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não tá fácil pra ninguém

imagina se você é mulher, então…

ninguém me avisou, mas ao que parece vivemos uma competição diária

aquelas que chegarem em primeiro lugar devem ganhar alguma coisa (se é que existe um primeiro lugar nessa história), porque olha…

sei não, anda meio sem graça até

está grávida? mas não tem doula

tem doula? é privilegiada

pariu no hospital? mas não pariu na água

pariu na água mas não pariu em casa

pariu em casa na água, mas não amamentou em livre demanda

amamentou em livre demanda, mas não prolongadamente

amamentou em livre demanda, prolongadamente mas nunca precisou fazer dieta de aplv

nunca usou sling

só usa sling

deu chupeta e mamadeira

o moleque dorme na sua cama

deixa chorar

dá muito colo

não dá industrializados para o filho

não dá industrializados para o filho E é vegetariana

faz- me rir, somo veganos

começou a introdução alimentar com quatro meses

não sabe o que é blw?

voltou a trabalhar e pôs na creche

diz que só trabalha em casa? pfff

a filha nasceu faz tempo e a mãe continua gorda

é magra e bonita porque tem babá e empregada

pede mais empatia… ai que dodói

pede mais amor por favor… ai que balela

é muito crítica

falta crítica

e a lista continua ad infinitum

….

é saudável ter parâmetros, é desejável ter informação, é necessário respeitar o que cada um decide fazer com a mesma, penso eu

posso estar errada, mas sou muito mais da filosofia do “viva  e deixe viver”

acho que preciso me concentrar mais no meu tricot. quem sabe até eu engravidar e até nascer o bebê eu já tenha terminado os sapatinhos e a touquinha?

é isso, vou me concentrar nos blogs de ticotagem.

não, espera….

será que tem tretas nos blogs de tricot?

será que alguém vai querer enfiar a agulha no meu olho?

acho melhor fazer yoga

e meditar

e desconectar

é, não está fácil mesmo

 

 

 

 

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A gente não quer só parir

Eu chego atrasada, eu sei, como me é sempre peculiar. Mas ainda que no fim da Semana Mundial de Respeito ao Nascimento e Contra a Violência Obstétrica, eu gostaria de deixar aqui o meu relato e o mais profundo e sincero desejo.

Anos atrás, ainda na Alemanha, eu me deparava pela primeira vez com uma concepção diferente do nascer. Naquela época eu não tinha certeza ainda de que teria filhos, mas o contato com uma outra forma de ver a gravidez e, principalmente o parto, me deixou com uma pulguinha atrás da orelha.

De volta ao Brasil e cada vez mais certa do projeto filho, eu comecei a ler tudo quanto era possível sobre parto natural e humanizado. Livros, sites, relatos de parto. Antes mesmo do Tomás nascer eu já tinha pra mim que queria um parto domiciliar. Se é pra chutar o balde… eu pensava. Cesárea sem necessidade, cesárea agendada… nem pensar! Antes mesmo de engravidar eu sabia que queria parir. E querer já é muita coisa.

E eu pari meu filho; não em casa. Pari num hospital, pari sem anestesia, sem episiotomia, sem pressa, com muito grito, com liberdade, com carinho, com atenção. Pari com gente que é o crème de la crème do parto humanizado no Brasil. Gente que, além de extremamente competente, é gente de verdade. Gente que há anos luta por uma causa, ao meu ver, muito muito justa. E importante!

Eu sei, eu tive sorte sim. Mas eu também sei que eu corri atrás desta sorte. Munida de vontade e informação, cercada de profissionais sérios e competentes, eu fiz a minha sorte.

O que aconteceu depois do meu parto (baby blues) não tem livro, nem doula, nem médico que possa evitar. E muito menos uma cesárea. O nascimento de um filho é algo tão impactante, que cada mulher vivência de um jeito diferente.

Há quase quatro anos atrás começava o processo que mudaria a minha vida para sempre. E eu estava amparada e acolhida por uma parteira maravilhosa. Há quase quatro anos atrás eu dei um passo para viver o processo mais transformador da minha vida. E eu estava amparada e acolhida por uma parteira maravilhosa.

Um parto demora muito tempo para ser digerido, tanto tempo que parece que deixou de ser importante. Meu parto ecoa até hoje, mas hoje, passada a dor do parto, passada a dor da transformação, passada a dor da ruptura de vida, hoje, quase quatro anos depois, eu não tenho palavras para expressar a minha gratidão por ter tido uma parteira e um obstetra maravilhosos ao nosso lado, por eles terem acreditado em mim, por terem me acolhido, nos acolhido, e por terem me ajudado a trazer o Tom para este mundo. Eles sempre farão parte das nossas vidas e das nossas mais doces e amorosas lembranças.

Hoje, nas voltas que o mundo dá, e de volta à Alemanha, com filho parido e longe de estar criado, eu começo a me dar conta do que ter parido significou pra mim. É como se quase quatro anos depois (é, meu bebê já não é mais um bebê), a minha ficha caísse de uma única vez. É como se o acontecido, o meu, o nosso parto, se descortinasse e clareasse na minha cabeça.

Então, dia desses uma pessoa escreveu no Facebook que nenhuma mulher do seu círculo de amizade real ou virtual tinha parido de verdade, nenhuma mulher sequer. Eu respondi que eu tinha parido sim. Ela respondeu de volta, dizendo que eu não contava, pois tinha parido na Alemanha. Então, neste dia, ficou claro para mim que nosso imaginário tupiniquim, parir é só para as gringas ou para as mulheres que moram fora do Brasil.

Eu sei da realidade do nosso Brasil, mesmo estando hoje fora dele. Eu sei que, muitas vezes, não basta a vontade, não basta a fé, não basta a informação. O que falta é gente que abrace essa outra concepção do nascer, gente que abrace (literal e metaforicamente) a mulher que quer parir.

Mas este cenário está mudando. Hoje em terras tupiniquins, presenciamos um verdadeiro renascimento do parto; muito mais gente vê e espera que um parto, um nascimento, seja o mais natural, o mais respeitoso possível para mãe e filho .

E é também por conta de toda esta mudança, que eu estufei o peito, e fiquei muito feliz e orgulhosa em dizer para minha amiga virtual de Facebook que não, eu não pari na Alemanha. Eu pari no Brasil, e não foi em nenhuma maternidade top e podre de chique. Foi no interior de São Paulo, para ser bem precisa, numa maternidade que em nada lembra um hotel! E que isto na verdade não fez a menor diferença, pois o essencial, ou seja, o respeito ao meu corpo, ao  tempo mãe-bebê vale mais que qualquer instalação cinco estrelas.

E em tempos onde a própria OMS reconhece que a violência obstétrica é violência contra a mulher, e em tempos onde existe uma semana dedicada ao respeito ao nascimento, eu deixo aqui meu testemunho. Um relato de quem vivenciou todo o respeito, e o meu profundo e sincero desejo a todos (mães e pais) que desejam um parto, que de fato o tenham.

Mas a gente não quer só parir, a gente quer fazê-lo com respeito. E acredite, hoje no Brasil, parir não constitui mera sorte ou acaso.  Aos poucos está virando fato.

a vida é mais, dilemas da vida moderna, o parto, parteiras, perguntas

Por favor, me corrijam se eu estiver errada

Quando saiu a notícia de que a Wanessa Camargo havia dado à luz ao seu segundo filho via parto normal eu fui lá ver: http://maternar.blogfolha.uol.com.br/2014/06/19/nasce-de-parto-normal-segundo-filho-de-wanessa-camargo/

E fiquei feliz por ela. Feliz porque a gente sabe da dificuldade que é em terras brasillis ter um parto normal depois de uma cesárea.

Internet afora a notícia foi divulgada. Internet afora a notícia foi comentada. E os comentários na internet são pra quem tem estômago, viu!

Wanessa Camargo foi criticada, chamada de louca, desqualificada enquanto mulher, mãe, profissional e ser humano. Muitas pessoas não se cansavam de dizer que essa “moda” de parto normal/natural já estava cansando.

As adeptas do parto humanizado comemoraram e refutavam todos os “argumentos” depreciativos.

Pois é, meu marido me pergunta porque eu leio os comentários. Eu também me pergunto porque me presto a isso.

Semanas depois foi Sandy quem deu à luz ao seu primeiro filho. E eu também fui lá ver: http://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2014/06/1475550-nasce-theo-primeiro-filho-da-cantora-sandy.shtml

Eu me alegrei pelo nascimento do filho dela. Eu me alegro por cada criança que nasce nesse mundo.

Eu tampouco julgo a cesárea da Sandy. Não sou médica, não acompanhei a menina na sua gestação, o pouco ou o nada que sei sobre a vida dela, o sei através da mídia enviesada.

Internet afora a notícia foi divulgada. Internet afora a notícia foi comentada. Eu já falei que os comentários na internet são para quem tem estômago?

Algumas pessoas adeptas ao parto humanizado criticaram a cesárea da Sandy. Aqui é preciso dizer que, partindo do princípio de que nem todas as pessoas nesse mundo sejam gente fina e elegante, é natural que em todo movimento hajam militantes que não sejam gente assim educada demais. Lamento, de verdade, pelos comentários em nada positivos dessas pessoas.

Eu, graças a deus, só conheço as militantes lindas, finas e elegantes.

Foi o que bastou para que comentários extremamente rudes começassem a ser jogados contra azíndia toda do parto normal. Foi o que bastou para as cesariadas (sem conotação pejorativa, por favor!!!) dizerem que não eram “menasmain” (ZZZZzzzzzzZZZZZ róooooooooinc) que as paridas e por aí vai.

Não adiantou ninguém tentar desenhar o quadro para que se pudesse entender o porquê do VBAC (Vaginal birth after cesarean) da Wanessa ser comemorado, e o porquê da cesárea da Sandy ter sido “lamentada”. Como fez aliás a sempre ótima Gabi Sallit com esse texto aqui.

O furdunço já estava armado, e nos comentários sobre a cesárea da Sandy azíndia humanizada representavam a ignorância, a intolerância, a chatice. A palavra sororidade foi utilizada em tom de sermão.

O mais interessante é que quando azíndia humanizada foram parabenizar a Wanessa (e a equipe médica) pelo parto normal e foram criticadas, ninguém contrário àzíndia todas pediu respeito pelas escolhas da mulher, ninguém lembrou da palavra sororidade, ninguém falou em julgamento ou livre arbítrio.

É impressão minha ou o respeito no caso só vale pra quem pensa igual? É impressão minha ou a maioria absoluta mesmo acha parir uma ideia absurda?

Por favor, me corrijam se eu estiver errada.