navegar é preciso

e  porque o espírito festivo daqueles que estão longe me contaminou. e porque hoje é terça-feira gorda. e porque eu acho que essa música  diz muito sobre meus movimentos nos últimos tempos. e porque eu acho que , às vezes, podemos controlar e direcionar o rumo da vida. mas às vezes é  preciso soltar o leme  e ver onde vai dar. e porque eu estou muito feliz por ter me deixado levar pela vida. e porque demorou, mas eu cheguei onde deveria chegar. e porque é  carnaval, embora ele não se faça sentir onde estou. mas isso não importa.

bom fim de festa pra quem é da folia.

boa viagem para quem se lançar ao mar. qualquer mar, de qualquer escolha, pra qualquer lugar.

Timoneiro nunca fui
Que eu não sou de velejar
O leme da minha vida
Deus é quem faz governar
E quando alguém me pergunta
Como se faz pra nadar
Explico que eu não navego
Quem me navega é o mar

https://youtu.be/EflJ67AAZFc

Algumas frases que eu não gostaria de ouvir nas próximas 48 ou 72 horas

1. Vou demorar um pouquinho mais no trabalho hoje, tá bom? Marido ligando às 19h, avisando que vai chegar mais tarde ainda.

2. Eu vou viajar na próxima semana, mas vai ser uma viagem curta. E é a última do ano. Marido viajento e cara de pau.

2. Outro chocolate? Você está na TPM? Marido sem noção do perigo.

3. Outro brinquedo? Mas esse menino já tem muito brinquedo! Marido observador.

4. Outro livro? O mesmo marido acima.

5. Você não trabalha? Eu não aguentaria ficar o dia inteiro em casa! Eu também não. É por isso, inclusive, que eu saio de casa todos os dias com meu filho.

6. Você está grávida? Fala a verdade, você está né! Os avós

7. Mas você vai ter outro filho, não vai? Os avós ainda.

8. O Tomás não come maçã? Nossa, Zezinho adoooora maçã. Uma mãe afortunada (e exibida).

9. Mamãaaaaaaaaaaaaaaaaaae, eu quero acordar agora! Posso, mamãe? Meu filho às 5 e meias da manhã.

10. Eu não quero dormir! Meu filho, sempre.

11. Eu quero agora! O mesmo filho, para quase todas as coisas.

Posso pedir isso tudo, produção?

Pela atenção, obrigada!

não tá fácil pra ninguém

imagina se você é mulher, então…

ninguém me avisou, mas ao que parece vivemos uma competição diária

aquelas que chegarem em primeiro lugar devem ganhar alguma coisa (se é que existe um primeiro lugar nessa história), porque olha…

sei não, anda meio sem graça até

está grávida? mas não tem doula

tem doula? é privilegiada

pariu no hospital? mas não pariu na água

pariu na água mas não pariu em casa

pariu em casa na água, mas não amamentou em livre demanda

amamentou em livre demanda, mas não prolongadamente

amamentou em livre demanda, prolongadamente mas nunca precisou fazer dieta de aplv

nunca usou sling

só usa sling

deu chupeta e mamadeira

o moleque dorme na sua cama

deixa chorar

dá muito colo

não dá industrializados para o filho

não dá industrializados para o filho E é vegetariana

faz- me rir, somo veganos

começou a introdução alimentar com quatro meses

não sabe o que é blw?

voltou a trabalhar e pôs na creche

diz que só trabalha em casa? pfff

a filha nasceu faz tempo e a mãe continua gorda

é magra e bonita porque tem babá e empregada

pede mais empatia… ai que dodói

pede mais amor por favor… ai que balela

é muito crítica

falta crítica

e a lista continua ad infinitum

….

é saudável ter parâmetros, é desejável ter informação, é necessário respeitar o que cada um decide fazer com a mesma, penso eu

posso estar errada, mas sou muito mais da filosofia do “viva  e deixe viver”

acho que preciso me concentrar mais no meu tricot. quem sabe até eu engravidar e até nascer o bebê eu já tenha terminado os sapatinhos e a touquinha?

é isso, vou me concentrar nos blogs de ticotagem.

não, espera….

será que tem tretas nos blogs de tricot?

será que alguém vai querer enfiar a agulha no meu olho?

acho melhor fazer yoga

e meditar

e desconectar

é, não está fácil mesmo

 

 

 

 

é promessa de vida no meu coração

ou mudança de hemisfério, mudança de percepção

no brasil o sol é algo dado. tão dado que contamos com ele todos os dias. e como todas as coisas que nos são dadas, assim de mão beijada, chegamos a dá-lo como certo, todos os dias. chegamos até a reclamar de sua presença.

na alemanha eu vim perceber que o sol é algo esperado, ansiado, desejado. e todas as coisas esperadas, quando chegam são aproveitadas, comemoradas, agradecidas.

eu nunca achei que sentiria falta do sol. por ser mal acostumada a tê-lo sem pedir que viesse, imagina, cheguei a fugir dele.

hoje, me vejo correndo atrás de migalhas de sol, de franzinas nesgas, de minguados raios. mesmo quando aparece timidamente, como que a fazer força para romper com as nuvens, que parecem poder mais do que ele. ele, o astro rei, que brilha tão soberano no brasil que nasci e cresci.

hoje, depois de dias e dias sem sol, depois de dias de um cinza sem fim, o sol apareceu. firme, claro, forte. e até agora reina absoluto no céu. o seu calor, ainda não se pode sentir, mas a sua luz, apenas ela, já nos aquece o coração.

luz que mostra que os tristes dias de inverno estão chegando ao fim. ou será muita vontade minha de que ele chegue ao fim?

mas hoje, nem pensei se o fim do inverno está próximo ou não. hoje eu saí depressa, com pressa de aproveitar toda a parte que me cabe debaixo do sol. hoje não foram migualhas. hoje foram alegrias em forma de céu azul e luz dourada.

em dias assim, ensolarados, o mundo parece ser mais bonito e mais feliz. de fato, o humor das pessoas muda: a caixa do supermecado, os atendentes na padaria, os motoristas de ônibus, a pessoa que levou uma fechada de bicicleta…. todos ficam mais leves, mais simpáticos, mais felizes.

e eu só acho que deveria ser decretado que toda sexta-feira deveria ser de sol e céu aberto. porque toda gente merece, vez ou outra, achar que a vida que se leva, apesar dos dias cinzas e frios, está muito perto da vida que se deseja.

esperança não costuma ser algo dado, por isso mesmo quando aparece é festejada. nada melhor do que um dia de sol para renová-las. mas isto eu só acho.

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p.s.: eu sei, não deveria, mas sempre escrevo na pressa, num rompante, deixando os pensamentos saírem mais ou menos na hora que aparecem. nunca, ou quase nunca, reviso meus textos. por isso mesmo, acabo cometendo muito mais erros (crassos) de português do que gostaria. hoje, ao reler o texto da semana passada, quase caí para trás e quis me enterrar de tamanha vergonha. erros corrigidos. se alguém notar algum (s?) mais, por favor, me avise. obrigada, a gerência :-D!

p.p.s.: um ótimo fim de semana a todxs. com ou sem sol.

 

 

o dia em que eu quase chorei

ou o dia em que eu quis um pósparto assim

eu não me envergonho nem um pouco em dizer que a minha decisão em ter um segundo filho foi adiada por motivo de: pós-parto tenebroso.

também não me envergonho em dizer que passei alguns anos (principalmente os dois primeiros anos) dizendo que nunca jamais nessa ou em qualquer outra vida eu teria um segundo filho. fato este até já narrado aqui : DAS CONVICÇÕES, O MEDO DO SEGUNDO, A STARBUCKS E O MUNDO DOS SONHOS

tampouco vou omitir que eu ficava muito pê da vida com qualquer pessoa que duvidasse da minha decisão de não ter mais filhos. ou com qualquer pessoa que risse dela.

tudo são águas passadas. a falsa convicção em não ter mais filhos. os dias sombrios do puerpério. graças a deus minha vida mudou, quem me viu quem me vê, a tristeza passou. citando camões: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança; todo o mundo é composto de mudanças, tomando sempre novas qualidades. amém mil vezes, camões!

mas antes de ontem, um amigo do tomás veio aqui casa brincar com meu filho. e a mãe dele também veio. e é muito legal ver os dois brincando, e mais legal ainda ficar conversando com gente grande. ainda mais com ela, que é uma pessoa super bacana.

nós estávamos falando sobre segundo filho, entre outras coisas. mas sobretudo sobre isto, de ter o segundo filho. no que a mulher me solta que depois que o filho dela nasceu ela se sentiu tão bem, tão forte, tão autosuficiente, que o marido até se ressentiu dela nunca precisar dele para nada!

como é que é??

e antes que eu achasse que as alemãs são seres geneticamente modificados, que dão à luz com rapidez e eficiência, que não padecem no vale de choro e de lágrimas do puerpério AND dão conta de dois, três filhos pequenos sozinhas, muitas vezes sem família por perto, e em todas as vezes sem faxineira, ela me disse que na verdade, ela era uma exceção. ufa, já me sinto melhor agora.

pois eu era o oposto da força. eu só fazia chorar e não entendia o porquê de tanto choro. eu precisei da ajuda do meu marido e do mundo inteiro. olha, eu precisei buscar forças e nem sabia de onde tirar. alguém tinha de ser responsabilizado por tudo aquilo. e quem eu responsabilizei? a dor do parto, é claro!

o parto foi ótimo, foi rápido para uma primípera, foi sucesso. amamentação idem. mas o puerpério, olha… difícil.

se me perguntassem há três anos atrás se, caso eu tivesse outro filho, eu teria um parto natural novamente, a resposta era um sonoro e redondo não.

hoje se me perguntarem: segundo filho? quero!! parto natural? com certeza, quero!!! puerpério estilo alemão? queeeeeeeeeeero!!!!!

não dá para assegurar essas coisas, afinal cada gravidez é uma, cada parto é um e cada filho é único. e hoje, eu só sou o que sou graças ao tomás, graças à todas as coisas que ele me trouxe e que com ele eu aprendi e tenho aprendido.

como diz a sabedoria popular, o segundo filho deveria vir antes do primeiro. mas não vem, e a gente aprende na marra mesmo. aprende inclusive, a passar pelas dores do parto e do puerpério. e aaaaaaah que clichê, sai mais forte delas. começo a suspeitar das verdades escondidas nos clichês….

mas olha, eu nunca desejei tanto na minha vida ser uma exceção como minha amiga alemã, e ter um puerpério excepcionalmente maravilhoso!

levando em conta que eu já tenho um filho pra criar, será que eu posso?

 

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mudei o layout do blog e vou continuar mudando sempre que me der na telha, ou até que esgotem as possibilidades do wordpress. ou seja, nunca. e se reclamar eu mudo de novo amanhã. e depois também 🙂

p.s.2 (tá na moda p.s, né?): na coluna blogs que sigo aparecem apenas os do wordpress. assim que eu conseguir adicionar azamigas do blogger vocês aparecerão aqui, viu migues!

 

 

 

eles crescem

ou a constatação de que um filho está há anos-luz dos seus paisimage segunda-feira gelada e molhada. e preguiçosa. convido sem esperanças tomás para uma soneca. usando-me do seguinte argumento:

tom, quando você era bebê, eu e seu pai cantávamos assim pra você: o que que um pai pode fazer pro nenê nanar, o que que um pai pode fazer no meio da noite, pro nenê nanar…

funcionava? pergunta ele.

não, mas hoje eu tenho outra versão dessa música pra você: o que a mamãe pode fazer pro tomás cochilar, o que mamãe pode fazer ,no meio da tarde, pro tomás cochilar. gostou?

não. e depois de um tempo me diz, eu tenho uma outra versão ainda: o que o tomás pode fazer pra mamãe acordar, o que o tomás pode fazer, no meio da tarde, pra mamãe acordar.

moral da história 1: se a vida lhe dá a mão não queira o braço. seu filho insone haverá de crescer e dormir. e deixará pai e mãe também dormirem. não desejes sonecas vespertinas.

moral da história 2: seu filho crescerá, dormirá e haverá de trollar pai e sobretudo, a mãe.

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dou por encerrado e esgotado o assunto sono neste blog. volto a falar sobre ele (ou a falta dele) somente no próximo filho. combinado?

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a música, para @s afortunad@s que não a conhecem por motivo de: filhos dorminhocos

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Vence na vida quem diz sim

não é a resposta padrão que recebo do meu filho. não é a resposta primeira, na ponta da língua. não é areposta que sai na lata, sem nem pensar. mesmo que venha seguido de um sim. é não pra quase tudo, é não em qualquer hora.

daí que eu parei de perguntar. pra que insistir numa estratégia que vinha se mostrando falida? passei a falar: ei tomás, vamos levar os seus amigos do banho para banheira? vaaaaaaamos!!! ei tomás, vamos levar seu teddy para tomar um ar no parque? eeeeeeeeeeeba! ei tomás, vamos fazer de conta que vamos comer num restaurante? ( e daí sirvo omelete com brócolis e arroz integral, mas né, a gente está num super restaurante). vaaaaaaaamos!

se dá certo sempre? claro que não!

falar não é com ele mesmo, mas pergunta se ele gosta de ouvir um não? não, nãogosta não. é que é chato mesmo ouvir não. ninguém gosta, né! gente pequena, gente grande, ninguém gosta. mas apesar de ninguém gostar, todo mundo sabe que receber sim pra tudo sempre, não é legal também.

pensando nisso, na chateação de ouvir um não, é que eu me vi matutando para os nãos que eu mesma andava dizendo para o meu filho. tem não que não abro mão; são os nãos dos limites claros, do respeito ao próximo, da segurança, do bem-estar. são os nãos que parecem ruins, mas na verdade fazem bem e corroboram para um sim da vida, talvez aqui, talvez láaaaa na frente. mas ainda assim, permanecem não. e ponto!

já outros…. por que não mudar para um sim? podemos ficar mais no parque? podemos comprar esse macarrão hoje? podemos voltar por aqui? na boa, o que poderia acontecer? atrasar um pouco o jantar, experimentar uma marca diferente, conhecer outro caminho?

se é fácil discernir um não não de um não sim? às vezes não, às vezes sim. mas vida de mãe e pai é assim: no fio da navalha sempre. tem horas que pendemos para um lado e acertamos, e tem horas que pendemos para outro e…. erramos. somos humanos, afinal.

daí que pensando nesse tudo de não, nese tudo de sim, nesse tudo de vezes sim, vezes não…. eu parei e reparei. o não do meu filho é quase sempre por contestação, esperando o limite. mas também é um não sincero, genuíno, dito quase sempre com um sorriso no rosto. é um não leve.

daí que eu não me lembro quando foi a última vez que eu disse um não com tanta leveza, com um sorriso no rosto, querendo dizer não de verdade. ou da últimamvez que eu disse sim querendo mesmo dizer sim, sorrindo, com leveza, convicta.

a gente leva uma vida entre sim e não, a toda hora, a todo momento. mas tem sim que era pra ser um não e tem não que bem que podia ser sim.

quando é que a gente esqueceu de dizer sim e não com o coração, feito criança pequena?  não sei. mas sei que com filho pequeno a gente tem oportunidade de repensar muita coisa e refazer tantas outras.

dizer sim quando me importo, de verdade. dizer não quando realmente passou dos meus limites. dizer não quando já estou satisfeita, cansada…

dizer sim pra parecer bonita? dizer sim pra ficar bem na fita? hum, meu filho nem sabe o que é isso.

e na dúvida entre o sim e o não, eu ficom com a pureza da resposta das crianças.

o não vou dizendo conforme a ocasião. afinal, sim e não tem a mesma duração quando falados.

eu digo sim pra lida. digo sim na dúvida, nas despedidas. eu digo sim pra vida.

porque eu acho que vence na vida quem diz sim pra ela. porque quem diz sim querendo dizer não, quase sempre perde.

tô certa, chico?

não louça, hoje você vai esperar. hoje eu resolvi dizer sim para o passeio primeiro.

não louça, hoje você vai esperar. hoje eu resolvi dizer sim para o passeio primeiro.

o inferno são os outros

Ou: onde se encontra empatia no mundo de hoje?

Sabe de uma coisa? Nessa minha nada longa vida de mãe eu já li muitos livros sobre maternidade e criação de filhos. Você também, aposto. É que existem muitos livros das mais variadas vertentes, passando pelo adestramento nazista, até a linha do amor nunca é demais. Cuja linha, particularmente, sou adepta e muito simpática.

talvez seja um sinal dos tempos em que vivemos, os números tendendo ao incontável, de livros sobre o assunto. Ė verdade que somos uma geração muito mais exposta à informação que nossos pais, assim como é verdade também,que a sociedade, as famíllias, os papéis e também as crianças mudaram.

e para suprir novas demandas, novas formas de viver, juntamente com novos desafios ao criar/educar uma criança, que tanto se fala e se escreve sobre o assunto.  haja visto o tanto não só de livros, como tambèm de sites, blogs, artigos, portais sobre maternidade/ paternidade. e tudo isso nas mais variadas línguas; passamos, ao que parece, por um momento globalizado de repensar não só a gravidez, o parto, a maternidade/ paternidade, como também a infância de nossos filhos, para que sejam adultos conscientes de si mesmos, da sociedade, do planeta em que vivem, para que sejam gente do bem entre outras coisas.

mas se tem uma coisa que parece não mudar é o fato de criança fazer birra. não importando se brasileira, alemã, inglesa, francesa… o que muda é a personalidade de cada criança, somada à forma que os pais lidam e conduzem a birra, aliada à maneira que outros dentro do círculo de convívio reagem à elas.

segundo todos os livros e artigos que li sobre o assunto é bom que assim seja. acredite, eu acredito nisso. embora nem sempre seja tão agradável saber que meu filho testa os seus, e sobretudo, os meu limites. embora ser firme, convicta e amorosa ao mesmo tempo custe forças que pareço, às vezes, não ter. embora muitas vezes eu tome decisões baseadas no que as pessoas estão pensando, porque criança birrenta é algo intolerável na nossa sociedade.

dia desses eu estava na fila do supermercado. e aqui na alemanha nos supermercados já é natal. e são incontáveis chocolates em forma de papai noel, dos mais variados cores e tamanhos entre outras tentações para qualquer criança pequena. e o mais interessante, todos ficam na boca do caixa, na altura de uma criança pequena. perverso, para dizer o mínimo.

então que meu filho de quase quatro anos me pede um chocolate x em forma de rena. não, eu disse, hoje não é dia de chocolate, lembra? obviamente meu não foi interpretado como uma condenação à forca, como a maior das injustiças já por mim praticadas. e o show começou. a fila atrás de nós só crescia, assim como o descontentamento do meu filho.

assim como li nos livros, me abaixei, ficando assim em sua altura, pedi para ele se acalmar, esperei pelo contato visual, reconheci seu desejo pelo chocolate, e permaneci firme em meu não. não adiantou. choros, lamentos, ranger de dentes e um vale de lágrimas. a caixa de supermercado, as pessoas na fila e eu tivemos de “suportar” até eu pagar e empacotar as compras. e eu sozinha, tive de aguentar os olhares censuradores e expressões de como é que você não consegue fazer esse menino parar de chorar e gritar?

e não, não adiantou ir com uma lista pronta ao supermercado e participar meu filho de cada compra,  fazê-lo me ajudar e tudo mais. e não, não são só as crianças “mal-educadas” e sem limites que fazem birras. toda criança fez, faz e fará. e eu repito, é bom que seja assim. especialmente para a criança que está aprendendo. inclusive sobre limites; os próprios e os alheios. e sim, esse é o único jeito para aprender.

eu fiquei vermelha de vergonha. e preciso confessar que sempre fico quando as birras acontecem publicamente. e esse dia foi especial em dois sentidos: um, porque meu filho caprichou no show, sendo minha vergonha diretamente proporcional ao seu escândalo. E dois, porque naquele dia eu dei um basta para mim mesma. e não, não foi no meu filho. eu prometi nunca mais sentir vergonha do meu filho por um comportamento absolutamente normal. eu aprendi que algumas coisas na maternidade não exigem desculpas, apenas aceitação.

eu já li muitos livros bons sobre maternidade e criação de filhos, mas acho que anda me faltanto mesmo é ler um livro cujo título seja cinquenta tons de estou cagando e andando para você que me julga quando meu filho está sendo apenas o que ele é, ou seja, uma criança.

Se você já fez isso, já censurou, já julgou, já pensou que no lugar da mãe bastava um bofetão na criança, eu gostaria de lhe dizer: abra a sua mente, mãe também é gente, criança também é gente.

e aí? alguém mais pra ler esse livro comigo?