sobre filhos e férias

sair de férias com crianças pequenas é a prova de fogo para nossa paciência. porque expô-las por vários dias à situações e rotinas novas, a horários diferentes é quase como armar uma bomba relógio. mesmo planejando ahead, mesmo intercalando hora de passeios e hora de descanso, dias mais intensos e dias mais tranquilos, não é garantia de zero chiliques . ontem depois de um dia intensivo de passeio debaixo de sol e calor, as crianças já davam pistas do cansaço acumulado. como a irritação era crescente resolvemos alimentá-Los antes que a situação escalace. o restaurante foi escolhido a dedo, mas não teve childrens menu e giz de cera que desse conta do modo virado no giraia que meus filhos resolveram entrar. tirei a violeta da mesa várias vezes para um cool down. sem muito resultado. martin dormiu depois de uma catarse. Tomás esqueceu todas as regras de bom comportamento à mesa. coloquei à prova todas as minhas leituras sobre disciplina positiva, coloquei em xeque minha meditação diária, e repetia em looping : abaixe as expectativas, abaixe as expectativas! não sei se por compaixão a nós ou aos demais clientes a moça que nos atendia disse que passou nossos pedidos na frente. a comida das crianças chega. um derruba água outro suco, outro acorda pra mamar. quando meu prato chega violeta fez cocô. volto e fazemos revezamento de filho; um faz Martin dormir outro trata da violeta. dou três garfadas e o bebê acorda aos prantos. “João, pegue os três e volte para o hotel – eu pago a conta e peço pra embrulharem para viagem”. pago a conta e espero nossa comida devidamente embalada. olho para o lado e a mulher da mesa ao lado elegantésima em seus badulaques, com cabelo arrumadissimo, e com sua crispy White camisa de linho sorri para mim “you have your hands full, love” yeah, respondi e sorri de nervoso fazendo a promessa vazia de só tirar férias novamente quando eles tiverem 18 anos. chego no hotel e a maratona de banho e sono começa. por fim, nos sentamos na companhia do nosso mais velho (porque tudo isso aconteceu e não eram nem oito da noite) que nos contava as consequências do aquecimento global que tinha lido na revista, e saboreamos nosso prato requentado.

“Do que adianta ir em restaurante com estrelas no michelin se a gente come requentado? ” e eu num acesso de otimismo respondo que é para ter história para contar.

não tá fácil pra ninguém

imagina se você é mulher, então…

ninguém me avisou, mas ao que parece vivemos uma competição diária

aquelas que chegarem em primeiro lugar devem ganhar alguma coisa (se é que existe um primeiro lugar nessa história), porque olha…

sei não, anda meio sem graça até

está grávida? mas não tem doula

tem doula? é privilegiada

pariu no hospital? mas não pariu na água

pariu na água mas não pariu em casa

pariu em casa na água, mas não amamentou em livre demanda

amamentou em livre demanda, mas não prolongadamente

amamentou em livre demanda, prolongadamente mas nunca precisou fazer dieta de aplv

nunca usou sling

só usa sling

deu chupeta e mamadeira

o moleque dorme na sua cama

deixa chorar

dá muito colo

não dá industrializados para o filho

não dá industrializados para o filho E é vegetariana

faz- me rir, somo veganos

começou a introdução alimentar com quatro meses

não sabe o que é blw?

voltou a trabalhar e pôs na creche

diz que só trabalha em casa? pfff

a filha nasceu faz tempo e a mãe continua gorda

é magra e bonita porque tem babá e empregada

pede mais empatia… ai que dodói

pede mais amor por favor… ai que balela

é muito crítica

falta crítica

e a lista continua ad infinitum

….

é saudável ter parâmetros, é desejável ter informação, é necessário respeitar o que cada um decide fazer com a mesma, penso eu

posso estar errada, mas sou muito mais da filosofia do “viva  e deixe viver”

acho que preciso me concentrar mais no meu tricot. quem sabe até eu engravidar e até nascer o bebê eu já tenha terminado os sapatinhos e a touquinha?

é isso, vou me concentrar nos blogs de ticotagem.

não, espera….

será que tem tretas nos blogs de tricot?

será que alguém vai querer enfiar a agulha no meu olho?

acho melhor fazer yoga

e meditar

e desconectar

é, não está fácil mesmo

 

 

 

 

parece demais

ou não há fardo tão pesado que não se possa carregar

 

nada como um café, uma respiração profunda, um copo d’àgua numa golada. porque ainda era muito cedo para algo mais forte. e lembrou-se de quando fumava, e desejou naquela hora, não um maço inteiro, mas apenas um ou dois cigarros. achando que era para dar coragem, de seguir viagem quando a dúvida vem. achando que um trago ajudaria.

 

uma pausa, um reconforto, uma esperança

uma pausa, um reconforto, uma esperança

a verdade rota e esfarrapada

a verdade rota e esfarrapada

e então, ela parou de pensar e foi fazer. porque não há impossíveis. o impossível, assim como o possível, é a gente que faz.

ela fez. ao fazer esqueceu-se de ser infeliz.

às vezes, tudo o que ela precisa é tragar a vida. sem filtro.