Do cotidiano, mãe zen, mundo afora, parto, uk, Violeta

um breve relato do que foi e do que tem sido

Violeta já tem nove semanas,e parece que foi ontem mesmo que a segurei em meus braços pela primeira vez. 

e parece que foi ontem mesmo, depois de cinco horas de parto ativo, sendo duas de expulsivo e uma cesárea de emergência,  que eu finalmente conhecia a minha menina.

nunca pensei que faria parte das estatísticas das cesarianas que salvam vidas, ainda mais após um primeiro parto vaginal, onde fisiologicamente foi tudo perfeito. ninguém esperava. nem eu, nem João, nem as midwives, nem os médicos. mas fizemos parte.

e tê-la em meus braços depois de toda minha Via Crucis foi a maior e melhor sensação de alívio da minha vida. 

tem sido uma delícia amamentar novamente. ela não é tão gulosa como era seu irmão, mas ainda assim mama bastante, a minha pulguinha.

aliás, tem sido uma delícia ter um bebê de novo em casa.

Tomás está apaixonado pela irmã e tem se saído muito bem como irmão mais velho. tivemos alguns dias de choro, uma sensibilidade maior, mas tudo foi se ajustando e ele agora não tem sentido mais as mudanças na sua rotinininha. 

eu estou ótima físicamente, jamais esperava me recuperar tão rápido como me recuperei. emocionalmente então, nem se fala.  eu que experimentei uma depressão pós-parto da primeira vez, sei hoje o que é estar bem depois da chegada de um filho.

e eu não tenho tido tempo de passar por aqui por motivos bastante óbvios: quando Violeta dorme eu tenho que escolher entre lavar a louça ou a roupa, ou tentar arrumar a casa, ou comer ou tomar banho, ou ir ao banheiro… e quando me dou conta, já é hora de buscar o Tom na escola.

por falar em escola, vem “ni mim” férias de verão! é só o que penso.

e é isso, por ora, o que tenho para dizer. Vivi dorme há meia hora, e antes que ela acorde para mamar, vou lá lavar uma louça.

mas volto pra relatar com detalhes o nascimento da Vivi. Alguém ainda se interessa por relato de parto?🤔

beijos nossos e até o próximo post.

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um recesso e meus desejos

talvez eu tenha iniciado esse meu projeto de um poema por semana num tempo não muito oportuno.

eu realmente tenho me ocupado de coisas que, na  prática, me impossibilitam de escrever semanalmente no blog.

há de se ter prioridades, é bem verdade. e as minhas,  no momento,  são muito outras. 😄

estamos de férias (iuuuupi!). passamos pela Alemanha, onde estive muito ocupada passeando e revendo amigos.  chegamos na Austria, onde sigo ocupadíssima passeando 😉

mas desejo a você que vem toda semana por aqui à procura de um poema,  tudo Aquilo que Drummond já desejou.

DESEJOS  

Desejo a vocês…
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

Carlos Drummond de Andrade

a vida é mais, Da poesia da vida, jardineira acidental, palavras soltas ao vento

sobre rosas,daquilo que incomoda e um poema por semana #3

olha, eu vou confessar aqui um sonho que eu sempre tive. pode parecer pueril, pode parecer bobo, mas um dos meus maiores sonhos era ter uma roseira. tá bom, eu sou romântica. eu amo rosas, e muito. preciso me controlar para não comprar apenas rosas toda semana para a casa. e embora as vermelhas sejam minhas preferidas (tenho até uma tatuada) eu amo rosas de todas as cores.

quando nos mudamos para a casa nova, e eu vi que tinha duas roseiras plantadas no jardim eu juro que me emocionei. elas estavam judiadas, abafadas, largadas…mas meu super marido jardineiro entrou em ação e resgatou as roseiras que estão florindo lindamente agora.

eu nunca tive um quintal na minha infância, sequer um jardim. cresci feito galinha de granja, que quando saía sentia nojinho de terra molhada e piniqueira de mato. diferente do joão que cresceu com quintal, horta, gato, cachorro, galinha, árvore… por isso mesmo, o jardineiro oficial da casa é ele. e foi com ele também que aprendi a gostar de terra molhada, de jardinagem, de estar em contato com a natureza. e fico feliz de vê-lo passando isso pro tomás, que desde cedo mete a mão na terra, e cuida das plantas junto com o pai.

depois de um longo hiato sem uma horta, joão agora se delicia cuidando de uma. e apesar de não termos tido horta e nem quintal nos últimos anos, nós sempre tivemos plantas, muitas plantas nas nossas varandas.

a mim cabe o título de jardineira acidental, pois quando meu marido se ausenta sou eu quem cuida do jardim. e quando o faço, entendo o porquê da alegria deles ao cuidar e mexer com as plantas.

mas então que fique aqui registrado que meu singelo sonho de ter uma roseira se concretizou.

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esqueçam um pouco do meu sonho e da minha roseira.

eu quero falar agora de um texto de uma colunista que eu li dias atrás. era um texto bastante irônico sobre pessoas que abusavam nas redes sociais com seus milhões de posts sobre: alimentação saudável, parto natural, criação com apego, crossfiteiros, maratonistas e marombeiros em geral, escola alternativa para as crias, pessoal namastê e gratidão, gente viciada em séries de televisão e mais algumas coisas que não me recordo agora.

eu acho a ironia um recurso linguístico bastante interessante, mas quando usado em certa medida. ironia é feito baunilha em bolo, se usada demais o que era bom acaba por ficar ruim, deixando um trago de amargor, uma coisa enjoada.

na minha humilde opinião o texto da moça ficou amargo e difícil de engolir até o final.

e eu parei pra pensar. gente, redes sociais são inerentes na nossa vida hoje em dia, e o desejo de compartilhar idem. e cada um é livre para participar daquela que melhor lhe apetece.

e que mesmo escolhendo de qual rede social eu quero participar, eu tenho apenas o controle daquilo que eu posto. o que os outros postam é problema só e somente dos outros.

e que se meu incômodo é igualmente proporcional à quantidade de oversharings de determinadas pessoas, o problema é muito mais meu do que de quem posta. em outras palavras: o problema é do incomodado e não de quem postou.

as redes sociais são uma forma de exposição. alguns escolhem expor mais, outros menos. o mais e o menos também é relativo pra cada um.

por isso mesmo, eu fui voltando no tempo e li uns quatro ou cinco textos passados da colunista, e pude ver que ela não falava de outra coisa a não ser a sua mudança de país, e do quanto ela estava apaixonada pela nova capital européia que ela escolheu como novo lar. claro que fui até o instagram da moça, porque curiosidade é outro traço inerente a todos nós, e o que eu vi? oversharing de cantos e mais cantos do bairro dela. que é um puta bairro bacana diga-se de passagem. e seguindo o raciocínio dela, eu poderia enquadrá-la na seita dos que a adoram a cidade X.

e o que eu quero dizer com isso? que quem tem telhado de vidro não joga pedra no telhado do vizinho. e que por mais que a gente queira desesperadamente nos diferenciar em alguma coisa, somos todos a mesma porcaria. em outras palavras: todos nós temos telhado de vidro. compreendeu meu raciocínio?

existem pessoas que, de fato, se diferenciam no uso das redes sociais. e que por mais que postem mais do mesmo, o fazem de um jeito parece nos encantar. maaaaaas… ainda assim, não é possível agradar a gregos e troianos.

e a minha estratégia pessoal para lidar com pessoas que postam repetidas vezes as mesmas coisas foi: limitar minha participação a uma única rede social (fora este blog, que nem sei se pode ser considerado uma rede social), dar likes quando realmente eu quero dar, desconectar e…. admirar o meu jardim, em especial as minhas roseiras.

essa é a minha estratégia. não estou dizendo pra você fazer o mesmo. vê lá, hein!

e cada vez mais que eu faço isso, eu percebo o quanto a vida se descomplica pra mim. o quanto a vida fica próxima de ser vivida apenas. sem aquela “pressão” em mostrar se estou aqui ou acolá, se minha vida vais às mil maravilhas, ou se vai às merdas. a minha vida por mim vivida, sem me preocupar em compartilhar. só em viver.

embora existam os momentos de abrir-se, tal qual as rosas que na época certa desabrocham e nos escancaram a beleza da flor, e a beleza do tudo ao seu tempo.

e embora também sejamos todos a mesma porcariazinha porque somos demasiadamente humanos, também somos únicos, porque temos cada um nossos próprios destinos.

então, na melhor das hipóteses, viva e deixe viver.

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Segue o Teu Destino

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nos queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-proprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis, in “Odes”
Heterónimo de Fernando Pessoa

 

 

 

 

 

 

Da poesia da vida, mudança, mundo afora, naturebices, palavras soltas ao vento

das memórias afetivas e um poema por semana

memória é um trem doido mesmo. do nada, num dia qualquer, em circunstâncias despretensiosas você passa por uma situação que te evoca lembranças que parecem até ser de outra vida, de tão longínquas e desconectadas do presente que são.

e os gatilhos que despertam lembranças são tão inesperados e tão particulares, que eu sempre me surpreendo com minha própria memória.

hoje eu estava num café esperando pelo meu expresso. e do nada, o cheiro do chocolate quente do meu predecessor na fila chegou a mim. as repetidas lufadas pareciam jogar na minha cara o quão gostoso aquele chocolate quente era e o quão desinteressante meu café seria perto daquela exuberância cremosa.

por segundos eu me arrependi do fundo da minha alma por não tomar mais leite, e muito menos leite com achocolatados. me arrependi por não ter pedido um golinho do chocolate quente pro meu colega de fila. 

por segundos pensei no quanto o tempo passa e no quanto os gostos mudam. seja por necessidade, seja porque se quis que mudassem.

lembrei, já com meu café em mãos, da minha infância regada a leite de vaca com toddy ou nescau.  e também me lembrei do quanto o leite com chocolate  parecia infinitamente mais gostoso na casa da tia zeza, ou na casa da vó chica ( a grama do vizinho,  sabe como é).

e me peguei pensando no quão longe dessa infância eu estou. não só pelos anos passados, mas muito mais pela distância geográfica em que me encontro de todo meu passado.

faz pouco tempo que me mudei para inglaterra. mas faz muito tempo que estou fora “de casa”.  eu sempre soube que não ficaria  naquele lugar que nasci e cresci.  tudo muda, mesmo que por lá ficasse, nada seria igual à essa infância da minha memória.

às vezes, só o que me faz falta é me saber parte de algo. às vezes, o que me faz falta são as pessoas. às vezes, todas as coisas me fazem falta. mas aí eu me lembro do fernando pessoa que deu voz a ricardo reis quando disse “para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui…”. não exagera a falta, porque a vida é assim mesmo: ora se tem, ora não tem.  não exclui a responsabilidade das escolhas: ganhar e perder são dois lados da mesma moeda.

e ele continua dizendo: …”Sê todo em cada coisa. Põe quanto és No mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive”. e aí me volto inteira pro presente, sorvo meu café muito bem tirado, me ponho inteira novamente em todos os sentidos, levanto para resolver minhas coisas com a sensação de que a vida é exatamente tão gostosa quanto àquela vida do leite com nescau.  mas volto pra casa ainda com a memória olfativa do chocolate quente.

resolvo fazer um para mim. com leite de amêndoas e cacau puro. porque apesar das memórias serem as mesmas (graças a deus), os paladares já são outros. devo dizer graças a deus também? talvez deva.

 

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meu chocolate quente não ficou atrás do chocolate do costa 🙂

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mais dia menos dia vou escrever o porquê de ter mudado o nome do blog, o tanto que gosto de poesia e um pouco mais. por enquanto, quero apenas “estrear” minha ideia/vontade de deixar aqui alguns dos poemas que mais gosto.  a ideia original era deixar um poema por dia, mas não sou disciplinada a ponto de passar todos os dias no blog. um por semana, por ora, está de bom tamanho, e cabe bem na minha lista de afazeres (e espero poder cumprir).

o poema da semana não poderia ser outro que não o  acima citado. espero que goste tanto quanto eu (embora eu tenha enormes desconfianças de gente que não gosta de fernando pessoa. nem de poesia 😉 ).

 

Põe quanto És no Mínimo que Fazes

Para ser grande, sê inteiro: nada
          Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
          No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda
          Brilha, porque alta vive

Ricardo Reis, in “Odes”
Heterónimo de Fernando Pessoa

Do cotidiano, naturebices, receitinha

sobre leite vegetal

eu sei que escrever sobre leite vegetal é como chover no molhado. e por isso mesmo, eu achei que nem valia a pena compartilhar uma coisa vergonhosamente simples. e já tão pública e notória.

mas apesar de simples, eu achava que fazer o próprio leite vegetal era coisa de
gente luz e flor demais. e sobretudo, eu achava que ia dar muito trabalho. e ai, que preguiça de mais trabalho!

muito desse pensamento vinha do fato de, na alemanha, eu encontrar leite vegetal facim facim. e orgânico e biodinâmico e sem conservantes, aromatizantes, açúcares e demais porcarias. era na embalagem tetra pak, mas eu achava que dos males o menor. além do que, eu achava que deveria dar um apoio para os fabricantes que apareciam em fotos sorridentes na caixinha, garantindo a procedência e a qualidade do produto.

ainda que o custo fosse relativamente alto, eu pagava com a consciência tranquila, e seguia feliz com meu leitinho prático e embalado.

aqui na inglaterra eu ainda não achei 100% meus esquemas de compra. sobretudo o circuito alternativo de compras. e foi ao comprar uma embalagem de leite de amêndoas, e me deparar com a realidade de que naquela caixinha vinha muito mais do que o leite propriamente dito, a saber: maltodextrina, óleo de girassol, sal, emulsificantes e conservantes, que eu decidi dar uma chance para o modo homemade de leite vegetal.

então se você, assim como eu achava que seria muito trabalho, eu te digo por experiência própria que não. e além de ficar uma delícia, não tem os veneninhos disfarçados adicionais. e não vai te custar mais do que vinte minutos.

a receita é mega simples: para cada xícara de amêndoas (ou qualquer outra castanha de sua preferência) você adiciona três xicaras de água. mas antes você precisa deixa-las de molho por 12 horas, preferencialmente.

depois é só escorrer a água do molho (e descarta-la), bater bem no lquificador, coar com um pano tipo voil ou pano de prato bem limpo, e voilà, tens teu leite.

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com o que sobra depois de coar, a gente coloca em cima das frutas no café da manhã, ou coloco na massa de bolos, muffins & Co. e dá também pra fazer queijo vegano, mas eu ainda não fiz.

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já percebeu que não é necessário ter diploma de naturebices, nem estágio em woodstock, nem coroa de flores na cabeça para fazer seu próprio leite vegetal, não é!

e se com este post eu consegui provar por a mais b que, de fato, fazer leite de amêndoas é coisa fácil, considero minha missão cumprida.

então, experimenta fazer, e depois volta pra me contar se a vontade não era mergulhar dentro da garrafa pra aproveitar cada gota, de tão gostoso que ficou.

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a vida é mais, Da poesia da vida

navegar é preciso

e  porque o espírito festivo daqueles que estão longe me contaminou. e porque hoje é terça-feira gorda. e porque eu acho que essa música  diz muito sobre meus movimentos nos últimos tempos. e porque eu acho que , às vezes, podemos controlar e direcionar o rumo da vida. mas às vezes é  preciso soltar o leme  e ver onde vai dar. e porque eu estou muito feliz por ter me deixado levar pela vida. e porque demorou, mas eu cheguei onde deveria chegar. e porque é  carnaval, embora ele não se faça sentir onde estou. mas isso não importa.

bom fim de festa pra quem é da folia.

boa viagem para quem se lançar ao mar. qualquer mar, de qualquer escolha, pra qualquer lugar.

Timoneiro nunca fui
Que eu não sou de velejar
O leme da minha vida
Deus é quem faz governar
E quando alguém me pergunta
Como se faz pra nadar
Explico que eu não navego
Quem me navega é o mar

https://youtu.be/EflJ67AAZFc

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Algumas frases que eu não gostaria de ouvir nas próximas 48 ou 72 horas

1. Vou demorar um pouquinho mais no trabalho hoje, tá bom? Marido ligando às 19h, avisando que vai chegar mais tarde ainda.

2. Eu vou viajar na próxima semana, mas vai ser uma viagem curta. E é a última do ano. Marido viajento e cara de pau.

2. Outro chocolate? Você está na TPM? Marido sem noção do perigo.

3. Outro brinquedo? Mas esse menino já tem muito brinquedo! Marido observador.

4. Outro livro? O mesmo marido acima.

5. Você não trabalha? Eu não aguentaria ficar o dia inteiro em casa! Eu também não. É por isso, inclusive, que eu saio de casa todos os dias com meu filho.

6. Você está grávida? Fala a verdade, você está né! Os avós

7. Mas você vai ter outro filho, não vai? Os avós ainda.

8. O Tomás não come maçã? Nossa, Zezinho adoooora maçã. Uma mãe afortunada (e exibida).

9. Mamãaaaaaaaaaaaaaaaaaae, eu quero acordar agora! Posso, mamãe? Meu filho às 5 e meias da manhã.

10. Eu não quero dormir! Meu filho, sempre.

11. Eu quero agora! O mesmo filho, para quase todas as coisas.

Posso pedir isso tudo, produção?

Pela atenção, obrigada!

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não tá fácil pra ninguém

imagina se você é mulher, então…

ninguém me avisou, mas ao que parece vivemos uma competição diária

aquelas que chegarem em primeiro lugar devem ganhar alguma coisa (se é que existe um primeiro lugar nessa história), porque olha…

sei não, anda meio sem graça até

está grávida? mas não tem doula

tem doula? é privilegiada

pariu no hospital? mas não pariu na água

pariu na água mas não pariu em casa

pariu em casa na água, mas não amamentou em livre demanda

amamentou em livre demanda, mas não prolongadamente

amamentou em livre demanda, prolongadamente mas nunca precisou fazer dieta de aplv

nunca usou sling

só usa sling

deu chupeta e mamadeira

o moleque dorme na sua cama

deixa chorar

dá muito colo

não dá industrializados para o filho

não dá industrializados para o filho E é vegetariana

faz- me rir, somo veganos

começou a introdução alimentar com quatro meses

não sabe o que é blw?

voltou a trabalhar e pôs na creche

diz que só trabalha em casa? pfff

a filha nasceu faz tempo e a mãe continua gorda

é magra e bonita porque tem babá e empregada

pede mais empatia… ai que dodói

pede mais amor por favor… ai que balela

é muito crítica

falta crítica

e a lista continua ad infinitum

….

é saudável ter parâmetros, é desejável ter informação, é necessário respeitar o que cada um decide fazer com a mesma, penso eu

posso estar errada, mas sou muito mais da filosofia do “viva  e deixe viver”

acho que preciso me concentrar mais no meu tricot. quem sabe até eu engravidar e até nascer o bebê eu já tenha terminado os sapatinhos e a touquinha?

é isso, vou me concentrar nos blogs de ticotagem.

não, espera….

será que tem tretas nos blogs de tricot?

será que alguém vai querer enfiar a agulha no meu olho?

acho melhor fazer yoga

e meditar

e desconectar

é, não está fácil mesmo

 

 

 

 

Alemanha

é promessa de vida no meu coração

ou mudança de hemisfério, mudança de percepção

no brasil o sol é algo dado. tão dado que contamos com ele todos os dias. e como todas as coisas que nos são dadas, assim de mão beijada, chegamos a dá-lo como certo, todos os dias. chegamos até a reclamar de sua presença.

na alemanha eu vim perceber que o sol é algo esperado, ansiado, desejado. e todas as coisas esperadas, quando chegam são aproveitadas, comemoradas, agradecidas.

eu nunca achei que sentiria falta do sol. por ser mal acostumada a tê-lo sem pedir que viesse, imagina, cheguei a fugir dele.

hoje, me vejo correndo atrás de migalhas de sol, de franzinas nesgas, de minguados raios. mesmo quando aparece timidamente, como que a fazer força para romper com as nuvens, que parecem poder mais do que ele. ele, o astro rei, que brilha tão soberano no brasil que nasci e cresci.

hoje, depois de dias e dias sem sol, depois de dias de um cinza sem fim, o sol apareceu. firme, claro, forte. e até agora reina absoluto no céu. o seu calor, ainda não se pode sentir, mas a sua luz, apenas ela, já nos aquece o coração.

luz que mostra que os tristes dias de inverno estão chegando ao fim. ou será muita vontade minha de que ele chegue ao fim?

mas hoje, nem pensei se o fim do inverno está próximo ou não. hoje eu saí depressa, com pressa de aproveitar toda a parte que me cabe debaixo do sol. hoje não foram migualhas. hoje foram alegrias em forma de céu azul e luz dourada.

em dias assim, ensolarados, o mundo parece ser mais bonito e mais feliz. de fato, o humor das pessoas muda: a caixa do supermecado, os atendentes na padaria, os motoristas de ônibus, a pessoa que levou uma fechada de bicicleta…. todos ficam mais leves, mais simpáticos, mais felizes.

e eu só acho que deveria ser decretado que toda sexta-feira deveria ser de sol e céu aberto. porque toda gente merece, vez ou outra, achar que a vida que se leva, apesar dos dias cinzas e frios, está muito perto da vida que se deseja.

esperança não costuma ser algo dado, por isso mesmo quando aparece é festejada. nada melhor do que um dia de sol para renová-las. mas isto eu só acho.

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p.s.: eu sei, não deveria, mas sempre escrevo na pressa, num rompante, deixando os pensamentos saírem mais ou menos na hora que aparecem. nunca, ou quase nunca, reviso meus textos. por isso mesmo, acabo cometendo muito mais erros (crassos) de português do que gostaria. hoje, ao reler o texto da semana passada, quase caí para trás e quis me enterrar de tamanha vergonha. erros corrigidos. se alguém notar algum (s?) mais, por favor, me avise. obrigada, a gerência :-D!

p.p.s.: um ótimo fim de semana a todxs. com ou sem sol.

 

 

Alemanha, antes de ser mãe eu não sabia que..., Do cotidiano

o dia em que eu quase chorei

ou o dia em que eu quis um pósparto assim

eu não me envergonho nem um pouco em dizer que a minha decisão em ter um segundo filho foi adiada por motivo de: pós-parto tenebroso.

também não me envergonho em dizer que passei alguns anos (principalmente os dois primeiros anos) dizendo que nunca jamais nessa ou em qualquer outra vida eu teria um segundo filho. fato este até já narrado aqui : DAS CONVICÇÕES, O MEDO DO SEGUNDO, A STARBUCKS E O MUNDO DOS SONHOS

tampouco vou omitir que eu ficava muito pê da vida com qualquer pessoa que duvidasse da minha decisão de não ter mais filhos. ou com qualquer pessoa que risse dela.

tudo são águas passadas. a falsa convicção em não ter mais filhos. os dias sombrios do puerpério. graças a deus minha vida mudou, quem me viu quem me vê, a tristeza passou. citando camões: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança; todo o mundo é composto de mudanças, tomando sempre novas qualidades. amém mil vezes, camões!

mas antes de ontem, um amigo do tomás veio aqui casa brincar com meu filho. e a mãe dele também veio. e é muito legal ver os dois brincando, e mais legal ainda ficar conversando com gente grande. ainda mais com ela, que é uma pessoa super bacana.

nós estávamos falando sobre segundo filho, entre outras coisas. mas sobretudo sobre isto, de ter o segundo filho. no que a mulher me solta que depois que o filho dela nasceu ela se sentiu tão bem, tão forte, tão autosuficiente, que o marido até se ressentiu dela nunca precisar dele para nada!

como é que é??

e antes que eu achasse que as alemãs são seres geneticamente modificados, que dão à luz com rapidez e eficiência, que não padecem no vale de choro e de lágrimas do puerpério AND dão conta de dois, três filhos pequenos sozinhas, muitas vezes sem família por perto, e em todas as vezes sem faxineira, ela me disse que na verdade, ela era uma exceção. ufa, já me sinto melhor agora.

pois eu era o oposto da força. eu só fazia chorar e não entendia o porquê de tanto choro. eu precisei da ajuda do meu marido e do mundo inteiro. olha, eu precisei buscar forças e nem sabia de onde tirar. alguém tinha de ser responsabilizado por tudo aquilo. e quem eu responsabilizei? a dor do parto, é claro!

o parto foi ótimo, foi rápido para uma primípera, foi sucesso. amamentação idem. mas o puerpério, olha… difícil.

se me perguntassem há três anos atrás se, caso eu tivesse outro filho, eu teria um parto natural novamente, a resposta era um sonoro e redondo não.

hoje se me perguntarem: segundo filho? quero!! parto natural? com certeza, quero!!! puerpério estilo alemão? queeeeeeeeeeero!!!!!

não dá para assegurar essas coisas, afinal cada gravidez é uma, cada parto é um e cada filho é único. e hoje, eu só sou o que sou graças ao tomás, graças à todas as coisas que ele me trouxe e que com ele eu aprendi e tenho aprendido.

como diz a sabedoria popular, o segundo filho deveria vir antes do primeiro. mas não vem, e a gente aprende na marra mesmo. aprende inclusive, a passar pelas dores do parto e do puerpério. e aaaaaaah que clichê, sai mais forte delas. começo a suspeitar das verdades escondidas nos clichês….

mas olha, eu nunca desejei tanto na minha vida ser uma exceção como minha amiga alemã, e ter um puerpério excepcionalmente maravilhoso!

levando em conta que eu já tenho um filho pra criar, será que eu posso?

 

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mudei o layout do blog e vou continuar mudando sempre que me der na telha, ou até que esgotem as possibilidades do wordpress. ou seja, nunca. e se reclamar eu mudo de novo amanhã. e depois também 🙂

p.s.2 (tá na moda p.s, né?): na coluna blogs que sigo aparecem apenas os do wordpress. assim que eu conseguir adicionar azamigas do blogger vocês aparecerão aqui, viu migues!