Do cotidiano, filosofia de boteco

Preciso me encontrar

Quando eu comecei a escrever nesse blog há quase cinco anos atrás, eu comecei por puro desespero. Meu filho contava com quase cinco meses, eu havia passado por um puerperio terrível e tinha uma depressão ainda não diagnosticada.

Se o blog me ajudou? Um pouco, sim. Conheci virtualmente pessoas sempre dispostas a dar conselhos amorosos, demonstrar solidariedade aos percalços da maternidade; a escrita, de certa forma, ajudou a colocar ordem nos pensamentos, a suprir a falta de mim mesma, a nomear sentimentos…

Hoje se fala abertamente por aí sobre maternidade e depressão, embora esse lado b da maternidade ainda seja visto com olhos tortos, julgamentos e preconceitos.

Com o passar dos meses e dos anos, acredito que ter um blog e fazer parte de uma comunidade virtual de mães, acabou sendo uma ajuda para lidar com as diferentes fases de crescimento do meu filho, uma ajuda para lidar com os desafios e as descobertas de cada fase.

O desespero inicial que foi o estopim para criar esse blog há muito se dissolveu, assim como muitas dúvidas e medos daqueles tempos. Eu mudei, claro. Não só pessoalmente, com amadurecimento e alguns cabelos brancos, mas também geograficamente. Muitas vezes. Meu filho cresceu, e embora a maternidade tenha o mesmo gosto da  descoberta todos os dias, aquele gostinho de ter meu filho em meus braços pela primeirissima vez, ela se tornou bem mais serena (ou teria eu me tornado mais serena?).

Tudo que escrevi aqui não é só para mim e para minha terapia pessoal, ou para quem lê o blog. É também sobre e para o meu filho. E agora eu tenho um filho falante, que me conta altas histórias e com quem eu protagonizo altas aventuras, mas que exatamente por falar, me pede para que suas narrativas e peripécias não sejam espalhadas. Acho justo. 

A blogosfera materna mudou. Admiro quem soube mudar junto com ela e ao mesmo tempo soube se recriar sem perder a ternura. Hoje há tantos blogs maternos que eu nem sabia que existiam, e tantos outros que eu nem saberei que existem, muito pelo fato de eu não estar mais na fase das noites insones, mamadas em livre demanda, saltos de desenvolvimento e cia. 

Muita gente ainda tem usado o Facebook como plataforma de compartilhamento e interação sobre maternidade e afins, mas a esse espaço eu já não pertenço e não pretendo pertencer.

E c’est la vie.

Aqui no blog tem memórias minhas por demais preciosas, coisas que escrevi não somente para não esquecer-me delas, mas também para me lembrar do quão especial a vida é, de que tudo se supera, de que eu mesma me superei, de que a vida é assim mesmo, feita de altos e baixos. E abandonar essas memórias seria abandonar uma parte importante de mim mesma.

Mas escrever só sobre maternidade já não me apetece, embora a maternidade seja a minha principal “ocupação ” no momento. 

Por ora, tenho que lidar com a imensa vontade de continuar a escrever, mas também de ressignificar aquilo que quero compartilhar. Não quero vir aqui e escrever bobagenzinhas que não fazem sentido nem a mim mesma só para ter um blog ativo. Mas também não quero desativar o blog de vez, e muito menos quero fazer drama.

O melhor que tenho a fazer agora é esperar e aproveitar a primavera, arejar os pensamentos, assistir ao sol nascer (coisa fácil de se fazer com filho madrugador), ver as as águas dos rios correr (com a devida licença poética), ouvir os pássaros cantar (porque moro perto de uma floresta, e mesmo que não morasse é primavera e eles estão à todo vapor), eu quero viver (obrigada Candeia por ter escrito essa maravilhosa canção)*.

E como já disse o Chico Buarque: …”correndo no escuro, pichado no muro, você vai saber de mim”…. 

Saberá porque voltarei, e voltarei porque quero tanto. Só resta-me saber quando, como e talvez onde.

P.S.: um abraço apertado a todos que passam por crise bloguisticas hoho

*Preciso me encontrar – Candeia

http://youtu.be/plOTKOJ32Os

 

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