Do cotidiano, mãe zen, mundo afora, parto, uk, Violeta

um breve relato do que foi e do que tem sido

Violeta já tem nove semanas,e parece que foi ontem mesmo que a segurei em meus braços pela primeira vez. 

e parece que foi ontem mesmo, depois de cinco horas de parto ativo, sendo duas de expulsivo e uma cesárea de emergência,  que eu finalmente conhecia a minha menina.

nunca pensei que faria parte das estatísticas das cesarianas que salvam vidas, ainda mais após um primeiro parto vaginal, onde fisiologicamente foi tudo perfeito. ninguém esperava. nem eu, nem João, nem as midwives, nem os médicos. mas fizemos parte.

e tê-la em meus braços depois de toda minha Via Crucis foi a maior e melhor sensação de alívio da minha vida. 

tem sido uma delícia amamentar novamente. ela não é tão gulosa como era seu irmão, mas ainda assim mama bastante, a minha pulguinha.

aliás, tem sido uma delícia ter um bebê de novo em casa.

Tomás está apaixonado pela irmã e tem se saído muito bem como irmão mais velho. tivemos alguns dias de choro, uma sensibilidade maior, mas tudo foi se ajustando e ele agora não tem sentido mais as mudanças na sua rotinininha. 

eu estou ótima físicamente, jamais esperava me recuperar tão rápido como me recuperei. emocionalmente então, nem se fala.  eu que experimentei uma depressão pós-parto da primeira vez, sei hoje o que é estar bem depois da chegada de um filho.

e eu não tenho tido tempo de passar por aqui por motivos bastante óbvios: quando Violeta dorme eu tenho que escolher entre lavar a louça ou a roupa, ou tentar arrumar a casa, ou comer ou tomar banho, ou ir ao banheiro… e quando me dou conta, já é hora de buscar o Tom na escola.

por falar em escola, vem “ni mim” férias de verão! é só o que penso.

e é isso, por ora, o que tenho para dizer. Vivi dorme há meia hora, e antes que ela acorde para mamar, vou lá lavar uma louça.

mas volto pra relatar com detalhes o nascimento da Vivi. Alguém ainda se interessa por relato de parto?🤔

beijos nossos e até o próximo post.

Alemanha, antes de ser mãe eu não sabia que..., Do cotidiano

o dia em que eu quase chorei

ou o dia em que eu quis um pósparto assim

eu não me envergonho nem um pouco em dizer que a minha decisão em ter um segundo filho foi adiada por motivo de: pós-parto tenebroso.

também não me envergonho em dizer que passei alguns anos (principalmente os dois primeiros anos) dizendo que nunca jamais nessa ou em qualquer outra vida eu teria um segundo filho. fato este até já narrado aqui : DAS CONVICÇÕES, O MEDO DO SEGUNDO, A STARBUCKS E O MUNDO DOS SONHOS

tampouco vou omitir que eu ficava muito pê da vida com qualquer pessoa que duvidasse da minha decisão de não ter mais filhos. ou com qualquer pessoa que risse dela.

tudo são águas passadas. a falsa convicção em não ter mais filhos. os dias sombrios do puerpério. graças a deus minha vida mudou, quem me viu quem me vê, a tristeza passou. citando camões: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança; todo o mundo é composto de mudanças, tomando sempre novas qualidades. amém mil vezes, camões!

mas antes de ontem, um amigo do tomás veio aqui casa brincar com meu filho. e a mãe dele também veio. e é muito legal ver os dois brincando, e mais legal ainda ficar conversando com gente grande. ainda mais com ela, que é uma pessoa super bacana.

nós estávamos falando sobre segundo filho, entre outras coisas. mas sobretudo sobre isto, de ter o segundo filho. no que a mulher me solta que depois que o filho dela nasceu ela se sentiu tão bem, tão forte, tão autosuficiente, que o marido até se ressentiu dela nunca precisar dele para nada!

como é que é??

e antes que eu achasse que as alemãs são seres geneticamente modificados, que dão à luz com rapidez e eficiência, que não padecem no vale de choro e de lágrimas do puerpério AND dão conta de dois, três filhos pequenos sozinhas, muitas vezes sem família por perto, e em todas as vezes sem faxineira, ela me disse que na verdade, ela era uma exceção. ufa, já me sinto melhor agora.

pois eu era o oposto da força. eu só fazia chorar e não entendia o porquê de tanto choro. eu precisei da ajuda do meu marido e do mundo inteiro. olha, eu precisei buscar forças e nem sabia de onde tirar. alguém tinha de ser responsabilizado por tudo aquilo. e quem eu responsabilizei? a dor do parto, é claro!

o parto foi ótimo, foi rápido para uma primípera, foi sucesso. amamentação idem. mas o puerpério, olha… difícil.

se me perguntassem há três anos atrás se, caso eu tivesse outro filho, eu teria um parto natural novamente, a resposta era um sonoro e redondo não.

hoje se me perguntarem: segundo filho? quero!! parto natural? com certeza, quero!!! puerpério estilo alemão? queeeeeeeeeeero!!!!!

não dá para assegurar essas coisas, afinal cada gravidez é uma, cada parto é um e cada filho é único. e hoje, eu só sou o que sou graças ao tomás, graças à todas as coisas que ele me trouxe e que com ele eu aprendi e tenho aprendido.

como diz a sabedoria popular, o segundo filho deveria vir antes do primeiro. mas não vem, e a gente aprende na marra mesmo. aprende inclusive, a passar pelas dores do parto e do puerpério. e aaaaaaah que clichê, sai mais forte delas. começo a suspeitar das verdades escondidas nos clichês….

mas olha, eu nunca desejei tanto na minha vida ser uma exceção como minha amiga alemã, e ter um puerpério excepcionalmente maravilhoso!

levando em conta que eu já tenho um filho pra criar, será que eu posso?

 

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mudei o layout do blog e vou continuar mudando sempre que me der na telha, ou até que esgotem as possibilidades do wordpress. ou seja, nunca. e se reclamar eu mudo de novo amanhã. e depois também 🙂

p.s.2 (tá na moda p.s, né?): na coluna blogs que sigo aparecem apenas os do wordpress. assim que eu conseguir adicionar azamigas do blogger vocês aparecerão aqui, viu migues!

 

 

 

gravidez, parto

toda falta de sono será esquecida

ou o porquê da perpetuação da humanidade

para ser bem sincera com você, eu não me lembro exatamente desde quando eu durmo mais de três horas seguidas. inclusive até, já cheguei a perder hora, simplesmente porque meu filho dormiu demais. esta última frase me faz rir horrores: porque meu filho dormiu demais. hahahahahahaha! desculpe, é que falando me parece surreal.

tomás não dormia. ponto. simples assim. não dormia. até pouco tempo atrás eu me lembrava dos anos, meses, semanas, dias, horas e minutos que tinha ficado sem dormir. até pouco tempo atrás, me parecia i-m-p-o-s-s-í-v-e-l voltar a dormir novamente. dormir ininterruptamente, não à prestação, mas à vista, de uma vez só. dormir até mais tarde. dormir. dor-mir apenas. dormir, dormir, dormir.

a boa notícia: com tudo a gente se acostuma, até com sono à prestação. a melhor notícia ainda: a gente volta a dormir.

então num sábado meu filho acordou às oito e meia, me deixou ficar mais meia hora na cama enquanto brincava no seu quarto com seus brinquedinhos. saio da cama às nove, refeita de uma noite bem dormida.

à tarde vamos a um Café. um Café childfriendly onde nos sentamos entre carrinhos de bebês, onde na mesa ao lado uma mãe amamenta seu filho, onde tomamos nossos cappuccinos ao som de jazz e chorinho de bebê. onde meu filho todo menino de si pega os livrinhos no cesto das revistas, senta-se à mesa, toma seu chá de camomila e conversa conosco feito menino grande, contando-nos histórias e causos.

e não só isso. vai ao banheiro, sabe abotoar a calça, lava as mãos, come seu bolo sozinho. e para além de todas as coisas: este mesmo filho dorme uma fucking noite inteira.

então eu olho para o lado e ouço o choro do bebê e digo ai, que gostoso!. então eu olho para o lado e vejo um bebê mamando no peito e digo ai, que gostoso!. então eu quero usar sling de novo, eu quero comprar toda a linha da weleda para bebê de novo, eu quero sentir os peitos cheios de leite de novo, eu quero amamentar de novo, eu quero sentir contrações de novo, eu quero parir de novo, eu quero ficar sem dormir de novo…

ooooops!! dormir à prestação de novo? não dormir de novo?

daí eu me sinto como naquele programa do silvio santos, onde o participante está na cabine sem ouvir nada, e o silvio pergunta: você quer trocar este carro zero quilômetro, esta lava roupa, este secador de cabelo, esta cesta de produtos jequiti e mais cinquenta reais por um par de meias e uma espiga de milho? e o auditório enlouquecido grita nãaaaaaaaaaaaaaaaaao. e  a pessoa na cabine responde siiiiiiiiiiiiiim!

#chateado
#chateado

troque o carro, a lavadora, o secador de cabelo, os produtos jequiti e as cinquenta dilmas por noites de sono e um filho extremamente colaborativo, lindo, educado e cada vez mais independente. e a espiga de milho e o par de meias por um bebê recém-nascido, falta de sono, trocas de fralda, amamentação em livre demanda, puerpério… e o auditório enlouquecido da minha parte puramente racional grita não. e na melhor prova de que tudo passa, tudo muda, de que dor de parto se esquece, etc etc etc, eu interna e inteiramente grito siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim!

maroto
maroto

a diferença é que a pessoa da cabine quando descobre o que perdeu se decepciona. eu no entanto, não vou perder nada. pelo contrário, o ganho é imensurável, inimaginável, mais do que recompensador.

ok, vou perder algumas (muitas) noites de sono.

mas a boa notícia é: com tudo a gente se acostuma. a melhor notícia ainda: a gente volta a dormir.

mesmo.

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em tempo:

um bebê, um filho não se compara com nada, absolutamente nada material. a comparação do post é meramente ilustrativa. você não levou a sério, né? que bom!

este post não é um anúncio subliminar de gravidez 😦