia Otten “ninguém se contenta com o pouco. só se esse pouco for muito”.  

pois é.

minha paz de espírito está mas minhas prateleiras tão cheias de livros. livros que me acompanham desde nossa primeira casa, que nos viram fazer nossa história. está no meu guarda-louça abarratodo, cujas louças sussurram causos de família e tantos outros mais.

a vida não precisa ser cheia, atravancada, acumulada. mas minimizá-la drasticamente seria reduzir muito de mim mesma. e não estou disposta a isto hoje.

em tempos onde se prega o despojamento de quase todas as coisas, menos da obrigação de ser grato e feliz e simples (mesmo que seja ai comer um prato de abacate com pão a cinquenta dinheiros), escolher acumular memórias é quase uma ousadia.

eu ouso acumular memórias, inclusive as físicas. como também ouso acumular algumas frustrações, uma ou outra tristeza, alguns xingamentos à vida quando achar que devo, ouso alguns luxos…nem com as palavras eu consigo ser minimalista, imagina na vida!

vou continuar achando chique quem com uma só mala vai pro mundo. assim como vou continuar deixando que minhas memórias e minhas conquistas ocupem o espaço que precisam, e que merecem.

pouco ou muito podem ser igualmente bom ou ruim. talvez o problema seja achar que o pouco ou o muito definam quem e o que se é. enquanto isso eu, definitivamente, vou tendo a certeza de que uma vida com uma mala só não é pra mim. 

 

 

 

 

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assim caminhamos nós

e por esta ilha fria e úmida os dias já cheiram outono. as folhas das árvores começam a mudar suas cores, o vento sopra mais gelado, e os dias cada vez mais curtos estão a nos dizer que mais um verão se passou.

o nosso verão foi muito bem aproveitado. nossos dias de sol e calor os tivemos na alemanha. revimos amigos, refizemos passeios, comemos e bebemos o que sentíamos vontade, consultamos nosso pediatra, tivemos a companhia da minha sogra, comemoramos conquistas e 14 anos de casados.

 abrimos champagne, não dormimos mais do que três horas contínuas, chorei de cansaço, sorri de amores, tomamos muito sorvete, nos abraçamos. foi um bom verão.

Violeta caminha para os seus cinco meses, Tomás caminha para o início de mais um ano letivo. caminhamos à procura de um novo lar. caminho eu para a minha primeira habilitação. aos 37 anos. sem nunca ter dirigido antes. nunca é tarde, disseram. nunca é. 

caminhamos entre noites de sono melhores e piores. mas sempre na fé de que virá a ser melhor. embora saiba que a melhora independe da fé, pois um dia Violeta há de dormir noites inteiras, fato. mas como disseram, a fé não costuma falhar. nem a fé e nem o café de todas as manhãs que me ajuda a segurar o rojão.

gostaria de passar mais por aqui, escrever mais. contudo, nos meus intervalos de amamentação, troca de fraldas, e tudo mais, eu tenho que ser também a mãe do Tomás, a dona de casa, a cozinheira…  não reclamo, só me ressinto de um dia ter apenas 24 horas. embora talvez, dias mais longos não tornariam minhas noites menos curtas.

é uma fase, eu sei. tudo passa, disseram. e eu não duvido. 

do nosso verão
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um breve relato do que foi e do que tem sido

Violeta já tem nove semanas,e parece que foi ontem mesmo que a segurei em meus braços pela primeira vez. 

e parece que foi ontem mesmo, depois de cinco horas de parto ativo, sendo duas de expulsivo e uma cesárea de emergência,  que eu finalmente conhecia a minha menina.

nunca pensei que faria parte das estatísticas das cesarianas que salvam vidas, ainda mais após um primeiro parto vaginal, onde fisiologicamente foi tudo perfeito. ninguém esperava. nem eu, nem João, nem as midwives, nem os médicos. mas fizemos parte.

e tê-la em meus braços depois de toda minha Via Crucis foi a maior e melhor sensação de alívio da minha vida. 

tem sido uma delícia amamentar novamente. ela não é tão gulosa como era seu irmão, mas ainda assim mama bastante, a minha pulguinha.

aliás, tem sido uma delícia ter um bebê de novo em casa.

Tomás está apaixonado pela irmã e tem se saído muito bem como irmão mais velho. tivemos alguns dias de choro, uma sensibilidade maior, mas tudo foi se ajustando e ele agora não tem sentido mais as mudanças na sua rotinininha. 

eu estou ótima físicamente, jamais esperava me recuperar tão rápido como me recuperei. emocionalmente então, nem se fala.  eu que experimentei uma depressão pós-parto da primeira vez, sei hoje o que é estar bem depois da chegada de um filho.

e eu não tenho tido tempo de passar por aqui por motivos bastante óbvios: quando Violeta dorme eu tenho que escolher entre lavar a louça ou a roupa, ou tentar arrumar a casa, ou comer ou tomar banho, ou ir ao banheiro… e quando me dou conta, já é hora de buscar o Tom na escola.

por falar em escola, vem “ni mim” férias de verão! é só o que penso.

e é isso, por ora, o que tenho para dizer. Vivi dorme há meia hora, e antes que ela acorde para mamar, vou lá lavar uma louça.

mas volto pra relatar com detalhes o nascimento da Vivi. Alguém ainda se interessa por relato de parto?🤔

beijos nossos e até o próximo post.

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um recesso e meus desejos

talvez eu tenha iniciado esse meu projeto de um poema por semana num tempo não muito oportuno.

eu realmente tenho me ocupado de coisas que, na  prática, me impossibilitam de escrever semanalmente no blog.

há de se ter prioridades, é bem verdade. e as minhas,  no momento,  são muito outras. 😄

estamos de férias (iuuuupi!). passamos pela Alemanha, onde estive muito ocupada passeando e revendo amigos.  chegamos na Austria, onde sigo ocupadíssima passeando 😉

mas desejo a você que vem toda semana por aqui à procura de um poema,  tudo Aquilo que Drummond já desejou.

DESEJOS  

Desejo a vocês…
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

Carlos Drummond de Andrade

a vida é mais, Da poesia da vida, jardineira acidental, palavras soltas ao vento

sobre rosas,daquilo que incomoda e um poema por semana #3

olha, eu vou confessar aqui um sonho que eu sempre tive. pode parecer pueril, pode parecer bobo, mas um dos meus maiores sonhos era ter uma roseira. tá bom, eu sou romântica. eu amo rosas, e muito. preciso me controlar para não comprar apenas rosas toda semana para a casa. e embora as vermelhas sejam minhas preferidas (tenho até uma tatuada) eu amo rosas de todas as cores.

quando nos mudamos para a casa nova, e eu vi que tinha duas roseiras plantadas no jardim eu juro que me emocionei. elas estavam judiadas, abafadas, largadas…mas meu super marido jardineiro entrou em ação e resgatou as roseiras que estão florindo lindamente agora.

eu nunca tive um quintal na minha infância, sequer um jardim. cresci feito galinha de granja, que quando saía sentia nojinho de terra molhada e piniqueira de mato. diferente do joão que cresceu com quintal, horta, gato, cachorro, galinha, árvore… por isso mesmo, o jardineiro oficial da casa é ele. e foi com ele também que aprendi a gostar de terra molhada, de jardinagem, de estar em contato com a natureza. e fico feliz de vê-lo passando isso pro tomás, que desde cedo mete a mão na terra, e cuida das plantas junto com o pai.

depois de um longo hiato sem uma horta, joão agora se delicia cuidando de uma. e apesar de não termos tido horta e nem quintal nos últimos anos, nós sempre tivemos plantas, muitas plantas nas nossas varandas.

a mim cabe o título de jardineira acidental, pois quando meu marido se ausenta sou eu quem cuida do jardim. e quando o faço, entendo o porquê da alegria deles ao cuidar e mexer com as plantas.

mas então que fique aqui registrado que meu singelo sonho de ter uma roseira se concretizou.

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esqueçam um pouco do meu sonho e da minha roseira.

eu quero falar agora de um texto de uma colunista que eu li dias atrás. era um texto bastante irônico sobre pessoas que abusavam nas redes sociais com seus milhões de posts sobre: alimentação saudável, parto natural, criação com apego, crossfiteiros, maratonistas e marombeiros em geral, escola alternativa para as crias, pessoal namastê e gratidão, gente viciada em séries de televisão e mais algumas coisas que não me recordo agora.

eu acho a ironia um recurso linguístico bastante interessante, mas quando usado em certa medida. ironia é feito baunilha em bolo, se usada demais o que era bom acaba por ficar ruim, deixando um trago de amargor, uma coisa enjoada.

na minha humilde opinião o texto da moça ficou amargo e difícil de engolir até o final.

e eu parei pra pensar. gente, redes sociais são inerentes na nossa vida hoje em dia, e o desejo de compartilhar idem. e cada um é livre para participar daquela que melhor lhe apetece.

e que mesmo escolhendo de qual rede social eu quero participar, eu tenho apenas o controle daquilo que eu posto. o que os outros postam é problema só e somente dos outros.

e que se meu incômodo é igualmente proporcional à quantidade de oversharings de determinadas pessoas, o problema é muito mais meu do que de quem posta. em outras palavras: o problema é do incomodado e não de quem postou.

as redes sociais são uma forma de exposição. alguns escolhem expor mais, outros menos. o mais e o menos também é relativo pra cada um.

por isso mesmo, eu fui voltando no tempo e li uns quatro ou cinco textos passados da colunista, e pude ver que ela não falava de outra coisa a não ser a sua mudança de país, e do quanto ela estava apaixonada pela nova capital européia que ela escolheu como novo lar. claro que fui até o instagram da moça, porque curiosidade é outro traço inerente a todos nós, e o que eu vi? oversharing de cantos e mais cantos do bairro dela. que é um puta bairro bacana diga-se de passagem. e seguindo o raciocínio dela, eu poderia enquadrá-la na seita dos que a adoram a cidade X.

e o que eu quero dizer com isso? que quem tem telhado de vidro não joga pedra no telhado do vizinho. e que por mais que a gente queira desesperadamente nos diferenciar em alguma coisa, somos todos a mesma porcaria. em outras palavras: todos nós temos telhado de vidro. compreendeu meu raciocínio?

existem pessoas que, de fato, se diferenciam no uso das redes sociais. e que por mais que postem mais do mesmo, o fazem de um jeito parece nos encantar. maaaaaas… ainda assim, não é possível agradar a gregos e troianos.

e a minha estratégia pessoal para lidar com pessoas que postam repetidas vezes as mesmas coisas foi: limitar minha participação a uma única rede social (fora este blog, que nem sei se pode ser considerado uma rede social), dar likes quando realmente eu quero dar, desconectar e…. admirar o meu jardim, em especial as minhas roseiras.

essa é a minha estratégia. não estou dizendo pra você fazer o mesmo. vê lá, hein!

e cada vez mais que eu faço isso, eu percebo o quanto a vida se descomplica pra mim. o quanto a vida fica próxima de ser vivida apenas. sem aquela “pressão” em mostrar se estou aqui ou acolá, se minha vida vais às mil maravilhas, ou se vai às merdas. a minha vida por mim vivida, sem me preocupar em compartilhar. só em viver.

embora existam os momentos de abrir-se, tal qual as rosas que na época certa desabrocham e nos escancaram a beleza da flor, e a beleza do tudo ao seu tempo.

e embora também sejamos todos a mesma porcariazinha porque somos demasiadamente humanos, também somos únicos, porque temos cada um nossos próprios destinos.

então, na melhor das hipóteses, viva e deixe viver.

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Segue o Teu Destino

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nos queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-proprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis, in “Odes”
Heterónimo de Fernando Pessoa

 

 

 

 

 

 

Da poesia da vida, mudança, mundo afora, naturebices, palavras soltas ao vento

das memórias afetivas e um poema por semana

memória é um trem doido mesmo. do nada, num dia qualquer, em circunstâncias despretensiosas você passa por uma situação que te evoca lembranças que parecem até ser de outra vida, de tão longínquas e desconectadas do presente que são.

e os gatilhos que despertam lembranças são tão inesperados e tão particulares, que eu sempre me surpreendo com minha própria memória.

hoje eu estava num café esperando pelo meu expresso. e do nada, o cheiro do chocolate quente do meu predecessor na fila chegou a mim. as repetidas lufadas pareciam jogar na minha cara o quão gostoso aquele chocolate quente era e o quão desinteressante meu café seria perto daquela exuberância cremosa.

por segundos eu me arrependi do fundo da minha alma por não tomar mais leite, e muito menos leite com achocolatados. me arrependi por não ter pedido um golinho do chocolate quente pro meu colega de fila. 

por segundos pensei no quanto o tempo passa e no quanto os gostos mudam. seja por necessidade, seja porque se quis que mudassem.

lembrei, já com meu café em mãos, da minha infância regada a leite de vaca com toddy ou nescau.  e também me lembrei do quanto o leite com chocolate  parecia infinitamente mais gostoso na casa da tia zeza, ou na casa da vó chica ( a grama do vizinho,  sabe como é).

e me peguei pensando no quão longe dessa infância eu estou. não só pelos anos passados, mas muito mais pela distância geográfica em que me encontro de todo meu passado.

faz pouco tempo que me mudei para inglaterra. mas faz muito tempo que estou fora “de casa”.  eu sempre soube que não ficaria  naquele lugar que nasci e cresci.  tudo muda, mesmo que por lá ficasse, nada seria igual à essa infância da minha memória.

às vezes, só o que me faz falta é me saber parte de algo. às vezes, o que me faz falta são as pessoas. às vezes, todas as coisas me fazem falta. mas aí eu me lembro do fernando pessoa que deu voz a ricardo reis quando disse “para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui…”. não exagera a falta, porque a vida é assim mesmo: ora se tem, ora não tem.  não exclui a responsabilidade das escolhas: ganhar e perder são dois lados da mesma moeda.

e ele continua dizendo: …”Sê todo em cada coisa. Põe quanto és No mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive”. e aí me volto inteira pro presente, sorvo meu café muito bem tirado, me ponho inteira novamente em todos os sentidos, levanto para resolver minhas coisas com a sensação de que a vida é exatamente tão gostosa quanto àquela vida do leite com nescau.  mas volto pra casa ainda com a memória olfativa do chocolate quente.

resolvo fazer um para mim. com leite de amêndoas e cacau puro. porque apesar das memórias serem as mesmas (graças a deus), os paladares já são outros. devo dizer graças a deus também? talvez deva.

 

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meu chocolate quente não ficou atrás do chocolate do costa 🙂

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mais dia menos dia vou escrever o porquê de ter mudado o nome do blog, o tanto que gosto de poesia e um pouco mais. por enquanto, quero apenas “estrear” minha ideia/vontade de deixar aqui alguns dos poemas que mais gosto.  a ideia original era deixar um poema por dia, mas não sou disciplinada a ponto de passar todos os dias no blog. um por semana, por ora, está de bom tamanho, e cabe bem na minha lista de afazeres (e espero poder cumprir).

o poema da semana não poderia ser outro que não o  acima citado. espero que goste tanto quanto eu (embora eu tenha enormes desconfianças de gente que não gosta de fernando pessoa. nem de poesia 😉 ).

 

Põe quanto És no Mínimo que Fazes

Para ser grande, sê inteiro: nada
          Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
          No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda
          Brilha, porque alta vive

Ricardo Reis, in “Odes”
Heterónimo de Fernando Pessoa

Do cotidiano, naturebices, receitinha

sobre leite vegetal

eu sei que escrever sobre leite vegetal é como chover no molhado. e por isso mesmo, eu achei que nem valia a pena compartilhar uma coisa vergonhosamente simples. e já tão pública e notória.

mas apesar de simples, eu achava que fazer o próprio leite vegetal era coisa de
gente luz e flor demais. e sobretudo, eu achava que ia dar muito trabalho. e ai, que preguiça de mais trabalho!

muito desse pensamento vinha do fato de, na alemanha, eu encontrar leite vegetal facim facim. e orgânico e biodinâmico e sem conservantes, aromatizantes, açúcares e demais porcarias. era na embalagem tetra pak, mas eu achava que dos males o menor. além do que, eu achava que deveria dar um apoio para os fabricantes que apareciam em fotos sorridentes na caixinha, garantindo a procedência e a qualidade do produto.

ainda que o custo fosse relativamente alto, eu pagava com a consciência tranquila, e seguia feliz com meu leitinho prático e embalado.

aqui na inglaterra eu ainda não achei 100% meus esquemas de compra. sobretudo o circuito alternativo de compras. e foi ao comprar uma embalagem de leite de amêndoas, e me deparar com a realidade de que naquela caixinha vinha muito mais do que o leite propriamente dito, a saber: maltodextrina, óleo de girassol, sal, emulsificantes e conservantes, que eu decidi dar uma chance para o modo homemade de leite vegetal.

então se você, assim como eu achava que seria muito trabalho, eu te digo por experiência própria que não. e além de ficar uma delícia, não tem os veneninhos disfarçados adicionais. e não vai te custar mais do que vinte minutos.

a receita é mega simples: para cada xícara de amêndoas (ou qualquer outra castanha de sua preferência) você adiciona três xicaras de água. mas antes você precisa deixa-las de molho por 12 horas, preferencialmente.

depois é só escorrer a água do molho (e descarta-la), bater bem no lquificador, coar com um pano tipo voil ou pano de prato bem limpo, e voilà, tens teu leite.

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com o que sobra depois de coar, a gente coloca em cima das frutas no café da manhã, ou coloco na massa de bolos, muffins & Co. e dá também pra fazer queijo vegano, mas eu ainda não fiz.

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já percebeu que não é necessário ter diploma de naturebices, nem estágio em woodstock, nem coroa de flores na cabeça para fazer seu próprio leite vegetal, não é!

e se com este post eu consegui provar por a mais b que, de fato, fazer leite de amêndoas é coisa fácil, considero minha missão cumprida.

então, experimenta fazer, e depois volta pra me contar se a vontade não era mergulhar dentro da garrafa pra aproveitar cada gota, de tão gostoso que ficou.

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a vida é mais, Da poesia da vida

navegar é preciso

e  porque o espírito festivo daqueles que estão longe me contaminou. e porque hoje é terça-feira gorda. e porque eu acho que essa música  diz muito sobre meus movimentos nos últimos tempos. e porque eu acho que , às vezes, podemos controlar e direcionar o rumo da vida. mas às vezes é  preciso soltar o leme  e ver onde vai dar. e porque eu estou muito feliz por ter me deixado levar pela vida. e porque demorou, mas eu cheguei onde deveria chegar. e porque é  carnaval, embora ele não se faça sentir onde estou. mas isso não importa.

bom fim de festa pra quem é da folia.

boa viagem para quem se lançar ao mar. qualquer mar, de qualquer escolha, pra qualquer lugar.

Timoneiro nunca fui
Que eu não sou de velejar
O leme da minha vida
Deus é quem faz governar
E quando alguém me pergunta
Como se faz pra nadar
Explico que eu não navego
Quem me navega é o mar

https://youtu.be/EflJ67AAZFc

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Algumas frases que eu não gostaria de ouvir nas próximas 48 ou 72 horas

1. Vou demorar um pouquinho mais no trabalho hoje, tá bom? Marido ligando às 19h, avisando que vai chegar mais tarde ainda.

2. Eu vou viajar na próxima semana, mas vai ser uma viagem curta. E é a última do ano. Marido viajento e cara de pau.

2. Outro chocolate? Você está na TPM? Marido sem noção do perigo.

3. Outro brinquedo? Mas esse menino já tem muito brinquedo! Marido observador.

4. Outro livro? O mesmo marido acima.

5. Você não trabalha? Eu não aguentaria ficar o dia inteiro em casa! Eu também não. É por isso, inclusive, que eu saio de casa todos os dias com meu filho.

6. Você está grávida? Fala a verdade, você está né! Os avós

7. Mas você vai ter outro filho, não vai? Os avós ainda.

8. O Tomás não come maçã? Nossa, Zezinho adoooora maçã. Uma mãe afortunada (e exibida).

9. Mamãaaaaaaaaaaaaaaaaaae, eu quero acordar agora! Posso, mamãe? Meu filho às 5 e meias da manhã.

10. Eu não quero dormir! Meu filho, sempre.

11. Eu quero agora! O mesmo filho, para quase todas as coisas.

Posso pedir isso tudo, produção?

Pela atenção, obrigada!

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não tá fácil pra ninguém

imagina se você é mulher, então…

ninguém me avisou, mas ao que parece vivemos uma competição diária

aquelas que chegarem em primeiro lugar devem ganhar alguma coisa (se é que existe um primeiro lugar nessa história), porque olha…

sei não, anda meio sem graça até

está grávida? mas não tem doula

tem doula? é privilegiada

pariu no hospital? mas não pariu na água

pariu na água mas não pariu em casa

pariu em casa na água, mas não amamentou em livre demanda

amamentou em livre demanda, mas não prolongadamente

amamentou em livre demanda, prolongadamente mas nunca precisou fazer dieta de aplv

nunca usou sling

só usa sling

deu chupeta e mamadeira

o moleque dorme na sua cama

deixa chorar

dá muito colo

não dá industrializados para o filho

não dá industrializados para o filho E é vegetariana

faz- me rir, somo veganos

começou a introdução alimentar com quatro meses

não sabe o que é blw?

voltou a trabalhar e pôs na creche

diz que só trabalha em casa? pfff

a filha nasceu faz tempo e a mãe continua gorda

é magra e bonita porque tem babá e empregada

pede mais empatia… ai que dodói

pede mais amor por favor… ai que balela

é muito crítica

falta crítica

e a lista continua ad infinitum

….

é saudável ter parâmetros, é desejável ter informação, é necessário respeitar o que cada um decide fazer com a mesma, penso eu

posso estar errada, mas sou muito mais da filosofia do “viva  e deixe viver”

acho que preciso me concentrar mais no meu tricot. quem sabe até eu engravidar e até nascer o bebê eu já tenha terminado os sapatinhos e a touquinha?

é isso, vou me concentrar nos blogs de ticotagem.

não, espera….

será que tem tretas nos blogs de tricot?

será que alguém vai querer enfiar a agulha no meu olho?

acho melhor fazer yoga

e meditar

e desconectar

é, não está fácil mesmo